Paixões Gregas - Opostos(Em Degustação)
7 Capitulo 7
Notas iniciais
Pov – July
Meu coração dá tantos pulos ali diante dele que mal consigo esconder. Não sei o que Tyler faz aqui, mas sei que ele veio me ver. Além disso ficou com ciúme de mim com o Jay. Se soubesse como o acho chato e cansativo.
Foi um fim de semana triste, não me diverti e não consegui esquece-lo um segundo, tive que fingir e sou péssima nisso. Como se não bastasse a luta para não ir atrás dele depois da aula me fez sentir uma idiota.
Agora estamos frente a frente. Mudos, não fui atrás dele, ele que veio, então é dele a palavra.
─Eu... estava pensando se... é que minha avó acha que você devia voltar a frequentar minha casa.
Não posso negar que me decepciono um pouco. Queria ouvir outra coisa. Uma tolice. Tyler não se importa mesmo comigo.
─Dona Manoela é uma boa pessoa. – Olho para o chão.
─Vamos? – Ergo meus olhos. Eu tenho que ter algum amor próprio. Não posso simplesmente segui-lo no primeiro aceno, se não é por ele, então ir até lá só vai me machucar ainda mais.
Eu gosto muito das duas, senti falta delas, mas isso só torna mais necessário me afastar agora. Sou sentimental demais para me apegar e depois perder.
Tyler fica ali, me olhando a espera de uma resposta para seu convite. Meu coração dói. Papai diz que sou do tipo que leva tudo ao pé da letra. Acho que sou mesmo assim. Não consigo acreditar que isso seja apenas uma desculpa. Ele veio mesmo por isso. Por que sua avó sente minha falta.
─Você não me quer lá Tyler, eu me apego as pessoas, se não sou bem-vinda por você é melhor evitar.
Tyler fica surpreso. Mudo um momento, queria ser forte e dar as costas a ele, não consigo ir tão longe assim.
─Não é certo July, isso é diferente da minha vontade.
─O resultado final é o mesmo. – Ele sabe disso. Por que continua ali, me olhando sem decidir o que quer.
─É esse cara que estava te abraçando? Gosta dele? Vocês dois...
─Jay é só um garoto bobo, sem nada na cabeça, estudamos juntos desde sempre, mas é só. Eu ignoro suas investidas.
─Investidas? – Ele faz careta. – Então ele tenta?
─Do jeito dele, não é nada demais Tyler. – Não sei por que estou aqui me explicando. Ele não me quer, o que isso importa a ele?
─E o jeito dele é ficar abraçando você toda hora? Você disse que nunca tinha beijado, daí eu chego aqui para te ver e está dando espaço para um completo idiota.
─Veio me ver? – Ele disse mais um monte de coisas, mas só me concentro nessa parte.
─Você é bem esquisita. O que acha que estou fazendo aqui? – Tyler me diz um tanto irritado.
─Disse que sua avó me queria de volta a sua casa.
─Eu sei o que eu disse. – Ele esbraveja. No fundo acho até bonitinho quando ele se atrapalha todo e fica desesperado para esconder seus sentimentos. – Estou aqui July. Podia ter telefonado. Corri pela cidade com medo de não chegar a tempo.
─De me ver? – Meu coração continua a mil por hora.
─Só para chegar aqui e dar de cara com você agarrada ao babaca.
─Agarrada é um pouco demais.
─Não vai comigo? – Ele ignora meu comentário. – Podemos ir pelo parque agora que está de dia.
─Gosto disso. Quer que eu vá?
─Bárbara e vó Manoela já estão a tempo demais sozinhas. Vem. – Ele me puxa pela mão. Eu me ponho a caminhar com ele. A escola agora está quase vazia, mas a meia dúzia de pessoas conversando em uma rodinha será suficiente para espalhar a notícia de que estava de mãos dadas com um garoto.
Caminhos até o parque, o dia está frio, nada insuportável, ainda não. Outubro ainda não é tão gelado. Ajeito o casaco do colégio. Tyler me olha preocupado.
─Trouxe seu inalador? – Abro um sorriso com a pergunta. Ele se preocupa. Só não quer demonstrar. – O que? Perguntei por que se passar mal eu não quero acabar sendo o responsável.
─Meu pai confirma todas as manhãs, é sempre a última coisa que faz antes de nos despedirmos. Olhar minha mochila, ele não confia na minha palavra. Acha que sou distraída.
─Se passar mal e não tiver isso. O que acontece?
Sua mão ainda segura a minha, andamos devagar, a grama macia sob meus pés, o cheiro de terra e flores. Penso nas muitas manhãs que passei aqui com meus pais. Brincando de boneca enquanto papai e os meninos jogavam bola.
