Paixões Gregas - Opostos(Em Degustação)
3 Capitulo 3
Notas iniciais
Pov – July
Dou o endereço ao taxista e me concentro na janela. Minha mãe ainda não mandou mensagem, devem estar achando que fui direto para o ballet. Preciso resolver todas essas coisas, não gosto de mentir e meus pais não merecem isso.
Tyler se mexe ao meu lado e sinto meu coração descompassar. Coração idiota. O cara é um completo ogro. Me culpa por todos os seus infortúnios, me trata mal o tempo todo e eu ainda sinto essa coisa estranha perto dele.
Me lembro daquele encontro na sala do meu pai e não senti qualquer atração, estava tão distraída que tudo que me lembro é de sentir um certo medo do seu olhar pesado e arrogante.
Ele ainda me parece o mesmo, apenas minhas reações a isso mudaram.
─Não precisava me acompanhar. Não sou nenhuma criança.
─Isso é pela minha avó, para ela ficar tranquila. – Ele resmunga me encarando. Tem um rosto bonito, seu semblante é fechado e penso se já sorriu alguma vez, deve ser bonito quando sorri. Ainda mais bonito. – O que está olhando?
─Nada! – Desvio meus olhos, depois um tanto irritada volto a olhar para ele. – Você é bem idiota sabia? Se estamos conversando o que tem demais olhar para você?
─Olhe o quanto quiser. – É sua resposta infantil, ele encara de novo as ruas. O taxista nos olha pelo retrovisor.
─Gosto da sua avó e da sua irmã, e vou continuar ajudando as duas. Não importa o quanto te irrite. Só sei disso.
─Vá onde quiser, mas se acabar encrencada não me culpe.
─Não vou culpar você nem sua gangue. – Respondo olhando para seu braço onde a camiseta deixa transparecer um pedaço da tatuagem. Não devia ter dito isso, sinto pelo modo como seu rosto se transforma, fica lívido, ele tenta puxar a camiseta. Se arruma mais no banco do carro e me arrependo de ter dito.
─Se entende de gangues e sabe do que se trata aproveite para ficar longe.
─Essa gente não mexeria comigo.
─Essa gente? Claro. O que esperar da mimadinha e rica filha de Nick Stefanos?
─Eu sei o que essas gangues fazem, promovem o medo, a insegurança, deixam as pessoas presas a elas, meu pai me ensinou a respeitar todo mundo. Mas também deixou claro que sem essas pessoas as coisas seriam muito melhores.
É como se ele concordasse, Tyler não responde. Odeio quando me tratam como uma garota tola. Odeio todo esse preconceito, como se eu não pudesse ser vaidosa e ao mesmo tempo olhar além de mim mesma. O taxi para na porta do prédio. Estendo umas notas para ele e desço logo depois de Tyler.
─É esse o prédio. Não precisa subir.
─Não tenha medo, não precisa se preocupar comigo te fazendo passar vergonha. Não vou entrar no seu prédio elegante.
Tyler coloca a mão no bolso, tira um maço de cigarro e acende um solta a fumaça e no mesmo instante me falta ar.
─Obrigada pela companhia. – Digo dando uns passos para longe da fumaça. O dia hoje foi bem difícil para meus pulmões. Ele me dá as costas e caminha pela rua com passos decididos e um andar pretencioso de quem não se importa com nada. Isso bem que mexe mais alguma coisa em mim.
Fico ali olhando até que ele suma por entre as pessoas e então quando me viro para subir as escadas tio Simon me esperava com sua pasta na mão e os olhos preocupados. Sorrio quando subo a seu encontro.
─Quem era o bad boy senhorita July?
─Boa noite para você também tio. – Digo quando vamos caminhando para o elevador.
─Está fugindo de uma resposta princesa.
─Tio ele é só um garoto do colégio. Fizemos trabalho juntos e ele me trouxe em casa. – Odeio mentir, mas meu tio Simon não entenderia.
Subimos juntos meu coração batendo acelerado por conta do remédio que aspirei pela terceira vez.
─Está com a asma atacada July. Andou aprontando? – Nego com um movimento de cabeça. Meu tio Simon já teve que me levar mais de uma vez ao hospital, não realmente meu tio. Só amigo do meu pai desde a faculdade, trabalham juntos e além disso ele mora uns andares abaixo que o nosso.
