Paixão Além Da Coroa
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Capítulo 9
>>o Ponto de vista: Ana
Eu estava mal, porque a minha conversa com Edward foi tensa. A gente tinha discutido muito feio, ele tava muito chateado comigo, eu sei que eu vacilei, mas será que ele não ia me perdoar nunca! Será que ele ainda gostava de mim? Pelo menos a Angie tava lá para me ajudar a conquistá-lo de novo, eu tenho certeza que depois que a gente discutiu, ela foi conversar com ele para fazer Edward me perdoar. Eu tenho certeza!
>>o Ponto de vista: Angie
Comecei a ler aqueles manuscritos para me distrair e funcionou. Eu me esqueci de tudo e me concentrei na leitura e o dia passou que eu nem vi, só percebi que tava tarde quando Charlie parou na minha frente.
- Eu não te vi no almoço e Edward falou que ele tinha te visto aqui de manhã. – falou e eu pensei que ele tinha me visto mesmo, de bem perto.
- Que horas são? – perguntei assustada.
- São 14:30. – falou sorrindo.
- Nossa, eu to aqui esse tempo todo? – perguntei
- Pelo jeito, sim. O que está lendo? – perguntou curioso.
- Os manuscritos de J. K. Rowling. – falei mostrando.
- Ah, claro! Agora eu entendi! – falou sorrindo.
- E Charlie eu adorei o café da manhã, eu adoro morangos. – falei sorrindo e ele sentou do meu lado.
- Que bom, fico feliz! – falou e me beijou na bochecha. Provando que a nossa relação tinha acelerado e agora voltou a retardar. O encarei por um momento, ele muito diferente de Edward, mas bonito também. Eu não sei se gosto de Charlie, eu já não era apaixonada antes e agora... Eu já não sabia mais. É claro de uma coisa eu tinha certeza, eu não ia ficar com Edward de jeito nenhum.
>>o
O resto do dia passou bem rápido, depois de lá sai com Charlie e caminhamos nos jardins, depois teve o jantar. Eu e Edward não conversamos mais, na verdade estávamos evitando olhar um pro outro, então assim que terminei de jantar fui pro meu quarto dormir. Falei rápido com a Ana, mas disse que não sabia de Edward, que ele andava muito ocupado e que a gente não tinha conversado depois daquele dia. Ela parecia decepcionada, e o meu coração começou a se despedaçar. Eu estava mal. Desliguei o computador e fiquei de molho na banheira por um tempo, depois coloquei uma roupa pra dormir. Meu cérebro não queria descansar de jeito nenhum, mas o forcei a isso, então eu dormi praticamente na marra.
O dia seguinte era um dia antes do meu primeiro dia de aula, pedi para Charlie ir comigo na rua para comprar algumas coisas que faltavam para a faculdade. Eu estava animada e muito nervosa! Confesso que eu evitei Edward durante o dia todo, não trocamos mais do que Bom Dia, Bom Tarde e Boa Noite. Se Charlie percebeu não disse nada, acho que pareceu não se importar. Arrumei minha bolsa e escolhi minha roupa para o dia seguinte antes de dormir. Pedi para a empregada me acordar ás 7:00 porque eu tinha que tá lá às 8:00, então me forcei a dormir cedo. Conversei com Ana novamente e ela me desejou boa sorte, voltou no assunto “Edward” e eu fugi dele ao máximo. Ela percebeu e não insistiu. Dormi com o coração na mão.
>>o
- Senhorita Bittencourt? – chamou Elizabeth, a empregada que me acorda sempre.
- Bom dia, Elizabeth! – falei levantando
- Bom dia, senhorita. São 7:00 horas, o dia está ensolarada e não muito quente, mas tudo indica que vai esquentar ao longo do dia. – falou arrumando minha cama.
- Obrigada por tudo! Daqui a pouco eu desço para tomar café! – falei.
- De nada, é um prazer! – falou sorrindo saindo do meu quarto.
Eu estava ansiosa e só pensava nisso durante o banho. Que roupa escolher para o primeiro dia de aula? Calça jeans preta, resolvi homenagear meu lugar de origem e coloquei a blusa que estava escrito “Keep Calm and Go to Rio de Janeiro”, peguei uma jaqueta de couro preta e sapatilha bege. Deixei o meu cabelo solto e enrolado, deixei a maquiagem com olhos marcados e boca quase na cor natural, passei perfume e me encarei no espelho. Eu estava muito nervosa e ansiosa, mas decidida.
Sai do meu quarto em direção a escada e dei de cara com Edward, ele me avaliou com olhar me deixando sem graça.
- Bom dia! – falei
- Bom dia! Você está muito bonita! Pronta para o primeiro dia de aula? – perguntou
- Obrigada! E sim, mas estou nervosa! – falei sorrindo
- Sei que você vai se dar bem E gostei da blusa! – falou apontando pra mim.
- Obrigada! Acordou cedo por quê? – perguntei enquanto caminhávamos em direção a copa.
