Paixões Gregas - Descobrindo o amor (Degustação)
4 Capitulo 4
Notas iniciais
Pov – Lizzie
Me deito na cama quando todos se recolhem depois de um triste jantar em família coisa que não me lembro de ter vivido nunca. A porta se abre um momento depois e Daniel entra com seu pijama de super-herói.
─Oi Daniel. Não consegue dormir? – Ele balança a cabeça em negação, me afasto deixando espaço para ele. Danny tem nove anos. É o Stefanos mais novo. Ele se deita me abraçando.
─Estava com saudade de você. – Ele diz fechando os olhos.
─Eu também estava sabia? – Beijo sua testa e acaricio seus cabelos.
─Papai está triste e eu também, o Dobby dormia na cama comigo, não consigo dormir sozinho.
─Eu sei como é. – Engulo a vontade de chorar. – Quer que eu coloque você na cama?
─Não Lizzie eu durmo com você mesmo. – Adoro meus irmãos, deixa-los para estudar foi a coisa mais difícil que já fiz, Josh está perto dos pais e dos irmãos. Uma hora de viagem. Podia ir vê-los de manhã e voltar no fim da tarde, fizemos isso algumas vezes.
─Dobby estava cansado Danny.
─É, ele não subia mais as escadas, o papai trazia ele toda noite no colo, e levava de manhã para baixo, a gente se ajeitava para ele nunca ficar sozinho, não sabia que era por que meu pai estava com medo dele morrer. – Ele tenta não chorar esfrega os olhos.
─Quando todos nós pararmos de chorar talvez a gente arrume outro cachorrinho. O que acha?
─Acho que tem que pedir para a mamãe, Lizzie é ela que decide as coisas, o papai sempre diz.
─Eu posso dar um jeito nisso.
─Como?
─Vamos pedir ao tio Nick para fazer um contrato. Todo mundo assina e pronto, quando as lagrimas se forem vamos amar outro cachorrinho.
─Eu que escolho o nome. Potter.
─Nossa já tem até nome? Assim vai ficar bem fácil. – Beijo mais uma vez sua testa, ele se arruma me abraçando mais e logo pega no sono, já eu me mantenho ali, de olhos abertos grudados no teto. ─Ei! Me formo em duas semanas! Como assim o tio Nick faz o contrato?
Digo em voz alta. Eu faço isso, é claro que faço. Será meu primeiro trabalho como advogada. Afasto as cobertas e deixo a cama com cuidado para não acordar Daniel, depois saio do quarto em silencio, deixei tudo para traz quando saímos apressados, vou usar o computador do escritório do papai, eu não vou conseguir dormir mesmo.
Desço as escadas e meu coração se aperta quando me dou conta que Dobby não está andando atrás de mim enrolado em minhas pernas, qualquer um que deixasse a cama no meio da noite era seguido por ele.
Quando entro no escritório a luz está acesa, Josh ergue a cabeça, é claro que estaria aqui.
─Oi. – Tento sorrir. Ele sorri de volta. – Não consigo dormir.
─Nem eu. – Josh me investiga com o olhar. – Você está bem?
─Triste, o Danny veio dormir comigo, disse a ele que o tio Nick faria um contrato para termos um cachorro novo, depois que ele dormiu me lembrei que sou uma advogada, posso fazer eu mesma.
─Pode. – Josh fica de pé, me oferece a cadeira. – Posso ser seu consultor?
─Talvez eu precise. – Me sento, ele puxa uma cadeira para perto de mim, olho para tela e Josh lia algo sobre finanças. Faço careta. – Não para nunca?
─Leia cinco minutos disso e vai ver como o sono chega. – Ele brinca. Abro uma página em branco, me encosto na cadeira, encaro Josh.
─Lembra uma vez em Kirus que estávamos passando pela cozinha, Dobby roubou comida, nos derrubou, saiu ileso e ainda levamos bronca da Mira?
─Lembro. Até hoje não ando muito por aquela cozinha. – Josh me sorri.