─Meu pai já veio do escritório tio?
─Sim. O folgado veio cedo só para sair com sua mãe, mas já devem estar de volta. Se não trate de descer para irmos ao médico.
─Obrigado tio. – Ele me beija a testa quando a porta do elevador se abre. Termino de subir a cobertura sozinha. O rosto de Tyler me vem à mente. No fundo ele tem seus motivos para ser assim tão raivoso. A vida não foi fácil para ele.
Assim que entro meu pai está de pé andando de um lado para outro com o celular na mão.
─Finalmente July! – Ele me abraça, minha mãe surge na sala correndo com os olhos vermelhos. Me abraça também. – Onde estava, por que não atende o celular?
─Eu não... – Remexo a bolsa e pego o telefone. Está sem bateria.
─Estava achando estranho não terem me chamado ainda. Está sem bateria. Desculpe papai.
Ele me beija a testa, minha mãe faz o mesmo.
─Onde estava filha?
─Desculpe mamãe. Eu fui na Dulce depois da aula.
─Me avisa mocinha. – Ela me pede. – O papai fica tão preocupado. Eu não, por que sou muito confiante. – Minha mãe ri secando as lágrimas e meu coração se aperta de vergonha.
Eu a abraço apertado. Vou ter uma boa conversa com eles depois do jantar, explicar sobre tudo e pedir para deixar o ballet.
─Vou lavar as mãos e preparar o jantar. Que acham de uma sopinha? – Os dois me olham. Já fiz sopa ontem. Não faz sentido repetir o prato. – Regime? – Digo tentando convence-los.
─Cadê seu inalador?
─Já usei mais de quatro vezes papai. – Desvio meus olhos com mais vergonha ainda.
─Então vamos logo ao médico pequena. Compramos qualquer coisa para jantar no caminho.
─Não posso deixar uma sopinha pronta antes? – Peço a eles.
─Se quer tanto sopa eu compro em algum lugar. Vamos logo. – Meu pai pega as chaves do carro. Beija minha mãe. – Fica com o Ryan.
─Fico nada. Ele fica com o Josh. – Ela segue para a escada. – Ryan! -Grita me fazendo sorrir. Meu irmão desce as escadas correndo, ele sempre está correndo.
─O que? – Pergunta e me olha. – Já sei. Hospital. Vou pegar meu livro de exercícios e ir para o Josh.
─Menino esperto. – Brinco depois de me esforçar puxando o ar com força.
─Não demoramos. – Minha mãe avisa beijando Ryan. – Não demora para descer. Vou avisar seu irmão.
Decido que na volta vou conversar com ele. Agora preciso mesmo é de oxigênio. Quando me sento no carro o ar começa a faltar ainda mais. Eu puxo com força começando a ficar tensa, não tem nada que se compare a angustia de lutar por oxigênio.
─Calma pequena, estamos indo para o hospital. Não precisa lutar é só se acalmar. – Meu pai me pede com a voz suave. Isso sempre me acalma quando começo a me desesperar. Minha mãe pula para o banco de trás e segura minha mão.
─Olha para mim July. -Ela pede quando aperta minhas mãos frias. Meus olhos escorrem lágrimas. Ela as seca. – Respira como a mamãe.
Vou acompanhando sua respiração enquanto ela vai me acariciando os cabelos e secando minhas lágrimas. Me concentro nela, no seu rosto e em sua respiração.
─Está indo muito bem filha. – Meu pai diz do banco da frente enquanto dirige o mais rápido que pode. Adoro como fingem bem. Sei que estão tão tensos quanto eu.
─Pronto, estamos chegando. – Minha mãe diz continuando a respirar comigo. Sinto inveja de como é fácil para ela encher seus pulmões de ar.
O carro estaciona em frente ao hospital, descemos e eu caminho devagar com minha mãe enquanto meu pai vai na frente pedindo médicos e não demora muito estou na sala de atendimento.
─Boa noite July. Fazia tempo que não nos encontrávamos. – A enfermeira brinca enquanto enfia a agulha em meu braço para colocar o soro.
