Paixão Destinada
5 Como um só
Renan
Eu adoraria dizer que no momento em que Kasumi se confessou pra mim e me beijou, eu tive alguma revelação mística de que aquela era a mulher que eu queria estar ao lado pro resto da minha vida, que me imaginava fazendo compras num supermercado e debatia sobre a marca de iogurte escolher pra sobremesa de nossos filhos e quando a hora chegasse, termos aquela conversa sobre as escolhas importantes da vida, e explicarmos toda a diferença, vantagens e desvantagens de Star Trek e Star Wars, mas não...
Tudo o que eu conseguia pensar, era nos lábios de Kasumi junto aos meus, na sensação que o toque da pele dela causava na minha. Eu não sei por quanto tempo ficamos nos beijando, mas certamente foi um beijo muito mais longo que o que havíamos dado no Pão de Açúcar.
As minhas mãos percorriam cada centímetro da pele dela, ainda que eu não tirasse as poucas peças que Kasumi ainda vestia. As mãos dela também não perderam tempo e tocavam meu peitoral, que ainda estava longe de ser definido como os da turma dos marombas.
Eu absolutamente não sabia o que estava fazendo ali, só lembro que o telefone tocou e quando dei por mim eu estava tirando a blusa, e a de Kasumi estava quase saindo.
Não sei como acabei fazendo aquilo, talvez sejam os hormônios. Como eu nunca havia me apaixonado antes, não tinha a menor noção do que fazia... Mas enfim, Kasumi atendeu o telefone. Aliás, bem estranho numa era de celulares, ela ter um convencional.
—Alô, mãe? – Kasumi atende. – É mãe, eu tô bem sim. – Uma pausa. – Sim, você ligou na semana passada, mas eu não estava em casa. Mãe, você sabe que não tem chance disso acontecer. Se ele fosse esse cara que diz que é, eu não precisaria ter vindo pro Rio pra começar a lecionar. O que eu estava fazendo sábado passado? Eu estava com um amigo visitando o Pão de Açúcar. E sim, ele é muito mais homem que o Felipe jamais foi. Não, eu não vou apresentá-lo a você... Não agora.
Eu congelei naquele momento. A Kasumi acabara de me fazer um baita elogio, de maneira casual enquanto conversava com a mãe.
—Mãe, você me interrompeu no meio de algo muito sério. – Ela continua, a voz um pouco chateada. – Não, eu não tava fazendo esse tipo de coisa. Você sabe disso! Eu estava preparando as aulas pra semana que vem, em breve vem as provas bimestrais e a carga de material vai aumentar mãe.
Dou uma risada silenciosa, porque creio que o que eu e Kasumi fazíamos estava longe de ser relativo a educação. Mas é melhor eu não emitir sons, porque ela está no telefone.
—Como a Aya tá, mãe? – Kasumi pergunta. – Mãe, você sabe o porque que ela fez isso, só não quer acreditar, acha que foi mera invenção pra chamar atenção. Queria saber o que aquele biltre fez com a senhora pra você agir assim. Eu chamo ele do jeito que eu quiser, mãe. Não, sério, eu não quero ficar discutindo com a senhora por causa do Felipe, terminamos já tem sete meses e se for pra senhora bancar a advogada, então é melhor nem ligar. Sim mãe, eu te desculpo, mas não quero mais falar nele. Também te amo mãe, até a próxima, tchau!
Kasumi desliga o telefone e se segue um silêncio incômodo.
—O que a gente fazia mesmo? – Kasumi se aproxima, sentando na cama
—Não sei o que a gente estava prestes a fazer, mas sei que o telefonema cortou totalmente o humor. – Respondo, com um suspiro resignado.
—O pior é que é verdade... – Ela se deita ao meu lado e me puxa, pra eu permanecer deitado. – Desculpa por ter falado sobre meu ex na sua frente.
—Nah, eu não ligo. – Digo, alisando o ombro dela. – A não ser que com isso, você esteja indicando que estamos em um relacionamento.
—Eu não sei... – Kasumi diz, com um tom manhoso na voz. – Bem, você se confessou pra mim, e eu fiz o mesmo. Nós nos beijamos, e então estamos mais ou menos entre uma relação de amizade e uma romântica.
—Vou dizer que eu prefiro a segunda opção...
—Isso foi um pedido de namoro? Porque se foi, foi o pedido mais esquisito que eu já recebi na vida.