─Não sei dizer Tyler, eu nunca passei por isso. Normalmente se na terceira tentativa não funciona papai me leva ao hospital, ou qualquer um que esteja comigo. Meus tios. Meu irmão. Acho que todo mundo já correu comigo para o hospital.
─Deve ser ruim. – Ele diz apontando um banco. – Vamos sentar um pouco.
─Vamos. – Gosto da ideia de sentarmos um pouco no parque. – Não é que eu tenha crises toda hora. Já fiquei semanas sem ter nenhuma crise.
Nos sentamos um ao lado do outro. Seus dedos se soltam dos meus. Jogo a mochila no chão ao meu lado.
─Isso é bom.
─Tyler esses dias. Você sabe, o Juan. – Ele fica calado olhando o horizonte.
─Eu vou sair disso. Acabar com a minha dívida com ele e sair.
─Quanto mais trabalhar para ele mais difícil vai ser sair. Se souber muito do movimento deles, vai ficar em risco.
─Fica fora disso. – Seu tom é severo. Como posso não tentar ajuda-lo?
─Eu me importo com você. – Seus olhos brilham de modo diferente. Parece quase espantado. Não é nada demais dizer isso. Não é uma declaração.
Tyler se aproxima de mim, sua mão vem para minha nuca. Toda vez que faz isso eu sei que ele vai me beijar. Gosto do arrepio que percorre meu corpo. Meus olhos se fecham quando seus lábios me tocam. Nos beijamos. Um beijo longo e descubro que senti muito a falta dele. Isso está tão rápido que me assusta.
Quando nos separamos ele ainda mantem a mão na minha nuca. Fica me olhando um longo momento.
─July eu ainda digo que não é namoro. – Mas que mania que ele tem de me jogar um bande de água fria.
─Tyler está se dando muita importância. Porque acha que quero ser sua namorada? – Ele se afasta. Me olha torto, um tanto bravo.
─Acho que mereci essa. Claro que não quer. Afinal eu sou apenas...
Tampo sua boca. Ele tenta tirar minha mão, mas forço ainda mais e vejo pelo olhar que ele acaba sorrindo assim como eu.
─Você fala muita bobagem. A gente devia se beijar de novo. Só sei disso.
─Só sabe disso? – Ele brinca me envolvendo. – Acho que concordo.
Ficamos ali, sentados no Central Parque trocando beijos por mais de uma hora. Nada de falar sobre futuro, problemas. Apenas aproveitamos a companhia um do outro.
─Melhor irmos lá para casa. É sério esse negócio da vovó sozinha.
Me ponho de pé. Coloco a mochila nas costas e caminhamos para casa dele.
─Parou de ensinar a Dulce?
─Não. Demos um tempo essa semana. Eu pedi a ela. Estava triste e não tínhamos mais um lugar. Não posso de jeito nenhum ficar tanto tempo perto de pelos de animais.
─Continua lá em casa. – Não é muito melhor por conta da umidade. Mesmo assim é isso que quero. Para ficar perto dele. – Eu posso vir te apanhar na escola. Até conseguir um emprego. Anda de moto?
─Tem uma moto? – Eu pergunto com uma ruga. Ele nega.
─Juan me disse que vou ter que usar uma. Talvez eu não tenha como recusar. É só por um tempo.
─Não vou com você de moto. Não tenho nada contra. Até já andei por aí com meu tio Ulisses. Se fosse sua, mas é daquele monstro.
─Desculpe. Você está certa. Eu já estou bem enrolado. Só que a cada vez que o desafio ele me ameaça.
─Então vá a polícia.
─Não. Isso é perigoso. July me promete que não vai se meter nisso.
Balanço a cabeça concordando. Não posso trair sua confiança. Entramos em sua casa. Dona Manoela me sorri. É um sorriso puro e ao mesmo tempo triste. Ela gosta muito do neto, mas não entende seus dilemas. Para ela as coisas são mais simples.
Depois de abraça-la me dobro para pegar Bárbara no carrinho. O bebê mais fofo que já vi. Ela é doce e risonha quando está comigo. Falta estimulo, cuidados, mas de modo geral é uma garotinha esperta e especial.
Não demora para dona Manoela se recolher. Começo a achar que sua intensão é me deixar sozinha com Tyler.
Ele fica apenas sentado me olhando brincar com sua irmã. Não é seu costume brincar com ela. Nem de dona Manoela. Acho que eles não sabem como fazer isso. A vida deles é muito dura.
