Paixão Além Da Coroa
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Por onde a gente passava Edward explicava o que era e a sua história até chegarmos à sala de jantar. A mesa era bem grande, na ponta estava sentado o rei. Ao seu lado estava uma mulher extremamente elegante com os mesmos olhos de Edward, provavelmente a rainha. Charlie estava sentado ao lado dela, Edward sentou ao lado do pai e eu sentei ao lado dele.
- Então você é a Angelina? – perguntou-me a rainha.
- Sim, muito prazer. É uma honra conhecê-la. – falei tentando parecer educada e simpática ao mesmo tempo.
- Prazer conhecê-la também. – falou sorrindo
- Pode servir o almoço. – falou rei Adam ao empregado que estava em pé do seu lado e imediatamente entraram cozinheiros e vários pratos diferentes. Não comi muito até porque não estava tão à vontade assim.
O almoço seguiu em silêncio e ás vezes eu olhava para Charlie com apreensão, mas ele sorria apenas como se divertisse. Rei Adam foi o primeiro a sair seguido pela rainha o que deixou mais à vontade e pelo jeito estava estampado no meu rosto porque Charlie riu:
- Apreensiva? – perguntou.
- Um pouco. – confessei.
- Não se preocupe você vai se acostumar. – falou Edward.
- Espero mesmo! – falei quase em um sussurro.
- O que vai fazer à tarde? – perguntou Charlie.
- Vou arrumar as minhas coisas no quarto e falar com a Ana. – falei e Edward levantou o rosto.
- Será que eu poderia falar com ela também? – perguntou
- Claro! O que vai fazer agora? – perguntei.
- Eu tenho 30 minutos. Vamos falar agora?- perguntou transbordando ansiedade.
- Sim, vamos! Quer vir Charlie? – perguntei sorrindo ao ver a expressão de Edward.
- Não posso, mas mande um beijo pra ela. A gente se fala mais tarde, ok? – falou e levantou da mesa, eu e Edward o seguimos.
As minhas coisas ainda estavam nas malas, e eu levei um tempo para achar o notebook, mas o encontrei. Entrei na internet ansiosa para ver a Ana e graças a Deus ela estava online, pedi para ser chamada de vídeo e ela aceitou rapidamente.
- Angie! Como foi a viagem? – perguntou curiosa.
- Ai amiga, eu estava entediada dentro daquele avião, mas Londres é linda. Eu não vi muito, mas me pareceu bonita... – comecei, mas ela me interrompeu.
- Amiga você está falando em inglês! – falou sorrindo.
- Ai, desculpa! – falei no bom português. – O palácio é fantástico, mas primeiro quero que fale com alguém. – falei e entreguei o notebook a Edward.
- Olá! – falou sorrindo.
- Oi, como você tá? – perguntou me parecendo ansiosa.
Deixei os dois conversarem e comecei a desfazer as malas. Arrumei várias pilhas de roupa e coloquei algumas nos cabides e outras nas gavetas, e estava colocando meus sapatos na estante quando Edward chamou:
- Angie, tenho que ir! Obrigado! – falou me entregando o notebook.
- E aí? – perguntei e Ana estava com lágrimas escorrendo pelo rosto, mas ela não pareceu perceber.
- Tentei voltar à rotina, né? Mas não está fácil porque você sempre fez parte dela. – falou sinceramente fazendo meu coração se derreter.
- Ana você vai se acostumar, eu prometo! Eu só começo a estudar daqui á três dias, então ainda to me adaptando mais ou menos. – falei sorrindo.
- Mas me mostra seu quarto. – falou curiosa e ansiosa. Levantei do sofá e comecei a percorrer o quarto com o notebook na mão fazendo comentários. Depois de 30 minutos ela falou:
- Angie, tenho que ir!
- Mas por quê? – perguntei triste
- Tenho que estudar! Já são 17:00 horas. – falou com um meio sorriso no rosto.
- Como... Ah! Claro! Fuso horário! Tudo bem, eu espero poder falar com você todo dia! – falei com meus olhos lacrimejando
- Eu também espero! Te amo! Beijos! – falou
- Também te amo! Beijos! – falei, mas antes de desligar o computado, mandei um e-mail para a minha mãe avisando que eu tinha chegado bem e outras coisinhas.
