Paladin

45 CAPÍTULO 45: A Verdade Revelada



Quando as lágrimas finalmente secaram e a euforia do reencontro deu lugar a uma calma reconfortante, Sophie e sua mãe se afastaram um pouco, dando espaço para que Raziel respirasse. Ainda sentia o corpo fraco, mas o alívio de estar ali, vivo, entre sua família, era indescritível. Havia algo no ar, uma mistura de alegria e cautela, que pairava como uma nuvem invisível. Sabia que havia perguntas que precisavam ser feitas, respostas que aguardavam.


— O que aconteceu depois que eu apaguei? — perguntou Raziel, sua voz ainda rouca pelo longo período de inatividade.


As duas trocaram olhares rápidos antes de Sophie tomar a frente.


— Foi... complicado — começou, sua voz carregada de preocupação. — Quando chegamos ao castelo, você já estava no chão, desacordado. O Instrutor tinha sido eliminado.


A mãe assentiu, complementando o relato da irmã.


— Aquele demônio... — lembrou, apertando os lábios ao falar, visivelmente relutante em relembrar a cena. — Ele estava tentando arrancar o seu núcleo, Raz. A gente ouviu o grito. Quando chegamos à igreja, havia um clarão enorme de luz e... bom, foi uma cena que eu nunca vou esquecer. Havia... algo, uma presença, sobre você. Algo poderoso.


Raziel franziu o cenho, tentando lembrar-se dos detalhes que ainda estavam borrados em sua mente. O clarão de luz, a dor no peito... e então, a lembrança do Mestre, o templo e tudo que passou. Sabia do que estavam falando, mas não era o momento de revelar tudo o que havia acontecido. Pelo menos, não ainda.


— Foi um Arcanjo, tenho certeza — continuou sua irmã. — Ele te protegeu. Assim que o Instrutor caiu, você desmaiou, e a luz... bem, a luz sumiu. Você ficou apagado a semana toda.


— Uma semana? — indagou Raziel, arqueando as sobrancelhas. — Caralho, é bastante tempo.


— Bastante para nos preocuparmos — respondeu Sophie, olhando-o com olhos marejados. — Todo dia a gente vinha até aqui... esperando que você acordasse. Todo mundo do seu grupo veio. Alexa até batia ponto aqui de tantas vezes que veio. — Sophie deu um leve sorriso, que logo se transformou em um sorriso travesso. — Ela chorou todas as vezes, sabia? Mamãe acha que a garota gosta de você mais do que imagina.


Raziel não pôde evitar o sorriso que surgiu no canto de seus lábios. A ideia de Alexa preocupada com ele de um jeito mais profundo era algo que nunca havia considerado seriamente, mas, ao ouvir aquilo, seu coração se aqueceu.


— Bom, pelo menos não vou reprovar por faltas — respondeu com uma risada fraca.


— Ah, isso nem precisa se preocupar. A professora Sheila já garantiu que você foi aprovado neste semestre. Seu "ato heróico", como ela chamou, foi exemplo para todos.


O despertado sorriu, mas logo percebeu que havia algo no olhar de sua mãe que indicava que nem tudo eram boas notícias. Havia uma hesitação, um peso em seu olhar que não podia ignorar.


— O que foi? — perguntou, a preocupação começando a subir em sua voz. — Tem mais alguma coisa?


Respirou fundo antes de falar. Havia uma seriedade em sua voz que fez o coração acelerar.


— Tem algo que precisamos te contar — começou, cuidadosamente escolhendo as palavras. — Durante a luta... seu núcleo de mana foi danificado. — fez uma breve pausa, observando a reação do filho. — Os médicos disseram que o fluxo de mana no seu corpo pode ter sido gravemente prejudicado.


O silêncio que se seguiu foi quase palpável. As palavras pairavam no ar, pesadas, como se cada uma fosse uma pedra lançada sobre ele. Sentiu um frio percorrer sua espinha. Seu núcleo, a fonte de sua energia, a essência de sua habilidade como Despertado... danificado? A gravidade da situação começou a se desenrolar lentamente em sua mente.


— Isso quer dizer que... — começou, mas não conseguiu terminar a frase. As palavras do Mestre ecoaram em sua mente: “Tempos difíceis pela frente, sua fé será testada.”


Sua mãe segurou sua mão com mais força.


— Ainda é cedo para saber o quanto isso vai te afetar, filho — disse, sua voz tremendo ligeiramente. — Você é forte. Acreditamos que vai superar isso.


O jovem ficou em silêncio, digerindo a informação. A ameaça pairava sobre ele, mas, ao mesmo tempo, sentia uma calma dentro de si, uma paz que o conectava diretamente com as palavras do Mestre. Precisava acreditar. Precisava ter fé, mesmo nos momentos mais sombrios.


— Alya falou com uma amiga pessoal, a Santa Sacerdotisa Lyra — disse ela. — Eles acreditam que podem te ajudar a recuperar o que foi perdido, ou pelo menos entender melhor o que aconteceu com seu núcleo. Mas para isso, você vai precisar ir até o reino deles.


Raziel a olhou por um momento, sentindo o peso daquelas palavras. O Reino da Fé era lendário, um lugar onde poucos tinham a oportunidade de ir. A ideia de que talvez houvesse esperança de cura, de entendimento, o preencheu com uma nova onda de determinação. Olhou para Sophie e sua mãe, sentindo o amor e o apoio delas como uma fortaleza ao seu redor. Não importava o que viesse a seguir, sabia que não estaria sozinho.


— Quando? — perguntou, sua voz cheia de determinação.


— Assim que você acordasse. É o seu núcleo, não podemos perder tempo — respondeu sua mãe.


— Posso ver o pessoal antes de ir?


— Claro.


Sentindo uma nova jornada se aproximar. Sabia que, apesar dos desafios à frente, estava preparado para enfrentá-los. Afinal, a fé estava sempre com ele, onde quer que fosse.