Dou mamadeira a ela no fim da tarde, não tem uma fruta, um suco, quando os exames dela chegarem eu talvez tenha que convencer Tyler a aceitar mais minha ajuda. Ela já tem dez meses, precisa mais que leite.
Pouco antes de anoitecer Tyler me acompanha. Vamos caminhando de mãos dadas. Gosto tanto disso. De como parecemos um casal. Queria que ele pudesse se aproximar da minha família. Conviver com eles e enxergar como somos comuns e felizes.
Queria que pudesse estudar, trabalhar e viver melhor, mas ele é o cara mais teimoso que existe. Nunca vai aceitar ajuda.
─Quer que pegue você no colégio amanhã? – Ele me pergunta quando paramos perto de casa no lugar de sempre.
─Não precisa Tyler. Meu motorista me deixa na sua casa no fim da aula. – A frase não soa bem a seus ouvidos. Vejo pela careta. Ser rica parece ser o grande problema entre nós.
─Então te vejo em casa. Melhor você ir.
─Obrigada por me acompanhar. – Ele me dá um leve puxão. Me beija os lábios. Às vezes acho que ele quer sorrir, mas não faz. – Tchau.
─Tchau.
Dou as costas a ele, dessa vez ele fica me olhando caminhar. Toda vez que olho para trás ele está me olhando. Até que chego ao meu prédio e Tyler some em meio a pessoas.
Minha casa está silenciosa. Tem um bilhete preso a geladeira. Estão me esperando na casa de Josh. Subo para um banho e depois vou encontra-los. O casamento é o assunto da família.
Os dias seguintes são felizes. Não falo mais sobre Juan e sua gangue com Tyler, mesmo vendo que todos os dias ele faz algo para eles. Tento ignorar isso por que por enquanto tudo que consigo é um desabafo ou outro superficial. Preciso que ele confie em mim.
Chad telefona para Tyler. Ele garante que tudo está bem com elas. Apenas dona Manoela anda meio fraca por conta da idade e precisa de algumas vitaminas. Chad é tão gentil que envia os remédios.
Todas as tardes ficamos trocando beijos, conversando, é tão bom que fico emocionada com o carinho de Tyler. Minha mãe me pergunta se estou gostando de alguém. Acho que ela sente minha diferença. Ando mesmo uma boba sonhadora. Nem sei como a Alana me aguenta.
─July não esquece o inalador. – Ryan balança o inalador na porta do elevador.
─Tenho um aqui na mochila. O papai acabou de olhar Ryan. – Todo mundo vive assim. Balançando inaladores em minha direção.
─Ótimo. Por que assim não fica passando mal. Já tive que ir correndo na diretoria levar inalador para você. – Ele reclama colocando o inalador na própria mochila. Todo mundo carrega um.
─Vamos meninos. Tenho que deixar vocês no colégio a mamãe na associação e ainda chegar a tempo para uma reunião com seus tios. Coisa do Josh. – Meu pai aperta o botão do elevador. Logo minha mãe se junta a nós. Usa jeans e camiseta. Nunca consegui torna-la mais vaidosa.
Meu pai adora o jeito dela. Os cabelos soltos, roupas confortáveis. Acho tão lindo como se entendem em tudo. São parecidos e românticos. Fico pensando em Tyler, como somos diferentes. Ele é tão fechado. Bravo. Nada romântico e nem um pouco sensível.
Talvez seja, mas tem essa casca de proteção que o impede de mostrar suas emoções. Queria conhece-lo mais fundo e descobrir quem ele é realmente.
─Vai ficar aí July? – Meu pai me pergunta com um sorriso enquanto segura a porta do elevador. Pisco voltando a realidade, desço do elevador e caminho para o carro. – Anda muito sonhadora pequena. – Ele me envolve o pescoço. Beija minha testa quando abre a porta do carro. Entro com um sorriso tímido. Será que um dia vou contar a eles que estou apaixonada? O que ele diria se me visse com Tyler? Nunca quero decepcionar meu pai, mas acho difícil isso ser evitado.
Nos despedimos na porta do colégio. É sexta-feira depois da aula vou ver Tyler, mas então ficamos o fim de semana longe. Afinal não é um namoro. Se fosse talvez pudéssemos ir ao cinema, ao parque, mas não. Ele não se acha bom o bastante para me namorar.
Não consigo me concentrar muito na aula. O tempo todo, minha mente foge para Tyler, as vezes penso nos beijos, outras fico pensando nos perigos que corre enfiado com aquela gangue.
Depois do almoço me reúno com as líderes de torcida. Entrei no grupo por conta do ballet. Nem sempre participo das apresentações por conta da asma, mas sempre ajudo na montagem da coreografia.
