Paixão Além da Coroa 3 - O Amor Atravessa Gerações
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Em algum momento da noite eu acabei pegando no sono, meu corpo estava cansado e eu estava destruída. Eu não sabia o que fazer, muito menos como agir agora. Eu o amava e o queria para sempre, mas ao mesmo tempo o medo me consumia. Eu não sabia lidar com a pressão, nunca soube, eu não ia conseguir ser o apoio que ele precisava.
– Não sei se está acordada, mas estou entrando. — anunciou Júlia escancarando a porta com uma bandeja de café da manhã.
– Bom dia pra você também.
– Bom dia. Agora, eu não sei lidar com sua mãe, muito menos com a sua sogra. Então eu sugiro que você dê uma explicação para elas porque as duas estão em crise.
– Como elas souberam? — perguntei pegando a xícara quente de café ( eu não aguentava mais tomar chá).
– Um dos criados viu o Harry indo dormir em outro quarto e foi contar fofoquinhas no ouvido da rainha. Em menos de cinco minutos ela estava batendo no quarto dele, eu não sei o que ele disse pra ela, mas Angelina está uma pilha de nervos e sua mãe chorou rios ontem. — eu suspirei e fechei os olhos.
– E por que elas ainda não estão aqui?
– Porque eu disse que você não estava nada bem e que precisava fica sozinha antes de surtar. Elas insistiram, mas eu disse que se você visse alguém, era capaz de pegar um avião de volta para o Brasil.
– Júlia!
– O que você queria que eu dissesse? Elas estavam dispostas a invadir o seu quarto e obrigar você a se desculpar, então eu te fiz um favor.
– E agora?
– Agora que você tem uma entrevista marcada com a BBC na qual eu já falei para Harry que você não vai.
– E ele surtou?
– Na verdade ele apenas suspirou e disse que você podia fazer o que quiser. — eu resmunguei e enfiei meu rosto no travesseiro.
– Júlia você tinha que ter visto o rosto dele. Eu não reconheci aquele homem na minha frente.
– O que você esperava? Ele também está sofrendo.
– Mas ele não demonstra.
– Claro que ele não demonstra, ele é inglês e homem. O medo dele é que você largue tudo e vá embora. — eu não respondi, encarei o teto por um momento e voltei a tomar meu café.
– Eu vou pensar.
– Ótimo, pois a coroação começa ás 17 hrs. — eu assenti e esperei ela sair para surtar.
Comecei a andar de um lado para o outro em completa confusão, mas eu precisava de ar. Saí do quarto e comecei a andar sem rumo pelos corredores, percebi alguns olhares em mim: acho que as notícias correm rápido por aqui. Encontrei uma porta aberta para o jardim, comecei a correr sem direção. Corri até minhas pernas se cansarem, corri até meus pulmões reclamam e meu coração bater mais que acelerado. Me joguei na grama e fiquei encarando o céu. Pela primeira vez eu vi um céu bonito em Londres, quase como se estivesse zombando de mim.
– Sério isso? Eu quero aquele céu cinza! — gritei para ninguém. Antes que eu pudesse perceber estava chorando, e eu estava tão cansada de chorar que levantei do chão com raiva. Recomecei a andar em direção ao meu quarto, quando o vi. Harry conversava com o pai, eles pareciam entretidos na conversa. Eles ainda não tinham me visto, por isso me escondi atrás de uma árvore e esperei: Parabéns, Clarisse. Acho que agora finalmente você se superou. — pensei.
"...o que fazer."- disse Harry, sua voz parecia preocupada. Eles sentaram em um banco de costas pra mim, o que foi um alívio.
"Sabe, Harry, o que sua esposa está passando é perfeitamente normal. Ela tem todo o direito de ficar confusa."
"Eu sei, pai, eu sei. Mas o problema não é ela pirar, e sim o fato dela pensar na possibilidade de desistir. Desistir de mim. Eu achei que a essa altura tudo estivesse resolvido, achei que depois que casamos nada mais ia atrapalhar a gente. Nada ia impedir que o plano que traçamos fosse alterado." — o rei pareceu suspirar.
"Ela te ama, filho?"
"Se você tivesse me perguntado isso ontem de manhã eu te responderia com certeza que sim, mas hoje eu já não sei responder."
"O amor não muda da noite para o dia, se ela te amava antes ela te ama agora. O problema é que ela está deixando a dúvida consumir o que ela sente por você."
