Paladin

13 CAPÍTULO 13: Segundo dia


O retorno à casa trouxe consigo um silêncio quase sagrado. O primeiro dia na Academia de Skadi havia sido uma montanha-russa de emoções, e agora, ao se sentar à mesa para o jantar, Raziel sentia a magnitude das escolhas que se aproximavam. Sua mãe, uma mulher cujos olhos carregavam a sabedoria de anos de batalhas travadas dentro e fora da academia, observava os filhos com uma mistura de orgulho e preocupação.

Sophie, sua irmã, olhava para ele como se esperasse ouvir algo que confirmasse suas próprias suspeitas. O som dos talheres e do crepitar da lareira era a única coisa que preenchia o ambiente até que sua mãe, com um tom calmo e medido, quebrou o silêncio.

— Como foi o primeiro dia na academia? — perguntou, mantendo o olhar firme em Raziel.

Ele hesitou por um momento, sentindo o peso da pergunta, mas respondeu com sinceridade.

— Foi mais do que eu esperava. As aulas são intensas, e as demonstrações das subclasses me deixaram impressionado. Acho que estou começando a entender o que significa realmente fazer parte dessa academia.

— E sobre as classes? — Sophie indagou, um sorriso brincando nos cantos dos lábios. — Alguma preferência já?

O garoto suspirou, passando a mão pelo cabelo, um gesto que traía sua indecisão. — Estou dividido. Vi dois veteranos lutarem hoje, Sophie.

Sophie inclinou-se para frente, seus olhos brilhando com uma intensidade que Raziel conhecia bem.

— Escolher entre Templar e Crusader é mais do que escolher uma arma ou um estilo de combate. É sobre quem você é e quem você quer ser. Os Crusaders defendem com honra, mas os Templars, bom... nós atacamos com justiça. É uma escolha que define sua alma, Raziel.

A mãe deles, sempre observadora, interveio suavemente.

— Seja qual for sua decisão, filho, saiba que ela deve vir de dentro. A academia é apenas o início de uma jornada que moldará quem você é para o resto da vida. Lembre-se de que o poder não reside apenas na força, mas também no coração de quem o empunha.

No segundo dia de aula, Raziel estava determinado a deixar suas dúvidas de lado e se concentrar em absorver o máximo possível. A aula daquele dia era Estudo da Magia I, um tema que sempre o fascinou, mas que agora, dentro da Academia de Skadi, parecia carregar um peso ainda maior. Quando chegou à sala de aula, ele notou uma figura imponente tentando passar pela porta.

O rapaz afrodescendente parecia uma verdadeira muralha, com músculos que faziam parecer que a porta da sala era pequena demais para ele. Seus dreadlocks balançavam enquanto ele fazia uma tentativa frustrada de encolher os ombros.

— Precisa de uma ajuda aí? — Raziel não conseguiu evitar o sorriso ao ver o esforço do rapaz.

O gigante olhou para ele com um sorriso largo.

— Se você conseguir ampliar essa porta, talvez eu consiga entrar sem problemas. — Depois de um momento de luta, ele finalmente conseguiu passar, acomodando-se em uma cadeira que parecia minúscula sob seu peso.

— Sou Raziel. — disse, estendendo a mão.

— John. — O rapaz respondeu com um aperto de mão firme. — Tudo aqui é grande, mas as portas das salas parecem minúsculas, é bizarro.

A aula começou com a professora Sheila, que abordou o estudo da mana de uma forma que fez a sala inteira prender a respiração. Ela falava sobre a mana como uma força viva, uma corrente que fluía por todos os seres vivos e conectava o mundo visível ao invisível.

— Magia não é apenas poder — declarou, caminhando lentamente pela sala, suas palavras ecoando como um encantamento. — É a linguagem do universo, uma ponte entre o físico e o espiritual. Alguns acreditam que, ao dominá-la, podemos compreender os próprios segredos da criação. Mas lembrem-se, é uma força que exige respeito. Manipulá-la sem entender sua essência é tão perigoso quanto brincar com fogo.

As palavras da professora envolveram a sala em um manto de mistério, levando Raziel a perceber que a magia que ele pensava conhecer era apenas a ponta de um vasto iceberg de conhecimento oculto. John, sentado ao lado de Raziel, parecia tão fascinado quanto ele. Embora seu tamanho sugerisse que ele se destacaria no combate corpo a corpo, havia um brilho de curiosidade em seus olhos que indicava um desejo profundo de compreender os segredos da mana.

Durante o dia, no almoço, Alexa, Raziel e John conversaram sobre as classes que estavam curiosos, e obviamente não tiveram nenhuma surpresa com a escolha do novo amigo: Warrior. Queria se tornar uma muralha que ninguém seria capaz de parar com aqueles músculos, como ele mesmo dizia. Aos poucos, perceberam que dali poderia surgir uma amizade com bons frutos.

Como de praxe, após as aulas eles foram para as oficinas de classes. Raziel seguiu até a ala dos Paladins, onde observava atentamente os treinos das subclasses de Templar e Crusader. Sentia uma atração irresistível por aqueles que, como ele, estavam em busca de seu caminho. Os veteranos moviam-se com uma precisão letal, suas armas e magias fluindo como uma dança coreografada por anos de disciplina.

Naquele dia, enquanto assistia de longe, Raziel avistou Sophie em um duelo. Seu oponente era o melhor Crusader da academia, conhecido por sua força bruta e habilidade em batalha. O duelo começou com um choque de espada contra escudo, um som alto ecoou por todos os cantos, mas Sophie, com uma velocidade que parecia desafiar as leis da física, finalizou o combate com um golpe decisivo, deixando todos os presentes em um silêncio admirado.

Sentiu um misto de orgulho e dúvida. A força dos Templars era inegável, mas os Crusaders também o chamavam com sua promessa de honra e defesa. A cada dia, observava e absorvia mais, mas a decisão continuava a escapar de suas mãos.

Enquanto o sol se punha sobre a Academia de Skadi, tinha conhecimento que a jornada para encontrar seu verdadeiro caminho estava apenas começando. A cada batalha observada, a cada aula assistida, se aproximava um pouco mais da resposta que tanto buscava. Mas, por enquanto, continuaria a observar, a aprender e a deixar que o tempo revelasse o caminho certo a seguir.