Paixão Além da Coroa 3 - O Amor Atravessa Gerações
16 Capítulo 16
Notas iniciais
>>o Ponto de vista: Clary
Quando caminhamos de mãos dadas para o carro, ficamos surpresos ao perceber que duas pessoas nos esperavam encostados no meu carro. Mas sorriram quando nos viram.
– Mãe? O que você está fazendo aqui? — perguntou Harry. Angie estava de vestido e sandálias, seu cabelo preto voava com o vento e ela sorriu quando encarou as nossas mãos entrelaçadas.
– Oi pra você também, Harry. Que tal "Mãe, como foi de viagem?". — falou Angie.
– Olá, mãe. Desculpe, eu só estou surpreso. — mas seus olhos encaravam a segunda pessoa, a minha mãe.
– Olá, Clarisse. — minha mãe estava de short e camiseta, seu cabelo também voava com o vento e eu tentei imaginar as duas na adolescência juntas, melhores amigas.
– Mãe, aconteceu alguma coisa? — perguntei e elas sorriram.
– Então é verdade, vocês voltaram a namorar... — começou ela, mas pelo seu tom ela não estava feliz.
– Sim, mas eu continuo sem entender. — falei e ela desencostou do carro e caminhou na minha direção.
– Filha, podemos dar uma volta? — perguntou e eu assenti. Soltei a mão do Harry e me virei para encará-lo.
– Não se preocupe comigo, eu estarei bem aqui. — falou ele, e Angie sorriu.
– Eu também tenho que conversar com você, Harry. Vamos dar uma volta! Vocês podem se ver amanhã.
– Mas mãe, eu... — começou Harry, mas Angelina o encarou de modo que o fez calar.
– Amanhã, vocês vão se encontrar. Pode ser pela manhã se quiserem, mas hoje não. — Harry olhou pra mim e eu assenti.
– Tudo bem. — falou e juntos foram andando até um carro que estava parado mais na frente. Em questão de minutos, a rua foi fechada e cercada por policias para que a rainha e o príncipe passassem.
– E então podemos conversar? — perguntou minha mãe e eu concordei. Andamos em direção a areia bem devagar.
>>o
– Mãe, sobre o que quer conversar? — perguntei e ela encarou o mar.
– Sobre você e Harry.
– E precisava de toda aquela cena?
– É um assunto sério, trate como tal. — eu olhei pra ela confusa.
– Eu não estou entendendo.
– Clary, eu entendo que você está apaixonada pelo Harry e ele por você. Mas ele não é uma pessoa qualquer, ele é um príncipe e como tal tem responsabilidades a cumprir.
– Eu não sei aonde quer chegar com isso...
– A questão, Clarisse, é que tudo parece lindo agora. Mas se você resolver seguir isso adiante você será a futura rainha da Inglaterra.
– Eu sei disso! — falei e ela me encarou de um jeito sério.
– Não, você não sabe. Não parece entender a questão pelo ângulo certo. Clary, tudo parece perfeito porque você está apaixonada mas não é tão simples. Você já pensou na obrigação que é governar um país? Filha, Harry treinou a vida toda pra isso e ainda não se sente pronto, imagine você que nem tem a menor noção de como é ser uma princesa, ou pior, de como é ser uma rainha!
– Eu sei que é difícil, mãe. Mas eu...
– Clarisse, para pra pensar. Nós demos uma escolha pra você, e você escolheu Pediatria. Se você for uma rainha a sua vida vai virar de cabeça pra baixo, todos os sonhos que você tem serão mudados por apenas uma escolha.
– Mãe, eu sei. Você é que não entende! Eu passei dois anos pensando que a melhor coisa que eu fiz foi ter me separado do Harry porque aí eu não teria a obrigação de ser uma rainha, mas sabe a que conclusão cheguei? Nada vale a pena se a gente não está com quem a gente ama! Eu também tenho medo de ser uma rainha péssima, de fazer tudo errado, mas eu tenho um medo maior ainda que é perder o Harry pra sempre. Eu não consigo suportar a ideia de ter outra pessoa casada com ele, tendo filhos dele, sendo feliz ao lado dele. A ideia de ele ser de outra pessoa é ruim demais para que eu consiga suportar. O que eu sinto por ele já passou de uma simples paixão adolescente e virou amor. Amor, mãe! Parece que você não entende.