Continuei arrumando as minhas coisas, depois de 20 minutos, uma empregada disse que Edward a mandou ver se eu precisava de sua ajuda, aceitei prontamente. Com a moça acabei muito mais rápido. Agradeci e me joguei na cama, quando percebi, eu já tinha dormido cinco horas seguidas. O dia tinha passado e eu nem tinha percebido, estava cansada, mas extremamente feliz.
- Boa noite! – falei entrando na sala de jantar, estavam todos lá me esperando, que vergonha!
— Boa noite! – responderam todos e rei Adam sinalizou para servirem o jantar quando me sentei.
Percebi que as refeições ali eram feitas em silêncio e isso me fez lembrar de casa, fiquei triste por um momento. Todos terminaram o jantar, mas foram saindo um por um. Estava indo pro meu quarto, quando Edward e Charlie me pararam no meio de um dos salões.
- Angie, espere! – chamou Edward.
- Sim? – falei me virando.
- Eu e Edward íamos ver um filme. Quer vir conosco? – perguntou Charlie.
- Claro! Aonde? – perguntei andando na direção deles.
- Na sala de TV. – falou Edward.
- Tudo bem! Vamos? – perguntei. Descemos as escadas, passamos por dois salões gigantescos e três corredores e finalmente paramos em um uma porta lateral.
- Você vai adorar isso aqui! – falou Charlie e Edward abriu a porta. Parei e tive que rir.
- Sala de TV? Sério? – falei olhando pra dentro da sala. Era gigantesca, com várias poltronas e uma tela enorme, uma máquina de pipoca e outra de refrigerante. Uma pequena sala de cinema.
- O que vamos ver? – perguntou Charlie indo em direção a máquina de pipoca.
- Nada de romance de preferência. – falou Edward, sorri e entendi na hora.
- Que tal aventura ou ação? – perguntei pegando um balde de pipoca.
- Maratona 007? – perguntou Edward.
- Claro! Quantos filmes vamos ver? – perguntei.
- Que tal os três últimos? – falou Edward mexendo em uma prateleira.
- Adorei! Vou pegar mais pipoca! – falei entregando outro balde pra Charlie junto com alguns refrigerantes.
Quando o filme começou sentei no meio dos meninos e curti todos os filmes comendo pipoca, bebendo refrigerantes e me lembrei do que Ana me disse uma vez, que o rei Adam de smoking lembrava o James Bond. Ri com a lembrança! Os filmes terminaram às três horas da manhã, mas eu já não estava mais com sono.
- Angie? – chamou Edward.
- Sim! – falei levantando.
- Amanhã eu tenho um tempo livre, gostaria de conhecer a cidade comigo e Charlie? – perguntou caminhando ao meu lado até o meu quarto.
- Claro. Por que não? – falei sorrindo.
- Ótimo! – falou e andamos em um silêncio confortável.
Entrei no meu quarto e tranquei a porta, estava um pouco cansada e lembrei-me da banheira que tinha no meu banheiro. Fiquei lá por uma hora, mas sai relaxada. Enquanto me preparava para dormir, pensava no meu dia e no fato de que tudo o que aconteceu comigo não foi planejado, quer dizer ir para faculdade de Londres sim, mas morar em um palácio? Conhecer e ser amiga do príncipe da Inglaterra? Não mesmo! Assim que fechei os olhos dormi como nunca antes.
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- Senhorita Bittencourt? – chamava alguém tocando no meu ombro. Assim que abri os olhos a claridade os agrediu, demorou um pouco até tudo voltar a entrar em foco.
- Olá! – falei para mulher parada ao lado da minha cama.
- Bom dia, senhoria Bittencourt. Desculpe acordá-la, mas Sua Alteza pediu para chamá-la. – falou sorrindo.
- Tudo bem, obrigada! Avise-o que irei encontrá-lo daqui a quarenta minutos. – falei levantando.
- Como quiser. Sua Alteza a espera em seus aposentos! – falou saindo do meu quarto e fechando a porta. Tomei banho e coloquei uma roupa simples, o que será que Edward quer comigo antes do café da manhã? Bati na porta e ele não demorou a abri-la.
- Bom dia! – falei
- Bom dia! Não posso deixar você entrar no meu quarto, regras da casa. Então, venha caminhar comigo. – falou fechando a porta atrás de si.
- Tudo bem! – falei e o segui.
