Paladin

31 CAPÍTULO 31: Teste da Dungeon


O segundo mês na academia foi implacável. Raziel sentia o peso de cada treino, de cada aula e de cada nova habilidade que tentava dominar. A "Fé Inabalável", sua primeira habilidade como Paladin, era poderosa, mas também exigia controle e disciplina. Treinava incessantemente, tentando entender os limites desse poder e como o fortaleceria nas batalhas futuras.

Todos os dias, depois das aulas, encontrava sua irmã no campo de treino. As sessões eram cada vez mais desafiadoras, cansando tanto física quanto mentalmente. Ela o forçava a dar tudo de si, não permitindo erros. O sol já se erguia sobre a academia quando Raziel bloqueou o último golpe de Sophie com um som alto do choque das espadas.


— 'Tá ficando mais forte, Raz — disse Sophie, recuando, ofegante, mas ainda com aquele brilho de determinação nos olhos.


— Eu sei que tem algo mais que você quer me ensinar. Fala aí, qual é a boa? — Raziel, igualmente ofegante, girou sua espada e a apontou para o chão.


— Sua habilidade, Fé Inabalável, é boa, mas você ainda está confiando demais nela. Precisa focar mais na técnica, nos fundamentos. Isso vai te salvar mais vezes do que qualquer habilidade.


— O que mais posso fazer além de treinar? Já sinto que estou no meu limite. — Raziel balançou a cabeça, ainda frustrado.


— É isso, Raz. Não há atalhos. E não é porque você é rank S que vai ser diferente. É necessário ir além do limite; você não é imortal. — deu uma última olhada para ele, com uma mistura de carinho e severidade no olhar.


Naquela tarde, Raziel sentiu o peso da responsabilidade se avolumar. Sua irmã estava certa. Precisava estar em sua melhor forma e não apenas confiar nas habilidades que havia adquirido. Na primeira aula do terceiro mês, a tensão estava palpável no ar. A professora entrou na sala com sua habitual postura firme, mas desta vez havia algo mais em seu semblante — uma urgência que todos os alunos perceberam imediatamente.


— Estamos entrando no terceiro mês — começou, seu olhar varrendo a sala. — E, como muitos de vocês já sabem, o Teste da Dungeon será realizado antes que o mês termine. Até lá, vocês estarão em constante preparação. No entanto, há algo importante que precisam entender.


Raziel inclinou-se para frente, sentindo o coração acelerar com expectativa.


— Vocês não poderão distribuir os pontos de status ainda — continuou a professora. — O motivo é simples: vocês só poderão fazê-lo após completar a Dungeon. — Pausou, permitindo que a informação se assentasse. — A Dungeon será cheia de desafios: Goblins, HobGoblins, Lobos Gigantes, Goblins Montados — e, sim, esses goblins estarão montados nesses lobos. Além disso, haverá um chefe, que será gerado aleatoriamente. É importante ressaltar que vocês sobem os níveis da Classe matando esses monstros. Ao longo dos anos na academia, vocês participarão de inúmeras Dungeons.


Um burburinho percorreu a sala, mas Raziel permaneceu em silêncio, seu foco absoluto nas palavras da professora.


— Vocês precisarão fechar grupos de 10 Despertados para sobreviver. — A professora parou, seu olhar endurecendo. — E o último ponto, e mais importante: vocês vão sofrer dano, vão se machucar, vai doer. Nós estaremos acompanhando a situação e podemos interferir em casos mais sérios. Por isso, levem como combate real. O mês inteiro será dedicado a estudos de táticas de combate e à formação desses grupos. Vocês têm alguns dias para se prepararem. Boa sorte.


Com essas palavras, a professora deixou a sala, e a pressão sobre os ombros de todos os alunos pareceu se multiplicar.


— Alexa, John e Seraphine — Raziel se virou para seus amigos, o semblante sério. — Precisamos de um grupo, e rápido — disse ele, tentando organizar seus pensamentos.


— Eu, Raz e Alexa somos DPS, e Seraphine é o tank. Agora só falta o healer. — John, sempre direto, falou primeiro.


— Precisamos de um Priest — disse Alexa, concordando com a cabeça. — Sem cura, não vamos durar muito tempo lá dentro, especialmente contra os Goblins Montados.


Seraphine, que estava em silêncio até então, finalmente interveio:


— Sim, mas precisamos encontrar alguém que saiba o que está fazendo e não apenas uma escolha aleatória.


John, de braços cruzados, sorriu.


— Não vai ser difícil. Vi alguns Priests por aí no primeiro ano. Um deles se chama Thomas. Ele parece promissor.


— Ele é bom? Ou você está apenas chutando? — Alexa olhou para John com um misto de curiosidade e dúvida.


— Ele parecia confiante. E, honestamente, prefiro alguém confiante do que alguém que hesita na hora de curar.


— Certo. — Raziel fez um gesto com a cabeça. — Vamos procurar por ele e ver se conseguimos trazê-lo a bordo. Além disso, precisamos procurar os outros cinco. Precisamos garantir que tenhamos um grupo equilibrado e forte.


— Eu conheço uma Hunter. — Seraphine olhou ao redor da sala, como se analisasse os possíveis candidatos. — Ela é ágil e tem uma excelente mira. Poderíamos começar por ela para completar a linha de DPS.


— Se ela puder manter distância e derrubar os Goblins Montados antes que eles cheguem muito perto, vai ser uma excelente adição. — Alexa sorriu.


— Vamos tentar procurar pessoas nesta primeira semana. Com o time certo e os treinos intensivos, vamos estar prontos, concordam? — perguntou John.


Todos assentiram, mas a sensação de urgência era latente. Sabiam que o Teste Dungeon não seria apenas um desafio físico, mas também uma prova de inteligência, tática e trabalho em equipe. E, acima de tudo, seria um teste de coragem.

Enquanto eles se dispersavam, indo em busca dos novos membros para o grupo, Raziel sentiu uma estranha mistura de excitação e ansiedade. Cada dia que passava os aproximava do momento decisivo. A academia estava se transformando em um campo de batalha de preparação, e ele sabia que a verdadeira guerra começaria na Dungeon. O tempo corria, e o destino aguardava.