─Uma vez, depois de uma chuva ele escapou para o jardim, estávamos na cozinha, acho que preparando uma refeição qualquer em família. Quando entramos na sala foi como mergulhar na lama, tinha terra para todo lado, pegadas de barro por toda sala, escadas, sofá. – Seco uma lágrima. – Minha mãe em silencio pegou um pano entregou para meu pai e saiu. Achei que ela estava deixando a gente por culpa do Dobby e nem isso me deixou sentir raiva dele.
─A tia deixar vocês, que bobagem.
─Cabeça de criança, comecei a ajudar meu pai a limpar, não perguntei se ela tinha nos deixado por que senti pena dele, uma hora depois ela voltou com um pingente para a pulseira dela. Era um cachorrinho de ouro.
─Ainda está lá. – Josh me lembra.
─Acho que foi o jeito dela dizer que amava o Dobby como nós e que não precisávamos ter medo, a gente sempre tinha medo dela ficar muito brava com as coisas que ele aprontava.
─Ele era mesmo terrível. – Josh seca uma lágrima que escorre por meu rosto, gosto tanto quando me toca, faz tudo em mim viver e queria tanto me sentir viva hoje.
─Nunca tinha dado de cara com a morte, dói muito. Nem sei como foi para você perder seus pais.
─Bem fácil Lizzie. – Me espanto um pouco, mas ele tem razão, era maltratado, July também. – Não consegui nem mesmo chorar, mas depois eu enfrentei mortes tristes algumas vezes, Ava quando eu tinha quatorze anos, foi dolorido, minha mãe a amava tanto, July chorou uma semana, meus pais pensaram em nos afastar um pouco da associação, por que estávamos sempre cercados de idosos.
─Mas não fizeram isso. – Eu constato sabendo que eles sempre viveram correndo por aqueles corredores, eu mesma estive lá muitas vezes em férias.
─Não. Fizeram melhor que isso, nos ensinaram a não ter medo da morte e encara-la como parte da vida. As outras perdas foram mais aceitáveis depois de Ava.
─Tenho que aprender. – Respiro fundo, admiro Josh, não é amargo, é um pouco reservado, mas não tem magoas e revoltas. – Me ajuda a escrever esse contrato?
─Consultor. – Ele insiste. Encaro a tela do computador.
─Sabe que isso é sério?
─Quer que chame meu pai? – Ele me pergunta sorrindo, nego com um movimento de cabeça, a casa silenciosa, escura, e nós dois juntos, não que nunca tenhamos passado uma noite assim, já viramos noites estudando sozinhos, lutando para nos concentrarmos, mas hoje é mais difícil, por que quero seu carinho mais do que tudo. – Ainda vai para Nova York?
─Vou. Quero ficar perto do seu pai, me adaptar. Acho que meio que já me acostumei a ficar longe, claro que o lado grego da família está no maior drama.
─E essa família tem algum outro lado? – Ele questiona rindo. Definitivamente não, até os não gregos parecem se adaptar ao lado dramático e apegado a família, mesmo minha mãe inglesa, ou Annie americana são assim. Sophi é italiana, então é meio parecida e natural ser tão ligada a família.
─Acho que não. E você Josh, volta para casa?
─Pensei em alugar um apartamento, mas acho que mataria minha mãe e meu pai de tristeza, sei lá como vou fazer isso.
─Então vamos ser vizinhos. – Ele afirma, mais perto do que em Harvard, não sei se isso vai facilitar as coisas, talvez só torne tudo pior. Toco a sapatilha no pescoço, aquela noite quente de aniversário me volta a mente, sinto falta daquele momento, fico repetindo ele na mente e algumas vezes já não tenho nem mesmo certeza que realmente aconteceu, de algum modo virou uma fantasia, um sonho.
Começo a digitar o contrato modelo simples, meia dúzia de clausulas sobre um cãozinho para os irmãos Stefanos, que deve ser amado e protegido.
─Adoção. – Josh aponta a tela. – Essa é fundamental. Assim como o Dobby ele deve ser adotado.
─Às vezes você me assusta. – Digo sorrindo. – É igual ao seu pai.
─Viemos do mesmíssimo lugar.
─Exato. Acho que é isso. ─ Termino de digitar, viro a tela para ele, Josh examina o trabalho e me sorri.
