Palace
3 Viagem ao passado
Notas iniciais

Regina sabia que lugar de onde viera, nunca tinha sido um problema para Emma, mas a verdade era que morena nunca tinha se achado a altura da loira. Talvez por isso em seu passado tenha abrido mão de seu amor, Regina sabia que Swan precisa ser livre para alçar voos longos. Anos atrás, antes mesmo de namorem, elas haviam se tornado amigas. Viajavam no mesmo ônibus quando iam para escola todos os dias, mesmo frequentando salas diferentes. No começo, Emma sempre fingia ignorar Regina. Então a morena fazia tudo para irrita-la, provoca-la por qualquer motivo, desde as roupas que a loira usava, até o rabo de cavalo que costuma usar todos os dias. E mesmo depois do temperamento de Emma melhorando com o tempo, ela sempre reagia à altura. A pior época foi quando Mills bateu de propósito em sua bicicleta, o que gerou uma retaliação seria dos pais de Regina, mas foi o que mudou tudo, pois Emma saiu em sua defensa e impediu que Cora batesse na morena.
A amizade entre as duas começou a se formar a partir daí. Emma nunca se importou de ambas serem se classes sociais diferentes. Já que Emma era de uma das famílias mais ricas de Storybrooke, enquanto Regina era filha de fazendeiros e descendentes de imigrantes latinos. Embora as pessoas maldosas da cidade ligassem para tal fato. Regina sempre ouvia uma fofoca aqui e ali sobre Emma estar com ela apenas por diversão, quando na verdade merecia um homem de bem.
O preconceito das pessoas e medo de Emma passar por coisas ruins estragará tudo que elas tiveram um dia. O que pesou para Regina terminar com a loira, antes que as coisas saíssem de controle. Porém a morena jamais esquecerá. E agora ela queria ser para Emma, tudo que não pode um dia. Mesmo sabendo que havia começado tudo da forma errada, afinal o beijo que dera em Swan, tinha sido um ato impulsivo e estúpido. E Regina não queria fazer mais nada por impulso. Cada decisão tomada seria avaliada e planejada com extrema cautela. Afinal não era a toa que Regina tinha chegado onde estava agora. Mills se afastou do capô do carro, e deu um tapinha na porta do carro de Emma.
— Acho que você deve ir, está tarde. Já vai escurecer e essa estrada costuma ficar bem escura. Eu vou lhe encontrar mais tarde no Granny’s.
— Certo Mills, só não se atrase. Regina abriu a porta do carro, e esperou que Emma entrasse e se ajeitasse no banco antes de fechar a porta.
A morena foi tomada por enorme vontade, apesar das decisões que tinha tomada minutos atrás. Ela queria beijar Emma uma vez mais, mas resistiu e não o fez. Apenas se inclinou sobre a janela aberta e olhou novamente.
— Cisne.
— Sim?
Regina deu um sorriso sedutor e beliscou o nariz da loira como costumava fazer quando eram adolescentes.
— Seu beijo está muito mais gostoso que há dez anos.
E antes que Emma pudesse formular uma respostar, Mills se endireitou e começou a caminhar em direção a sua casa, ela ria porque sabia que havia deixado uma Emma Swan fervendo de raiva para trás. Emma colocou as mãos sobre as bochechas tentando esconder o quanto estava envergonhada, enquanto Regina ia a outra direção. Aquela mulher definitivamente era uma ameaça. Regina Mills, a tinha conseguido o que nem os maiores executivos de Londres conseguiram deixar Emma Swan sem chão. Em menos de dez minutos, a morena tinha desequilibrado, atordoado e minado todas as forças da loira. Sem falar do beijo... Emma bateu a cabeça no volante duas vezes, ela estava se martirizando mesmo sabendo que não adiantaria muito. Emma não tinha tomado nenhuma atitude para impedir Regina, apenas ficou paralisada e deixou que a morena prosseguisse com o aquele beijo. E o pior tinha correspondido com a mesma vontade. E de uma forma que parecia que não beijava ninguém há séculos.
O que de certa forma não era mentira, mas claro que ela não admitiria nunca para ninguém. Claro que havia um bom motivo, ela tinha passado boa parte dos últimos anos concentrada no trabalho, atrás do cargo que tinha agora, então há bastante tempo não tinha encontros. Só que não justificava a reação que tivera ao ser beijava por Regina Mills, muito menos o colapso que a atingiu quando aqueles lábios carnudos e morenos tocaram os seus.
— Grande merda, é assim que quer manter sua reputação de Princesa do Gelo Emma Swan? — A loira resmungou, soltando o freio do carro. Deu uma olhada no retrovisor e não se espantou ao ver Regina a olhando com sorriso debochado sobre os lábios.