"E o que eu faço?"
"Ela sabe que você a ama?"
"Com certeza, eu digo isso pra ela sempre e demonstro também."
"Então..." — começou o rei, mas Harry o interrompeu.
"O problema, pai é que eu já não sei viver sem ela. E eu nem percebi esse medo nela. A nossa viagem para Itália foi perfeita, os passeios, as risadas, o carinho, o sexo." — o rei riu.
"Acredito que dormir sem ela tenha sido difícil essa noite."
"Nossa, a cama estava tão grande sem ela. A única coisa que eu queria era abraçá-la. Ir ao nosso quarto e puxar ela para os meus braços."
"Harry, quando a gente ama alguém a única coisa que podemos fazer é deixá-la fazer as próprias escolhas. De resto, tudo está fora do seu controle."
"Eu a amo tanto, pai. Estou com medo de perdê-la"
"Eu sei, filho, eu sei. E com sorte ela vai perceber também."
Eu me deixei escorregar pela árvore e fiquei ali em silêncio processando. Achei que estaria chorando, mas acho que o meu estoque de lágrimas já tinha acabado. Só coloquei as mãos na cabeça e deixei que a culpa por magoar o Harry ficasse maior do que o medo.
>>o
Voltei para casa (sim, ainda era a minha casa) somente na hora do almoço e para surpresa de todos, inclusive a minha, eu fui para a mesa almoçar com todo mundo. Harry estava lá e eu pude sentir o seu olhar em mim.
– Clarisse? Não sabia que ia almoçar conosco. — disse o rei com uma seriedade impressionante.
– Para ser sincera, nem eu. — como eu não disse mais nada, ele serviu o almoço.
Eu sabia que todos me encaravam, eu sabia que todo mundo olhava pra mim. Angelina e minha mãe pareciam que me fuzilavam com o olhar, meu pai era único que parecia alheio a bomba que estava prestes a explodir.
– Clarisse, o que está acontecendo? — perguntou minha mãe. Pronto, lá estava ela, a bomba.
– O que quer dizer?
– Você sabe o que eu quero dizer. — eu suspirei e olhei dentro dos seus olhos.
– Então deve saber também que eu não vou responder a sua pergunta. — ela parecia ter levado um tapa. Silêncio na mesa, ninguém respirava. Meu pai estava tão surpreso que ainda segurava o garfo a caminho da boca olhando pra mim.
– Uau. — disse Júlia em um sussurro. Quase tinha esquecido que ela estava ali.
– Foi um erro ter vindo almoçar aqui. Eu vou sair, nos vemos mais tarde.
– Na coroação? — perguntou Angelina esperançosa. Não respondi, mas procurei o olhar de Harry e encontrei. Ele me olhava com desespero e medo. Apenas saí da mesa e andei em direção ao meu quarto.
Para minha surpresa ninguém foi atrás de mim, nem Júlia. Acho que todos estavam com medo da minha reação. Eu estava com medo da minha reação. Entrei no quarto e joguei a primeira coisa que vi contra a parede. Gritei de raiva e me joguei no chão com a cabeça entre as mãos, eu estava enlouquecendo e isso não era nada bom.
Eu não sabia em que momento do meu surto tinha dormido, na verdade mal sabia de alguma coisa. Levantei e resolvi tomar um banho, mas antes que eu pudesse entrar no banheiro ouvi uma batida na porta. E para minha surpresa era Angelina.
– Olá. — disse meio sem jeito.
– Eu posso entrar? — eu assenti abrindo espaço para ela entrar.
Angelina entrou no quarto e encarei tudo a sua volta de modo avaliativo. Ela sentou em uma poltrona de frente para um sofá aos pés da cama. Não pude evitar encará-la. A rainha se sentou reta, inflexível, com as pernas juntas e as mãos sobre o joelho, parecia estar pronta para discutir a paz mundial com presidentes do mundo todo. Angelina já estava vestida para a coroação, o que fez com que eu me perguntasse que era horas eram.
– Sente-se, Clarisse. — eu me sentei meio sem jeito.
– Angelina, o que a trás aqui. — ela me avaliou por um momento antes de responder.
– Estou preocupada, Clary. E acho que você sabe por quê. — respirei fundo.
– Eu sei e sinto muito por isso.