- Angelina, você sabe o porquê da minha mãe deixar você ficar? – perguntou ele para mim bem sério.
- Porque sou linda e simpática? – perguntei sorrindo.
- Não, acho que não foi por isso. – falou entrando em um corredor. – Você sabe a história do seu sobrenome Bittencourt?
- Não, do que você tá falando? – perguntei sem entender.
- Vem, vou te mostrar a biblioteca. – falou abrindo a porta do corredor. Lembrei da Ana na hora que ele abriu a porta, tinha livros para todos os lugares que eu olhava até eu que não gostava muito de ler, estava admirada.
- Uau! – falei e ele sorriu.
- Sente-se naquela poltrona, vou procurar um livro. – falou e foi andando em direção a uma escada, e eu sentei em uma poltrona vermelha extremamente confortável com uma mesinha pequena na frente, ao seu lado tinha uma poltrona igual a que eu estava sentada.
- Achei! Gostaria que lesse isso. – falou me entregando um livro aberto e marcado. Olhei para ele sem entender, mas peguei o livro.
- O que você quer que eu leia? – perguntei.
- A lista de convidados do primeiro baile nesse castelo. Claro, que essa não é a lista de convidados original, mas é a réplica copiada para um livro. Os nomes que estão nela estavam aqui de verdade, há muito tempo. – falou sentando ao meu lado. Comecei a ler a lista sem muito interessante, até que um nome me chamou atenção.
- Charles e Teresa Bittencourt? – perguntei levantando a cabeça e encarando Edward.
- Sim, o duque e duquesa. – falou sorrindo.
- Duque? – perguntei (muito!) surpresa
- Sim. Depois do rei, eles eram os mais nobres. – falou Edward, me deixando de boca aberta.
- E você acha que eu faço parte dessa linhagem? – perguntei
- Não, eu tenho certeza! Você está usando aquele colar que você disse que era herança de família? – perguntou e eu tirei o pingente de dentro da minha blusa.
- Sim, mas o que isso tem a ver? – perguntei.
- Lembra que eu elogiei esse colar no dia que meu pai foi te conhecer? E você me disse que seu pai insistiu que você o usasse especialmente nesse dia? – perguntou me fitando.
- Sim, eu me lembro! – falei o encarando, minha cabeça rodava.
- Seu pai sabia que se o meu pai visse esse colar deixaria você ficar conosco na hora. Olha de novo a lista e veja o símbolo que está do lado do nome deles. – falou apontando pro livro. Eu o encarava sem acreditar, mas fiz o que ele pediu. O símbolo estava lá, igual ao pingente do meu colar.
- Só pode ser uma brincadeira! – falei levantando e andando de um lado pro outro.
- Não, eu não costumo brincar com coisa séria. Vem, quero que me siga até a galeria dos quadros. Vou te mostrar teus antepassados. – falou levantando e eu o segui em silêncio. Eu, duquesa? Só podia ser uma piada! Eu morava no Brasil, éramos ricos, mas da nobreza? Difícil de acreditar!
- Olhe aquela pintura. Preste atenção no colar que a duquesa está usando. – falou apontando para um quadro com moldura em ouro. O colar era igual ao meu, igualzinho. Eu estava assustada, dei um passo pra trás involuntário.
- Mas, eu moro ou morava no Brasil. BRASIL! – falei sem olhar pra ele.
- Sim, eu sei. A sua história é a seguinte: Muitos anos depois dessa pintura, uma mulher filha do duque e da duquesa que já não era mais Charles e Teresa, se apaixonou por um português que foi mandado pro Brasil para trabalhar no palácio de Dom Pedro II, como ela fazia de tudo para tê-lo, foi escondida em um navio pro Brasil para encontrá-lo. Naquela época o Rio de Janeiro era a capital do império e ali a família Bittencourt se estabeleceu, e esse colar foi passado de geração em geração, até que aqui estamos. – falou naturalmente enquanto eu surtava.
- Mas isso é praticamente impossível. IMPOSSÍVEL! – falei encostando-se à parede.
- Não, não é. Eu só descobri isso quando chegamos de volta a Londres, que eu pude pesquisar em livros. – falou me encarando.
- E isso faz de mim... – comecei, mas era muita loucura para acreditar.
- Sim, Duquesa Angelina Bittencourt. – falou Edward sorrindo.
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