Ela voltou a encarar o mar e respirou fundo duas vezes, eu não queria falar nada para não quebrar o silêncio quando percebi que ela chorava.
– Clary, acredite em mim quando eu digo que eu entendo a sensação. Eu era apaixonada pelo Edward, sim o pai do Harry. Mas as coisas não aconteceram como planejado, e eu acabei me separando dele. O que eu quero que você entenda é que eu não quero que você se arrependa das suas escolhas. Eu amo seu pai, e disso eu tenho certeza, mas Edward é e sempre será o meu grande E Se... Quero que você entenda uma coisa, o amor é algo complicado e quando a gente menos espera ele nos move, nos muda, faz com que tudo mude. Se você decidir ir com o Harry, eu vou entender porque você o ama, mas Clary quero que pelo menos você pense nisso porque a decisão que você vai tomar é algo definitivo e não quero que você se arrependa depois.
Foi a minha vez de ficar em silêncio e processar tudo o que me mãe disse. Ela foi apaixonada pelo Edward e acabou casando com o meu pai? E agora a melhor amiga dela é casada com o cara que ela era apaixonada? Eu tinha muitas dúvidas, mas percebi que esse era o momento errado para obter respostas, então eu resolvi pensar em outra coisa.
– Tudo bem eu vou pensar. — falei e ela me abraçou. Eu encostei minha cabeça em seu peito e relaxei enquanto ela murmurava que tudo estava bem e que no final, tudo ia dar certo.
>>o Ponto de vista: Harry
– Aonde estamos indo? — perguntou curioso e ela sorriu.
– Sem rumo definido por enquanto, apenas quero conversar com você.
– Aconteceu alguma coisa? — perguntei preocupado.
– Primeiro quero que me conte sobre você e Clarisse. — eu me mexi desconfortável no banco.
– O que quer saber?
– A última vez que eu te vi você estava cabisbaixo e nervoso rumo ao Rio de Janeiro e agora você está com os olhos brilhando e um sorriso bobo no rosto. O que eu quero saber é o que aconteceu nesse meio termo. — eu sorri e encarei o chão envergonhado.
– Clary me entendeu e pelo incrível que pareça ela ainda era apaixonada por mim.
– Só você não tinha essa certeza. — falou e eu sorri.
– Mãe, eu ainda não sei o que você está fazendo aqui. — de repente o seu rosto ficou sério e eu a encarei confusa.
– Harry, você sabe que o que eu mais quero é a sua felicidade, mas ás vezes algumas coisas não dependem de você. E a Ana é minha melhor amiga, e de uma coisa eu tinha certeza, ela não ia aceitar facilmente esse seu namoro com a Clary.
– E por que não? — essa conversa estava tomando um rumo errado.
– A Ana é uma pessoa incrível e como qualquer mãe também quer ver sua filha feliz, mas também como toda mãe ela se preocupa com sua filha.
– Aonde você quer chegar? — perguntei e ela suspirou.
– Ana não quer que sua filha tenha uma responsabilidade tão grande como ser uma rainha. Ou seja, ela não aprova o namoro de vocês. — eu fiquei parado encarando a minha mãe, sem ação.
Depois de tanto tempo tentando imaginando como seria quando eu finalmente me declarasse pra Clary. Não imaginava que a mãe dela pudesse atrapalhar.
– E qual é o tamanho da influência da mãe dela nela? — perguntei relutante e minha mãe deu de ombros.
– Harry, foi exatamente por isso que eu vim. Se tem alguém que pode mudar a cabeça da Ana, essa pessoa sou eu.
– E você obteve êxito? — perguntei esperançoso.
– Olha, Harry vou confessar que eu ainda não sei. Mas de uma coisa eu tenho certeza, a Ana não vai proibir a Clary de ir pra Londres, mas ela não vai ficar feliz se isso acontecer.
>>o Ponto de vista: Clary
Deixei minha mãe em casa e fui encontrar com Júlia, afinal ele tinha que saber o final da minha história de amor. Dirigi até a casa dela com um misto de sentimentos porque parte de mim estava em êxtase porque eu e Harry estávamos juntos de novo, mas a outra parte de mim estava pensando no que minha mãe disse.
– Clary querida, eu estava pensando em quando você ia vir me contar o seu dia. — falou Júlia no portão.
