Paladin
35 CAPÍTULO 35: Portal
O céu sobre a cidade de Florianópolis estava tingido por nuvens cinzentas enquanto o grupo de calouros se aproximava da imponente Ponte Hercílio Luz. Raziel, acompanhado por seus companheiros de grupo, caminhava em silêncio, seus olhos fixos no destino à frente. O portal, um arco colossal de energia pulsante, flutuava a poucos metros da ponte. Ao redor, os alunos da Academia se preparavam, o som das armaduras de metal rangendo e o sussurro dos robes de tecido grosso misturando-se ao barulho distante do tráfego da cidade.
O som de espadas sendo desembainhadas, escudos sendo ajustados e o toque oco de staffs contra o chão reverberava pelo ar. Todos vestiam seus trajes de combate fornecidos pela Academia, armas que já haviam visto melhores dias. O desgaste era evidente — espadas com entalhes, escudos amassados e robes levemente costurados.
— Esse equipamento... — murmurou Seraphine, enquanto olhava a lâmina de sua espada. — Podiam estar em melhores condições. Vamos conseguir lutar assim?
— Temos que nos virar com o que temos — disse Raziel, ajustando a espada de duas mãos. — Não importa o estado das armas; o que vai contar é nossa estratégia... assim espero.
Alguns alunos nas proximidades reclamavam em voz alta sobre a qualidade dos equipamentos, mas o murmúrio de insatisfação foi abruptamente interrompido por um silêncio súbito e respeitoso. De longe, todos viram Alya, a diretora da Academia, aproximar-se do portal. Sua presença comandava atenção imediata. Trajada em uma armadura cerimonial de um azul profundo, com detalhes dourados que pareciam vibrar com poder, ela andava com confiança absoluta. Seus olhos, cheios de autoridade, percorriam a multidão de calouros, como se pesassem cada alma presente.
— Se acalmem! — disse Alya, sua voz forte, mas serena, cortando o ar. — Vocês estão prestes a enfrentar algo que vai testar cada um de vocês até os limites. Prestem atenção.
Os alunos imediatamente focaram nela; suas inquietações e queixas foram momentaneamente esquecidas. A diretora subiu em uma plataforma improvisada para que todos pudessem vê-la claramente.
— Este portal — continuou Alya, gesticulando com uma mão em direção ao arco brilhante de energia — foi dominado por nós há muitos anos. Usamos portais como este para treinar nossos Despertados. A dungeon para onde vocês irão não é uma simples simulação. Cada monstro, cada desafio que encontrarão lá dentro é real.
Ela fez uma pausa, seus olhos observando os rostos dos alunos, permitindo que suas palavras penetrassem.
— Cada grupo será enviado para uma dungeon distinta. Os monstros serão os mesmos para todos, mas os ambientes serão diferentes. As dungeons são autênticas e perigosas, não se enganem. Vocês podem se machucar, perder partes do corpo... e até morrer.
Um murmúrio inquieto percorreu os calouros, mas Alya levantou uma mão, exigindo silêncio.
— No entanto — ela disse com firmeza — esta é uma dungeon inicial. Instrutores treinados estarão posicionados na entrada. Se algo extremo estiver para acontecer, eles intervirão. Estão aqui para garantir que aprendam, mas não para protegê-los de suas próprias falhas. Vocês serão julgados por tudo: formação, estratégia, ajuda em grupo, força e habilidades. Seus professores assistirão a cada movimento, a cada decisão que fizerem.
A tensão no ar aumentava. O portal pulsava com uma energia vibrante, como se estivesse à espera de devorar os jovens que o atravessassem. Raziel trocou olhares com Ana, que, serena como sempre, acenou levemente em confirmação.
— Não esqueçam, vou reforçar — continuou Alya, sua voz agora baixa e grave, quase como um sussurro ameaçador — os monstros são reais. Não há espaço para erro ou descuido. Esta será a primeira verdadeira prova de suas capacidades como Despertados.
Ela deu um passo à frente, como se quisesse aproximar-se de cada aluno, suas palavras mais pessoais agora.
— Cada decisão que tomarem lá dentro vai definir quem vocês são. Lembrem-se de que as piores batalhas não são travadas com espadas ou feitiços, mas com a mente. Estejam prontos para qualquer coisa.
Fez uma pausa final, olhando para a vastidão do portal. Uma onda de energia pareceu percorrer o ambiente, alimentada pela emoção nervosa dos calouros.
— Boa sorte a todos. Vão precisar.
Com isso, a diretora se afastou da plataforma, deixando os alunos imersos em seus pensamentos. O jovem paladino sentiu um calafrio percorrer sua espinha. As palavras da diretora não eram um aviso vazio — a seriedade em sua voz deixava claro que o risco era real. Mas, ao mesmo tempo, sentiu uma excitação crescente. Este era o momento pelo qual havia treinado, se preparado mental e fisicamente. O grupo estava forte, suas habilidades afiadas.
John quebrou o silêncio entre eles.
— A porra tá ficando séria. — A fala fez o grupo e as pessoas ao redor cair na gargalhada.
Ana, observando o portal à distância, falou calmamente.
— Lembrem-se da formação — disse ela, a voz baixa e focada. — Avançaremos como planejado. Essa dungeon vai testar nosso trabalho em equipe, não só nossa força individual.
Com um último olhar para seus companheiros, Raziel assentiu. Era chegada a hora. Sem mais palavras, o grupo começou a caminhar em direção ao portal, seus corações acelerados, mas determinados. A jornada estava apenas começando.
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