Paladin
26 CAPÍTULO 26: Escolha
O lugar onde a cerimônia de abertura havia ocorrido agora parecia menor sem os veteranos presentes, mas a ausência do público não diminuía o peso do momento. Apenas os calouros estavam ali, sentados em filas ordenadas, esperando o início da escolha de suas classes. Raziel sentia uma tensão vibrando no ar, como se a energia coletiva dos alunos estivesse prestes a explodir.
No centro do palco, a diretora Alya aguardava com sua usual presença imponente. Seus olhos varriam o público em silêncio até que, finalmente, deu um passo à frente. Com um movimento fluido, ergueu a mão e, de imediato, o murmúrio cessou. Quando sua voz ecoou pelo anfiteatro, ela soou clara e firme, como uma força de comando incontestável.
— Hoje, vocês darão o primeiro passo oficial para se tornarem verdadeiros warriors, mages, paladins e muito mais — começou Alya, olhando para cada um dos jovens à sua frente. — Escolher a classe de vocês é apenas o início. Ao alcançarem o nível 25, será o momento de escolher a subclasse, o que moldará seu destino no campo de batalha. Apesar disso, sugiro que, desde agora, foquem nas habilidades que possam fortalecer o caminho que escolherão futuramente. Este é o primeiro ato de sua jornada.
Ela deu uma pausa dramática, deixando que as palavras se assentassem no coração dos alunos. Raziel sentiu o peso dessa declaração reverberar em sua mente. A escolha de classe. O que parecia uma decisão simples tomava uma proporção muito maior ali, naquele lugar sagrado, onde cada um definiria o rumo de suas habilidades e responsabilidades.
Alya gesticulou para a grande esfera mágica posicionada no centro do palco, uma relíquia de poder antigo. Ela brilhava em um dourado intenso, pulsando lentamente, como se tivesse vida própria. Um a um, os alunos seriam chamados para tocá-la, e a esfera revelaria a classe que ressoava com a essência de cada um. Contudo, a escolha seria do Despertado: aceitar ou não a decisão. Era possível acatar a sugestão da esfera ou escolher aquilo que acreditava ser bom para si. Havia uma energia espiritual profunda naquele processo, algo além da compreensão racional.
Raziel observou enquanto os primeiros alunos subiam ao palco. Cada um parecia ser envolvido por uma aura diferente ao tocar a esfera, escolhendo suas classes e definindo seus primeiros passos no caminho para o poder. Ele podia sentir sua própria tensão crescendo à medida que sua vez se aproximava.
Finalmente, seu nome foi chamado. Seu coração acelerou, e ele respirou fundo enquanto subia os degraus em direção à esfera. Cada passo parecia mais pesado que o anterior, como se estivesse carregando o peso do destino em suas costas. Ao se aproximar da esfera, o brilho dourado tornou-se mais intenso, quase hipnotizante. Quando finalmente ergueu a mão para tocá-la, sentiu uma leve resistência, como se a magia estivesse avaliando sua essência.
Assim que seus dedos encostaram na superfície, Raziel foi tomado por uma onda quente de energia. Sentiu algo profundo, uma conexão antiga se formar entre ele e aquela esfera. Era como se sua fé estivesse sendo testada, sondada. De repente, a magia dourada da esfera o envolveu completamente, penetrando até a alma. Fé e mana se fundiam em uma única corrente, vibrando em sintonia com o espírito de Raziel.
A esfera, no entanto, não mostrou apenas uma resposta imediata. Observou outras opções se abrindo diante de si, vislumbres de caminhos diferentes — Warrior, até mesmo Mage. Mas algo em seu coração já havia decidido. Ele sabia, com clareza inabalável, qual caminho seguir.
Paladin.
Assim que mentalizou a palavra, uma visão poderosa tomou conta de seus sentidos. De repente, não estava mais no anfiteatro, mas em um espaço vasto e luminoso. Diante de si, surgia a figura imponente de um arcanjo, suas asas abertas, resplandecendo uma luz divina. O arcanjo segurava uma espada de duas mãos, com a ponta da lâmina encostando suavemente no chão, simbolizando uma força serena e inabalável.
E então, uma voz reverberou pelo vazio ao redor, uma voz que era ao mesmo tempo suave e cheia de poder. Ela trazia consigo uma tranquilidade celestial, compaixão e autoridade, como se falasse diretamente ao coração do novo Paladin. Apenas uma palavra foi dita:
— Miguel.
O nome ecoou por sua mente, e quando Raziel o repetiu em um sussurro, sentiu uma explosão de energia. Uma onda de poder indescritível atravessou seu corpo, como se uma força divina o tivesse tocado. O mundo ao seu redor escureceu, e tudo o que ele pôde sentir antes de perder a consciência foi uma paz avassaladora, como se tivesse sido banhado em luz pura.
Quando abriu os olhos, estava deitado em um ambiente desconhecido. A luz suave e o cheiro estéril deixavam claro que estava na enfermaria. Piscou lentamente, tentando processar o que havia acontecido. Seu corpo estava pesado, mas não de exaustão — havia uma nova força correndo em suas veias, algo que não sabia descrever.
Antes que pudesse refletir mais, a voz familiar de Sophie cortou seus pensamentos. Sua irmã estava ao seu lado, com uma expressão de preocupação, mas também um leve sorriso.
— Finalmente acordou, nosso dorminhoco — disse ela, cruzando os braços. — O que aconteceu?
Raziel, ainda confuso, sentou-se lentamente, sentindo uma leve vertigem. Olhou para ela e, com a voz hesitante, contou sobre a visão, a figura que viu e a palavra que ecoava em sua mente.
— Eu vi... um ser com asas. Ele segurava uma espada de duas mãos, e... ele disse "Miguel". Depois, não vi mais nada. Apaguei legal.
Sophie permaneceu em silêncio por um momento, avaliando as palavras dele. Então, um sorriso largo apareceu em seu rosto, cheio de significado.
— Bom, parece que você tem algo muito interessante pela frente, Raz — disse ela, enigmática.
Raziel olhou para ela, intrigado.
— O que você quer dizer com isso?
Sophie apenas deu de ombros, ainda com aquele sorriso enigmático no rosto.
— Acho que logo você vai descobrir.
Fale com o autor