—Você me conhece a tempo o suficiente pra saber que eu não necessariamente normal.
—Deve ser por isso... – Kasumi diz, me puxando pra um beijo. – Que eu gosto de você. Ou o fato de que você é um cara gentil, apesar de esconder isso sob essa face de tédio.
—Acho que sim... – Dou uma risada. – Até porque eu não faço parte da turma dos musculosos, logo não tenho aquele peitoral definido... Nem sou tão estiloso nas minhas fotos, e sinceramente, nem tão bonito.
—Sinceramente... Você só está correto em duas de três... Porque eu te acho lindo... – Ela me beija ferozmente, e rolando pela cama dela, acabamos caindo no chão.
Isso não impede de continuarmos nos beijando (hematomas viriam depois), e terminamos o que fazíamos, ou seja, Kasumi e eu tiramos a blusa. Aquela era a primeira vez que eu a via de sutiã. A visão era um colírio pros meus olhos, a pele clara dela, o contorno dos seios no corpo, a combinação que o rosto inocente e o corpo dela faziam, era uma tentação difícil de resistir.
Com o conhecimento adquirido graças a vídeos que outrora chamava de adultos, (que na situação passaram a ser educativos), começo a alternar os beijos com chupadas no pescoço dela, bem de leve, acariciando a pele dela com meus lábios.
—Hum... – Kasumi suspira lentamente. – Onde você aprendeu isso?
—Internet... – Respondo, antes de começar a acariciar um dos seios de Kasumi com minha mão, enquanto volto a beijá-la.
A sensação quente da pele dela nos meus dedos, o corpo dela colado no meu, os lábios dela que se alternavam agora entre os meus e o meu pescoço. A respiração suave dela tocando a minha pele, meu corpo estava pegando fogo...
—Renan... – Ela diz, quando paramos pra recuperar o fôlego. – Eu... Eu estou com medo.
Eu entendia a razão dela ter medo, e eu também o tinha. Nós dois éramos virgens e tudo o que estávamos fazendo, o que em termos de sexo dito era bem próximo de nada, foi baseado em intuição e conhecimentos adquiridos na Internet. E nem sempre tudo que está na internet é legal.
—Eu também... – Eu digo, pegando na mão dela. – Porque AI!
—Ai? – Kasumi pergunta, todo o calor da cena indo embora.
—Sabe quando a gente caiu da cama? – Pergunto, e ela assente. – Bem, eu estava por baixo e você por cima... Minhas costas finalmente acusaram o golpe.
—E mais uma vez, algo corta totalmente o clima da gente... – Ela se levanta, depois me ajudando a me levantar. – Você está bem?
—Considerando que ainda estou ereto, mas com uma tremenda dor nas costas, vou sobreviver... – Dou uma risada. – Se bem que... Mesmo se continuássemos, alguma outra coisa iria nos interromper, como por exemplo o fato de eu estar sem proteção.
—Eu... Eu tinha esquecido disso. – Kasumi diz, enquanto recoloca a blusa e vamos pra sala juntos. – Olha, se quiser, enquanto preparo as aulas aqui no notebook, você pode jogar alguma coisa.
—Não tem problema? – Pergunto, enquanto ela liga a televisão.
—Como assim?
—Tem gente que é possessiva com essa coisa de troféus, conquistas e etc... – Explico, enquanto olho o catálogo de jogos que estava na estante da sala.
—Ah... Isso... Tem poucos jogos que eu realmente me dei ao trabalho de caçar os troféus. De resto, sinta-se a vontade...
—Obrigado! – Digo, enquanto escolho Dragon Quest Heroes... A tentação de escolher o Dragon Quest Heroes II era grande, mas a versão da Kasumi era a japonesa. E por alguma razão, o fato da Kasumi ter os três Dragon Quests lançados para o Playstation 4 não me era incomum. Tenho certeza de que se eu olhasse uma possível coleção de jogos da Kasumi, eu veria outros jogos da franquia. É mais uma dessas coisas de japoneses.
Enquanto Kasumi trabalhava no notebook, com abafadores por causa da minha jogatina, eu jogava. E Dragon Quest Heroes era um desses jogos que a Kasumi tinha todos os troféus, o save dela possuía setenta e duas horas de jogo. Mas, bem, eu sou familiarizado com esse gênero de jogo a qual o Dragon Quest Heroes pertence porque eu costumo jogar bastante a série Dynasty Warriors, só que haviam algumas diferenças básicas, pois o jogo se comportava mais como um RPG de ação.
