Paixão Secreta
2 Uma amiga nova
Acordei com Marta me sacudindo devagar, sua voz parecia longe , mas então fui abrindo os meus olhos devagar e percebi o rosto de uma mulher sorridente.
–Bom dia!-Ela abriu as cortinas e a luz do sol iluminava o quarto, cocei os olhos sonolenta e desci da cama, ela me levava até o banheiro e colocava a temperatura da água em mornam o água caia sobre o meu corpo e eu despertava, enquanto Marta me ajudava com o sabão no corpo.
Voltando para o quarto com a toalha em volta do corpo, Marta me mostrava diversos vestidos, era cada um mais lindo que o outro, mas este era o problema, eram bonitos de mais, finos de mais, e talhados de mais. Fui até o guarda-roupa olhando para cada peça no cabide, por fim, apontei para uma simples blusa sem manga e um short jeans azul, me agachei até os sapatos e tirei um par de tênis que substituiriam as sapatilhas pretas e velcro que ela escolhera.
[Autora]
Acredito que as crianças, prestam muito mais atenção aos pequenos detalhes, do que os adultos, enquanto os maiores se preocupam mais com os problemas, com as preocupações e estresse, elas podem perceber as pequenas coisas que passam despercebidas aos olhos deles, e além do mais, por mais que tente fingir que uma coisa está certa em seu devido lugar, ela sempre vai notar aquele pequeno defeito que irá provar o contrário, e com Alasca, não poderia ser diferente.
A mesa do café da manhã estava farta como sempre, pães, bolos, sucos , vitaminas e café, eram frutas e saladas, doces e salgados, waffles e panquecas, todo tipo de variedade de alimentos, Luke estava ao lado oposto de Alasca, que observava atentamente os seus pais, Sebastião com seu cabelo preto lambido e os óculos redondos, tinha nas mãos uma xícara de café e olhava para o jornal, Marta usava seu vestido que ia até os pés, seu cabelo loiro estava preso em um coque e ela usava sua sandálias laranjas, parecia feliz enquanto enchia a xícara de Sebastião com café, eles se olhavam, conversavam, e ela parecia feliz, os dois pareciam felizes.
Mas só pareciam, o sorriso em seus rostos poderiam dizer uma coisa, mas se você olhasse bem para os seus olhos,digo bem no fundo de seus olhos, você poderia perceber com tanta clareza, a tristeza e melancolia neles, Sebastião parecia ser sério, com seu olha frio sobre as outras pessoas, mas era dono de um sorriso magnífico, porém fingido, principalmente para Marta, que era dona de uma lindo par de olhos azuis claros, sempre imaginei a cor azul como uma brisa calma e leve, como o som do mar batendo nas nas rochas, transmitia tranquilidade, mas não aqueles olhos azuis, aquele solhos eram frios, só tinha ódio e tristeza ali, nenhum sinal de amor ou satisfação, o problema era, como poderia Alasca dizer alguma coisa, se pronunciar ali naquela mesa e começar a falar sobre olhos e sobre expressões, se nem ao menos eles, sabiam que carregavam uma melancolia tão grande em si mesmos.
Apenas ficou encarando a sua gelatina de morango, até ouvir a buzina um pouco baixa mas audível, Marta foi até a janela e disse que o ônibus estava esperando, Luke deu um beijo em Marta e Sebastião, já Alasca, hesitou, não sabia se teria tanta intimidade ou permissão para esse tipo de troca de afeto com eles, então só deu um sorriso e saiu fechando a porta.
O ônibus tinha outras crianças, algumas trocavam cumprimentos amigáveis com Alasca, mas a maioria se interessava mais pela lancheira de astronauta de Luke, que não parecia perceber a irmã ao lado olhando para a janela, você poderia imaginar isso como uma cena triste de uma criança solitária olhando para a paisagem, mas Alasca não se sentia assim, ela tentava puxar assunto com outras crianças, falando de borboletas com as meninas e de futebol e pipas com os meninos, o problema era, ela não sabia nada sobre borboletas, muito menos sobre futebol e pipas.
