Palace

6 Eu me lembro


Notas iniciais
A continuação da conversa delas, e talvez uma pista do que possa ter acontecido no passado, para ter feito a Regina desistir da Emma. Partes em iltalicos são lembraças. Boa leitura! PS: Perdoem se houver algum erro, ainda estou escrevendo pelo celular. Então sempre algum erro pode passar despercebido.

Ouvir de Emma que ainda se lembrava do que elas tinham vivido, dava a Regina certa alegria, mas também a deixava melancólica. No fundo algumas lembranças doíam, e mostravam o motivo de tudo ter mudado. O motivo real, de Mills ter deixado Emma partir de sua vida...

***

Ingrid Swan, não aprova o envolvimento da filha caçula com Regina Mills. Era obvio que a matriarca dos Swan, tinha outras pretensões para Emma, mas a loira não temia a mãe e se recusava a aceitar que alguém mandasse em seu futuro.

— Isso é inadmissível, Emma Swan. — A mulher gritava com a filha.

— Eu não, importo com o que você ache mãe. Eu amo a Regina e, é com ela que vou casar. Nenhum dos seus artifícios me fará mudar de ideia. E se tudo isso for por puro preconceito, o motivo de querer me empurrar para casamento arranjado, vá em frente e cumpra suas ameaças! Deserde-me, eu não ligo para seu maldito dinheiro. — Emma respondeu no mesmo tom de voz.

— Isso é uma ofensa à família Jones, esse acordo foi feito antes mesmo de você nascer. Além do mais não tenho nenhum tipo de preconceito, não importo se está casando com uma mulher ou um homem. O que me importa é que seu pretende tenha um bom sobrenome e possa lhe assegurar um bom futuro. Se Killian fosse uma mulher, isso não me importaria. — Ingrid se defendeu.

— Continua sendo preconceito mãe, você pode não se opor por Regina ser uma mulher, mas é contra, porque ela não tem posição social, um sobrenome e alguns milhões na conta como a família de Killian. — Swan a acusou.

— Querer o melhor para os filhos, não é preconceito Emma.

— É sim mãe, uma pessoa é bem mais que seu dinheiro e bens materiais. O que vale é seu caráter e o coração. E sei que minha Regina, tem um bom coração e caráter de invejar qualquer riquinho dessa cidade.

A briga entre mãe e filha durou por alguns minutos, e nenhuma cedia. Emma não estava disposta a deixar que sua mãe dominasse sua vida, e Ingrid não conseguia aceitar o fato de Emma se casar com alguém sem sobrenome e pobre. A discussão estava tão intensa, que ambas não perceberam a presença de certo alguém que havia ouvido boa parte da conversa. Regina tinha ido buscar Emma como sempre fazia no final das tardes de domingo. Ela foi recebida por George Nolan com entusiasmo, o velho Sr. Nolan tinha grande apreço por Regina e apoiava incondicionalmente o namoro da filha com a morena. E muitas vezes defendia Mills intensamente das implicâncias de esposa Ingrid, ele sabia que sua mulher apenas se importava com dinheiro e fato de Regina ser humilde, era um grande problema. E Regina sabia bem que a mãe de sua namorada nunca aceitaria, a não ser que ela tivesse um sobrenome respeitado na região e alguns milhões no banco. Embora isso a incomodasse, o fato de Emma enfrentar sua mãe e defenda-la a fazia esquecer tudo. E a loira pouca se importava se ela tinha dinheiro ou não.

— Será que estou atrasada? — A voz de Regina se fez presente chamando atenção de mãe e filha. Ingrid resolveu dar por encerrado aquele assunto, ao menos por hora. Em outro momento voltaria a conversar com filha, para talvez botar juízo em sua cabeça.

— Regina! — Emma exclamou assim que viu a morena. Ela correu até ela e abraçou. — Não, amor. Você chegou na hora certa.

