Paladin
40 CAPÍTULO 40: Sacrifício
A quietude que reinava no salão foi quebrado pelo som da respiração pesada de todos. O instrutor, agora um inimigo imponente, emanava uma aura maligna, uma energia que fazia até o ar parecer denso e pesado. Enquanto o grupo trocava olhares, Ana tomou a iniciativa, sua voz firme e clara, mas carregada de tensão.
— Vamos precisar dividir — falou, enquanto preparava seus encantamentos de proteção. — Não podemos todos ficar aqui e lutar. Alguém precisa ir até o portal para quebrar o selo.
O grupo, já começando a se fortalecer com seus buffs, concordando silenciosamente. Sabiam que essa era a única chance de interromper o plano macabro do inimigo.
— Eu fico — respondeu Raziel, ajustando sua espada. — Consigo dar buffs para fortalecer o pessoal e segurar a luta por um tempo.
John, ao lado do amigo, assentiu, o machado em suas mãos já envolto em uma leve aura mágica.
— Tamo junto, Raz — disse sem hesitar.
Ana lançou um olhar rápido para os dois, seu rosto sério enquanto pensava na formação que precisavam manter.
— Seraphine, Alexa, vocês vêm comigo até o portal — avisou sem deixar espaço para objeções. — Precisamos de vocês para quebrar o selo e resolver isso.
— Vamos quebrar o selo e voltar com ajuda — respondeu Alexa, com determinação.
Breno, ajustava suas mãos, preparando uma sequência de magias. Já havia percebido a gravidade da situação e sabia que não poderia vacilar.
— Contem comigo. Vou ajudar com controle e suporte — Breno respondeu prontamente sentindo o poder fluir por suas veias.
— Bora! Vou garantir que nenhum ataque direto chegue a vocês, vou segurar a linha de frente. — Fernando, o segundo tank do grupo, deu um passo à frente, batendo o escudo no chão com força.
Rodrigo, com um sorriso tenso, completou a formação.
— Não vou deixar nenhum de vocês cair sem ajuda.
O plano estava decidido, Ana se virou para os que iam com ela.
— Certo, temos que ser rápidos — disse com os olhos fixos na porta de entrada. — A distração começa agora.
Alexa, já de olhos fechados, murmurava palavras arcanas enquanto conjurava um escudo ao redor dos que ficariam para a batalha. Um brilho azul cobriu os cinco guerreiros que se preparavam para enfrentar a ameaça.
— Boa sorte — sua voz era baixa, enquanto a magia a envolvia. — Vamos voltar, por favor, aguenta Raz.
A batalha começou como uma explosão. O Instrutor moveu-se com uma velocidade inumana, suas mãos envoltas por uma energia sombria. Invocou uma onda de sombras que se ergueram como serpentes, chicoteando em direção ao grupo. Fernando ergueu seu escudo a tempo, bloqueando o primeiro ataque, enquanto Breno conjurava um muro de pedra para proteger o resto do time.
— Agora! — gritou Raziel, erguendo a espada e avançando com John ao seu lado.
Enquanto isso, Ana, Seraphine, Alexa, Gabrielle e Brian correram em direção ao portal, movendo-se com agilidade pelas sombras do ambiente, aproveitando a distração criada pelos que ficaram para trás. O chão tremeu quando o Instrutor lançou uma explosão de energia negra que atravessou o salão, mas o time que corria conseguiu se esquivar a tempo, desaparecendo nas sombras. Os cinco que ficaram enfrentavam uma luta que, para eles, parecia impossível de vencer. O poder demoníaco era avassalador. Cada golpe fazia o ar vibrar, cada movimento vibrava como uma ameaça letal.
— Segurem firme! — falou John, segurando a espada enquanto bloqueava um golpe direto.
Breno conjurava uma tempestade de estacas do chão, tentando cercar o inimigo, mas a energia maligna parecia devorar suas habilidades. Rodrigo, do outro lado, estava suando, suas reservas de mana quase esgotadas enquanto curava ferimentos e tentava manter o grupo de pé. Foi então que a risada chegou ao ouvido de todos, uma gargalhada sombria que ecoava pelo salão.
— Vocês acham que podem me parar?
Avançou com um soco, e antes que Fernando pudesse reagir, o impacto esmagador quebrou seu escudo e deslocou seu braço com um estalo horrível. Derrubando o tank que agora gritava de dor.
— Fernando! — chamou Raziel, tentando cobrir o amigo.
Mas o Instrutor já estava de olho em John. Uma mão demoníaca, gigante e negra, emergiu do chão, agarrando John com uma força brutal. A mão apertou suas pernas com uma pressão esmagadora, quebrando os ossos com um som seco. O warrior soltou um grito gutural, caindo ao chão, suas pernas em um ângulo grotesco.
— Maldição! — murmurou Rodrigo, tentando correr até John, mas sua mana estava quase esgotada.
Raziel se mantinha em pé, a espada em punho, seus olhos fixos naquele inimigo macabro. Observou Fernando caído, John à beira do desmaio, e sabia que o tempo estava se esgotando.
— Rodrigo, Breno — sua voz rouca, tentando manter o foco. — Escutem, preciso que prestem atenção.
O priest, ofegante, se aproximou do jovem paladino, tentando conjurar um feitiço de cura em John. Breno, embora exausto, concentrou-se, sentindo que existia algum tipo de plano.
— O que você precisa que a gente faça? — perguntou, limpando o suor da testa.
— Vou distrair, — respondeu com seus olhos fixos no Instrutor, que caminhava lentamente em sua direção, envolto em uma aura de sombras pulsantes. — Vocês precisam carregar o John, ele não vai conseguir caminhar. Fernando, você ainda consegue correr.
Respirou fundo, a tensão no ar era palpável, cada segundo contava.
— Eu vou afastar aquele desgraçado para longe da porta. — continuou, ajustando a espada na mão. — Assim que vocês passarem, Breno, levante uma parede, qualquer coisa que possa atrasar esse desgraçado. E quando conseguirem, corram como se não existisse o amanhã. Não olhem para trás. Eu vou ficar aqui para segurar ele sozinho.
Ambos trocaram um olhar rápido, a gravidade da situação estampada em seus rostos.
— Vai dar tempo? — perguntou Breno, hesitante.
Não respondeu de imediato, mas seu olhar decidido disse tudo. Sabia que não havia garantias.
— Só corre mano. — falou finalmente. — E não parem, mesmo se eu gritar.
Os despertados que estavam ali assentiram, sabiam que essa era a última chance que tinham.
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