O ônibus sempre parava em frente a alguma casa, e uma criança saia de lá, as vezes reclamando ou cambaleando de sono, mas ninguém gosta de ser acordada as seis da manhã, muito menos uma criança em seus seis anos, dessa vez parou em frente a uma casa branca de telhado azul, assim como as portas e janelas, tinha uma cerca em volta de um gramado verde, e um caminho de pedra que ia até a escadaria, as janelas estavam fechadas assim como as cortinas, e por um momento, passou pela cabeça de todos que estava vazia, mas então a porta azul foi aberta e uma garota de cabelos cacheados e pele mestiça saiu de lá correndo até o ônibus, usava um vestido vermelho, e aquele tecido com certeza era importado, suas sapatilhas eram douradas brilhantes e ela segurava uma lancheira com várias borboletas pintadas a mão de diversas cores, como azul, amarelo, rosa e a preferida de Alasca, verde, a garota entrou dando bom dia e com um sorriso no rosto, foi até o fundo e se sentou ao lado de Alasca, a mesma olhava ainda para a janela, mas teve que voltar a atenção para a garotinha de vestido vermelho que não parava de falar sobre borboletas e alguma coisa sobre o tempo de vida delas, Alasca não entendia quase nada, mas ria pela velocidade que as palavras saiam da boca da sua nova amiga amante de borboletas e lagartas.
O percurso foi longo até o colégio, durante esse tempo Alasca pode usar oque tinha aprendido sobre os olhos e seus segredos em Aria, a garotinha de vestido vermelho, Aria falava devagar desta vez, sobre as histórias de terror que sua vó contava para ela, Alasca parou um pouco, balançava a cabeça concordando com o que Aria dizia mas na verdade não ouvia nada, fixou a sua atenção nos olhos de Aria, castanhos escuros, e o sorriso da pequena garota de cachos, era o mais sincero e belo de todos, seus olhos transmitiam felicidade, e não se via tristeza alguma, melancolia alguma, e por um momento Alasca olhou para todas as outras crianças enquanto descia do ônibus a caminho dos portões do enorme colégio, o olhar das meninas e meninos parecia de extrema pureza, você só percebia a felicidade transbordando em sorrisos brancos e risadas altas, ela pensou e se virou, olhando para os adultos que caminhavam do outro lado da rua, em passos apressados, sem ao menos falar um bom dia, ou olhar uns para os outros, e os olhos deles...eram de profundo desanimo, e tal coisa, fez uma dúvida surgir em sua mente. “Quer dizer que quando eu crescer, vou ficar triste e melancólica como todos os outros adultos?” Ela não teve tempo de responder a si mesma, foi puxada por Aria pelos corredores, elas corriam passando pelas pessoas, até por Luke, Aria então parou em frente a duas portas e vidro e as empurrou, a bibliotecária estava atrás do balcão, deveria ter aproximadamente uns quarenta anos, tinham fios brancos misturados em seu cabelo negro, tinha olhos verdes penetrantes e usava óculos, em sue crachá estava escrito “Darla”, Aria logo andava pelas estantes de livros, Alasca nunca tinha visto aquilo, “Bibliotéca” parecia uma coisa nova, totalmente diferente, e super convidativa, enquanto Aria segurava nos braços pequenos cerca de dez livros, Alasca caminhava deslizando os dedos pelas capas dos livros novos e velhos nas prateleiras, por fim acabou pegando apenas um, e foram para uma mesa vazia, mas para ser exato, aquele lugar nunca tinha mais que três pessoas.
Enquanto ela lia aquelas palavras maravilhada, o mundo a sua volta parecia ter mudado completamente, e para uma criança de seis anos, ela conseguia entender as coisas de forma extraordinária, sua mente era totalmente aberta e viajada, e a cada parágrafo que ela lia, se sentia ainda mais perdida em sua própria imaginação fértil, assim como Alasca, Aria estava concentrada em sua pilha de livros e informações, ela estava flutuando, imaginando como seria todas aquelas coisas fictícias descritas nos livros de fantasia, e parecia que tinha se desligado totalmente do mundo real, das atrapalhações e das confusões que ficavam martelando em sua cabecinha, eram duas meninas, em corpos de crianças, com ideias de adultos, e grandes mentes de gênios.
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