Passamos duas horas juntas. Quando terminamos meu coração está acelerado. Uso o inalador e deixo na arquibancada ao meu lado enquanto volto a respirar. Esse negócio de frequentar a casa de Tyler toda a tarde anda me fazendo muito mal.
─Oi. – Jay surge ao meu lado. – Carona?
─Não. Vou de taxi. Meu motorista já levou meu irmão e não vou para casa.
─Somos quase vizinhos e nunca aceita carona. – Jay reclama quando fico de pé. Ele me acompanha em direção aos portões. Jay me envolve o pescoço. Educadamente me afasto. – Vou te acompanhar até o ponto de taxi.
─Jay eu já disse que não precisa. – Aviso quando passamos pelo portão. – Pego um taxi facilmente na outra quadra.
─O que vai fazer amanhã? – Ele pergunta me ignorando. – Pensamos em fazer uma festa na casa da Alysson. O pai dela viajou.
─Jay eu e ela nem somos amigas. Depois você sabe que odeio essas festas.
─Então um cinema no domingo.
Ele tenta mais uma vez me envolver o pescoço quando estamos chegando a esquina. Me desvencilho dele e quando estou prestes a recusar o convite Tyler surge em nossa frente.
─Quantas vezes ela tem que te empurrar para entender que ela não quer seu abraço? – Tyler empurra Jay, as duas mãos no peito dele e usando toda força. Jay da uns passos para trás perplexo com o confronto que não esperava. – Sai fora. Fica longe dela.
─Tyler para com isso. – Eu peço entrando na frente dos dois. – Vai embora Jay.
─Quem esse marginal pensa que é para se aproximar de mim assim? – Jay vai em direção a Tyler que não se esquiva. Entro na frente mais uma vez. – Sai daí July. – Jay me empurra. Aquilo deixa Tyler fora de si. Ele acerta um soco em Jay.
─Tyler vamos embora! – Eu grito. Puxo seu braço. Jay me olha surpreso. – Vai para casa Jay. Estou com ele.
─O que? Com esse... – Jay olha Tyler de cima a baixo com desdém.
─Vai embora! – Grito antes que ele diga qualquer coisa ofensiva. Jay me dá as costas. Quando some eu encaro Tyler. ─O que pensa que está fazendo?
─Eu? Ele que estava toda hora tentando te abraçar. Eu vi, estava vindo e assistindo ele te encher enquanto ficava se esquivando. Que porra acha que eu ia fazer?
─Tyler ele podia ter chamado a policia. Você podia acabar encrencado. Isso foi ridículo. Odeio violência. Odeio agressões. – Fico tão nervosa que não consigo mais respirar direito. Meu coração bate alucinado. Já caminhamos dois quarteirões nessa discussão e nem me dei conta. – Foi um troglodita.
─E ele? Acha que ele pode ficar o tempo todo tentando tirar casquinha de você? Que droga July não tenho sangue de barata.
─Eu é que não tenho! – Grito. As pessoas ficam nos olhando. Paro de andar quando sinto meus pulmões começarem a se fechar. Tiro a mochila das costas. Começo a caçar o inalador. Puxo o ar. É como se não tivesse espaço para ele.
Meu peito começa a fazer barulho. Me apavoro. Vejo os olhos de Tyler se arregalarem enquanto ele toma a mochila da minha mão.
─Desculpa. Fica calma.
Me lembro de ter deixado o inalador na arquibancada. Meu coração dispara ainda mais quando o medo me domina.
─Não está. ─Consigo dizer em meio a minha luta. Fiquei muito assustada com a briga. Tyler joga a mochila nas costas.
─Hospital. – Ele diz me erguendo. – Eu te carrego. Tem um hospital umas quadras daqui.
É onde meu pai costuma me levar. Só preciso me acalmar. Tyler me carrega até um taxi. Me coloca dentro dele, dá as indicações. Nem dois minutos e estamos lá.
─Socorro. – Tyler pede de novo me carregando. Um enfermeiro surge com uma cadeira de rodas. Logo estão me colocando soro. Ele sempre segurando minha mão.
─Já vai se sentir melhor July. – A enfermeira avisa. Não demora e meu peito começa a se abrir. O coração desacelera fico respirando dentro do inalador. Penso em minha mãe e meu pai sempre comigo nessas horas. Meus olhos marejam. – Descansa um pouco. – A enfermeira olha para Tyler. – Precisa ligar para o responsável.
Ficamos sozinhos. Ele está ao meu lado. Seus dedos presos aos meus.
─Me desculpa. – Tyler me dá um beijo na testa. – Errei, eu sei disso.