– Não é a mim que você deve pedir desculpas. — não respondi, tentei encarar seus olhos, mas não consegui. Me perguntei como o rei poderia discutir com ela diante daqueles olhos. E o Harry tinha exatamente aqueles olhos.
– Majestade, eu...
– Não quero que fale assim comigo. Antes de tudo sou sua sogra, amiga da sua mãe e você pode me chamar pelo nome. Agora quero que você converse comigo sobre o que está te preocupando. — eu não sabia o que dizer. Como eu ia conseguir conversar com aquela mulher tão importante e imponente? Eu nunca ia conseguir ser uma rainha como ela.
– Eu estou basicamente... com medo. — a expressão dela era indecifrável, mas ao mesmo tempo suave. Ela se levantou e sentou ao meu lado.
– Sabe, Clarisse, eu estou vendo a sua mãe em você e isso me preocupa. — a encarei confusa.
– O que tem de tão errado na minha mãe? — ela sorriu.
– Errado? Nada. Mas quando a decisão chegou para ela, Ana andou para trás. E depois que mudou de ideia era tarde demais. Sua mãe amava o Edward e quando ele veio para Londres, ela nem pensou na possibilidade de segui-lo, ela desistiu. Quando percebeu o que tinha feito eu já estava de casamento marcado. — eu olhava para ela em silêncio. Digerindo a parte da vida da minha mãe que ela nunca tinha me contado. — Clary, sua mãe perdeu o amor da vida dela por causa do medo, mas também encontrou o Lucas por causa dele. Lucas era a ponte entre a segurança e a loucura, tudo o que ela precisava.
– Então você está me dizendo que se eu desistir do Harry eu posso encontrar um plano B pra mim? — ela me olhava com uma seriedade estranha.
– Estou dizendo exatamente o oposto. Se você desistir do Harry, talvez não tenha a mesma sorte da sua mãe. Ela ama o seu pai, mas eu sei, ela sabe e até o seu pai sabe que o Edward é o grande "E Se..." da vida dela. Sei que toda vez que vem aqui pensa no que teria acontecido se tivesse ficado com ele.
– Se eu ficar com Harry, não sei se aguento todo o resto. — ela sorriu e para minha surpresa, me abraçou.
– Clarisse, esse medo que você está sentindo eu passei por ele. Na verdade, foi mais complicado que isso. Quando eu resolvi me casar com Edward ele estava apaixonado pela Ana e nós ainda não tínhamos certeza dos sentimentos que tínhamos um pelo outro. — eu olhei para ela confusa, talvez até um pouco surpresa. — Quero que pense em uma coisa antes de tomar uma decisão.
– Estou ouvindo. — falei em um sussurro.
– Se você desistir da Inglaterra, se desistir do Harry, ele vai ser o rei e isso não vai mudar. Assim que você pegar o avião em direção ao Rio de Janeiro, nós vamos ser obrigados a procurar outra esposa pra ele. Agora, Clary, como você se sente pensando em Harry com outra pessoa? Dormindo com outra mulher, saindo, beijando, viajando com outra? — eu não respondi, mas só de imaginar a possibilidade tive que controlar a minha raiva.
– Não me sinto nada bem. — falei tentando controlar minha voz, Angelina riu.
– Então, Clary, acha que consegue viver sem o Harry? Porque eu quero que você tenha a seguinte questão em mente: Eu vou e esqueço o Harry ou fico e passo por qualquer coisa com ele.
– Mas...
– Clarisse, o amor suporta tudo se você tiver coragem suficiente para aceitá-lo. — antes que eu pudesse pensar em uma resposta, Angelina se levantou.
– Aonde você vai? — perguntei estupidamente.
– Eu vou para a coroação e espero te ver lá, mas caso você decida ir embora que sua escolha seja sem arrependimentos. E Clary, seu vestido está no closet.
Eu encarei os seus olhos antes de Angelina fechar a porta, mesmo que seu corpo demonstrasse confiança, seus olhos mostravam que ela estava preocupada.
Assim que ela fechou a porta, eu corri para o closet e lá estava ele, o vestido. Ele era dourado e enorme, mas seu tecido era leve, a renda feita a mão. Eu fechei os olhos e segurei o vestido nos braços, o que eu ia fazer?
>>o Ponto de vista: Harry
Eu estava pronto para a coroação, meu pai estava ao meu lado e eu só conseguia pensar se a Clary estaria ao meu lado.