Logo o soro começa a fazer efeito, sinto meus pulmões se abrindo, o ar começa a entrar e sair. Fico deitada na maca com meus pais me olhando. Os olhos dos dois atentos as minhas reações. Odeio preocupa-los e hoje bati o recorde.
─Desculpe. – Digo ainda com vontade de chorar. Meu pai me beija o topo da cabeça com um sorriso suave.
─É muito boba garotinha! Amamos você.
─Eu sei. – Seco as lágrimas. Ganho outro beijo do meu pai na cabeça e minha mãe beija minha mão que ela mantem presa as suas.
Uma hora depois estamos no carro voltando para casa. Meu pai compra comida num restaurante de comida caseira perto de casa. Assim que chegamos eu me sento nos bancos da cozinha enquanto minha mãe vai me servindo.
O dia foi longo, depois que tomo remédios sempre me sinto sonolenta, mas não quero dormir antes de conversar com eles. Ryan chega com seu livro na mão. Josh e Lizzie estão com ele. Sabia que viriam me ver. Ganho beijos de carinho.
Acabamos todos comendo juntos, assim que termino me despeço com um beijo em cada um. Josh e Lizzie seguem para seu apartamento no andar de baixo e eu subo para me aconchegar na minha cama.
Quando meus pais entram para me dar boa noite eu me sento. Os dois se sentam a minha volta na beira da cama.
─O que foi July? Pensei que já estaria dormindo.
─Quero dar um tempo nas aulas de Ballet papai.
─Por que?
─Eu estou querendo ajudar um pouco a Dulce. Depois que começou a pagar os estudos dela ficou tudo mais difícil e ela não está acompanhando direito.
─E quer fazer isso? Deixar o ballet para ajudá-la? – Minha mãe me pergunta. Balanço a cabeça em concordância. – Mas sabe que é importante para sua saúde July. Precisa praticar exercícios.
─Pode ser então apenas duas vezes na semana e não todos os dias?
─É o que quer? – Meus pais se olham. Depois me encaram. É bonito ver como eles conversam apenas pelo olhar. – Tudo bem July. Acontece que Dulce tem todos aqueles animais e sabemos que é isso que te deixa assim. Se ficar todas as tardes lá vai acabar todas as noites como hoje.
─Podemos nos reunir na vizinha dela. Dona Manoela. – É um jeito de continuarmos cuidando da pequena Bárbara e ainda fazemos companhia a dona Manoela.
─Quem é essa vizinha July?
─Então papai. É uma idosa de oitenta anos que vive sozinha com os netos. A menininha tem dez meses e Dulce está ajudando um pouco ela por que a mãe da menina morreu.
─Puxa. Que triste! – Minha mãe diz abatida.
─Muito. Pode ser assim? – Eles me sorriem. – Se quiser eu posso leva-los até lá.
─Não é preciso. Se estamos falando de uma idosa e seus netos tudo bem.
Assim como eu eles têm a impressão que por Bárbara ter apenas dez meses o outro irmão é também uma criança. Fico em dúvida se desfaço o mal-entendido. Mordo o lábio olhando para eles.
─O que mais July?
─Sobre a dona Manoela e os netos, preciso contar uma coisa. É sobre a filha dela que morreu.
─Conte. – Minha mãe pede. Mordo o lábio.
─Lembram do Raul? – Os dois se olham mais uma vez.
─O chefe dos mexicanos. Está morto July. O que tem ele?
─A mulher que estava com ele. Sabe que tinha uma mulher com ele? – Meu pai e minha mãe afirmam. – É a mãe da Bárbara.
─Quanta tristeza July.
─A sopa que fiz ontem. Foi para levar para ela. Eles vivem com dificuldade.
─Sabíamos que essa sua necessidade de sopa tinha algum fim filantrópico. – Meu pai diz rindo. – Não precisa disso. Sabe que pode simplesmente ajudar.
─Obrigada papai. – Eu o abraço.
─Quem sabe eles podem frequentar a associação July. Posso ir com você amanhã. Levamos essa senhora para conhecer nosso cantinho. Eles podem conseguir muita ajuda, quem sabe...
