Notas iniciais
Genteeee, desculpe mesmo pela demora, mas o Nyah! ficou em manutenção, enfim... Aqui estou eu! Espero que gostem! Beijooos!

>>o Ponto de vista: Angie

– O que você fez? — perguntei pra Ed assim que entrei em seu escritório. Ele estava com a mão na cabeça, sentado na sua cadeira me encarando.

– Explique. — falou.

– Passei pelo Harry no corredor e ele estava com muita raiva. E eu tenho certeza que foi por causa da sua conversinha com ele.

– Você não pode ter certeza! — falou e eu levantei uma sobrancelha pra ele. Ed respirou fundo. — Tem razão!

– Eu sei que tenho, agora eu quero que me conte o que aconteceu. — falei e Ed fechou os olhos.

– Angie, eu estava conversando com ele sobre o futuro. E ele se irritou.

– Alguma coisa você disse pra ele ficar chateado. — falei andando de um lado para o outro.

– Eu só disse a verdade. — foi logo se explicando.

– Mas ainda não respondeu a minha pergunta.

Eu o encarava, Ed respirou fundo e soltou o ar devagar. Ele sempre fazia isso quando queria controlar os batimentos e recolocar a mente no lugar.

– Eu disse que ele agia como se fosse uma adolescente normal, que não tinha responsabilidades, que levava tudo na brincadeira. — falou.

– E ele? O que respondeu?

– Disse que pretendia viver muitas coisas antes de assumir o trono. Então, eu perguntei se ele pretendia abdicar. — eu não respondi, mas sabia que Ed ia continuar falando. — Ele disse que não sabia, que estava confuso. Que não tinha nem namorada, mas já tinha que se casar.

– O que disse a ele?

– Que todos fazemos sacrifícios, que na idade dele eu também tive escolhas a fazer e que escolhi o meu país, o meu povo.

– Ele com certeza explodiu.

– Sim, ele se irritou. E disse que eu agia como se fosse fácil, que ele era egoísta, que pensava nele também. Disse que queria ter nascido em outra família.

Eu não sabia o que responder, eu sentei e deixei meus ombros caírem (coisa, confesso, que eu não fazia há tempos). Apoei minha cabeça no encosto da cadeira, e respirei fundo.

– Edward, você não está tornando as coisas fáceis para o nosso filho.

– Angelina, você o mima demais. Por isso ele é assim! Ele tem que aprender a ter responsabilidade. — eu me ajeitei na cadeira, e o encarei.

– Ed, acho que está esquecendo de olhar pra você mesmo.

– Como assim?

– Na idade dele você era decidido, tudo bem. Mas de repente com 21 anos, você quase desistiu de tudo.

– Não jogue a verdade na minha cara. — falou ele fechando os olhos.

– Não jogar a verdade na sua cara? O que você acha que fez com o Harry?

– Angelina, eu sei o que eu estou fazendo. Se eu não gritar com ele o que vai ser da Inglaterra?

– O que vai ser da Inglaterra? É só nisso que pensa? Eu entendo que pense no seu país, e que se preocupe com as pessoas que vivem aqui, eu também me preocupo, mas você tem uma família. Ed, o Harry é seu filho.

– Eu sei. — Ed explodiu e começou a gritar, me deixando um pouco assustada. Mas eu não deixei transparecer e me mantive firme. — Eu sei que ele é meu filho, e eu tenho tentado dar a melhor educação pra ele, com regras e limites.

– Eu o aprecio por isso, mas você está se esquecendo que ele ainda é um adolescente. Ele tem problemas com bipolaridade, ele se irrita com facilidade, adora sair e beijar na boca, ele é um adolescente.

– Mas ele é um príncipe, Angelina. Príncipe! Existem pessoas que o observam, que o acompanham, que estão vendo o seu desempenho. Ele representa o que queremos que a Inglaterra represente, um país forte ou um país fraco. Toda uma nação!

– E você não acha isso pesado demais para um garoto de 19 anos? Você espera que ele aceite isso com naturalidade?

– Eu enfrentei isso muito bem! — falou Ed. Eu já estava em pé e ele também, estávamos com raiva, isso era nítido.

– Edward, você apenas suportava o seu pai. Lembra o que sentia por ele a cada cobrança, a cada bronca, a cada detalhe e se pergunte se é isso que você quer que o seu filho pense de você.

Sai de lá batendo a porta, assim como o Harry, eu estava chateada. Embora, eu ache que Edward estava errado em muitos pontos, ele estava certo em uma coisa: eu mimo o Harry demais. E isso não está certo, algumas coisas terão que mudar.