- Porque tenho que resolver algumas coisas antes do meu pai acordar! – falou sentando ao meu lado na mesa. Só estavam nós dois na sala, mas tinha comida para um batalhão.
- Ah, sim! Edward? – chamei e ele levantou a cabeça.
- A Ana me pergunta todo dia se você vai voltar a falar com ela e eu sempre digo que nós... – parei e gaguejei um pouco – não conversamos mais desde aquele dia. Ele assentiu sem graça.
- Prometo resolver isso hoje com ela. – falou e abaixou a cabeça. – Sobre o que aconteceu na biblioteca, eu sinto muito.
Ele estava visivelmente sem graça e eu demorei um tempo para responder.
- Não, tudo bem! – me peguei falando.
- Eu simplesmente não sei o que deu em mim! – falou dessa vez me encarando.
- Olha Edward, eu sei que a gente se afastou por causa disso, mas não se culpe. Eu sei que você gosta da Ana! Foi só uma questão física! – falei a desculpa que eu dava para mim mesma e ele sorriu.
- Sim, você tem razão! Só uma questão física! – falou confiante.
- Bem, agora que estamos resolvidos, vou pegar minha bolsa para meu primeiro dia na faculdade! – falei levantando animada. Mas encontrei com Elizabeth no caminho com a minha bolsa não mão.
- Senhorita Bittencourt, tomei a liberdade de pegar sua bolsa, para a senhorita não se atrasar. – falou me entregando a bolsa.
- Elizabeth você é demais! Obrigada! – falei e me virei para ir embora, mas lembrei de algo e me virei. – Elizabeth, dá pra ir andando até a faculdade?
- Eu não recomendaria! É um pouco longe! – falou fazendo careta e eu percebi que com pouco ela queria dizer muito.
- Tudo bem, obrigada! – falei e me virei entrando em pânico. Como vou chegar lá? Claro! Eu ia pedir um carro emprestado a Edward, mas onde ele estava? Para não ficar procurando, liguei para seu celular e ele atendeu sem entender.
- Angie? – perguntou confuso.
- Edward eu to na entrada. E descobri que não dá pra ir á pé até a faculdade. Você me empresta seu carro? – perguntei em tom de súplica.
>>o
Andar de conversível? Eu to mais do que acostumada! Andar de conversível no lado direito do carro, nem tanto! Confesso a vocês que eu demorei um pouco a me acostumar com aquilo e quase matei duas crianças no processo. Mas, cheguei à faculdade a tempo. Estacionei o carro dentro do campus e as pessoas nem olharam pra mim, talvez alguns garotos mais ninguém. Antes de a aula começar, eu fui andar por aí para conhecer o lugar e bom, ele era bem grande e até bonito.
Assim que sentei na sala de aula, para primeira aula meu corpo gelou e eu estava muito nervosa. E a aula começou.
- Prazer, meu nome é Senhor Tompson. E eu espero mesmo que vocês gostem, pelo menos, da matéria. Mas antes quero que todos falem seu nome e a cidade que moram. – falou o professor assim que entrou em sala e assim foi feito. A maioria das pessoas eram de Londres mesmo e ninguém fora da Inglaterra. Quando chegou minha vez, eu suava frio e estava congelada.
- Meu nome é Angelina Bittencourt e agora estou morando em Londres. – falei extremamente nervosa.
- E antes morava aonde, Angelina? – perguntou o professor.
- Rio de Janeiro, Brasil. – falei sorrindo.
- Ah, uma brasileira. – falou o professor admirado.
- Sabia, reconheceria esse corpão em qualquer lugar! – falou um garoto atrás de mim e eu o ignorei. Garotos são idiotas em qualquer lugar do mundo. Fato!
O resto da aula foi até divertido, mas as pessoas não falavam comigo, na verdade algumas até me ignoravam. Não entendi de início, mas achei que era coisa de primeiro dia.
As outras aulas eram legais da mesma forma, mas igualmente ninguém veio falar comigo, sequer olhavam pra mim. Fiquei meio triste com isso até a hora do almoço onde uma menina veio sentar do meu lado e puxar assunto.
- Então você é brasileira, certo? – perguntou curiosa.
- Sim, eu sou. E você? É britânica? – perguntei
- Na verdade, sou francesa. Mas fui criada aqui em Londres. – falou animada.
- E você conhece a França? – perguntei
- Conheço! Vou para lá quase todo ano. Mas eu sempre tive curiosidade de conhecer o Brasil. – falou radiante me fazendo sorrir.
— Sério? E por quê? – perguntei
- Eu acho que deve ser um lugar lindo e todos que já foram lá falam que o povo é muito simpático. – falou sorrindo.
- E é mesmo! – falei e o sorriso dela sumiu.
- A maioria das pessoas aqui têm uma visão um pouco diferente do Brasil, entende? – falou meio sem jeito e eu entendi.
- Por isso na vieram falar comigo? – perguntei curiosa e ela assentiu sem graça.
