Paixão Além da Coroa 3 - O Amor Atravessa Gerações
3 Capítulo 3
Notas iniciais
>>o Ponto de vista: Harry
– Vamos Clary, acorda! — falei a sacudindo.
– Já acordei. Se afasta de mim! — falou em tom de ameaça de morte.
– Tudo bem! Eu vou me arrumar e volto pra te buscar.
– Daqui a uma hora e meia? — perguntou ainda com os olhos fechados.
– Positivo. Até mais tarde! — bati a porta e sorri.
>>o
Eu não fazia a menor ideia de que roupa usar, claro que isso não teria tanto importância se eu não fosse o príncipe da Inglaterra, mas como eu sou eu precisava escolher uma roupa que estivesse coerente e na moda ao mesmo tempo.
Optei por uma roupa quente e simples. Enquanto tomava banho pensava no roteiro que tinha feito durante o sono dela, será que ela gostaria? Ou será que ela me acharia mais patético ainda?
Me arrumei em cinquenta minutos, portanto sobrava quarenta minutos para arranjar uma coisa fazer. Resolvi atualizar todas as redes sociais que eu fazia parte, além de tirar novas fotos, afinal eu era um adolescente.
>>o Ponto de vista: Clary
Sim, eu estou desesperada. Eu encarava o closet por vinte minutos e ainda não sabia o que vestir. Embora eu soubesse que nós íamos apenas ao centro da cidade, eu podia apostar que ele estaria elegante e muito bem arrumado. Então o máximo que eu podia fazer era me arrumar de acordo, e depois de muito pensar consegui escolher uma roupa decente.
Levei mais quinze minutos na água quente, mais trinta minutos para ajeitar o meu cabelo, e o resto do tempo para fazer a maquiagem e passar perfume. Eu me encarei no espelho e me achei deslumbrante, e isso já era um avanço.
Assim que terminei de arrumar minha bolsa, Harry bateu na porta. Como tinha previsto, ele estava elegante e me deixou rapidamente sem fala quando sorriu pra mim.
– Está linda! — falou e eu sorri sem graça.
– Obrigada, você também.
– Muito obrigado! Vamos? — perguntou me oferecendo seu braço.
– Claro! — falei rindo.
Não conversamos até o salão principal, quando esbarramos em nossos pais que estavam tendo uma conversa animada. Mas pararam quando nos viram.
– Olá! — falou Harry sem graça encarando sua mãe que sorria.
– Aonde vocês vão? — perguntou meu pai sério.
– Londres. — falou automaticamente, me fazendo revirar os olhos.
– E que horas vocês pretendem voltar? — perguntou Edward, e Angelina riu.
– Eles já são praticamente adultos, na verdade aqui na Inglaterra eles já são maiores de idade. Sejamos razoáveis. — falou ela ainda com ar de riso.
– Você fala isso porque seu filho é homem. — falou minha mãe encarando o meu braço entrelaçado com o de Harry.
– Queridos Lucas e Ana, eu prometo trazer vossa filha em total segurança antes da meia noite. — falou Harry e eu ri junto com Angelina.
– Uma resposta diplomática! — meu pai sorria, mas não de um jeito feliz — Tudo bem.
– Ótimo, agora vamos indo. — falei e puxei Harry para fora.
>>o
– Nossos pais estão preocupados. — falei enquanto colocava o cinto de segurança.
– Eu entendo, mas precisava fazer tantas perguntas? — reclamou Harry.
– Faz parte de ser pais, está no manual. — falei e ele me encarou por um momento.
– Acho que você tem razão.
– Eu normalmente tenho. — ele não ouviu, e se ouviu ignorou.
Ele colocou as suas músicas preferidas pra tocar no rádio, e começou a cantar junto como se fizesse isso todo dia, o que deva ser verdade.
– Então, aonde vamos? — perguntei curiosa.
– Surpresa. — falou assim que saímos rumo às ruas de Londres.
– Ah vai, por favor. Não custa nada. – falei e ele riu.