Se passam pelo menos duas horas, e sinceramente, o jogo me entretém a ponto de eu ter esquecido o problema da discussão com meu pai, ou a frustração de ter sido interrompido duas vezes antes de chegar aos finalmente com a Kasumi.
—Finalmente! – Kasumi fecha a tampa do notebook, se levanta e se espreguiça. – Claro, vou ter que chegar cedo no colégio na segunda-feira pra imprimir, mas está tudo pronto!
—Uau! – Pauso o jogo, porque a visão da Kasumi se espreguiçando era adorável demais pra perder.
—Tô tão aliviada agora que eu seria capaz de... – Ela diz, vindo na minha direção e tudo o que tenho tempo de fazer é colocar o controle no chão, já que ela pula em cima de mim, me beijando.
Meu Deus, se a Kasumi fizer isso sempre que estivermos sozinhos, e eu distraído, eu vou morrer antes dos dezenove. Mas, é inegável que não precisar esconder o que sinto por ela é uma mudança muito bem vinda.
Porém, enquanto seguimos nos beijando, o interfone toca... Matando novamente qualquer coisa que pudéssemos fazer.
—Isso parece praga... – Kasumi diz, suspirando e indo até o interfone. – Seu Roberto?
—Oi, Kasumi... – O porteiro decidiu abandonar a formalidade. – Chegaram algumas caixas aqui pra você. Dá pra vir buscar aqui embaixo?
—Tudo bem... Daqui a pouco estarei aí. – Ela diz, desligando. E se vira pra mim. – Renan, tem umas coisas que não deu pra trazer de São Paulo quando me mudei, então minha mãe mandou pelos correios... Teria como me ajudar?
—Se isso significar que finalmente não seremos mais interrompidos, eu andaria daqui até o colégio plantando bananeira.
—Vou pensar nessa possibilidade... – Kasumi ri, enquanto coloca a blusa e vai até o quarto pegar um short jeans pra descer lá embaixo e faço o mesmo, colocando minha camisa.
Descemos de elevador e chegamos na portaria, onde tem quatro caixas de uns cinquenta centímetros de altura, oitenta de comprimento e oitenta de largura, embaladas e com o selo dos Correios.
—Umas coisas... – Olho pra ela sarcasticamente. – Umas coisas!
—Bem... – Kasumi fica vermelha. – Tinha muita coisa que eu não quis me desfazer. Mas pense na recompensa, pense na recompensa...
—Eu já estou aqui mesmo... – Dou de ombros, enquanto Kasumi assina o termo de recebimento da encomenda.
—E já discutem feito um casal... – Esse é o único comentário que o porteiro faz, enquanto eu e Kasumi levamos as caixas pro elevador.
Enquanto subimos pro quinto andar, não deixo de me virar pra Kasumi e sorrir.
—O que foi? – Kasumi pergunta, franzindo as sobrancelhas. – Tem alguma coisa na minha cara?
— Não. Só tava pensando no que o Roberto dissera, talvez ele tenha desconfiado que éramos um casal. Ou algo do tipo.
—Ou talvez o seu tom de voz. – Ela devolve, enquanto entramos em seu apartamento.
—O que tem nas caixas? – Pergunto, enquanto colocamos as caixas no chão.
—Ah, alguns outros cosplays que não deu pra trazer. – Ela diz, abrindo uma das caixas. – Alguns jogos de PS3, e coisas nerds minhas, o essencial eu tinha trazido pra cá, o supérfluo não.
—E mesmo com um Playstation 4, você ainda mantém o anterior?
—Mas é claro, tem muita coisa que eu ainda não joguei. – Ela responde, com uma voz levemente alta, arrumando as caixas num canto. – Mas isso não é importante.
—Como assim? – Sigo ela até o quarto, onde ela tira a camisa e o short. Opa! Será que era agora?
Não, não era. Kasumi pega uma blusa de alcinha vermelha e uma calça comprida, além de uma sapatilha de salto alto.
—Se vamos ser namorados oficialmente, vou ter que te dar um banho de shopping. – Kasumi diz, indo até a porta do apartamento. – Eu não vou andar com um namorado que não tem o menor estilo pra se vestir. Claro, vamos ter que ocultar a nossa relação até o final do ano, ou eu sair do colégio antes, mas enfim. Vem! Você vai me guiar até o Shopping porque eu não conheço as coisas por aqui.
