Paixão Além da Coroa 3 - O Amor Atravessa Gerações
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Então esqueça, me ignorem!
Boa Leitura! :)
>>o Ponto de vista: Harry
- Mãe, eu estou ocupado! Posso falar com você mais tarde? — perguntei, mas ela continuava batendo na porta.
- Harry, abra logo essa porta! — falou quase gritando, revirei os olhos e fui abrir a porta.
- O que aconteceu? — perguntei e ela suspirou.
- Você está arrumado?
- Pra quê? — perguntei confuso e foi a vez dela de revirar os olhos.
- Hoje, a Ana e o Lucas chegam do Brasil. Lembra que eu falei que eles iam passar as férias aqui?
- Acho que você deve ter comentado!
- Ótimo, porque você deve estar pronto! Eles já chegaram em Londres, você pode se arrumar e descer em dez minutos?
- Mãe, eu...
- Obrigada, filho! Estou te esperando! — falou já saindo pelo corredor.
Eu já tinha dezenove anos, mas minha mãe agia como se eu tivesse cinco. Agora, pelo jeito, eu vou ter que ficar a tarde toda em casa, para entreter as visitas. Eu não falava com Ana e Lucas, há muito tempo e minha mãe comentou que eles tinham uma filha, dois anos mais nova que eu, ou seja, ela deveria ser patética e fazer de tudo pra me agradar, como todas as garotas.
Encontrei meus pais e meu irmão mais novo parados na entrada, e se tinha uma coisa que eu não suportava era quando tinha algum encontro formal. Mas pelo jeito esse não era o caso, meu pai estava de terno como sempre, mas minha mãe usava short, o que era meio assustador. Ela se vestia como as veteranas da faculdade, só que de alguma forma ela não parecia desfocada ou exagerada, parecia mais ela mesma do que antes.
- Harry, pare de me encarar assim! Right now! — falou minha mãe e eu desviei o olhar.
- Desculpe! Só achei estranho!
- Imagino que sim! — falou ela sorrindo. Eu tinha os olhos da minha mãe, por isso ela era a única mulher que eu não conseguia intimidar só com o olhar.
- Harry, pare de encarar a mamãe! — falou Tiago com um sorriso forçado. Meu irmão tinha nove anos, mas agia como se tivesse bem menos, porque minha mãe o mimava demais.
- Cala a boca, Tiago! — respondi e meu pai me encarou sério.
- Fale direito com seu irmão!
- Pai, ele age como se tivesse quatro anos. E isso me irrita!
- Pois se controle, já que só falta três anos para assumir a Coroa. Você deveria ser mais responsável e não se deixar levar tanto. — falou ele rigído, me encarando firme.
Mas antes que eu pudesse responder, chegaram os empregados abrindo a porta do salão principal, um carro estacionou em frente a escada e nós descemos para cumprimentá-los. Ana foi a primeira a descer, ela era exatamente do jeito que minha mãe falava dela, com um sorriso cativante, Lucas desceu e assim como minha mãe descreveu, ele tinha o ar de que podia aprontar a qualquer momento.
- Ana! — grita a minha mãe e correu ao seu encontro, como se fossem duas adolescentes.
- Oi, Angie! Nossa, quanto tempo! — falou a abraçando.
- Tem razão, cadê Clarisse? — perguntou minha mãe e só aí Ana pareceu perceber que a filha não tinha saído.
- Só um minuto! — falou ela sorrindo e sumiu dentro do carro.
- Então, como vai, Lucas? — perguntou minha mãe o abraçando.
- Muito bem, faz tempo que não vinhamos aqui. Mas pelo jeito, nada mudou. — falou ele indo falar com meu pai. — Como vai, Edward?
- Muito bem, obrigado! Fizeram boa viagem? — perguntou.
- Fizemos sim, obrigado! — falou sorrindo e veio na minha direção.
- Olá, Harry. — falou Lucas apertando a minha mão.
- Olá, Lucas. — falei automaticamente e ele sorriu.
- Eu costumava ser o tio Lucas, mas tudo bem.
