Palavras Decrépitas.
1 Fogo e gelo.
Às vezes me canso de sorrisos forçados
De mágoas guardadas em corações quebrados
As noites passam e eu me arrependo do que não foi falado
Mas sei que queimarei as cartas pra ti feitas no verão passado
O mormaço me engole e eu não lembro o que é sentir
Estou confusa, com medo da dor e sem saber pra onde ir
A luz está escassa e minha vida se desfazendo
Passei a ser feita de feixes da agonia que estão rompendo
O mundo oscila e eu me sustendo em reminiscências antigas
Mesmo sabendo que são elas que trazem nossas velhas feridas
Queria dizer verdadeiramente que estou forte, e não me encontro assustada
Mas as decepções e saudades me mantém afastada
Não havia reparado em como vivi em função de te agradar
Te dava uma risada quando meu peito bramia querendo chorar
Eu ia me moldando em você, que costumava ser minha inspiração
Só pra no final sofrer com mais um pouco de desilusão
Algo me dizia que diferente dos outros, cumpriria sua promessa fielmente
Mas no fundo sabia que retalharia minha alma novamente
Nossa história parece uma estrada chuvosa e sem fim
Com sonhos perdidos, postes apagados e com você longe de mim
Não me surpreenderia se a lua perdesse o brilho e as estrelas escurecessem
Nem faz diferença, estaria tudo cinza mesmo que a tristeza me esquecesse
Não é o silêncio que me destrói, e sim a falta da sua aveludada risada
Por mais que eu tentasse entender, fogo e gelo, eu e você, são coisas não explicadas
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