—Tudo bem, ma chérie, se quer um Shopping, Shopping terá. – Digo, enquanto descemos o elevador. – O Rio Sul é ótimo.
Meia hora depois, estamos no shopping Rio Sul, que fica bem entre os bairros de Botafogo e Copacabana, de fato pra alguém que usa o metrô da cidade, é mais fácil ir pro Rio Sul saltando na estação Cardeal Arcoverde e de lá andar uns dez, quinze minutos pra chegar rapidamente no shopping.
—Oh, minha gloriosa amada. – Meu tom é bem humorado. – Onde irás levar este humilde servo? – Faço uma reverência cômica, que Kasumi responde com um tapa na cabeça.
—Para de ser bobo! – Ela evita rir, mas a vontade é grande. – Primeiro, você vai numa farmácia... Se é que me entende.
Que maneira sutil de dizer para eu ir comprar preservativos. Mas bem, se eu realmente queria deixar de ser um virgem naquela noite, preservativos teria que comprar. E não era uma coisa difícil, difícil é pra uma mulher fazer isso sem atrair a atenção de todo mundo num raio de trinta metros.
Nós estávamos caminhando, Kasumi procurando alguma loja que ela goste... Sendo sincero, eu ainda estava um pouco incomodado com o fato de DO NADA decidir me dar um banho de loja. Eu nunca tive problemas com as minhas roupas, apesar de saber que a maioria delas é sem graça. Mas se considerarmos o fato de que eu sou um cara que não sai de casa e até pouco tempo não tinha amigos e...
—Renan, se esconde agora! – O tom de Kasumi é alerta. Nem penso duas vezes, e como estamos próximo de um banheiro, é pra lá que vou esperar.
Kasumi
Meu dia estava indo relativamente bem. Era verdade que eu estava com um medo enorme do momento em que perderia a virgindade, mas bem... Se eu decidi que com seria com o Renan, era melhor que isso acontecesse logo. Nas três vezes em que tentamos avançar, fomos interrompidos antes... A última vez que eu tinha tido tanto azar seguidamente, foi numa sessão online de Destiny, isso quando eu jogava ele.
E, decidindo criar um clima ao passear com o Renan pelo Shopping, nós procurávamos por alguma loja que me agradasse. Só que quem eu menos esperava ver, apareceu ao longe, a sorte é que ele não me viu e eu pude pedir ao Renan que se escondesse. Ainda que seja fim de semana e eu esteja de folga, duvido que ele vá interpretar bem o fato de eu estar com o Renan andando pelo shopping. Principalmente depois de eu ter dado um fora nele.
Com pinta de galã, ainda que os cabelos estejam começando a fugir da cabeça, o corpo definido por muita malhação na academia, Glauco Soares finalmente me reconhece ao longe. Me reprimindo pra não acertar a cara dele por conta dos boatos, fecho os olhos, respirando fundo.
—Professora Katsumi... – Glauco me cumprimenta, com o que acha que é um sorriso jovial, mas me parece um esgar.
—É Kasumi... – Digo, entre os dentes.
—Não sabia que você conhecia o Rio Sul... – Ele comenta, olhando ao redor.
—Não conheço. – Respondo, sem paciência.
—Posso lhe ajudar, se quiser. Inclusive com qualquer outra coisa.
—Sério, o que você quer comigo? – A minha raiva aumenta um pouco mais.
—Você sabe o que quero...
—E você sabe a minha resposta. Então faz o favor de não me incomodar?
Não sei se foi o meu tom de voz, o prazer em fazer a minha pressão sanguínea subir, ou o meu punho ter se contraído, prestes a dar um murro na cara dele, mas ele foi embora sem sequer olhar pra trás.
Pouco tempo depois, como um cão perdido que volta ao seu dono, no caso dona... Renan reaparece, com uma cara tensa.
—O que o Glauco queria? – Ele pergunta, antes de voltarmos a caminhar.
—Encher a minha paciência... – Respondo, tentando voltar a minha voz a um tom normal.
—Vejo que ele te deixou bem p da vida. – Renan comenta, sabiamente.
Passamos em algumas lojas e o resultado é surpreendente. Além das outras roupas, Renan acabou vestindo por sugestão minha, uma jaqueta branca sobre uma camisa preta, uma calça jeans preta com cinto e luvas pretas com aberturas pros dedos. A diferença era enorme.