Regina acabou relaxando e sorriu para Emma. Elas iam ter um dia inteiro longe daquela casa. E definitivamente Regina não queria estragar aquilo. Ingrid cumprimentou a jovem como sempre fazia seca e direta, a morena retribuiu o cumprimento de forma educada.

— Então, acho que já podemos ir. O por do sol é em uma hora, e você quer mesmo ver lá do campo de girassóis, temos que ir agora.

— É claro que eu quero, espere só um minuto que vou pegar minha bolsa.

A loira correu subindo as escadas a pressas, deixando para trás Regina com Ingrid na sala. Assim que Emma sumiu de vista, a velha Senhora Swan resolveu soltar o seu veneno.

— Aproveite enquanto pode Mills, isso não irá muito longe. — A mulher mais velha, disse com desdém.

— Como? —Mills perguntou confusa. — Eu não entendi, o que a senhora está querendo insinuar.

— Logo, logo você entenderá. — Ingrid respondeu fazendo certo mistério e deixou a sala.

Regina ficou confusa, mas seu sexto sentido lhe dizia que a mãe de sua namorada estava aprontando algo.

***

Levantando os grandes olhos verdes para encara-la, bem mais calma, Emma balançou a cabeça concordando.

— Eu me lembro de muitas coisas, Mills.

Regina esperou, ela se viu prisioneira daqueles olhos profundos e das emoções que atingiam com aquele olhar, era como os girassóis na primavera em um final de tarde. Sempre atraídos pelo sol, e para Regina Emma era o seu sol. Ela não queria sentir aquelas coisas, pelo menos não naquele momento, mas quando Emma a olhava com os olhos cheios de lembranças e a boca exuberante e suave, Regina só conseguia pensar em uma única coisa: Emma Swan se sentia incrível em seus braços. Ela ainda não queria que os sentimentos que sentiam atrapalhassem os negócios, mexer com passado poderia ser extremamente perigoso. Mas mesmo assim não resistiu a tentação de fazer que talvez fosse se arrepender depois.

— E do que você se lembra de Cisne?

Emma umedeceu o lábio inferior, em gesto simples sem perder a elegância, que, no entanto fez Regina ter pensamentos nada puros, e isso lhe causou uma reação imediata entre suas pernas.

— Eu me lembro de que costumávamos nos deitar no campo de girassóis, e ficávamos lá olhando as nuvens para ver qual delas tinham as formas mais estranhas.

Os lábios de Emma pareciam ainda mais doces contando suas lembranças, e Regina se sentia completamente hipnotizada.

— Eu também me lembro. — Emma prosseguiu. — Dos nossos primeiros meses de namoro, você me levava para Boston na traseira da sua Harley, e que preferíamos fazer piqueniques nos parques de lá ao invés de nos misturamos aqui em Storybrooke. Emma desistiu de passar a língua pelo lábio inferior e isso quase arrancou protesto de Regina. — E você costumava olhar para mim com tanto amor, como se eu fosse à única mulher em sua vida.

“O fato que você ainda é nunca deixou de ser.” Regina pensou consigo mesmo. Ela queria voltar ao passado e mudar as coisas, mas aquela altura não havia como mudar o que já estava feito. Talvez pudesse recomeçar, só ainda não sabia como.

Emma não desviou os olhos de Regina, como se Mills esperasse isso dela, e com certa disputa Emma não se afastou quando a morena se aproximou. Ela envolveu Swan em seus braços e sem pensar nas consequências a beijou com vontade. Emma sentiu o gosto de uvas e do açúcar, do amargo e do doce, e ela soube que Regina havia provado o vinho da família Mills, era algo único e que não se achava em qualquer lugar. Era como Regina fazia antigamente, na época em que ela era viciada naquele vinho, assim como era viciada na loira. Não havia explicações racionais, mas a empresaria apenas sabia que quanto mais ela tinha Emma, mas ela precisa ter. E quando se entregavam uma à outra, nada parecia haver mudado, o ato de explorar a língua suave de Emma, provocando, desafiando e saboreando a resposta apaixonada da loira. Elas estavam ali para tratar de negócios, mas quando aquele beijo se aprofundou Mills percebeu que não havia volta, ela estava brincando com fogo.