>>o Ponto de vista: Edward

Eu sou um completo idiota. Eu deixei meu filho chateado, minha esposa chateada e me deixei chateado. Eu sou muito, muito idiota. Eu sei que eu faço exatamente o que eu sempre odiei no meu pai, mas não consigo evitar, eu fui criado assim. Eu não quero que meu filho me veja como um monstro, ou pior, um ser superior intocável e inacessível. Eu tinha que fazer alguma coisa pra mudar isso, mas eu não sabia o que.

>>o Ponto de vista: Harry

– Posso entrar? — perguntou Clary na porta.

– Pode. — gritei sem me mexer. Eu estava deitado na cama, com a cara enfiada no travesseiro desde do momento que entrei no meu quarto.

– O que aconteceu? — Clary sentou do meu lado e abraçou uma almofada.

– Meu pai não entende que eu preciso de tempo, preciso pensar. Eu não sou o príncipe perfeito que ele foi e nunca vou ser.

Clary não respondeu de imediato, apenas suspirou e deitou do meu lado.

– Você está tenso? — perguntou

– Muito! — falei e me virei para encará-la. Clary estava arrumada como se você sair, estava linda.

– Então se arruma! — falou levantando da cama.

– Como assim? — perguntei confuso, mas levantei também.

– Nós vamos sair! Coloca uma roupa quente, rápido!

– Vamos pra onde? — perguntei.

– Vamos fugir, sair escondido. — falou naturalmente. Eu parei um momento para encará-la.

– Escondido de quem?

– Nossos pais, você já vai entender. Só se arruma e pega o cobertor mais quente que tiver.

– Cobertor? Clary eu não estou entendendo nada.

– Só me obedece. — ela exalava tanta confiança que eu obedeci.

Fiquei pronto em quarenta minutos, peguei um cobertor e coloquei dentro de uma mochila.

– E agora, senhorita? — perguntei e ela sorriu.

– Siga-me. — disse apenas.

Eu a segui pelos corredores, não encontramos ninguém conhecido (o que não é muito difícil já que estamos em um palácio, não em um apartamento). Chegamos até a garagem e ela escolheu um carro que não chamasse muita atenção e entramos.

– Você dirige. — falou Clary.

– Mas como eu vou dirigir se eu não sei nem o destino?

– É aí que está a graça! — ela sentou no banco do carona e esperou. Eu ainda estava meio perdido, mas assumi o volante.

– Clary, eu preciso saber pra onde estamos indo pra poder andar por Londres. — falei e ela sorriu.

– Eu vou te dando as coordernadas e você vai dirigindo.

– Como quiser.

Saí do palácio e ela foi falando direita, esquerda, em frente e me guiando até saírmos do centro e entrarmos em uma estrada.

– Clary, pra onde estamos indo?

– Conhece o parque particular da nobreza? — perguntou e eu assenti.

– Sim, mas eu nunca fui lá. Na verdade, está abandonado faz um certo tempo.

– Não vai estar mais. — falou e eu sorri.

– Mas isso fica a três horas daqui.

– Eu sei. — falou e eu sorri.

– Você pretende dormir lá.

– Exatamente! Eu sei que tem uma pequena casa de madeira, aconchegante e quente onde a gente pode se abrigar. Só não entendo porque é pequena.

– Meu avô queria discrição, era um lugar para onde ele poderia fugir quando tudo parecia prestes a explodir. — falei e ela olhou pela janela.

– Por isso estamos indo pra lá. Estamos fugindo das responsabilidades, das pessoas, de tudo.

– Você é um gênio! — falei e ela riu.

– Eu sei, dentro da mala tem cobertor, laterna, umas coisas para acender a lareira, e no banco de trás tem muita comida.

– Quando você preparou tudo isso? — perguntei surpreso.

– Assim que passei por você em um corredor. Você nem me viu, mas parecia estar com muita raiva e entrou no seu quarto batendo a porta. Então a ideia surgiu!

– Mas como você sabia do parque?

– Sua mãe falou ontem sobre ela ter começado a reformar a casa lá. Eu perguntei aonde era e ela me disse.

– Muito bem, mas será que já deram a nossa falta? — perguntei e ela me encarou.

– Provavelmente, mas sua mãe vai acalmar meus pais e seu pai não vai deixar fazerem alarde. Não se preocupe! — falou super tranquila.