– Já vou te contar, espera só eu estacionar.
– Não, não estaciona. Vamos tomar sorvete! — falou e entrou no meu carro.
– Mas eu não respondi nada. — falei e ela sorriu.
– E daí? Vamos Clarisse, eu tenho mais o que fazer. — eu ri e acelerei o carro. — Vai, Clary conte me tudo. Estou morrendo de curiosidade.
– Depois de chegar na sorveteria. — falei e ela revirou os olhos.
– Não seja ridícula!
Não conversamos até eu estacionar o carro e fazer os pedidos, assim que sentamos em uma mesa do lado de fora eu comecei a contar a minha pequena aventura. Júlia não me interrompeu, mas revirou os olhos quando eu descrevi cada parte do(s) meu(s) beijo(s), mas quando eu comecei a descrever a conversa com minha mãe, ela pediu que eu parasse.
– Quem sua mãe pensa que é? — perguntou e eu sorri.
– Ela só estava preocupada comigo.
– Mas você está vivendo um sonho. Você está namorando um príncipe e vai virar a rainha da Inglaterra. Não tinha como ser mais perfeito. — falou e eu dei de ombros.
– Posso continuar? — perguntei e ela fez sinal que eu seguisse.
Quando eu terminei ela não falou nada por um tempo e eu voltei a comer o meu sorvete.
– Sabe Clary, sua mãe ás vezes tem razão! — falou e eu a encarei.
– Você acha que eu deveria desistir?
– Não, mas acho que você deveria pensar muito bem no que quer, se o seu amor por Harry é maior que a dificuldade de ser uma rainha. — eu não falei por um tempo.
– Eu tenho certeza que amo o Harry o suficiente para largar tudo e ir para Londres. — falei e ela sorriu.
– Então não tem o que discutir.
Terminamos de comer o sorvete em silêncio, cada um presa em seu próprio pensamento.
– Vou sentir sua falta. — soltou ela e eu sorri de modo compreensivo.
– Eu também vou sentir muito a sua falta. — falei e nos abraçamos em um momento meloso.
– Pois bem, agora vamos. Acho que está na hora de você ficar sozinha por um tempo para pensar na sua vida daqui em diante. — falou Júlia e eu assenti.
– Obrigada por tudo. — falei e ela sorriu.
– Por favor, ainda não é uma despedida. Deixe para me agradecer depois.
>>o
Assim que cheguei em casa dei um oi rápido para o meu pai e segui para o meu quarto. Tranquei a porta, liguei o som e entrei no banho, somente a água me fazia relaxar daquele jeito.
Depois de pronta, deitei na minha cama e pensei no que fazer em seguida, pensei no dia maravilhoso que tive com Harry, no alívio que estava sentido depois de tanto tempo e na conversa com minha mãe. A escolha eu já tinha tomado, a questão era como contar pra minha mãe.
>>o Ponto de vista: Harry
Segui o conselho da minha mãe e não liguei para a Clary embora eu estava com uma vontade absurda de ouvir a sua voz. Mas de qualquer forma, eu devia a ela um tempo para pensar. Eu não tive escolha, mas ela pode escolher recusar tamanha responsabilidade e voltar para a faculdade de Medicina, como se nada tivesse acontecido.
Toda hora minha mente voltava para a melhor tarde da minha vida, eu quase podia sentir o cheiro dela, seu beijo, suas mãos entrelaçadas em meu cabelo...
– Harry, eu estou falando com você. — gritou minha mãe e eu acordei do meu torpor.
– So sorry, mom. What you say? – perguntei constrangido, mas ela sorriu.
– Pensando na Clary? — perguntou e eu abri um sorriso.
– Sim.
– Eu sabia! Eu conheço esse sorriso, estou feliz que tenha se declarado para Clary e ela por você. Mas também tenho medo de você se decepcionar caso ela mude de ideia. — rapidamente eu endureci o rosto.
– Ela não vai mudar de ideia, tenho esperança.
– Fingers crossed!
>>o
Assim que deitei para dormir, não pude pensar no que ela iria escolher amanhã. Parte de mim estava morrendo de medo dela desistir e simplesmente fugir de mim, de novo. Mas a maior parte estava confiante de que eu voltaria pra casa com ela ao meu lado.
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