Paladin
41 CAPÍTULO 41: Fim
A tensão no ar era palpável. Raziel sentia o peso da responsabilidade em seus ombros, e seus olhos brilharam com a determinação de um paladino que sabia o que precisava ser feito. A entidade que estava na sua frente, envolto em uma aura de pura malícia, avançava lentamente, seus passos ressoando no salão destruído. As sombras ao seu redor dançavam como se fossem uma extensão de sua própria alma corrompida.
Rodrigo assentiu, engolindo o medo que lhe subia pela garganta. Ele e Breno pegaram John, cujas pernas pendiam inertes, enquanto Fernando, com dificuldade, se colocava de pé, o braço machucado ainda sem força. O grupo se preparava para a fuga, e Raziel sabia que agora era a hora.
— Vão! — gritou, virando-se para enfrentar o perigo.
Correndo em direção ao inimigo, com a espada em punho, desferiu um golpe certeiro. O som do aço encontrando carne ecoou pelo salão, mas o ser não recuou. Com uma risada gutural, agarrou a lâmina com uma das mãos, suas unhas negras cravando-se no metal e, com um movimento bruto, lançou Raziel para trás. O paladino caiu de pé, mas não parou.
Enquanto isso, Rodrigo e Breno, com Fernando os apoiando, passaram pelos escombros. O coração do mage acelerava enquanto canalizava sua magia. Assim que o grupo atravessou a porta, ergueu a mão e uma muralha de pedra surgiu do chão, fechando a passagem.
— Vamos! — falou Breno, puxando-os para longe.
Do outro lado da muralha, a batalha continuava. O ser demoníaco atacava com uma força sobre-humana, socos que rasgavam o ar com um poder esmagador. Raziel se esquivava o quanto podia. Cada golpe que sua arma encontrava, parecia ser absorvido pelas trevas que o envolviam seu inimigo.
— Você é forte, Raziel, — sorriu com desdém. — Mas não adianta ser forte se não sabe usar a sua força. Deixa eu te mostrar como se faz.
Com um soco devastador, ele atingiu o peito de Raziel com uma força brutal. O impacto foi tão intenso que a armadura do jovem paladino quebrou, estilhaçando-se em pedaços metálicos que se espalharam pelo chão. Raziel sentiu o ar sair de seus pulmões e caiu de joelhos, sua mão ainda segurando a espada com força.
— Por mais que os outros tenham escapado... — disse o Instrutor, seus olhos demoníacos brilhando de excitação. — Um Rank S como você ainda será um sacrifício excelente.
Antes que pudesse reagir, outro soco o atingiu com violência. O jovem paladino foi arremessado contra a parede de pedra do castelo, suas costas racharam a estrutura atrás dele. Quando caiu no chão, mal conseguia respirar. A dor pulsava em cada músculo, mas tentava se levantar. Sua visão começou a turvar, e pela primeira vez sentiu o gosto de ferro na boca, era sangue. Mesmo assim, não recuaria.
...
Do outro lado do castelo, por terem os poderes de despertados o grupo corria rapidamente em direção a entrada da dungeon. Assim que chegaram no portal, o mesmo estava envolto por correntes de mana, emitindo um brilho maligno. O selo que prendia a passagem era uma teia de poder mágico, complexa e ameaçadora.
— Precisamos quebrar isso rápido. — disse Ana, sua voz repleta de urgência.
Após tentarem usar habilidades, força e o desespero cada vez mais batendo na porta, Alexa respirou fundo e se aproximou, sua mente trabalhando a toda velocidade. Analisou o selo, seus olhos percorrendo cada fio de mana que conectava o feitiço à estrutura. Tudo no selo era complexo, uma cadeia, uma sequência, uma parte que combinava e se encaixava uma na outra, foi então que percebeu e disse.
— Aqui... — murmurou Alexa, apontando para uma interseção nas correntes mágicas. — O selo está alimentado por uma única fonte de energia. Se cortarmos isso... o portal se abrirá.
Enquanto ainda terminava de processar a complexidade do selo, sons de passos rápidos e ofegantes ecoaram atrás delas. Fernando, John, Rodrigo e Breno surgiram correndo, suas expressões exaustas e marcadas pela batalha. Mas faltava alguém. A ausência de Raziel no grupo trouxe uma tensão imediata ao ar, fazendo todos sentirem um aperto no peito. A urgência, já presente, se intensificou de maneira palpável.
— Você consegue fazer isso? — perguntou Seraphine, com a voz embargada pela preocupação.
— Sim, — respondeu a mage, reunindo toda sua concentração. Sua magia pulsava com precisão, e com um movimento firme, lançou um fino fragmento de gelo, não maior que uma unha, diretamente no ponto fraco do selo. Por um instante, o selo brilhou intensamente, resistindo, até que, com um clarão ofuscante, ele se desfez.
O portal se abriu com um estrondo, uma onda de ar frio e eletricidade emanando de sua entrada. A sensação de alívio imediato tomou conta do grupo, mas antes que pudessem sequer respirar aliviados, quatro figuras surgiram do outro lado. Alya, Darkke, Benhur e Sophie avançaram com pressa, suas armas e armaduras prontas e os olhos vasculhando o terreno.
Sophie parou abruptamente ao olhar ao redor, seus olhos correndo pelos rostos familiares. Estavam machucados, mas vivos. No entanto, seu olhar frenético falhou em encontrar o rosto mais importante. Aquele que ela mais procurava.
— Onde está o Raziel? — perguntou Sophie, sua voz forte parecia quase um sussurro, carregada de desespero.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. O time baixou os olhos, incapaz de suportar o peso daquela pergunta. Rodrigo apertou os punhos, o rosto tomado pela vergonha. Fernando, mancando, desviou seus olhos, incapaz de enfrentar a verdade que latejava dentro dele. Breno, lutando para manter a compostura, mordeu o lábio inferior com força, tentando conter a emoção que ameaçava transbordar.
A irmã do paladino deu um passo à frente, seu coração disparando no peito. O silêncio deles era como uma sentença. Seu corpo tremeu levemente, e seus olhos, agora arregalados de medo, começaram a brilhar com lágrimas contidas.
— Onde está o meu irmão? — repetiu, a voz agora quebrada.
Nenhuma resposta. A verdade estava escrita nos rostos deles, no peso da culpa e da impotência que nenhum deles conseguia esconder. A ausência de Raziel era mais sufocante do que qualquer resposta que pudessem dar.
Fale com o autor