Swan estava completamente inconformada em ter encontrar Regina, no café que frequentavam quando adolescentes. Ela queria tratar de negócios e não relembrar o passado, embora qualquer lugar de Storybrooke fossem lhe trazer lembranças, pois a cada pedaço da cidade guardava uma parte importante da historia delas. E enquanto dirigia voltando para cidade, à loira se deixou levar pelas lembranças que tanto queria esquecer: Ela e Regina, sentadas diante de velho Sr. Mills degustando um vinho antigo e comendo a torta especial de Cora. Ou as duas aconchegadas no sofá de tecido gasto da sala dos Mills, assistindo algum filme antigo, em preto em branco, de O Gordo e Magro a filmes de época, e rindo uma para outra feito bobas. E no final da noite quando arrastavam a mesinha de centro cheia de livros e revistas velhas, a fim de dançar coladinhas, ouvindo as musicas lentas favoritas. As imagens eram tão reais, tão fortes em sua mente, que seus olhos se encheram de lagrimas e ela pestanejou, envolvida pela mágica do passado quando deveria se concentrar no futuro. E seu futuro era nova sócia da empresa em que trabalhava, e para isso ela dependia que aquele negócio desse certo. Às cinco da tarde, Emma tinha certeza que Regina Mills iria aparecer com seu sorriso sexy, olhos castanhos e corpo irresistível, para descobrir exatamente com que tipo de mulher de negócios estava lidando.
***
Emma bebericava um suco de laranja enquanto dava uma espiada a sua volta, olhando para ver se havia algum conhecido. Ela já tinha hospedado em diversos hotéis ao redor do mundo, mas nenhum se comparava ao aconchego do Grannys. Não havia pinturas, artigos importados... Mas a hospitalidade e o jeito simples era o que mais agradava a loira.
A vista do local dava a uma pequena cachoeira, as flores vermelhas enfeitavam o lugar e era um convite aos viajantes cansados que passavam por Storybrooke. Emma sempre pensava que aquela cidade, era o melhor lugar no mundo para se morar, a calmaria de lugar pequeno. Nada de correrias, transito ou pessoas apressadas. Definitivamente era aquilo que desejava, por mais que ainda quisesse conquistar o mundo Storybrooke, sempre seria o seu lugar. Por mais que gostasse de pensar naquelas possibilidades, Emma voltava ao seu objetivo, afinal não estava ali de férias e sim a negócios. E ela precisava fechar o negocio com Regina. E só talvez depois de terminar aquela parte de seu compromisso, ela teria coragem para fazer a segunda parte daquela viagem. Encarar depois de dez anos, seu próprio pai. Já que os dois não se falavam há anos, Swan temia como poderia ser a reação do velho Sr. Swan ao vê-la novamente.
E mesmo sabendo que pai agora morava em lugar adequado para idosos, enquanto ela ficasse na cidade, trataria de acertar as contas com seu passado, e dessa vez, poderia dizer adeus de uma maneira civilizada. Desde que se tornara adepta do ioga, Emma passou fielmente em carma. E ela queria ficar livre de toda culpa, não queria passar o resto de sua vida se torturando por não ter feito a coisa certa quando ainda tinha a chance. Brincando com a fatia de limão que tinha sobre o copo, Emma voltou a pensar em todos os problemas que tinha com seu pai.
A forma autoritária e desrespeito que ele a tratava antes que fosse embora. George Nolan sempre fora um homem dominador, mas na época em que Emma completou 18 anos, o homem se tornou praticamente intolerável. Então Swan, simplesmente fugiu, sem pensar ou olhar para trás, mas a duvida sempre via a sua cabeça quando ela pensava sobre o assunto. Como teria sido sua vida se tivesse ficado na cidade. Será que ela e Regina teriam se casado? Teriam tido filhos? E seria uma família feliz? Eram perguntas que lhe davam um nó na garganta, e faziam a loira olhar ao seu redor e imaginar tudo aquilo.
O barulho de passos tirou Emma de seus pensamentos, e fez o nó em sua garganta dobrar de tamanho. Regina estava incrivelmente sexy com seu jeans rasgado e desbotado, tops apertados e a barriga de fora, brilhando de suor. Já a Regina Mills executiva, vestido um belo terninho sobe medida, cinza e negro como ébano, blusa social branca de algodão que lhe acentuava o bronzeado... Bem aquela Regina executiva era não só maravilhosa, mas de tirar o fôlego. E Emma congelou quando a morena caminhou em sua direção, esbanjando as pernas longas, roupas de grife e sorriso de derreter qualquer um.
— Me desculpe o atraso, Cisne. — Ela se desculpou, e beijou Emma no rosto, e é claro a loira se deliciou quando sorveu o perfume familiar silvestre misturado a suavidade do cheiro dos girassóis aos quais, Regina cuidava.