O que ela sentia por Emma, não havia mudado, seu sangue fervia toda vez que ela tinha a loira em seus braços, e aquilo não tinha nenhuma relação com os negócios, e sim com um sentimento avassalador que sentia por Emma Swan. No momento em que o beijo foi diminuindo, Emma congelou. Aquela era a recompensa por querer andar pelas ruas da memória, cair nos braços do próprio diabo.

Regina tinha lhe proposto um trato ridículo que ela já tinha visto na vida. E qual tinha sido a sua reação? Ela tinha deixado que Regina a beijasse. Pela segunda vez. E o pior de tudo, ela tinha correspondido. De novo. Ela não conseguia entender. Afinal negócios eram negócios, mesmo a proposta dela tendo sido cheia de bobagens. Se casar com Regina Mills em troca de ver sua maior ambição se realizar? Ela não conseguia si quer conseguia cogitar essa ideia. Por outro lado, seu lado ambicioso estava sempre disposto a fazer qualquer coisa para alcançar seus objetivos. Só que para ela um casamento com sua ex, não se encaixava na categoria, “qualquer coisa”. Estava mais para categoria “desespero total”. Talvez percebendo que tinha agido por impulso novamente, Regina se afastou. Seu sorriso fraco tinha certo contraste com amabilidade em seus olhos.

— Bom, eu acho que isso prova que se casar comigo, não seria assim tão ruim. Emma a olhou com certa raiva, como podia ser tão descarada?

Ela tinha a resposta, afinal Regina sempre fora assim. Ela quem tinha a beijava a primeira, quando eram adolescentes. Aquela parte cara de pau e sem limites, ainda vivia em Regina Mills, e Emma tinha plena certeza disso.

— Se você pensa que vou concordar com essa sua proposta maluca, está louca Mills. Regina não respondeu, apenas deu os ombros e se afastou um pouco mais.

— Não venha me julgar Swan, quem está desesperada atrás de uma promoção não sou. Depois não reclame Cisne.

Aquele era um apelido que apenas Regina usava para Emma, e vinha de tempo que eram felizes. E ela odiava ouvi-la dizer “Cisne” com tanta familiaridade, e de modo tão casual. Era um fato que Emma realmente queria aquela promoção. Talvez fosse a única forma de ela conseguir por fim a um passado que ela queria desesperadamente esquecer.

— É claro que eu não levei em consideração essa sua proposta maluca, nem mesmo por um segundo. Mas hipoteticamente se eu levasse o que você ganharia com isso?

Algo misterioso, e meio furtivo, se insinuou nos olhos de Regina, que olhavam Emma fixamente, mas logo ela piscou, e tudo se dissipou. A enigmática emoção tinha sumido.

— Digamos que eu me sinto pronta para casar.

— Por quê?

Porque agora? E porque eu? Eram duas perguntas que andavam pela cabeça da loira, mas que ela não tinha a menor coragem de fazer. Porque Regina estava fazendo aquilo? E porque diabos ela estava fazendo algo tão estanho como aquilo, quando elas tinham compartilhado naquele reencontro apenas uma atração remanescente dos velhos tempos? Mais uma vez Regina deu os ombros, o que irritou Emma ainda mais, como Regina poderia ser tão indiferente a algo tão importante. Há algum tempo atrás Emma teria feito qualquer coisa para se casar com Regina, e agora a morena a tinha reduzido àquela proposta fria de negócios, o que a magoava bastante.

— Eu preciso de credibilidade Cisne, estou expandido meus negócios, construindo mais hotéis estratégicos ao redor do país, mas os investidores não me levam a serio, tudo por causa da minha idade. Olham para mim como uma solteirona que tem muito dinheiro e está apenas brincando e se divertindo comandando negócios.

