Paladin

34 CAPÍTULO 34: Estratégia e Treinamento


Ana se colocou diante dos dois grupos, os olhos verdes atentos a cada um dos integrantes. O cenário estava pronto. O Teste da Dungeon se aproximava rapidamente, e sabia que precisariam de mais do que força bruta para superar o desafio. Seu plano era claro e estratégico, fruto de anos de estudo e prática, algo que só quem estava no topo de sua classe podia formular.

— Vamos avançar separados em dois grupos — disse a jovem priest, com um tom calmo e autoritário —, mas manteremos o avanço coordenado. Durante a batalha contra o boss, um grupo assumirá enquanto o outro se recupera. Revezaremos até ele ser finalizado.

O grupo a ouvia atentamente. Havia algo na forma como falava que transmitia confiança absoluta. Raziel, ao lado de Seraphine, assentiu. A estratégia fazia sentido; maximizar a resistência do grupo era essencial contra uma ameaça desconhecida.

— Temos que treinar para emergências também — ela continuou. — Se algum dos grupos for sobrecarregado, o outro deve estar pronto para assumir imediatamente. Por isso, nas próximas semanas, vamos nos concentrar em formações de ataque, defesa e emergência.

E assim se encerrou a primeira reunião. No próximo dia os treinos começaram. Os dois grupos se encontravam na arena de combate, praticando formações coordenadas. Os ataques eram precisos, e as defesas, sólidas. Em situações de simulação de desastre, a transição entre os dois grupos foi sendo refinada, como se um grupo fosse a extensão natural do outro. Ana os guiava com precisão, exigindo o máximo de cada um.

— Mais rápido na troca! — gritou Ana, enquanto Breno e Brian ajustavam o tempo de conjuração de seus feitiços. — Precisamos de um intervalo menor! Vamos, outra vez!

Mesmo com os treinos exaustivos, Raziel continuava sua rotina pessoal de treinamento com sua irmã. Sophie não pegava leve com ele, e o esforço físico estava sempre no limite do aguentava. Em um dos treinos, sua irmã falou:

— Você vai desmaiar se continuar assim — disse, com um sorriso divertido, enquanto bloqueava um de seus golpes. — E eu não vou te carregar até em casa.

— Não vou desmaiar — respondeu Raziel, ofegante, mas determinado. — Esse é o único jeito de ficar mais forte. O dia do teste já está chegando.

Sophie, como sempre, sabia até onde levar o irmão. Entendia o espírito incansável de Raziel, e por isso o desafiava sempre um pouco mais. Mas, ao final de cada treino, ambos saíam mais fortes e prontos para o que viesse.

Com o passar dos dias, a professora explicou que eles receberiam mais quatro pontos para adquirir novas habilidades de classe. Isso causou um alvoroço nos calouros, ampliando assim as possibilidades de estratégias.

E então, finalmente, o dia do Teste da Dungeon chegou. A professora, de pé na frente da turma, observava os alunos com olhos atentos e sérios.

— Hoje, vocês entrarão na Dungeon pela primeira vez — disse ela, a voz carregada de expectativa. — Além disso, com os quatro pontos de habilidade de classe que receberam nos últimos dias, espero que tenham escolhido com sabedoria.

Raziel lembrou que decidiu maximizar sua habilidade "Fé Inabalável". Quando a habilidade atingiu seu nível máximo, uma mudança surpreendente aconteceu: a habilidade se transformou em um buff que ele podia aplicar a todo o grupo. Agora ele ganharia +25 em todos os seus status, enquanto o restante do grupo ganharia +10. Isso era um impulso significativo para a equipe, e mal podia conter sua excitação.

Além dos treinos e das habilidades, Raziel também mantinha outra prática constante em sua vida: a fé. Nos últimos meses, havia se dedicado não apenas ao treinamento físico e estratégico, mas também à sua conexão espiritual. Todas as noites, antes de dormir, recitava orações e mergulhava em meditações profundas, sentindo uma energia divina que o envolvia, como um manto protetor.

Essa prática não era apenas um ritual; o fazia sentir-se mais forte, mais focado, como se uma força maior estivesse ao seu lado, guiando-o em seu caminho. Era uma sensação que o fortalecia tanto quanto os treinos físicos ou as novas habilidades. A fé se tornara um hábito essencial.

— Acho que encontrei meu equilíbrio — falou para si mesmo em uma noite, após sua meditação. — A fé me dá uma calma que eu não encontro em nenhum outro lugar.

Era como se, a cada oração, estivesse mais preparado para o que viesse. E agora, com o grupo formado, os treinamentos completos e sua fé renovada, estava pronto para enfrentar qualquer desafio que a dungeon pudesse apresentar.

O círculo estava se fechando, e sabia que estava mais perto de seu destino do que nunca.