– Onde está a sua mãe? — perguntou olhando para o relógio.
– Eu não sei, mas provavelmente está terminando de se arrumar. — antes que ele pudesse me responder, ou reclamar ela apareceu.
– Onde você estava? — perguntou meu pai irritado.
– Estava falando com a Clary. Precisava ter certeza se ela estaria aqui. — eu a encarei esperançoso.
– E o que ela disse? — eu conhecia aquele olhar.
– Só nos resta esperar.
– Temos um horário para cumprir, Harry. Eu sinto muito. — eu não respondi apenas assenti e saí do salão seguido pelos meus pais.
A coroação era feita no salão principal, onde meu pai foi coroado e o pai dele antes disso e assim por diante. A porta estava fechada e eu podia ouvir o barulho dos convidados e da imprensa. Eu sinceramente não conseguia pensar em Clary e o porquê dela ainda não ter chegado.
– Harry, eu e seu pai vamos dar a volta porque entramos pelo outro lado. Espero que sua esposa chegue a tempo.
– Eu também. — pensei. Antes deles irem embora, minha mãe beijou a minha testa e meu pai apertou a minha mão. Eles estavam magníficos, cada um vestindo roupas oficias com as coroas na cabeça.
Fiquei sozinho cerca de vinte minutos, assim que ouvi anunciarem o meu nome e o nome de Clary olhei para trás na esperança de vê-la correndo, mas o corredor estava vazio. Obviamente, ela tinha tomado a sua decisão. Respirei fundo e as portas se abriram.
>>o Ponto de vista: Clary
– Ah droga. — tirei os saltos para correr melhor. Do corredor do meu quarto, ouvi anunciarem o meu nome e o de Harry. Eu não podia deixá-lo, não agora. Eu o amava demais para isso.
Corri como nunca na vida e o vi na metade do caminho, sem o sorriso habitual cercado por flashes e luzes. Respirei fundo, coloquei o salto e acenei para um guarda na entrada, ele assentiu surpreso e anunciou o meu atraso. O olhar que Harry me dirigiu fez tudo valer a pena.
Ele voltou para a entrada do salão e me esperou com a mão estendida, seu olhar de alívio e paixão. E eu não podia largar isso, nunca mais.
– Eu achei que você não viesse mais. — confessou ele e eu sorri.
– Eu não tive coragem de te abandonar. Acho que te amo demais para deixar um medo idiota tomar conta de mim. — ele sorriu com lágrimas nos olhos assim como eu.
– Então no fim, foi o amor? — eu ri.
– O amor e o ciúme. — ele me encarou confuso.
– Como assim?
– Um dia eu te explico. — viramos para frente e ouvimos o anúncio oficial.
– Sua Alteza Real Harry Brian Termópolis Poole Kyle Bittencourt Lewis e sua esposa, a princesa Clarisse Rodrigues Lewis.
Nós entramos no salão de mãos dadas, os olhares estavam em nós e eu só conseguia pensar no quão ruim seria cair naquele momento. O rei e a rainha estavam sentados em tronos de ouro ao lado direito do Cardeal Inglês, ao seu lado esquerdo tinha dois tronos de ouro onde íamos nos sentar.
Assim que sentamos, Edward ficou em pé e caminhou na direção do Harry com confiança e uma pitada de orgulho.
– Confio a você, Harry, a Coroa britânica e toda a Inglaterra para governar com justiça e igualdade.
Dito isso, ele tirou a coroa da cabeça e segurou na frente do corpo, logo depois Angelina levantou e veio andando na minha direção com o sorriso mais verdadeiro que eu já tinha visto nela.
– Confio a você, Clarisse, a Coroa britânica e toda a Inglaterra para ajudar seu marido a governar com justiça e igualdade sempre com serenidade e amor.
E assim como o rei, a rainha pegou a coroa da cabeça e colocou na frente do corpo. O Cardeal levantou pegou a coroa do rei e parou na frente do Harry.
– Repita comigo: Eu Prometo...
– Eu Prometo...
– Governar a Inglaterra...
– Governar a Inglaterra...
– Com justiça, igualdade e amor...
– Com justiça, igualdade e amor...
– Ouvindo a todos que clamarem ajuda...
– Ouvindo a todos que clamarem ajuda...
– Acolhendo todos aqueles que pedirem abrigo...
– Acolhendo todos aqueles que pedirem abrigo...
– E usando as leis de Deus como base para um país forte.