– Também não custa nada esperar um pouco. – eu revirei os olhos e encarei a paisagem a minha volta.
Londres era simplesmente incrível à noite, as luzes dançavam pela cidade. Estávamos na Oxford Street e várias câmeras estavam apontadas para vários ângulos daquele lugar maravilhoso.
– Você gosta de dançar? – perguntou Harry depois de um tempo longo de silêncio.
– Gosto, por quê? Aonde vamos?
– Nós vamos dar uma olhada nas baladas de Hoxton. Não ficaremos lá por muito tempo, porque sei que você vai se incomodar.
– Me incomodar? O que tem lá? — Harry não respondeu de imediato, apenas sorriu e encarou a pista.
– Você vai ver. – falou.
Obviamente a curiosidade estava me matando, achei engraçado o jeito que ele falou, me deixando muito mais ansiosa. Depois de trinta minutos chegamos, as calçadas estavam lotadas de jovens e adolescentes rindo e bebendo.
– Isso é sempre lotado assim? – perguntei.
– Normalmente é mais. – falou estacionando em lugar reservado para o seu carro. Talvez ser o príncipe tenha muitos privilégios.
– Milady. – falou abrindo a porta do carro.
– Thanks. – falei sorrindo. Eu não olhava para Harry, estava ocupada concentrada em todas as luzes piscando, a arquitetura perfeita e alinhada. O novo se misturando com o velho!
– Clary, vamos? — perguntou ele me encarando.
– Vamos! — peguei o seu braço e andamos em direção a porta. Uma fila imensa esperava, e eu me dirigia a ela quando Harry me puxou ligeiramente para o lado.
– Fila? Sério? Sou um príncipe, lembra? — falou ele e eu revirei os olhos.
– Desculpe pela minha estupidez. — falei.
Assim que nos viram, os seguranças abriram a porta sorrindo e sinalizando que podíamos entrar, fazendo uma pequena reverência quando Harry passou por eles.
Eu adorei o lugar assim que eu entrei, as luzes coloridas piscavam freneticamente, as pessoas dançavam perto uma das outras, todos pareciam ter a mesma faixa etária (de 19 a 25 anos), e imediatamente me deu uma vontade louca de sair dançando também.
– Então, o que achou? — perguntou Harry ficando de frente pra mim.
– Incredible– falei sem nem piscar e ele riu.
– Fico feliz que tenha gostado. Então, vamos dançar?
– Agora! — sorrindo, caminhamos para o centro da pista.
Harry me encarava de um jeito engraçado enquanto dançava, como se estivesse feliz por ter alguém com ele ou por me ver dançando, mas não devia ser por isso. Eu não conseguia encarar seus olhos por muito tempo, porque eram extremamente desconcertantes.
Duas músicas depois, eu entendi o que Harry quis dizer com: "Não ficaremos lá por muito tempo, porque sei que você vai se incomodar". As pessoas queriam sempre a atenção dele, ou pediam pra tirar foto com ele, ou um autográfo, ou queriam dançar com ele, ás vezes até me empurravam e isso me deixou realmente irritada. Harry estava comigo, mas uma garota de cabelos ruivos me empurrou pro lado me fazendo cambalear, eu respirei fundo e fui atrás.
– Excuse me, please!– gritei e eles se viraram pra mim.
– O que foi? — perguntou a garota pra mim com ódio no olhar.
– Eu vou roubá-lo de você. — falei e ela revirou os olhos.
– Não pode. Ele está comigo! — eu sorri e peguei o braço de Harry.
– Eu não estava pedindo permissão. — Harry riu e me acompanhou pedindo desculpas para garota que deveria estar falando coisas lindas de mim em sua mente.
Eu não falei nada até saírmos de lá com Harry atrás de mim, sorrindo e acenando para as pessoas. Quando chegarmos no carro, eu respirei fundo e sorri.
– Até que não foi tão ruim. — falei e ele riu.
– Desculpa por isso, eu falei pra você que não íamos ficar por muito tempo.