– Quero muito ver a cara deles quando descobrirem que a gente dormiu fora de casa. E junto! — falei rindo e ela gargalhou.

– Junto em termos. — começou ela, mas eu a interrompi.

– Eu sei, calma eu quis dizer sozinho dentro de uma casa.

– Sim, sim. — falou ela voltando a olhar pela janela.

Depois de um tepo em silêncio, resolvi perguntar algo que estava martelando na minha cabeça desde o momento que eu saí de casa.

– Clary, por que está fazendo isso? — perguntei e ela me encarou.

– Como assim?

– Nós nos conhecemos ontem, você não tem obrigação nenhuma comigo, mas mesmo assim saiu escondido por minha causa. Por que?

– Eu não sei. — respondeu rapidamente me deixando confuso. — Eu só não consegui te ver triste, confuso, com raiva. Achei que você merecia de um tempo longe de todos que combram algo de você. E bom, aqui estou eu.

Eu não respondi por um tempo, encarei a estrada a minha frente. Clarisse era diferente de todas as garotas que eu tinha conhecido, ela não queria mostrar pra todos que me conhecia, ela não se importava com quem ela parecia ser pra mim, ela simplesmente era ela mesma. Independente do que eu fosse achar, ela dizia e insistia. Ela era incrível!

– Obrigado! — Clary me encarou e sorriu.

– Foi um prazer, já estamos chegando.

Quase duas horas depois chegamos de verdade, o parque era magnífico. Todo o gramado estava coberto de neve e o lago estava congelado.

A casa era toda de madeira mesmo, mas era bem espaçosa embora parecesse ser menor de fora. Tinha dois andares e uma lareira, tinha uma televisão e não tinha sinal de celular.

– Você pretende passar quanto tempo aqui? Porque trouxe coisas pra uma semana. — falei e ela riu.

– Não exagere, eu só não queria que a gente passasse fome ou frio.

– Tudo bem, o que quer fazer agora? — perguntei.

– Guerra de bolas de neve. — eu ri da expressão que se formou em seu rosto ao falar isso.

– O único problema é que eu não trouxe outra muda de roupa, porque essa aqui vai ficar molhada.

– Eu pensei nisso também, agora vamos! — falou puxando meu braço e me levando pra fora de casa.

Embora ela morasse no Rio de Janeiro, ela sabia jogar bolas de neve. E eu me senti envergonhado quando me ganhou.

– Isso não é justo! — falei e ela riu.

– Falou como um garoto mimado de cinco anos.

– Mas eu sou mimado, só que tenho dezenove.

– Nossa, Harry, acho que já está na hora de você crescer. — falou ela rindo.

E foi assim que começamos nossa guerra de bolas de neve de novo. Estávamos quase acabando quando Clary escorregou e caiu de cara na neve, confesso que a primeira coisa que eu fiz foi rir, depois eu fui ajudar.

– Clary, você está bem? — perguntei ainda rindo. Antes que eu pudesse fazer algo, ela me puxou e eu caí com o rosto na neve, assim como eu, ela riu muito.

– Agora estou ótima! — falou levantando e batendo a neve da sua roupa.

– E eu que tenho que crescer? — perguntei levantando também.

– Ah, não fique assim, Harry. Foi só uma vingançinha boba. — falou indo em direção a casa, eu a segui.

– Agora, eu vou tomar banho, né? Já que eu estou toda molhado. — falei subindo as escadas.

– Vamos ver o que tem aqui em cima. — falou ela pegando a bolsa que tinha trago.

No andar de cima, tinha dois banheiros e dois quartos (um de casal, outro de solteiro), mas só o de casal tinha aquecedor no quarto.

– Então vamos dormir aqui nesse quarto. Os dois. — falei e ela riu.

– Tudo bem, mas se você tentar qualquer coisa eu corto a sua língua fora. E isso não é uma ameaça, é uma promessa. Entendeu?

O jeito como ela falou aquilo, me deixou muito ligeiramente assustado. Mas assenti.

– Muito bem, pode tomar banho. Estarei lá em baixo, fazendo a janta. — falou e eu riu.

– Você sabe cozinhar? — perguntei e ela ficou séria.

– Está duvidando?

– Claro que não! — falei e ela sorriu.

– Ótimo! Agora vai tomar banho! — falou e estava saindo, mas antes eu a puxei pelo braço e a beijei... Na bochecha!

– Obrigado! — falei novamente e fechei a porta.

Essa noite seria engraçada!

Notas finais
E ae, gente? Reviews?