─Mãe. – Eu a interrompo. – Escuta. Tem uma outra coisa. Eles não são muito interessados na associação. Dona Manoela me trata bem, é muito carinhosa comigo.
─Mas? – Ela me questiona e coloco mais uma vez os cabelos atrás da orelha. Me arrumo na cama. Sinto sono, mas quero falar sobre isso.
─Pai. Se lembra que uma vez defendeu o filho do Raul?
─Claro. Ele era inocente. Foi um assalto, o rapaz tinha álibi, acontece que a polícia queria pegar o Raul usando ele. Achei injusto. Raul nunca deixou o filho se envolver com seus negócios.
─Ele não era bom papai.
─Como sabe disso?
─Esse rapaz abusou da filha da dona Manoela. – Meus pais se espantam com minha revelação. – Era um rapaz mimado, ele achava que podia tudo. O pai quando soube deu dinheiro a ela, proibiu ela de denunciar.
Sinto o quanto isso afeta meu pai e me magoa dizer a ele, mas quero entender tudo isso.
─isso é horrível July.
─O filho dela, muito magoado com tudo, fez uma denúncia anônima. Sobre o assalto. Só queria dar um jeito de puni-lo.
─Entendo. E eles então me culpam por ele ter se livrado?
─Não tenho certeza papai. Nem acho que isso importa muito. Eles só têm uma impressão errada.
─July. Quero que entenda uma coisa. Não me sinto culpado por ter livrado um inocente. Esse é meu trabalho. Ele não cometeu aquele assalto, não podia pagar por ele. Se soubesse o que ele era. O que tinha feito eu ainda provaria que ele não estava no meio do assalto e depois o faria confessar o abuso.
─Acredito nisso. Isso é o certo. O justo.
─Talvez eu possa mudar as coisas e falar com essa senhora.
─Não papai. Aos poucos eles vão entender. – Não quero que Tyler despeje seu ódio sobre meu pai.
─Você entende? – Ele se preocupa.
─Tenho muito orgulho de tudo que faz. Sempre tive, sei exatamente como nosso trabalho na associação é importante e claro que entendo. As vezes fazer o certo é dolorido.
─Raul era um grande problema. Impedia as pessoas a procurarem ajuda na associação. Depois disso ele passou a me dever um favor e isso mudou as coisas. Agora as pessoas são livres para frequentar a associação.
─Dona Manoela está conformada. As coisas saíram do controle. A filha com a aproximação do Raul, essa coisa dele dar dinheiro para ela... Isso é confuso para minha cabeça, mas ela acabou se envolvendo com ele, se perdeu completamente e a pequenina é filha deles.
─Nossa! Deve ser muito traumatizante.
─July você disse que o irmão da Bárbara não é? – Eu balanço a cabeça confirmando. – Disse que ele fez uma denúncia anônima? – Droga. Agora vão saber que não se trata de um garotinho.
─Sim.
─Então não estamos falando de uma criança?
─Tyler Bowen papai.
Ele fica um longo momento em silencio. Cruzo os dedos para não ser impedida de continuar ajudando. Acho que meu pai não sabe mais nada dele desde aqueles tempos.
─Agora entendo a relutância dele, sabe quando ele era pequeno frequentava a associação. Depois sumiu. Tentei convence-lo. Foi inútil.
─Você não se lembra dele filha? – Minha mãe me pergunta. – Quando eram pequenos, seis, sete anos. Brincavam juntos. Ele ia quase todo dia. Passava todo tempo livre lá. Nunca soubemos muito da família.
─A mãe o teve jovem e a avó um pouco idosa o criou. Acho que por isso não sabiam muito dele.
─Como ele está? – Numa gangue que já pertenceu ao Raul. É o que deveria dizer, mas não posso. Desvio meus olhos por que odeio mentir.
─Bem, eu acho, nesses dias que frequentei a casa eu não o vi. Ele nunca fica lá por que trabalha. – Pronto July acaba de contar uma mentira completa.
─July promete se manter em segurança? Pode vir estudar aqui com a Dulce.
─Papai ela tem os animais. Não pode ficar tão longe deles e ajudamos dona Manoela com a bebê. Eu não a Dulce eu só estudo com ela e volto para casa. Prometo.