Não pude deixar de sorrir, enquanto ia com ele rumo a Bacio di Latte, uma loja dedicada a sorvetes e cafés que ficava no quarto andar, que segundo o próprio Renan, tinha sorvetes ótimos. Considerando que o Rio de Janeiro é um lugar quente, era uma boa pedida.
Na pequena, porém agradável loja, pedimos cada um um gelato, ele de Flor di Mele, que é composto de leite, maçãs e geléia de maçã, além de ser coberto por pedaços de biscoito. Já eu opto por um de Maracujá, bem simples. Como o clima não pedia cafés (se estivesse frio eu poderia pedir um expresso com Nutella), resolvemos complementar com água mineral. E aproveitamos aquele tempo ali, pra nos conhecermos melhor sem... Pressa? Enfim. Dentre as diversas coisas que eu descobri, a que mais me surpreendeu por ser incomum pra um cara que tinha uma vida tediosa, foi a cor favorita.
—É violeta. – Renan me conta.
—Violeta? – Coço a cabeça... Pensando bem, ele se daria com a minha irmã. – Por quê?
—Foi por causa de um certo livro que eu li, um tempo atrás. – Ele responde, sem nenhum traço de vergonha. – Era sobre uma fada que é fascinada pelo mundo humano e depois de uma série de acontecimentos, acaba vindo pro nosso mundo, e depois de outros acontecimentos, estrela um Reality Show...
—Não conheço... – Confesso. – E não sabia que você lia esse tipo de coisa.
—Você nunca perguntou que tipo de livro eu leio. – Renan diz, rindo. – Se quiser eu te empresto. Ou a gente passa na Saraiva daqui e compra.
—Talvez... – Sorrio.
O papo estava tão agradável que já estávamos no terceiro gelato cada um e o sol já se pondo, sinceramente, não pensei que a hora passaria tão rápido assim. Com algumas bolsas, retornamos pra minha casa. E, em mais algumas horas, bem... A hora da minha primeira vez chegaria. Se eu estaria emocionalmente pronta? Não sei.
Renan
A volta pra casa de Kasumi acontece num silêncio que ao invés de ser incômodo, era confortável. Claro, não é nada romântico pegar um ônibus com quatro sacolas de roupas, uma delas contendo minha bermuda, blusa e chinelo com o qual havia ido pra casa dela, mas o fato de estarmos ombro a ombro tornou aquilo um pouco mais tolerável.
Se antes, o Seu Roberto havia achado que éramos namorados, bem, quando eu chego com Kasumi ao meu lado com uma roupa diferente, tenho certeza de que ele confirmou isso. Não que eu ligasse, na verdade eu ficava bastante feliz. Felizmente ele não disse nada.
Enquanto subimos o elevador, ligo pra minha mãe. Um toque. Clique.
—Renan, onde você está? – Ela pergunta, a voz claramente preocupada.
—Na casa de uma amiga. – Respondo, mantendo a calma. – Eu disse pra não me esperarem, estarei em casa amanhã.
—Estou um pouco mais tranquila. – E pelo tom de voz dela era verdade. – Você saiu sem rumo...
—Olha, eu estou meio ocupado. Só liguei pra avisar, tá? Beijo, mãe. – Desligo.
—Amiga? – Kasumi me pergunta, assim que desligo quando saímos do elevador.
—Bem, eu não podia contar pra ela que iria dormir na casa da minha professora. – Dou de ombros.
—Era só falar que dormiria na casa da sua namorada. – Ela sugere, abrindo a porta de casa.
—Eu fiquei tentado. – Falo, com sinceridade. – Mas ela não ia acreditar. Não com meu "histórico" zerado. Agora quero saber... – Coloco as bolsas na mesa de centro da sala. – Como vou levar isso aqui pra casa. Se eu disser que comprei, o véio não vai acreditar, porque ele vai olhar na fatura do meu cartão.
—Podemos ver isso aos poucos... – Ela diz, indo pra cozinha. – Você se importa de comer lasanha de micro-ondas?
—Se for com você, eu comeria até mesmo terra. – Brinco, enquanto ela pega um pacote de lasanha na geladeira. – Claro, é melhor comer algo que tenha gosto, mas enfim.
