Notas iniciais
Capítulo cheio de emoções meus amores. Espero que gostem. Boa leitura.

Acordei no aconchego (não tão aconchegante assim) da minha cama. Ainda era bastante cedo e os meus olhos estavam pesando. Quando fiz menção de me levantar Erce falou-me:
–Não se preocupe, podes dormir até mais tarde hoje.
Antes que eu pudesse me perguntar o porquê de eu poder dormir até mais tarde, e antes que eu me lembrasse do se passou na noite anterior meus olhos já tinham se fechado e eu dormia profundamente.
Acordei horas depois, um pouco antes do almoço dos empregados. Fui banhar-me antes e depois segui para a cozinha, ainda com os cabelos pingando. Lá me sentei com Issa e Erce, como sempre, e elas passaram a me atualizar sobre os fatos da noite anterior:
–Ontem a noite, bem, hoje de madrugada para ser mais exata, o príncipe adentrou o nosso quarto contigo nos braços. Te colocou na cama e te cobriu e nos contou que vocês trabalharam no jardim juntos e que tu pegou no sono depois de terminar o serviço. Isso foi tudo o que realmente aconteceu? Terminou perguntando maliciosamente Issa.
–É, foi exatamente isso, sim. Eu queria adiantar o meu serviço e ele apareceu lá e quis por que quis ajudar-me. Bem, quem fez o meu serviço pela manhã?
–O nome dela é... Bem, não me recordo o nome dela, mas ela falou que ia fazer o serviço por ti mas tu ia ter de trocar com o dela. Se eu não me engano ela limpa a biblioteca. Mas esta nem é muito usada então provavelmente vão te sobrar algumas horas durante a tarde ainda. Explicou Erce.
–Tudo bem.
–Agora tu vai contar todos os detalhes, virgula por virgula, de ontem! Falou animadamente Issa.
E foi o que eu fiz.

҉҉҉

Eu já havia tirado o pó e varrido toda a biblioteca (que até que era grande, não chegava a ser imensa, mas era grande) Comecei a organizar as poucas pilhas de livros fora do lugar em seus respectivos lugares nas prateleiras (a ordem do alfabeto pelo menos eu sabia).
–Esse aqui eu vou querer. Disse alguém atrás de mim pegando o livro que eu estava colocando na estante.
Quando me virei, deparei-me com Galahad, que estava com um lindo sorriso estampado no rosto.
–Oi príncipe.
–O que eu disse sobre me chamar de príncipe? Disse brincando ele.
–Ooi Galahad. Disse eu ironizando a minha voz.
–Ooi Guinevere. Imitou ele a minha voz irônica o que me fez rir.
–Está feliz hoje Prin... Galahad?
–Estou.
–Posso perguntar o porque?
–Claro que pode. Não sei. Simplesmente acordei animado. Dormiu bem?
–Até que sim, mas quando terminar aqui vou dormir mais um bom pouco, ainda estou exausta.
–Entendo. Também preciso de mais um descanso. E olho que eu nem trabalhei ontem o dia todo como tu.
–Ah, mas tu me ajudaste e bastante no fim do dia.
–Olha, quer saber, pode ir dormir que eu arrumo os livros.
–Não Galahad, já fizeste demais por fim, e isto há de ser rápido. Disse eu convicta.
–Tudo bem, mas se não posso fazer por ti, pelo menos vou ajudar-te. Disse ele pegando outra pilha de livros que estava sobre a mesa e começando a distribui-los em seus lugares como eu fazia.
Trabalhamos em silêncio, e logo eu terminei a primeira pilha e peguei a segunda. Composta por livros grossos com capas pretas, marrons e uma vermelha de couro, a pilha estava tão grande que me dificultava a visão. Tanto é que não pude ver o príncipe se aproximado, eu só pude sentir o impacto do seu corpo contra o meu e todos os livros nos nossos braços indo ao chão. Eu teria caído também se não fosse Galahad me segurando em seus braços fortes, firmemente colada em seu corpo.
Nossos olhos se cruzaram, e foi como se tudo tivesse sumido e nada mais importasse. Quando fui afastar-me ele me puxou para mais perto ainda (como se fosse possível) e com uma mão em minha cintura e outra em minha nuca, ele me beijou.
Minhas mãos estavam em seu peito e eu podia sentir seu coração acelerado batendo contra a palma da minha mãe.
A mão dele na minha nuca era suave como o toque de uma pena, enviando calafrios que iam da coluna até minhas pernas. Eu tinha dificuldade em me manter de pé, podia sentir o seu hálito e a sua barba loira por fazer, um contraste áspero contra a maciez de seus lábios. E então eu me afasto.
–Não isto não é certo, Galahad, você está noivo!
–Não me importa!
–Mas a mim sim! Gritei eu afastando-o de mim. Por favor, me deixe sozinha.
E eu pude ver a profunda tristeza em seu olhar quando, sem dizer mais nada, ele se afastou.

҉҉҉

Terminei o meu serviço na biblioteca e fui de volta para o meu quarto dormir, encontrei com Erce, que estava também no quarto, mas não falei nada, nem para ela nem para Issa. Nem depois que acordei.
Levantei-me apenas para a hora do jantar, ajudando com os serviços e depois indo eu mesma jantar. Não falei muito com Issa ou Erce durante a refeição, não me sentia bem e não tinha ânimo para tal.
Como eu me sentia culpada por ter dormido quase a tarde inteira, mesmo que tivesse sido merecido, e também por não estar com sono nenhum resolvi ficar e ajudar a guardar a louça.
Não conversei com ninguém, somente fiz o meu serviço, rápido e eficiente. Terminei e enquanto lavava minhas mãos, sozinha na cozinha aparece um rapaz dizendo ser mandado pelo Rei com um bilhete para mim.
–Garoto, tu deve estar enganado.
–Não moça, tenho certeza que é para ti. Agora pegue logo senão eu me encrenco. Disse ele com a mão estendida oferecendo-me o papel.
–Está bem... Assim que peguei para mim o bilhete o rapaz se virou e começou a ir. Não vai querer saber se é mesmo para mim, e não vai esperar pela resposta?
–Já falei, tenho certeza que é para ti e o Rei disse que não necessita respostas.
E antes que eu pudesse falar algo o rapaz já tinha cruzado a porta e não ouvia-me mais.
Olhei para o bilhete. Um papel grosso, rústico, simplesmente dobrado e sem enderesação. Um medo repentino quis fazer-me jogar o papel ao lixo e esquece-lo, mas eu não tinha essa opção. Abri-o e deparei-me com a seguinte inscrição:
“Querida Guinevere,
Sua mãe fez-me tanta falta nestes últimos 8 anos que tu nem tem noção. Esperei todo esse tempo e agora sinto que finalmente tens idade para tomar como teu o serviço que era dela.
És uma garota esperta e sei que me entende.
Espero-te amanhã as duas da madrugada, após todos terem dormido, no quarto de hóspedes que está vazio, ele fica dois quartos adiante da biblioteca, em direção leste.
Ninguém deve ficar sabendo.
Estimadamente,
O Rei.”
Ao terminar de ler estava eu apavorada e tremendo, me sentia enjoada e lágrimas começaram a se formar em meus olhos, mas não as dei passagem.
Sentia como se uma parte de mim estivesse prestes a morrer. E, realmente, estava.
Calculei que deviam ser 23 horas.
Eu ainda tinha 27 horas de sanidade.

Notas finais
Então minhas flores, o que acharam? Não se esqueçam de comentar! Bjs amores. ♥