– Você deveria ter explicado que era uma celebridade. — ele sorriu e ligou o carro.
– E o que você entendia quando eu disse que era um príncipe?
Eu não respondi, mas dei de ombros. A rua estava cheia de jovens e as luzes do centro de Londres chamavam atenção de longe.
– Vamos pra onde agora? — perguntei e ele encarou o espelho retrovisor.
– Centro da cidade. — falou.
– Fazer...? — perguntei e Harry revirou os olhos.
– Você sempre faz muitas perguntas?
– Você sempre responde uma pergunta com outra pergunta? — ele me encarou curioso.
– Eu faço isso? — eu ri muito quando ele perguntou de novo, mas resolvi entrar no jogo.
– Você nunca percebeu? — Harry entendeu na hora o que eu estava fazendo e resolveu continuar.
– Isso é confuso pra você?
– Pra você é? — ele franziu a testa como se aceitasse o desafio. Quem não respondesse com perguntas perdia.
– Você quer mesmo falar sobre isso?
– Tem algum assunto melhor? — eu estava gostando mesmo daquilo, e pelo jeito ele também.
– Quer que eu liste?
– Você quer falar? — Harry estacionou o carro e virou pra mim.
– Posso falar sobre o que vamos fazer agora?
– Quer me deixar curiosa? — perguntei e ele sorriu.
– Tudo bem, você ganhou. — eu bati palma e ri.
– Eu estava gostando da brincadeira. — falei e ele assentiu.
– Eu também, mas minha criatividade tem limite. — Harry saiu do carro e abriu a porta pra mim.
– Mas você ainda não disse aonde vamos.
– Eu sei, primeiro eu preciso saber se você está com fome.
– Não muita. Por quê? — perguntei me encolhendo no meu sobretudo. Estava realmente frio em Londres.
– Quer uma bebida quente? — perguntou e eu ri.
– Vai começar com a brincadeira de novo?
– Não, desculpe. Vamos dar uma volta no Starbucks.
– Ótimo, eu já estava me perguntando se a gente ia.
– Claro que vamos, é a mesma coisa que ir ao Estados Unidos e não ir ao McDonald's.
– Tem toda razão. — falei chegando mais perto dele por causa do frio. Harry percebeu e me abraçou com um braço só, me deixando um pouco mais aquecida.
– Obrigada! — falei e ele sorriu me deixando sem graça. O sorriso combinado com os seus olhos me deixavam desconcertada.
– De nada. — Harry caminhava devagar e apontava alguns lugares que valiam pena eu conhecer.
>>o
– Sim, eu precisava disso. — falei assim que a bebida quente aqueceu cada canto do meu corpo.
– Imaginava que sim. Ás vezes eu venho aqui quando está muito frio, para pensar e esfriar a cabeça. Nossa, isso foi irônico. — eu ri do trocadilho sem graça.
Harry não sabia (e nunca ia saber), mas eu estava começando a gostar da sua companhia e da sua conversa, e agora tínhamos até uma brincadeira própria, embora eu tenha o conhecido somente nesse dia.
– Você estuda, Harry? — perguntei e ele me encarou.
– Estudo em casa. Eu já frequentei a faculdade por um tempo, mas tive que sair porque as pessoas nunca me levavam a sério ou me tratavam diferente. Isso me incomodou tanto que servi sai da faculdade, e voltar a estudar em casa.
– Entendi, e você gosta?
– Não muito. O meu pai consegue ser bem rígido quando ele quer, sabe? Pra ele a perfeição é importante, na verdade, ela é essencial. Mas eu não sou perfeito. É muito difícil conversar com ele.
– E sua mãe? Angelina parece ser bem legal. — falei, Harry sorriu sem me encarar. Ele olhava o nada.
– Minha mãe é incrível. Ela me entende, e ás vezes até me defende. Me escuta e até me dá algumas aulas, mas prefere não fazer isso porque meu pai não gosta. Enfim, eu prefiro conversar com ela. Mas não quero ficar falando de mim, me fale sobre você.
