Paixão Imprudente

1 Separados de Classe...


Notas iniciais
"Primeiro olhar, você quase fez meu queixo cair... Seu rosto, eu poderia ficar olhando por horas[...]"(You Ain’t Seen Nothing Yet/Avril Lavigne)

Outra vez,eu tinha chorado até acabar dormindo.E mais uma vez o motivo era o mesmo:discussão entre meus pais.

Já se tornou hábito eles brigarem quase todos os dias,são gritos e palavrões para todos os lados,e de repente nossa casa é pequena demais para ser um cenário de horrores.

Como já era noite,só o que restava fazer era ficar trancada em meu quarto até o silêncio aparecer,o que indicava o fim de uma briga.Mas,eu sempre acabava chorando desejando que tudo acabe logo e que eles façam as pazes, ou que eu tivesse uma família pacífica.

Geralmente depois das brigas,o resto da semana ficava um clima tenso.Eu nunca procurei entender os motivos que causavam as brigas,porque eu não queria me envolver nesse tipo de coisa.As vezes meu pai chegava bêbado,outras vezes,ele demorava alguns dias para voltar para nossa casa.

E minha mãe,tinha como característica o mal humor.Não sei se ela é daquelas pessoas que se arrepedem de ter tido uma filha quando era muito nova e por isso teve que casar...Bem,eu não tenho culpa de eles terem me feito quando tinham dezessete anos,eles é que tinham sido imprudentes.

E assumiram algumas responsabilidades precocemente.

Eu aprendi a me acostumar com as discussões,mas não quer dizer que eu goste disso.Pelo contrário,ficava impaciente e entristecida com tudo isso.

Meus pais ficavam tão presos a rotina deles e tão fixados em qualquer problema que fosse,que não sabiam de muita coisa que se passava comigo.

Para minha sorte,eu tinha alguém para desabafar,alguém que eu conhecia desde o jardim de infância,e esse é meu melhor amigo Bernardo.Não era tudo que eu contava à ele,mas o pouco que eu compartilhava com Bernardo já me servia como ajuda.Me fazia ficar melhor,afinal amigos são para isso.

A maioria das coisas que eu sentia vontade de lhe contar,de certa forma eu sentia vergonha,pois ele não entenderia por não vivenciar experiências iguais ou parecidas com as minhas.Apesar disso,a sua companhia já fazia a diferença,mesmo que só ficássemos calados.

A questão é que fora ele,não tinha mais ninguém que pudesse me fazer bem.Eu não tenho outros amigos,e na escola era quase invisível.Apenas os amigos de Bernardo falavam comigo,e eram gentis o suficiente para me incluírem em suas coisas,até mesmo quando marcavam para sair.

O problema,é que todos eles são de outra sala,e amanhã as aulas retornam,e eu vou fazer o terceiro ano do ensino médio.E a rotina chata e monótona irá voltar, pelo menos lá na escola eu não preciso presenciar as coisas desagradáveis da minha casa,na escola eu fico longe do drama entre meus pais.

Porque mesmo que trabalhem o dia inteiro,ficar sendo uma fantasminha pela casa era ainda mais incômodo,por onde eu olhasse,teria lembranças das brigas.E bem,ficar sozinha não é muito animador,fico vulnerável e bate aquela bad.

Eu estava perdida em meus devaneios e como estava no modo automático,segui com minha rotina matinal,o que sempre faço no período de aulas.Minha aparência estava péssima,por causa do choro de ontem,não dei muita atenção para isso,já tinha me acostumado então não iria tentar disfarçar usando maquiagem.

Assim que ultrapasso o portão da escola avisto Bernardo junto de seus amigos.Ele exibe aquele seu sorriso de bom dia e eu só lamento por não poder fazer o mesmo,eu não sou uma pessoa muito matinal.

— Não poderia ao menos se esforcar? Ficaria mais apresentável se sorrise.-Bernardo expõe.

— Não me peça isso a essas horas.

