Paladin
20 CAPÍTULO 20: O Caminho das Espadas
No final da aula, a professora caminhou até a frente da sala e, com sua voz firme e controlada, anunciou:
— Vocês estarão livres no final de semana, por enquanto. Aproveitem para descansar, mas estejam prontos, pois na próxima semana começaremos a estudar "A Importância do Trabalho em Equipe I". Também iniciaremos os primeiros treinos de combate. Preparem-se.
Essas palavras ecoaram na mente de Raziel enquanto os alunos começavam a se levantar e murmurar entre si. Sabia que a fase teórica logo daria lugar à prática real, e essa transição despertava uma excitação contida, mas inegável. Ao guardar seus materiais, ele sentiu a familiar ânsia de algo grande e decisivo se aproximando.
Depois da aula, como era de costume, seguiu para a ala dos Paladins. O ambiente ali sempre o envolvia com uma sensação de propósito. O som metálico das espadas se chocando, o eco de ordens sendo gritadas e os estalos de escudos se defendendo enchiam o ar. Chegou a tempo de ver mais um combate no campo de treino e, para sua surpresa, sua irmã Sophie estava novamente no centro das atenções.
Dessa vez, ela lutava contra outro templar, e o combate era intenso. Ambos empunhavam espadas de duas mãos, uma marca registrada dos templars, e se moviam com precisão calculada. Sophie, como sempre, estava implacável. Seus movimentos eram rápidos e certeiros, como se antecipasse cada ação do oponente. Em um piscar de olhos, ela desarmou o adversário com um golpe preciso e o derrubou, fazendo com que o campo de treinamento fosse tomado por um silêncio impressionante.
Raziel observava de longe, admirado. Sua irmã era de fato, incrível. Não era apenas forte, mas meticulosa, cada golpe executado com a clareza de alguém que entendia a essência do combate. Não era à toa que era a única discípula de Darkke. Enquanto Sophie ajudava o oponente derrotado a se levantar, Raziel desviou o olhar para outros cantos do campo de treinamento. Alguns crusaders praticavam não muito longe dali. Eles usavam escudos largos, outros pequenos, mas suas manobras defensivas eram elegantes e sólidas, refletindo um estilo de luta completamente diferente. O jogo de escudo e espada deles era mais sobre resistir e proteger, uma barreira intransponível para seus inimigos.
Quanto mais observava, mais sua mente vagava. Começava a se imaginar lutando ao lado de Sophie. A ideia de os dois em batalha, compartilhando uma conexão não só de sangue, mas de força e habilidade, despertava nele uma animação crescente. Lutar ao lado dela, como templars, poderia ser o auge de sua jornada. Uma chama acendendo no fundo de seu ser, uma ideia ganhando forma.
— Está longe em pensamentos — disse uma voz suave ao seu lado.
Era Seraphine. Ela o observava com um sorriso discreto, os olhos piscando com leve interesse.
— O que foi? — perguntou ele, distraído.
— Nada. Só que você parece fascinado com os templars. — Inclinou a cabeça, ainda sorrindo. — Prefiro os crusaders.
— Crusaders? Por quê? — indagou curioso.
A garota deu de ombros, como se a resposta fosse óbvia.
— Gosto da ideia de parecer frágil, mas ser forte. — Ela olhou para os crusaders que treinavam com seus escudos. — Eles são a linha de defesa, protegem os outros no campo de batalha. E essa combinação de resistência e proteção é o que me atrai. Ser capaz de aguentar golpes e ainda continuar de pé… Acho isso fascinante.
Raziel ponderou sobre o que ela disse, pensando nas diferenças entre templars e crusaders. Ambos eram sub-classes dos paladins, mas suas abordagens em combate eram quase opostas. Os templars focavam na força bruta e alguns buffs de ataques, com suas espadas de duas mãos devastadoras, enquanto os crusaders se especializavam em proteção e buffs de defesa no campo de batalha.
— Eu entendo — disse lentamente. — Mas, para ser honesto, estou começando a me imaginar como um templar. A ideia de empunhar uma espada de duas mãos e focar no ataque direto... — fez uma pausa, tentando encontrar as palavras certas. — Isso me agrada de uma forma que eu não esperava.
Seraphine assentiu, como se compreendesse perfeitamente.
— Eu posso ver isso em você. — Sorriu. — Templars são poderosos, focados e implacáveis. Mas saiba que, seja qual for a sua escolha, precisa ser algo que ressoe com quem você é de verdade.
Raziel olhou para ela e depois de volta para o campo de treinamento, onde os crusaders e templars continuavam a lutar e praticar. Sabia que a escolha que estava por vir não seria fácil, mas também entendia que deveria seguir o caminho que mais fizesse sentido profundamente à sua alma.
Caminharam juntos em silêncio, as ideias de templar e crusader ainda rodopiando na mente de Raziel. A cada passo, ele se via mais certo de que a espada de duas mãos, o símbolo da força pura e da justiça divina, poderia ser a chave para o seu futuro. Assim se encerrava a sua primeira semana na academia.
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