─Perfeito! Como era de se esperar. – Beijo seu rosto. Coloco a folha para imprimir, depois ficamos os dois de pé.
─Obrigada.
─Mal tocou na comida. Vem vou te fazer um sanduiche de tudo que tem na geladeira.
─Josh eu sou bailarina, para de me empurrar comida.
─Deixa de ser chata, vem. – Ele me puxa pela mão e vamos na ponta dos pés para cozinha, Josh abre a geladeira, pego pão, copos, facas, vamos colocando coisas dentro do pão, depois nos sentamos na bancada.
─Sanduiche enorme. Vou babar tudo, espera que não peguei guardanapo. – Me levanto. – Cuida do meu prato para o Do... – Paro de falar na mesma hora, sinto meu coração doer. Não tem mais Dobby para roubar nossa comida. Cubro o rosto com as mãos. Caio no choro sem conseguir controlar. Logo sinto Josh me abraçar.
─Está tudo bem bailarina, ainda demora um pouco para tudo se acalmar. – Ele afaga meus cabelos, soluço em seus braços.
─Chorando princesa. – A voz do meu pai chega até nós e nos afastamos apressados. Ele me abraça. – Eu sei, não estava conseguindo dormir?
─Não papai.
─Eu vou deixar vocês conversando. Descansa Lizzie, vou terminar o sanduiche no quarto. – Josh pega seu prato o copo e nos deixa. Meu pai beija minha testa carinhoso.
─É bom ter um priminho da sua idade. Não é mesmo princesa?
O choro que nem tinha controlado ainda vem com força total, misturando sentimentos. Nunca vão nos ver como nada além de primos.
Depois me acalmo, meu pai me obriga a comer o sanduiche, subimos juntos, vou para cama. Nos dois dias seguintes as coisas começam a se acomodar. Passo todo tempo com meus irmãos, meu pai, só no terceiro dia tio Ulisses consegue arrancar um sorriso do irmão, me sinto tão feliz com aquilo.
Assinamos o contrato, num jantar em família. Tio Nick me olha orgulhoso quando entrego o contrato a ele antes de pedir a assinatura dos Stefanos.
─O que acha tio Nick?
Ele passa os olhos muito atento, sorri quando termina.
─Que logo vou poder tirar longas férias.
─Disney, Disney! – Ryan comemora. Corre para o colo do tio. – A gente vai papai?
─Vamos todo ano garoto. – Ele aperta seu nariz.
─Mas só uns dias, você disse longas férias.
─Nick o mundo é maior que esses seus parques de diversões. – Meu tio Ulisses avisa como se não soubéssemos.
─Diz isso para as crianças. – Ele se defende.
─Ele está se referindo a vocês dois. – Meu tio aponta de mim para Josh, não vão se defender?
Troco um olhar com Josh, no fundo se me perguntar onde quero estar nas férias vou dizer parque do Harry Potter então como Josh pensa como eu nos calamos.
─Ah! Façam o favor! – Tio Ulisses ri. – Gigi onde quer passar as próximas férias?
─Alaska!
─Viram? Simples assim. Ela já conhece metade do mundo.
─Assina papai. – Danny balança a folha. Meu pai pega depois de fazer um carinho em seu cabelo.
Meu pai aceita a caneta que Harry oferece, Emma entrega outra para minha mãe. Os dois assinam, depois meu pai entrega nas mãos do meu tio Nick.
─Advogado errado Heitor. – Tio Leon o lembra, ele sorri, passa as folhas para minha mão um olhar orgulhoso. – São muitos no momento.
─O Josh vai ficar comigo, estou velho e preciso de aposentadoria. – Tio Ulisses exige.
─Mas não velho demais para o Alaska? – Tio Leon reclama.
─Nunca para o Alaska.
Partimos na manhã seguinte. Apenas eu e Josh, quando o avião levanta voo penso em meus pais. As coisas apesar de tristes se acalmaram um pouco.
─Pronta para seu discurso?
─Mais do que nunca.
Ele lê o discurso mais uma vez, sorri aqui e ali, me olha uma vez ou outra, depois me entrega a folha.
─Tinha que ser você Josh. O número um.
─Não, esse não é meu talento, estou feliz que é você a fazer isso, é sua cara.