Harry me encarou de repente, como se estivesse fugindo de algo. Ele não parecia ser o tipo de pessoa que gosta de expor sua vida, que fica a vontade com isso. E eu assim que entendi, resolvi deixar pra lá.
– O que quer saber? — perguntei.
– Como é o seu relacionamento com seus pais? — perguntou e eu sorri.
– Bom, o meu pai é o brincalhão lá em casa. Eu consigo conversar com ele sem dificuldade, ele é mais compreensível e sinto que posso conversar qualquer coisa com ele. Minha mãe é mais séria e eu passo muito tempo com ela, o bom dela é que ela não gosta de ocupar cada espaço do silêncio falando. Ela me dá espaço pra pensar, privacidade, sabe?
– Na verdade, acho que não sei o que é isso na prática.
– O que? Privacidade? — perguntei e ele confirmou.
– Não importa o que eu faça, sei que tem pessoas observando. Se eu começar a falar alto aqui, amanhã já vai ter notas sobre isso em uma revista. As coisas nem sempre são fáceis pra mim, Clary e ás vezes as pessoas não veêm isso.
– Eu queria poder falar que te entendo, mas não sei o que é isso. — falei sinceramente e ele sorriu sem humor.
– Tudo bem, não se preocupe com isso. Bom, eu queria te levar para passear as margens do rio Tâmisa, mas está esfriando muito rápido. Então vamos pra casa, temos tempo pra fazer isso outro dia. — falou levantando da mesa.
– Temos sim. — eu o segui em direção ao carro.
Fomos até ao palácio em um silêncio confortável, ambos não queriam falar sobre nada, e estávamos presos nos próprios pensamentos.
Harry falou que me levaria ao meu quarto, e assim fez. Seguimos por todo corredor em silêncio em uma distância segura um do outro, eu não queria que o que (quase) aconteceu no cinema se repetisse.
– Então... — comecei assim que chegamos no meu quarto — Obrigada pela noite maravilhosa.
– Foi um prazer, adorei a sua companhia.
– Até amanhã. — Harry se inclinou e me beijou na bochecha me deixando corada.
– Até. — respondeu sorrindo e saindo do corredor.
Sem dúvida foi uma noite incrível, e com certeza eu queria que acontecesse de novo, eu estava extasiada ainda com aquele "inocente" beijo na bochecha. Eu pude sentir sua respiração ligeiramente controlada, e seu cílio roçou na minha pele me deixando arrepiada.
"Que coisa mais estúpida, Clary. Seja racional!" – falou minha querida consciência.
" Eu estou tentando, tanto que não o beijei.
"Mas por acaso seria sensato se arrepiar porque ele te beijou na bochecha? Imagina se ele te beijar no pescoço?" – revirei os olhos mentalmente.
"Fique tranquila, eu vou aprender a me controlar.
"Espero mesmo, espero mesmo!"
>>o Ponto de vista: Harry
Eu estava caminhando em direção ao meu quarto, e os meus pensamentos vagavam nessa última noite. Eu estava com medo de ter me precipitado, ou de ter acabado de vez com as minhas chances de beijá-la de verdade. Mas eu não podia desistir, eu tinha que puxá-la pela cintura, sentir a sua respiração perto de mim e beijá-la.
Pelo jeito ficar perto dela não ia ser difícil, estar com ela era agradável e a conversa fluia com facilidade. Até tínhamos brincado, eu nunca tinha sido tão espontâneo.
"Você vai acabar se apaixonando por ela."– falou minha consciência.
"É claro que não, não seja estúpida."
"Eu que sou estúpida? Você está todo felizinho com sua companhia, com sua conversa e daqui a pouco vai querer que ela seja sua princesa."
"Isso não pareceu muito másculo, e eu não vou me apaixonar por ela. Não quero discutir isso novamente!"
"Você quem sabe, mas depois eu vou ser obrigada a jogar isso na sua cara."
"Boa noite, consciência!"
Fale com o autor