– E usando as leis de Deus como base para um país forte.
Assim o Cardeal colocou a coroa na cabeça de Harry e entregou o cedro real. Eu sabia que ele estava nervoso pelo sorriso que ele deu pra mim, seus olhos não mentiam. Logo depois, o Cardeal pegou a coroa da rainha e parou na minha frente.
– Do mesmo modo, repita comigo: Eu Prometo...
– Eu Prometo...
– Ajudar o meu esposo...
– Ajudar o meu esposo...
– A governar a Inglaterra...
– A governar a Inglaterra...
– Com justiça, igualdade e amor...
– Com justiça, igualdade e amor...
– Sendo sempre paciente e amigável...
– Sendo sempre paciente e amigável...
– E pronto para ouvi-lo...
– E pronto para ouvi-lo...
– Usando as leis de Deus como exemplo de justiça.
– Usando as leis de Deus como exemplo de justiça.
Da mesma forma o Cardeal colocou a coroa da rainha na minha cabeça e me entregou o cedro real. Eu me senti tão nervosa que minha mão tremia, mas o sorriso que Harry me deu confortou meu coração e até a minha alma.
– Apresento a vocês, Harry Brian Termópolis Poole Kyle Bittencourt Lewis e Clarisse Rodrigues Lewis, rei e rainha da Inglaterra.
Rapidamente cavaleiros reais se juntaram e formaram um caminho para que caminhássemos no meio, com um sorriso gigantesco e lágrimas nos olhos, peguei a mão livre de Harry e passamos no meio de várias espadas enquanto todos cantavam o hino do país, como eu pude pensar na possibilidade de não participar disso?
>>o
– Clarisse Rodrigues Lewis, se você me deixar nessa angústia mais uma vez nem sei o que faço com você. — Harry apertava o meu rosto com alívio me fazendo rir.
– Eu sinto muito por fazer você passar por isso, mas pelo menos agora você tem a certeza de que eu te amo e muito. — ele sorriu.
– Eu não precisava passar por isso para ter certeza. — eu dei de ombros.
– Só espero não dormir sozinha essa noite porque foi horrível. — Harry abraçou minha cintura.
– Nem me fale, estava quase desistindo de te deixar pensar e invadir o quarto para te beijar. — eu ri.
– Agora que tudo está bem de novo, o que faremos agora? — Harry estava com um sorriso zombeteiro e eu já sabia o que vinha a seguir, na verdade esperava por isso, mas antes que pudéssemos fazer alguma coisa, ouvimos uma batida na porta.
– Sério, agora? — perguntou e eu abri a porta com ferocidade. Mas eram os meus pais.
– Ah, oi. — falei surpresa.
– Filha, ai filha. — minha mãe me abraçou chorando.
Logo após a coroação eles foram os primeiros que eu abracei chorando e mesmo depois de tanto tempo aí estava ela se debulhando em lágrimas.
– Perdoe sua mãe, Clary. Ela está muito orgulhosa de você o que a deixa muito sentimental. — eu sorri.
– Tudo bem mãe. Pode chorar, acho que no fundo não me importo.
– Nós só viemos aqui para despedir de você. — eu os encarei confusa.
– Despedir? Por que despedir?
– Nós vamos voltar para o Brasil agora de madrugada, queremos chegar lá pela manhã.
– Mas por que vocês vão agora? Hoje?
– Por que não ficam mais um pouco? — perguntou Harry
– Já está na hora de você seguir sua vida, filha. Agora você é rainha. E tem a Angelina e o Edward que serão como pais para você, eu tenho certeza. — falou minha mãe.
– Eu vou sentir tanto a falta de vocês. — falei com lágrimas nos olhos abraçando os dois ao mesmo tempo.
– Eu sei, eu também. Nós prometemos que tentaremos vir todo mês. — falou minha mãe, meu pai revirou os olhos.
– Ou a cada três meses. — falou e eu ri.
– Mesmo que eu esteja a um oceano de distância vocês sempre serão meus pais.
– Eu nunca pensei o contrário. — meu pai me abraçou e me deu um beijo na testa. Minha mãe veio logo depois me abraçando mais forte.
– Amo você mais do que minha própria vida. — falou ela e eu assenti sem palavras.
Eles se despediram rapidamente do Harry e foram embora me deixando lá com meu esposo, no meu quarto, na Inglaterra.
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