As lembranças virem como enxurradas em sua mente, ela nos braços de Regina, sobre a sombra da grande macieira delas, deitada em cima da morena próximo a margem do rio, aconchegando-se nela depois de fazerem amor. E do outro lado o campo de girassóis... Emma sentiu uma grande dificuldade de respirar, lembrar-se de tudo aquilo era bom, mas ao mesmo tempo doloroso. E o perfume de Mills lhe desencadeavam tantas lembranças que Emma teve que se segurar, para não se jogar nos braços da morena de uma vez. Regina lhe lançou um olhar curioso e se sentou diante dela, com os joelhos bem próximos ao de Swan. O que fez a loira entrar em estado de alerta, Emma se moveu cuidadosamente, de forma simples a fim de evitar qualquer contato acidental.
— E o que está achando do Grannys depois das reformas? Emma finalmente conseguiu formular uma resposta, mas antes precisou beber um gole se seu suco para molhar a garganta.
— Ficou incrível. Nunca imaginei que pudesse ficar ainda mais belo que já era há dez anos.
O sorriso de Regina se alargou, ela demonstrava todo seu orgulho naquele instante.
— A reforma foi feita há cinco anos, e tem sido um negocio bem próspero desde reinauguração.
— Realmente ficou muito bom. E não digo isso apenas para bajular. Eu tenho viajado a negócios nos últimos seis anos e posso afirmar que esse é o melhor lugar em que já me hospedei. — Emma resolveu que era hora de falar de negócios e de sua proposta é claro. Ela olhou para as mãos de Mills. E não viu nenhuma pasta. — Onde está a posposta? Você leu os papeis da pasta que lhe dei? Regina ignorou a pergunta e gesticulou para o garçom, que não demorou em vir atendê-la.
— Eu prefiro que antes você me explique melhor à situação. Depois me atentarei aos detalhes.
— É por isso que você se vestiu de forma tão elegante? — Emma disse sem pensar, e depois se arrependeu quando Regina a olhou com indiferença. E antes que a morena pudesse responder, o garçom se dirigiu a ela.
— Vai querer o de sempre, Sra. Mills?
— Sim, Mike, obrigado. Confusa Emma olhou para os dois alternadamente.
Regina parecia à vontade com o rapaz, sabendo o seu primeiro nome. E o rapaz havia se dirigido a ela de forma bastante formal, “o de sempre Sra. Mills”? Era obvio que Regina frequentava o Grannys bem mais do apenas um cliente rotineiro.
O que era bem estranho, levando em conta que ali não era mais a lanchonete que frequentavam quando jovens, agora era um hotel cheio de requinte... E Emma sabia que Regina não gostava de frequentar lugares requintados. Por um instante ela parou pra pensar, tinha ficado dez anos longe dali. “As pessoas mudam”, ela refletiu.
— Você gosta das minhas roupas Cisne? — Regina olhou para as próprias roupas.
— Fica bem em você, é que nunca a vi vestida assim. Os olhos de Regina brilharam em satisfação e Emma não entendeu quando Mills a encarou de modo que a deixou constrangida.
— O mundo dá voltas. E as coisas mudam Emma. A loira ficou tão tensa que não conseguia pensar novamente. Ela tentou se controlar e relaxou, colocando a mão sobre a mesa.
— Sim, eu concordo Mills. — Ela respondeu. — Bem, será que agora podemos falar sobre negócios?
A morena se inclinou para trás deixando seu decote à mostra e Emma engoliu em seco. Deus, precisava se acalmar. Como precisava de uma bebida forte naquele exato momento!
— Confesso estar curiosa. Esse negócio deve ser realmente importante para você, já que a fez deixar a belíssima Londres.
Emma arrumar uma forma de explicar a Regina, que sua ida ali era muito mais que importante. Fechar aquele negócio lhe faria receber a sua tão sonhada promoção. E as intermináveis horas de dedicação, ao longo dos anos finalmente seriam recompensadas. Todas as viagens que precisara fazer, de uma hora para outra, até lugares mais esquecidos, onde Judas perdeu as botas, desdobrando-se para conseguir informações, assegurando-se que as ações dela superariam as de qualquer um naquele escritório. Sem falar na sua tão sonhada independência profissional. O problema era que Regina Mills não a entenderia. Henry Mills e Cora sempre idolatraram a filha, por seu jeito peculiar. Os três eram muito unidos. Quem dera Emma pudesse dizer o mesmo de sua família. Só que não podia se lamentar, apenas tentar seguir em frente. E contar com jeito compreensivo de seu antigo amor.
— Eu vou tentar lhe explicar, Regina.
Swan se inclinou para frente, preparando-se para contar sua historia. Preparando-se para se abrir uma vez mais, para Regina Mills. Não era simples, afinal aquela diante dela era a mulher de sua vida. E ela temia até onde Mills tinha mudado durante aqueles dez anos que estivera fora.
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