Kasumi faz os procedimentos pra preparar uma lasanha de micro-ondas, o que não era lá muito difícil porque essas coisas vem quase prontas, e pouco tempo depois, estamos cada um comendo uma porção daquela lasanha.
Confessionário aqui: Eu, por muitas vezes prefiro a versão de micro-ondas porque algumas pessoas acabam errando o ponto e deixam partes da massa seca e não comestível. Isso não costuma acontecer com a versão industrializada.
—Não é o melhor prato pra um jantar romântico, eu sei... – Kasumi confessa, corando, após terminar.
—Concordo... Mas tem seus positivos. – Falo, enquanto coloco meu prato na pia.
—Quais, por exemplo? – Ela pergunta, quando voltamos pra sala.
—A companhia... – Digo, a puxando pra um beijo longo.
Tudo naquele dia havia convergido para esse momento, no qual, nos beijando, vamos ao quarto. O tempo que nossos lábios ficam separados é pouco, se comparado ao tempo em que passamos longe um do outro desde aquela vez, muitos anos atrás.
—Eu fico feliz de ter te reencontrado. – Digo, quando paramos um pouco pra respirar. – Claro, agora pude conhecer você de fato.
—E eu estou feliz de ter vindo pro Rio... Mesmo a razão tendo sido ruim. – Kasumi diz, sorrindo, antes de me empurrar pra cama.
Eu tiro as luvas (que nem sei porque comprei), a jaqueta e a blusa, assim como ela tira a blusa dela, ficando só de sutiã. Com um movimento lento, ela também tirara o sutiã, mostrando seus belos seios pra mim. Creio que a última vez que eu vira seios femininos ao vivo, eu ainda era um infante.
Kasumi se joga sobre mim, que ainda estou deitado, e volta a me beijar, mas dessa vez de maneira mais lenta e menos intensa. Consigo sentir o suave roçar dos seios dela na minha pele, e isso faz com que eu tenha novamente uma ereção. Ela alterna os beijos nos meus lábios com suaves beijos no meu pescoço, tocando os lábios de maneira gentil.
Nisso, eu passo a ter um pouco mais de controle, levando meus lábios ao pescoço dela, acariciando seus seios com minhas mãos. Alterno minhas carícias ao corpo dela, com beijos em seus lábios.
Desço novamente até seus seios, passando a beijá-los e chupá-los, e Kasumi gemia de leve, apreciando o momento.
Para evitar incômodos seguintes, antes de continuarmos, tiramos nossos sapatos e calças, ficando eu só de cuecas e Kasumi só de calcinha. Continuamos a brincar um com o corpo do outro, com ela acariciando meu rígido membro, por cima da cueca mesmo, eu beijando tanto os lábios, quanto o pescoço, ombros e seios dela.
—Hummm... – Kasumi suspira, feliz. – Eu... Eu não estou mais com medo.
—Mesmo se você estivesse com medo... – Sussurro no ouvido dela. – Saiba que eu vou estar ao seu lado o tempo todo. Eu não vou te machucar, eu prometo.
—Por isso eu não tenho mais medo.
No minuto seguinte, estamos finalmente nus, meu coração estava muito acelerado. Se ele fosse um corredor nas olimpíadas, nem Usain Bolt conseguiria ser mais veloz que ele nos cem metros rasos. Eu não sabia muita coisa sobre sexo, mas sei que preciso ao menos estimulá-la, para que bem... Para que sua vagina esteja preparada o suficiente pra quando a penetração acontecer.
Eu começo a usar minha mão, fazendo movimentos circulares, enquanto que com a outra mão massageio um dos seios e ao mesmo tempo beijo seu pescoço. Kasumi, ainda que um pouco desajeitada (tanto quanto eu), me masturba ao mesmo tempo que geme de leve.
—Uhn... Eu... – Ela está momentaneamente sem palavras... – Então é assim que é quando outra pessoa te toca... Ahn... A sensação é melhor do que... Do que fazer isso sozinha...
Estou bem ocupado alternando beijos entre o pescoço, ombro e um dos seios dela, pra poder falar algo, mas mentalmente eu concordo com ela, o fato de ser a própria Kasumi que está me masturbando ao invés de mim mesmo, faz com que o ato em si seja bem mais prazeroso.
Em um momento, eu deixo de fazer as carícias nela, pois vou descendo com a boca, percorrendo dos seios, até a região das pernas de Kasumi. Vejo que a região inferior dela está bastante umedecida pelas carícias, e como se eu estivesse planejando fazer aquilo o tempo todo, começo a chupá-la.