─Vamos ver. – Suspiro, me encosto na poltrona, não dormi direito nenhuma noite. Um dia Danny, no outro Emma, as vezes eu chorava, as vezes pensar em Josh me tirava o sono.
Quando acordo o avião descia. Me sento direito, encaro Josh distraído lendo, adoraria que ele ficasse mais tempo comigo, mas ele vai seguir seus dias aqui como sempre e ficamos longe.
─Esqueceu o Aquiles.
─Chorei tanto que nem pensei nele, talvez por isso tenha dormido tão mal.
─Você não tem medo do dia que ele se desintegrar?
─Para Josh, ele é eterno. – Descemos depois de agradecer ao piloto e ao comissário, o carro está no estacionamento, quando me sento ao lado dele penso mais uma vez como vai ser ruim ficar sozinha essa última semana.
─Vai ficar bem Lizzie?
─Vou, as meninas estão em casa ainda, deixamos o apartamento só no dia da formatura.
─Eu também. Quer comer?
─Quero. Mas restaurante, nada de fast food. Só porque não sabe cozinhar e vive de sanduiche não precisa me carregar para isso.
─Eu sei cozinhar Lizzie, depois que a senhora Kalais se aposentou todo mundo lá em casa sabe. Menos a minha mãe, é claro.
─Annie não tem muito talento mesmo.
─Nenhum. Ela se esforça, mas não leva jeito.
─Sinto falta dos passeios no Central Park, vou passear muito por lá.
─Cuidado, aquele não é um parque tão seguro quanto parece. – Ele me adverte.
─Acho que vão me fazer me sentir em casa, todo mundo cuidando de mim, eu morando um andar abaixo do tio Nick e dois quarteirões do tio Ulisses.
─Não espere tio Ulisses te dizendo o que fazer, para ele tudo está sempre bom, ele é cabeça aberta. – Será? Será que acharia natural se um dia eu e Josh... Para Lizzie, não vai acontecer. Minha mão toca ansiosa a sapatilha. Ele me olha de soslaio, depois se concentra em dirigir.
Comemos em um restaurante perto de casa, depois ele me deixa em frente ao meu prédio, ficamos um longo momento nos olhando.
─Obrigada. Sem você por perto teria sido muito pior. Acho que não conseguiria.
─Sempre vou estar por perto quanto precisar. Sabe disso.
─Vai, eu sei, se um dia não for tão autossuficiente e precisar de mim estou aqui.
─Preciso. – Ele confessa, depois desvia seus olhos dos meus encarando o volante. – Melhor ir Lizzie. Nos vemos na formatura.
─Tchau.
Desço do carro, o barulho do carro partindo me machuca, porque não queria que ele fosse, por que ele não queria ir, ao menos eu tenho as meninas, mas Josh fica sozinho naquele quarto pequeno, enfiado em livros, fugindo assim como eu.
Passo a semana cercada pelo carinho das amigas, Josh me telefona todos os dias, trocamos mensagens também, ele se importa, ele sempre se importa. No dia da formatura acordo ansiosa como nunca. Daqui vamos passar todos uma semana em Kirus e depois eu começo a viver.
Nova York me espera, meu futuro me espera e sinto pena de não ter Josh como parte disso. Vamos ser apenas colegas de trabalho. Lindo, talentoso e inteligente ele logo vai encontrar alguém e vai doer.
Minhas coisas estão todas encaixotadas. Uma empresa vem recolhe-las e levar para o aeroporto, o carro foi vendido. Tudo está pronto para deixar esse lugar, minha casa por cinco anos.
─Com saudade? – Emily surge já pronta, a beca a atrapalhando andar. – Não sei como vamos viver longe. – Nos abraçamos chorosas.
─Vamos estar perto, vai morar com o Chad.
─Acha loucura?
─Acho amor. Sou a favor do amor.
─Não parece. – Ela me provoca.
─Emy!
─Ele é seu amor! Eu realmente não entendo como essa família doida de vocês não se deu conta. Você não consegue namorar ninguém.
─Machuca ele e me machuca! – Eu digo como se isso me defendesse.