─Vamos fazer um teste July. Se algo der errado então... Você sabe. Fim de conversa. Acaba com as aulas.
─Combinado.
─Não pode chegar em casa depois das oito. Tem escola, precisa se concentrar nos seus estudos e tem que vir de taxi.
─Aceito.
Eles me abraçam. Beijo os dois grata e envergonhada por mentir sobre o Tyler. Depois me ajeito na cama e minha mãe me cobre como de costume. Adormeço antes mesmo de ouvir a porta sendo fechada.
Me levanto antes de todos. Assim que ligo o chuveiro o rosto de Tyler me invade a mente mais uma vez. Ele é tão difícil. Tudo que quero é que ele... Minha mente para de funcionar um momento quando a verdade me invade. Eu quero que ele goste de mim? É isso?
─July você é uma grande boba. Só sei disso.
Digo para meu reflexo no espelho. Depois de ficar pronta encontro o resto da família na confusão matinal de sempre. Todos em torno da pia e geladeira, arrumando maletas e mochilas, tentando tomar café da manhã.
─Mãe assim eu vou perder a primeira aula.
Rayn reclama colocando a mochila nas costas.
─O motorista espera pelos dois lá em baixo Ryan, eu vou com a Lizzie e a Sophi escolher umas coisas para o casamento. O papai não vai para o escritório agora. Tem uma reunião fora.
─A gente fica que nem bobos esperando. – Meu irmão adolescente reclama me fazendo apertar sua bochecha. – Para July! Alguém podia pedir a ela para parar com isso. Já chega a Gigi me abraçando na frente dos meus amigos. Tudo só para irritar o James.
─Que conversa é essa?
─Aquela cabeça oca da Gigi me tortura. Vocês sabem como ela é teimosa.
─Vem Ryan. Depois conta sua saga. – Puxo meu irmão e descemos os dois. No fundo eu quero mesmo é sair da escola.
Meus amigos me esperam numa rodinha de conversa. Todos temos muito o que contar sobre as férias. O dia passa rápido. Na saída do colégio nosso motorista nos espera. Ele me deixa primeiro na casa de Dulce. Pego a sopa que minha mãe enviou por ele e desço do carro.
─Quer que venha busca-la July? – Tom está conosco há um bom tempo, é sempre muito legal.
─Não Tom. Eu vou de taxi. Obrigada.
Dulce me espera no portão. Assim que me veem os cachorros pulam de um lado para outro. Não consigo não abraça-los e beija-los.
─Cadê a Bárbara? – Pergunto quando caminhamos para dentro.
─No tapete da sala brincando. Ela só acalmou agora. Desde que cheguei do colégio ela só resmunga. Minha mãe acha que são os dentinhos.
─Dulce eu expliquei lá em casa o que está acontecendo. Achei que mentir não era boa ideia. Ao menos não sobre tudo. Meus pais permitiram, mas por causa dos cachorros temos que ficar na casa da dona Manoela.
─Por mim tudo bem. Acontece que não sei se o Tyler vai achar isso muito bom. Ele parece que não gosta de você. – Aquelas palavras ditas de modo inocente me magoam um pouco. Finjo muito mal que não me importo dando de ombros e desviando os olhos.
─Asar dele. É por elas. Vamos?
─Vamos. E tem outra coisa. Aquele mofo e a pouca ventilação não será muito melhor que aqui.
─Eu sei. Mesmo assim quero obedecer meus pais. – Ela me olha espantada. – É só isso Dulce. Não pense bobagens.
Dulce sorri, acabo sorrindo também. Apesar da diferença de idade ela não é nada boba. Pegamos Bárbara. Quando caminho para dona Manoela com a pequena no colo fico pensando se não é perigoso me afeiçoar demais a ela. Eu sou esse tipo de gente que se encanta e apaixona por pessoas e isso é sempre importante demais para mim.
Encaro a garotinha nos olhos. Ela sorri com a mão na boca. Quem pode resistir? Beijo sua testa e entramos. Assim que piso na sala meus olhos encontram os dele.
Sim. Eu quero que ele goste de mim, que saiba que não sou uma mimada tola, quero ajudá-lo a ser menos duro e triste e quero que ele largue a tal gangue. Acho que estou querendo muito.
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