- A gente cresce... — falei impulsivamente, pensei que ele fosse ficar sério ou ficar constrangido, mas ele apenas sorriu.
- Sim, eu sei e a vida muda! Você está certo, desculpe! — falou e andou em direção ao meu irmão, me deixando surpreso. Nada de frases tipo " Nossa, como você cresceu!" ou " Você já está namorando? Você não tem que se casar antes da coroação?". Isso me deixa nervoso!
Nessa hora, desce do carro a garota mais linda do mundo. Sim, ela estava séria e segurava o celular com ar irritado, mas mesmo assim ela estava linda. O seu cabelo loiro estava solto e descia pela suas costas, seus olhos castanhos brilhavam com a claridade, ela tinha o corpo perfeito como a maioria das brasileiras, e parecia que seu rosto foi desenhado em porcelana, definitivamente ela era perfeita.
- Harry? Harry? — chamava alguém ao longe.
- Sim. — respondi sem saber pra quem.
- Harry, o que estava pensando? — perguntou minha mãe e eu tratei de ajeitar o corpo.
- Em nada! — falei.
- Tudo bem, então fale com a Ana. — falou e eu sorri.
- Desculpe, tudo bem Ana? — perguntei e ela sorriu.
- Acho estranho você não me chamar de tia, mas tudo bem sim. Essa é minha filha Clarisse, me perdoe por ela ser tão irritada, mas nada saiu do jeito que ela queria, mas acho que devia estar acostumada a isso. — falou e saiu. Me aproximei da Clarisse, e sorri estendendo a mão.
- Olá, sou o Harry. — falei e ela me encarou.
- Eu sei quem você é, eu sou Clarisse, mas todos me chamam de Clary. — falou sem esboçar um sorriso.
- Então Clary, fez bom viagem? — perguntei a encarando com os meus olhos azuis, mas ela pareceu não perceber e revirou os olhos.
- Sim, obrigada! — falou andando em direção as escadas. E eu fiquei parado, um pouco chocado confesso.
- Boa tentativa, mas acho que ela não é desse tipo de garota! — falou Tiago do meu lado e eu revirei os olhos saindo de perto dele.
>>o
- Como estão as coisas no Rio? — perguntou minha mãe, estávamos todos almoçando. Eu ainda encarava a Clary com certa curiosidade, ela não parecia ser importar com o fato de eu ser o príncipe da Inglaterra, na verdade ela mal falou comigo. Isso era estranho!
- Bom, o Lucas agora é o diretor do hospital, e eu sou cirurgiã na área de cardiologia. Isso é o que a gente sempre quis, mas a Clarisse fica muito tempo sozinha e isso me incomoda um pouco. — falou Ana.
- Mas eu já falei pra ela que eu não me importo, eu só não quero que você pare de trabalhar por minha causa. — falou Clary ainda olhando pro prato.
- E aqui como estão? Claro que as notícias mais importantes nós vemos no jornal, mas mesmo assim conte, por favor. — perguntou Lucas.
- Estamos bem, as coisas estavam um pouco complicadas, mas já demos um jeito e tudo está voltando ao seu devido lugar devagar. — falou meu pai.
- Fico feliz! — respondeu ele.
O resto do almoço foi em silêncio, mas não um constrangedor, foi mais natural. Eu olhava com o canto do olho para Clary, mas ela não desgrudava os olhos do prato.
- Depois do almoço Harry, porque você não leva a Clarisse para conhecer nossa casa? — falou minha mãe sorrindo pra mim.
- Claro, se ela quiser. — falei e ela encarou a mãe dela que a encarou de volta firme.
- Por que não? — respondeu a contragosto.
>>o
- O que quer conhecer primeiro? — perguntei e Clary deu de ombros.
- Não sei, fique á vontade. — falou e encarou o nada. Eu não sabia o que fazer então comecei a andar.
- Que tal começar pelo jardim? — perguntei e ela concordou.