Regina fez um gesto de rotação com mãos e inclinou a cabeça de lado para outro para alongar os músculos do pescoço. Emma percebeu como ela estava tensa, sentiu uma enorme vontade de lhe oferecer uma massagem, como costumava fazer no passado, sempre que Regina vinha cansada do campo de girassóis, depois de dia duro de trabalho. Malditas lembranças. Mills começou a esfregar involuntariamente a parte de trás de seu pescoço, desatenta a vontade irracional de pedir que Emma o fizesse por ela.

— Aos olhos do meu assessor, o casamento me trará certa credibilidade, isso consolidará minha entrada em alguns círculos de negócios. E isso poderia me dar acesso a grandes investidores. Entende minha ideia Swan?

Emma a encarou, Regina estava completamente controlada, tão confiante, e ela tinha que admirar a grande mulher de negócios que Regina havia se tornado, mesmo lamentando da garota rebelde que não dava a mínima para o que as pessoas pensavam dela.

— Então quer dizer que isso é tudo?

Regina balançou a cabeça em concordância, e levantou a mão em sinal de juramente, como se quisesse indicar que não tinha nada a esconder.

— Sim Cisne, isso é tudo.

— E porque fazer essa proposta justamete a mim? Porque tenho plena certeza que Regina Mills a lendária pegadora de Storybrooke deve ter uma fila de pretendentes querendo se casar com ela.

Os olhos de Regina brilharam como se silenciosamente representasse Emma pelas palavras que ela tinha escolhido.

— Quero dizer. – Emma continuou. — O que eu tenho assim de tão especial para ser a escolhida?

— Você quer mesmo que eu responda a essa pergunta Emma?

— Sim, eu quero Regina.

E para a surpresa de Emma, Regina baixou os olhos, ela parecia estar procurando a resposta certa.

— Porque você é uma mulher de negócios, cheia de motivação. Porque acredito que se não estivesse tão obstinada a alcançar seus objetivos, não teria viajado de tão longe para superar os seus adversários. E, é exatamente disso que preciso agora: alguém que possua objetivo, uma visão clara dos negócios, sem misturar uma coisa com a outra. — Regina a olhou, com olhar penetrante antes de continuar. — Porque eu preciso de alguém que me conheça bem, e não leve as coisas para o lado emocional. Porque se me casasse com qualquer pessoa da região seria isso que iria acontecer. — Ela balançou as mãos no ar, e prosseguiu a explicação. — Minha proposta é estritamente comercial Swan, da qual ambos seremos beneficiadas. O que você acha?

Emma definitivamente achava que Regina tivesse enlouquecido, mas principalmente se sentia uma tola por achar que aquela proposta tivesse haver com algum sentimento que Mills ainda pudesse ter por ela e não a pretensão de conseguir respeitabilidade. E reunindo o que ela ainda tinha de sua dignidade, ela balançou a cabeça afirmativamente.

— Eu preciso de um tempo para pensar Mills. Eu irei voltar a procura-la quando tiver uma resposta concreta.

— Eu vou esperar Cisne.

Regina não parecia mais tão confiante. No fundo ela sabia que Emma era uma mulher metódica e iria analisar a fundo e bolar a sua própria versão conjugal de um gráfico de setores. Não havia saída, teria que esperar. Já Emma estava com sua cabeça a mil, ela apenas caminhou através do quarto, e deixou o local. O que viria depois? Swan não tinha a menor ideia.

Notas finais
Elas estão em conflito, Emma confusa com a proposta e Regina com medo de ceder ao que ainda sente. E viram uma lembrança da Mills, que pode ser uma pista, para o que aconteceu no passado. Teorias sobre o que Emma vai contra propor? Ou o que Ingrid aprontou no passado? Me contem o que acharam nos comentarios. Volto ainda essa semana. Até breve!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.