—Aaaah! – Kasumi geme um pouco mais alto, enquanto acaricia os próprios seios com uma mão, e os meus cabelos com outra.
Confesso, meus movimentos eram bastante desajeitados, principalmente pela minha falta de experiência, porque nenhum vídeo ou descrição, vai se assemelhar ao ato em si.
—Kasumi... – Digo, enquanto recupero um pouco meu fôlego. – Eu não aguento mais. – E era verdade, eu estava em combustão.
—Pensei que eu era a única... – Ela responde, sem fôlego. – Porque eu preciso de você dentro de mim.
Achei que ela nunca fosse dizer isso. Eu me ajeito na cama, enquanto ela pega a camisinha que estava num dos bolsos da calça, a desembala um tanto desajeitadamente, com a boca e com todo cuidado, a coloca em meu pênis.
Nisso, eu ajeito o corpo de Kasumi na cama e volto a estimular a área sensível do corpo dela, e delicadamente me aproximo, dando leves pinceladas em seus lábios inferiores. A cada vez que o toque ocorre, um gemido leve sai da boca de Kasumi, ela parece ser bem sensível a esse estímulo.
—Fique tranquila... Eu estou aqui, Kasumi. – Eu falo, tentando manter a calma, mas me borrando de medo por dentro. – Eu te amo e vou sempre estar aqui.
—Eu te amo também... – Ela diz, sorrindo pra mim.
Esse sorriso, demonstrando a confiança que ela tinha em mim, foi o suficiente pra fazer com que eu perdesse aquele medo interior. E pouco a pouco, vou enfiando meu membro em Kasumi.
—Aaah! – O gemido dela é leve e pouco a pouco vou adentrando o corpo dela, até que em um momento o tom de voz dela aumenta. – AAAH!
Eu provavelmente havia rompido o hímen dela e instintivamente paro.
—Você está bem? – Pergunto, antes de beijá-la.
—Eu já tive dias melhores... – Ela tenta brincar, com lágrimas nos olhos. – Mas certamente já tive muitos dias piores, então não hesite e continue.
—Você é a melhor pessoa do mundo, sabia? – Digo, enquanto continuo a penetrá-la, lentamente, ao mesmo tempo em que a acaricio, pra que ela não sentisse somente a dor da penetração.
Eu deixo meu pênis dentro dela parado por um tempo, para que ela se acostume com o tamanho. E nesse... Será que posso chamar de intervalo? Volto a acariciar seus seios e sua vagina, com movimentos suaves.
—Pode... Pode voltar a se mexer. – Ela diz, ainda com os olhos um pouco lacrimejantes.
Colando um beijo nela, começo a fazer movimentos de vai e vem, indo e voltando num ritmo lento e cadenciado. A sensação é maravilhosa, é como se o corpo de Kasumi estivesse me prendendo dentro dela e querendo mais e mais.
—Oh! Ah! – Qualquer vestígio de vergonha em Kasumi estava começando a sumir lentamente, enquanto seus gemidos vão ficando mais altos. A maneira que o rosto dela se contorcia a cada vez que eu chegava ao fundo dela, me estimulava a cada momento.
—Kasumi... Eu... Eu sei que já disse isso um monte de vezes... – Sussurro, enquanto continuo a penetrar nela. – Mas eu te amo, e de hoje em diante, quero amar teu corpo, cada parte dele... Até o fim da minha vida!
—Não! Não é hora pra você ficar todo romântico, droga! – Apesar de dizer isso, o tom de Kasumi não era nem um pouco zangado, porque um sorriso estampava o rosto dela. – Mais! Mais forte!
O prazer que eu sentia, era comparado ao que o rosto dela me passava, então continuo a acelerar meus movimentos, sinto algo dentro de mim, uma sensação familiar no meio de tudo aquilo que se passava...
—Kasumi... Acho... Acho que vou...
—Eu também Renan... Vamos juntos!
Com movimentos ritmados, sigo no vai e vem, a nossa fala reduzida a gemidos, que sinceramente espero que os vizinhos não ouçam, até que em um momento em particular, nós dois gritamos e sinto como se algo tivesse explodido dentro de mim.
Não sei o que o futuro nos reservaria, mas naquele momento ali, Kasumi e eu éramos definitivamente um só.
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