Andamos em silêncio, acho que ela estava tão constrangida quanto eu porque ela mexia no cabelo incontrolavelmente, e pela primeira vez eu não sabia o que fazer. Eu nunca precisei falar muito, as garotas simplesmente vinham sempre, mas pelo jeito isso não ia acontecer.
- É a primeira vez em Londres? — perguntei em português, mas o meu sotaque estava carregado e ela sorriu. O seu sorriso era lindo e me fez ficar constrangido.
- Pode falar em inglês. — falou e eu respirei aliviado, porque se tivesse que falar em português, eu com certeza ia me sair muito mal.
- Ah, sim! Então, é a primeira vez que vem a Londres? — perguntei novamente.
- Sim. — respondeu olhando para os lados.
- Mas não parece estar feliz! — falei e ela me encarou.
- Não é isso, é que eu sempre quis vir para Londres, mas sozinha ou com amigas. E eu já tinha feito planos para essas férias. Eu ia a New York com a minha melhor amiga, mas tive que vir para cá.
- Eu não sei o que é sair sozinho, então... — falei e ela me encarou surpresa.
- Não? Você nunca saiu sozinho?
- Já, mas quando você está sempre cercado por seguranças ou fotógrafos não é exatamente sozinho. — falei sinceramente, de alguma forma, eu sabia que eu tinha que ser eu mesmo para conseguir chamar a sua atenção.
- E você gosta da sua vida assim? — perguntou e antes de responder, apontei para um banco no meio do jardim de frente para o chafariz. E nós sentamos ali.
- Eu acho que já me acostumei, mas ás vezes tenho vontade de ser um garoto normal.
- E eu achando que eu tinha problemas. — falou sorrindo e eu sorri de volta.
- Então, aonde quer ir agora? — perguntei.
- Não sei, o que você gosta de fazer quando está em casa? — eu pensei um pouco sobre isso.
- Normalmente, eu fico trancado no meu quarto.
- Só isso? Você mora em um palácio e fica trancado no seu quarto?
- Normalmente sim, mas ás vezes eu vou ao cinema, ou na biblioteca. — falei e ela levantou.
- Então vamos a biblioteca! — falou sorrindo.
>>o
- Você só pode estar brincando! — falou ela assim que eu abri a porta.
- O que achou? — perguntei. Clary olhava para todos os lados com a boca aberta.
- O que tem no andar de cima? — perguntou.
- Burocracia, você não vai querer ir lá. Então o que você gosta de ler? — perguntei.
- De tudo um pouco. Romance, livros de guerra, ação, aventura, ficção, fantasia... Enfim, de tudo! — falou.
- Então vamos começar pelo corredor cinco. — falei e ela continuou parada.
- Quantos corredores existem aqui?
- Se você for para o lado direito tem quarenta e dois, mas se for para o lado esquerdo tem quarenta e cinco. — falei e ela riu animada.
- Isso é maravilhoso. Quantos exemplares vocês tem ao todo?
- Eu não faço a menor ideia. Mas creio que você vai encontrar todos os livros que quiser aqui.
- Quais são os seus preferidos? — perguntou me seguindo pelo corredor principal do lado direito.
- Os meus preferidos estão no meu quarto, aqui só estão aqueles que eu já li e provavelmente não vou ler de novo.
- Fantástico! — falou ela olhando cada corredor.
- Clary, você não vai querer passar todos os dias da suas férias aqui. Então sugiro que você escolha outro lugar. — falei e ela me encarou encantada.
- Eu não me importaria. Isso aqui é incrível! — falei e eu sorri.
- Mas Londres é fantástica. Você deveria conhecê-la!
- Tudo bem, você me convenceu. Mas eu vou voltar aqui todos os dias.
- Como você quiser! — falei e saimos dali sem pressa.
- E o que vamos fazer agora? — perguntou e eu dei de ombros.
- O que você quiser.
- Que tal aquele filme agora?
- Vamos lá! — falei e andamos em direção ao cinema.
Algo me dizia que essas férias iam ser incrivelmente animadas, e eu estava disposto a agitá-las.
Notas finais
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