— Eu preciso te contar uma coisa,não é uma boa notícia.-ele estava nervoso,e o sorriso que exibia antes se desfez rapidamente.

De início,fiquei com medo de ter acontecido alguma coisa com o meu pai,e que Bernardo fosse confirmar isso.Mas,não teria muito sentido ele saber disso primeiro do que eu e minha mãe,ou será que tinha?

— O que aconteceu?-perguntei preocupada.

— Calma Sophia,ficou até pálida agora.-escuto um amigo do Bernardo dizer,pela voz eu sabia que se tratava de Samuel.

— Fala logo de uma vez.-peço.

— Assim que cheguei,descobri que dessa vez,vamos ficar em sala separadas.

— Eu vou sobreviver Bê,esse é o último ano.-forço um sorriso e minto.

Essa é uma das piores coisas que poderia acontecer,sempre estivemos na mesma sala.Era Bernardo que fazia as coisas ficarem bem,era ele que estava sempre sentado do meu lado,ou na minha frente.Era ele que fazia dupla comigo para fazermos os trabalhos.Era ele que fazia piadas sem graça sobre os professores,quando a aula estava insuportável,era ele que me fazia concentrar nas aulas quando eu estava preocupada com meus pais,ou que me passava as aulas quando eu desistia de copiar.

Seria terrível ficar sem ele na mesma sala,não seria a mesma coisa,mesmo que nos víssemos nos intervalos.Daqui algum tempo ele estaria cada vez mais envolvido com seus amigos e seríamos daqueles amigos que conversam bobagens quando se esbarram no corredor da escola.

Talvez fosse drama e isso fosse fruto da minha imaginação,já que somos amigos desde sempre,não seria possível que deixássemos de ser agora não é?

Os amigos de Bernardo estão contentes com isso,as duas garotas que fazem parte da turma de amigos dele,estavam mais animadas ainda.As duas sempre tiveram inveja da nossa amizade.

— A gente vai se vê sempre que possível.-ele diz.

— Tudo bem,eu já vou.

Assim que viro as costas para sair dali,sinto uma mão me puxando pelo meu pulso direito e sabendo que se trata do meu amigo deixo que me vire e me abrace.

— Eu vou com você até a sua sala.-ele diz no meu ouvido.E quando sinto cócegas provocadas pelo seu hálito roçando em meu ouvido,me aconchego mais ainda a ele.

— Não precisa.

— Deixa de graça e vamos.Aposto que teve uma noite difícil,por isso chegou tão cabisbaixa.Sinto muito que as coisas sejam assim,vou sentir falta de te incomodar durante as aulas.-diz Bernardo enquanto caminhamos até a minha sala.

— Vai ficar tudo bem,vamos continuar sendo amigos.

— Então porque parece tão desanimada? Eu vou estar na sala da frente,não é como se não fôssemos mais nos ver.-argumenta ele,e por um minuto desconfiei que ele também estava com medo de que as coisas mudassem por completo.

— Eu estou bem.-me esforço para dar um sorriso convincente.-Viu? Acho que acabei de fazer aquilo que você chama de sorrir.

— Você é maluca,está mais para uma boca deformada.

— Você é que anda exigente demais.-digo,e dessa vez sorrio de verdade.

— É assim que eu gosto.-ele diz sorrindo também.

— Estamos parecendo dois bobos.

— Posso parecer um,mas não seria um bobo feliz se não tivesse você comigo.

— Você é ridículo.

— Posso ser ridículo também...

— Cala a boca.-o interrompo.

Rimos mais um pouco antes de chegar na porta da minha sala.

— É aqui que você fica.E se precisar,sabe onde me encontrar.-ele fala e logo em seguida,deposita um beijo em minha testa.

— Até o intervalo.-digo.

Entro na minha sala,e vejo que continuo sendo a mesma invisível de sempre,se Bernardo estivesse aqui,sentaria do meu lado e eu seria um pouco menos invisível e não seria solitária.Já que agora além de invisível,também passo a ser uma solitária em minha sala.

