Às vezes me canso de sorrisos forçados

De mágoas guardadas em corações quebrados

As noites passam e eu me arrependo do que não foi falado

Mas sei que queimarei as cartas pra ti feitas no verão passado

O mormaço me engole e eu não lembro o que é sentir

Estou confusa, com medo da dor e sem saber pra onde ir

A luz está escassa e minha vida se desfazendo

Passei a ser feita de feixes da agonia que estão rompendo

O mundo oscila e eu me sustendo em reminiscências antigas

Mesmo sabendo que são elas que trazem nossas velhas feridas

Queria dizer verdadeiramente que estou forte, e não me encontro assustada

Mas as decepções e saudades me mantém afastada

Não havia reparado em como vivi em função de te agradar

Te dava uma risada quando meu peito bramia querendo chorar

Eu ia me moldando em você, que costumava ser minha inspiração

Só pra no final sofrer com mais um pouco de desilusão

Algo me dizia que diferente dos outros, cumpriria sua promessa fielmente

Mas no fundo sabia que retalharia minha alma novamente

Nossa história parece uma estrada chuvosa e sem fim

Com sonhos perdidos, postes apagados e com você longe de mim

Não me surpreenderia se a lua perdesse o brilho e as estrelas escurecessem

Nem faz diferença, estaria tudo cinza mesmo que a tristeza me esquecesse

Não é o silêncio que me destrói, e sim a falta da sua aveludada risada

Por mais que eu tentasse entender, fogo e gelo, eu e você, são coisas não explicadas