─Tudo bem. – Falo de dentro do respirador. A fumacinha subindo e umedecendo meu rosto.
─Não fala. Só faz a inalação.
─Vou ligar para o meu tio Ulisses.
─Não é melhor chamar seu pai?
─E explicar essa confusão? Não, chamo meu tio. Outra hora eu conto a ele.
─Tem certeza? Eu fico e enfrento. A culpa foi mesmo minha.
─Esquece isso Tyler. Só pega meu celular.
Tio Ulisses não faz perguntas. Apenas promete que está a caminho. Tyler continua sentado ao meu lado.
─Se quiser ir meu tio está vindo.
─Não quer que ele me veja com você?
─Eu não tenho que te esconder Tyler. Pode ficar. Até quero que conheça minha família. – Ele se mantem sentado ao lado da cama. Fico contente que não saiu correndo assustado. Tyler é corajoso.
A porta do quarto se abre e tio Ulisses entra apressado. Sorri olhando de mim para Tyler.
─Oi pequena. Está bem? – Afirmo. Ele me beija a testa, depois estende a mão para Tyler. Os dois trocam um aperto de mão. Quando Tyler estica o braço parte da tatuagem fica a mostra. – Tatuagem legal. – Tio Ulisses comenta. Depois se volta para me olhar enquanto Tyler corre para colocar a jaqueta de volta. Ainda bem que meu tio não entende nada de gangues. – Em que encrenca se meteu? Por que eu estou aqui e não seus pais?
─Por que é meu tio preferido. O melhor e mais bonito tio do mundo. Muito charmoso.
─Que perfeita. Se tivesse um petisco atiraria para você. – Ele brinca. – Agora conta logo.
Olho para Tyler que agora está de pé um pouco distante. Ele dá de ombros.
─Tio esse é o Tyler. Ele foi me pegar no colégio. Eu estava com um amigo e os dois brigaram, fiquei nervosa e vim parar aqui. Agora tem que assinar para eu ir embora.
─Intriga, ciúme e violência colegial. Que vida agitada pequena. – Tio Ulisses se diverte. – E você é o namorado ciumento? Entendo, ela é bem gatinha né?
Tyler está espantado. Olha para tio Ulisses sem acreditar.
─Tio...
─O que? Não é namorado? – Fico corada de vergonha.
─Não pretendia deixar a July nervosa. Ela estava sem o inalador, eu a trouxe o mais rápido que pude.
─Esse bração forte e tatuado tinha que servir para algo né? Acertou o amiguinho da July? – Tio Ulisses tem suas prioridades. – Tipo um direto de direita?
Tyler balança a cabeça confirmando. Tio Ulisses pisca para mim. Tem um sorriso leve.
─Assina e me leva para casa tio?
─Aí pequena. Vocês vivem me metendo em encrenca. Esse negócio de ser o tio preferido não é mole. Vamos fazer assim. Tenho um plano. Digo que fui até o colégio, não tem nada de errado. Sua prima estuda lá e vivo naquela diretoria. – Sorrio com a ideia. Ninguém se encrenca mais que Gigi. – Continuado. Conto que encontrei você passando mal e te trouxe. Não posso esconder que está aqui July. Seu pai não me perdoaria, mas escondo o namorado tatuado.
─Ele não é meu namorado tio. – Aviso. Meu tio franze a testa, encara Tyler.
─Se vai bater nos amigos dela por que a abraçam pede em namoro antes. Se beijem enquanto vou lá fora ligar para o Nick e depois você vai embora. Não é a melhor hora de contar para o papai que namora um tatuado de jaqueta de couro. Essas minhas garotas. – Tio Ulisses deixa o quarto rindo.
─Ele é meio doido. – Tyler se aproxima de mim novamente. – Me liga á noite? Detesto te deixar aqui. A culpa foi minha.
─Eu estou bem. Pode ir. Eu ligo. – Ele se dobra. Me beija de leve os lábios. Duas vezes antes de se afastar.
─Te vejo na segunda?
─Sim. Vou na sua casa depois do colégio.
─Se cuida. – Tyler volta a me beijar. Dessa vez não é tão de leve. Me sinto bem e vou guardar esse beijo por todo fim de semana até ter chance de beija-lo de novo. Quando nos afastamos tio Ulisses está encostado na porta de braços cruzados nos olhando.
─Sou sempre o primeiro a ver os beijos. Nick está perdido comigo. Agora vai garoto. O papai Nick está vindo.
Tyler me olha mais uma vez, acena. Aperta a mão do meu tio e deixa o quarto. Me encosto de novo na cama. Fecho meus olhos para descansar um pouco. Sempre fico com sono quando tomo esses remédios.
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