Ótimo, o ano letivo mal tinha começado e eu já estava odiando ficar sentada escutando as conversas paralelas e desagradável dos outros alunos.

Logo decido pôr os fones de ouvido e viajar para meu mundo particular,enquanto o professor não chega.Dessa vez,estava realmente inspirada a ignorar os outros ao meu redor,e não percebi quando um rapaz parou ao meu lado.

Ele se atreveu a tirar o fone dos meus ouvidos com um puxão violento.

— Mais que merda é essa?

— A princesinha falou um palavrão,talvez não seja tão patética quanto parece.-ele resmunga com um sorriso sarcástico nos lábios.

— O que você quer? Não posso ficar em paz alguns minutos?

— Claro que pode,se sair daí e for sentar em outro lugar.

— Como é que é? Daqui não saio,daqui ninguém me tira.Cheguei primeiro e já sentei,quem vai sair daqui é você.-não sei de onde vinha tanta ignorância,já que costumo ser bem tranquila.

Talvez fosse o fato de estar sendo incomodada por um garoto prepotente,enquanto estava fazendo uma das minhas coisas preferidas,que é ouvir música.

Talvez fosse o fato de estar zangada por Benardo não está aqui,mesmo sabendo que não era culpa de ninguém,mudança de sala é uma coisa que acontece.

Ou talvez tivesse sido infectada pelo mal humor da minha mãe quando ela me deu carona até aqui,e só agora estivesse fazendo efeito.Ou talvez fosse a mistura disso tudo.

A questão é que nosso pequeno desentendimento tinha chamado a atenção dos outros alunos,que pareciam estar surpreendidos com a minha arrogância.E as garotas estavam me fuzilando com os olhos,por eu estar tratando ele daquela forma,aposto que se fosse uma delas no meu lugar,já teria lhe cedido o lugar.

Eu nunca fiz questão de sentar nos fundos,mas esse ano seria diferente.Era mais do que adequado,eu sentar no último lugar da terceira fileira.

— Tudo bem,eu posso sobreviver sentando no penúltimo lugar.-ele respira fundo,e vai para a carteira que está na minha frente.

O garoto é intrigante e exala perigo com uma pitada de sensualidade.Na verdade,assim que coloquei meus olhos nele,pude ver seus olhos azuis destacados pela camisa de moletom azul marinho que usava.Usava uma toca preta e tinha um bracelete preto com um pingente de guitarra.E por último,percebi que tinha um capacete na mão,ele puxa outra carteira para perto dele e coloca o capacete lá.

— O que foi?-ele me pergunta quando percebe que eu o encaro.

E mesmo com a expressão de raiva em seu rosto,ele era admirável.Mesmo que não tivesse um físico tão treinado quanto o de Bernardo,e que fosse um magricela.

A sua postura era de indiferença,e a barba que crescia em seu rosto queria lhe deixar transparecer que fosse mais velho que todos daquela sala,o que eu sabia que era mentira,não parecia ser maduro o suficiente.

O seu nariz era um pouco saliente e torto,e seus lábios de um vermelho intenso.Por instantes eu senti vontade de tocá-lo.Poderia olhá-lo por horas e não me cansaria.

Percebo que está me encarando impaciente,e então lembro que quando puxou meu fone,ele ficou enroscado em sua mão.

— Meu fone,eu quero de volta.-digo,tentando falar firme.Mas,isso de ser fria e arrogante não é característico da minha pessoa,então meu tom de voz já estava normal.

Ele também parecia não se lembrar que estava em sua mão,entretanto logo caminha lentamente até onde estou,e o coloca em cima da minha mesa.

— Não me enche mais.-ele fala,e depois se senta na minha frente.Deixando-me encarando sua nuca.

Notas finais
Bem, por enquanto é isso me desculpem qualquer erro estou sem pc e sem not então o que me resta é escrever pelo celular...Beijos de Luz =)