─E vai viver como celibatária? Vocês dois vão, isso é irreal.
─Emily vou fazer um discurso, pode me deixar no meu cantinho só hoje?
─Onde você mora desde sempre.
Minha mãe manda mensagem avisando que a família já se reuniu no auditório. Contei antes de dormir. São dezesseis Stefanos sem contar eu e Josh. Vão lotar o auditório, aquele mundo de pequenos Stefanos se atrapalhando ao sentar, todo mundo cochichando como somos os mais bonitos, inteligentes e especiais. Sorrio com a ideia.
─Vamos, não podemos nos atrasar.
Quando chegamos aos bastidores um tantinho atrasadas Josh já está lá. Conversa com um de seus amigos, me sorri vestindo a beca e o capelo, diz qualquer coisa ao amigo e caminha para mim.
Nos abraçamos longamente. Sinto seu perfume, a pele do rosto lisa depois da barba feita, meu coração bate descompassado. Não abro a boca ou conto a ele como me sinto.
─Boa sorte.
─Para nós dois. – Eu respondo e então entramos sob os aplausos, ficamos lado a lado, eu porque sou a oradora, ele porque vai receber homenagens como aluno número um.
A família aplaude loucamente sorrimos um para o outro acenando, duas filas de Stefanos, é engraçado de ver.
A cerimonia começa, cinco minutos de falação e Danny e Ryan saem atropelando todo mundo querendo passar, para deixarem seus lugares, inocentes tentam passar por tio Nick, que grande tolice. É claro que ele impede. Depois de trocarem um olhar de decepção os dois voltam a sentar.
Me aproximo do microfone quando meu nome é chamado, olho para minha família, com eles ali me sinto protegida, é como estar em casa e o medo vai embora.
Começo agradecendo a presença de todos, seguindo os ritos de todos os discursos, agradecer ao corpo docente, presidência, pais, amigos, familiares.
Meus olhos se voltam para a turma, Josh em especial. Sinto sua força, sua sua torcida me tranquiliza.
“A vida acadêmica é fascinante, conviver com essas mentes brilhantes muitas vezes foi intimidador, acho que a classe concorda que enfrentar Joshua Stefanos é empolgante, mas também desanimador. Como puderam constatar a pouco, ele nos venceu a todos.” Olho para ele, essa parte ele não conhecia ou teria me impedido. “Hoje é para todos nós um começo, mas também o fim de um ciclo, aprendi a me despedir há pouco tempo e sei que dói. Todos nós sentimos medo, o futuro mesmo para quem caminhou pelos corredores de Harvard é incerto, a hora de descobrir quem realmente somos e onde podemos ir acaba de chegar e nos parece cedo. Ainda há espaço para dúvidas? Erros? Não temos todas as respostas como esperávamos quando cruzamos esses portões pela primeira vez, sonhadores e inocentes. É hora de descobrir. Essas paredes nos protegeram por bons anos, nos deram novas consciências, nos instigaram a vencer limites e ter esperança. Tivemos sorte. Agora é o momento de exercitar tudo que aprendemos, hora de viver no mundo real. Com tudo que nos foi dado, muito é esperado e vamos corresponder, somos jovens, ainda somos jovens e temos o tempo a nosso favor. Vamos dividir o que aprendemos e construir um mundo onde realmente queremos viver.”
Depois do discurso, os aplausos e o fim da cerimônia trocamos a fita de lado do capelo, recebemos os diplomas e a cada nome aplausos ecoam pelo salão, nada que se compare ao momento em que eu e depois Josh somos chamados.
No fim podemos apenas nos abraçar num misto de alivio e saudade, depois quando abraço Josh, ele me beija o rosto carinhoso.
─Me deu um discurso falso?
─Foi mais ou menos isso.
─Vem, tem muitos Stefanos para nos abraçar.
Realmente tem, fico meio perdida em meio a todos os abraços carinhosos, desejos de sucesso e planos, os Stefanos sempre fazem planos e se intrometem em tudo, não se tem nada reservado ou escondido, não nessa família.
Só existe uma coisa, apenas uma que é segredo, o sentimento mais doce que existe, o único amor que jamais vai se concretizar. Isso nenhum deles sonha.
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