Paladin
24 CAPÍTULO 24: Decisões Silenciosas
Notas iniciais
O grande salão de refeições estava repleto de vozes e risadas enquanto os alunos das quatro turmas compartilhavam suas experiências da manhã de treinamento. A atmosfera era leve, quase como se o rigor do treino e o peso das armas tivessem ficado para trás por algumas horas. Raziel, sentado ao lado de Alexa e John, sentia o corpo cansado, mas sua mente estava alerta, revivendo cada golpe, cada momento de esforço.
— Não acredito que vi o John quase derrubar um instrutor com aquele machado gigante — comentou Alexa, rindo enquanto dava uma garfada em sua comida. — Passou pertinho cara!
John, que estava ao lado, deu de ombros, com um sorriso satisfeito no rosto.
— Ei, não foi minha culpa se o cara não estava prestando atenção! — respondeu, a boca cheia. — Quem manda subestimar a força bruta?
Todos à mesa explodiram em gargalhadas, lembrando das situações cômicas que haviam presenciado no pátio de treinamento. Havia algo mágico em compartilhar esses momentos, uma sensação de que estavam todos aprendendo e crescendo juntos, ainda que tropeçando pelo caminho. Alexa, então, se inclinou para frente, com os olhos brilhando de entusiasmo.
— Mas, falando sério, foi incrível sentir a mana fluindo pela staff — disse ela, balançando a cabeça em admiração. — A sensação de canalizar a energia, de realmente sentir respondendo à minha vontade... é indescritível. Vocês vão ter que aprender isso também, sabiam? Mesmo vocês, warriors e paladins, vão precisar canalizar mana para suas habilidades.
— Já imagino o John canalizando mana através daquele machado. Vai gritar: MADEIRA! — brincou Raziel, fazendo o movimento de uma árvore caindo, arrancando mais uma rodada de risadas ao redor da mesa.
O riso foi a trilha sonora do almoço, preenchendo as horas com leveza, como se todos tivessem uma breve pausa das responsabilidades iminentes. Mas, no fundo, Raziel sabia que as conversas sobre canalização de mana e o peso das armas eram apenas o começo de algo muito maior.
Na parte da tarde, o sol estava alto no céu, lançando uma luz quente sobre o pátio dos paladins. O som de espadas se encontrando em ataques repletos de agilidade e força, as vozes coordenadas ecoava pelos corredores de pedra, enquanto os veteranos treinavam com precisão mortal. Raziel caminhava entre eles, observando os movimentos, sentindo o peso de sua escolha mais cedo naquele dia. A espada de duas mãos havia se tornado uma extensão de seu corpo, e, quanto mais ele pensava sobre isso, mais claro ficava que talvez esse fosse o caminho que deveria seguir.
De repente, uma figura familiar apareceu em seu campo de visão. Sua irmã, Sophie, vinha caminhando em sua direção, com a postura confiante de sempre. Seus olhos brilhavam com uma mistura de curiosidade e diversão.
— Então, fiquei sabendo que você decidiu treinar com uma espada de duas mãos — disse sem rodeios, enquanto se aproximava. — Você realmente deixou de lado a ideia de se tornar um Crusader?
Raziel hesitou por um momento. O termo "Crusader" sempre esteve em sua mente, uma imagem idealizada de força, fé e defesa. Mas a espada de duas mãos... havia algo nela que ressoava profundamente em seu ser. O peso, a precisão, a liberdade de movimento. Sentiu que, naquele único dia de treino, já tinha uma conexão maior com a lâmina do que jamais tivera com o escudo.
— Eu pensei muito sobre isso — começou ele, escolhendo as palavras com cuidado. — E quanto mais eu treinava, mais percebia... que gosto da espada de duas mãos.
Sophie cruzou os braços, seu sorriso agora mais suave, quase orgulhoso.
— Parece que somos mais parecidos do que eu imaginava — disse ela, com um tom divertido. — Mas você sabe que treinar com uma espada dessas não é brincadeira. Requer força, disciplina e muita técnica.
Raziel assentiu, sua determinação crescendo. Ele havia visto sua irmã em combate, a forma precisa com que ela manejava a espada era simplesmente incrível. E agora, com o peso da escolha em suas mãos, sabia que estava pronto para enfrentar esse desafio.
— Será que você pode me ensinar? — pediu, olhando diretamente para ela. — Quero aprender da melhor, e ninguém melhor do que você.
Sophie o observou por um instante, avaliando o pedido. Então, seu sorriso se alargou.
— Claro, mas não pense que vou pegar leve só porque você é meu irmão. Se vai treinar comigo, será do jeito certo.
— Não espero nada menos — respondeu, um sorriso confiante se formando em seu rosto.
Enquanto o sol continuava a iluminar o pátio, Raziel sentiu que uma nova fase de sua jornada havia começado. Não seria fácil. O caminho da espada de duas mãos era um de força bruta e precisão implacável. Mas, com sua irmã ao seu lado, sabia que estaria à altura do desafio. Ali, sob o céu aberto, finalmente sentiu que estava se aproximando de seu verdadeiro destino.
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