- Dê um tempo a eles. – falou sorrindo novamente.
- Farei isso. – falei respirando fundo.
- Ah, e meu nome é Simoné (lê-se Simoni). E você é Angelina, né?
- Sim, decorou meu nome?
- É que você era a única “estrangeira”.
- Ah, sim! – falei e o resto do almoço foi em silêncio.
Passei o resto do dia com Simoné, ela era uma garota legal e divertida, eu ia me dar bem com ela. No final do dia, a levei em casa e segui o meu rumo. Eu estava exausta e era só o primeiro dia.
- Como foi o primeiro dia? – perguntou Charlie assim que eu pisei em casa.
- Cansativo, mas legal! – falei me arrastando até meu quarto.
- Que bom! Você desce para jantar? – perguntou no pé da escada.
- Sim! – gritei e entrei no meu quarto. Precisava de um banho de banheira, urgente! Depois troquei de roupa e desci para jantar.
- Boa Noite! – falei assim que sentei à mesa.
- Boa Noite! Como foi seu primeiro dia na faculdade? – perguntou a rainha.
- Fantástico! A faculdade é linda, os professores me pareceram ser maravilhosos. Confesso que estou bem cansada! – falei com um sorriso tímido nos lábios.
- Isso passa! Você se acostuma com a rotina, mas fico feliz que tenha gostado. – falou ela.
O jantar seguiu em seu silêncio habitual, mas não de um jeito desconfortável. Assim que terminei, caminhei em direção ao meu quarto, mas Edward me parou em frente a minha porta.
- Angie?
- Oi! – falei
- Prometi que resolveria com a Ana, posso usar seu computador? – perguntou.
- Claro! Entra aí! – falei e liguei o computador para ele. – Fique á vontade!
- Obrigado! – falou se ajeitando no sofá.
Ana estava online e aceitou a chamada prontamente.
- Edward? – perguntou surpresa assim que o viu na tela do computador.
- Oi, Ana! Acho que temos que conversar! – falou e eu saio de perto. Depois de trinta minutos, Edward me chamou.
- Angie, ela é toda sua! – falou me entregando o notebook.
- Oi, amiga! – falei e ela sorriu, pelo jeito a conversa com Edward foi boa.
- Oi Angie! – falou radiante. – Como foi seu primeiro dia de aula?
Eu contei tudo á ela, até a minha nova amizade e a rejeição de todos os recalcados.
- Não fica assim! – falou bocejando. – Depois isso passa!
- Espero mesmo! E agora você vai dormir! Está visivelmente com sono! – falei sorrindo.
- Obrigada! Até amanhã! – falou e encerrou a chamada. Desliguei o computador, levantei a cabeça e Edward estava me encarando. Eu tinha esquecido que ela ainda tava no meu quarto.
- Então eles estão te evitando? – perguntou curioso.
- A maioria sim! Mas não é nada! – falei sentada no sofá e ele estava na poltrona.
- É sim! Se isso continuar depois de três dias, me avise! – falou sério.
- E você pretende fazer o que? – perguntei curiosa.
- Nada ainda! Só gostaria de saber! – falou sorrindo.
- Prometo avisar! – falei
- Ótimo! – falou levantando indo em direção a porta. – Boa Noite!
- Boa Noite! – respondi e fechei a porta. Troquei de roupa e fui dormir, eu estava exausta.
Os dias se passaram, as aulas eram cada vez mais legais e as pessoas cada vez mais me ignoravam. Tirando os professores, Simoné era a única que falava comigo. E como prometido conversei com Edward, ele apenas assentiu e nada disse.
Uma semana se passou e eu estava ficando realmente deprimida. Simoné era legal, mas por minha causa ela também era solitária e eu me sentia mal com isso. Até que algo inesperado aconteceu, na terceira aula, que mudou tudo. Era uma aula muito importante e a turma toda compareceu, a sala estava um silêncio e todos estavam concentrados, até que alguém bate na porta. Não levantei a cabeça para ver quem era, mas de repente vi todos ao meu redor se levantarem e fazerem uma pequena reverência, eu continuei sentada e impassível. Percebi que algumas pessoas me olharam com desprezo por causa disso, quando me chamaram e eu reconheci a voz.
- Angelina Bittencourt? – chamou e eu levantei a cabeça. Edward estava parado a frente da turma e fez sinal para que todos sentassem.
- Vossa Alteza, ao que devo a honra de vossa visita? – perguntou o professor em uma mistura de surpresa, admiração e alegria. Assustador!
- Gostaria de falar com Angelina Bittencourt. – falou calmamente e todos os olhares se voltaram para mim. Levantei mas não andei ao seu encontro.
- Sim, Alteza? – perguntei sorrindo.
- Angie, pare com isso! Venha até aqui, por favor! – falou sorrindo. A turma estava tão quieta que parecia que todos prendiam a respiração, a expressão de surpresa era unânime, andei em sua direção sorrindo.
- Algum problema? – perguntei e sabia que todos estavam nos encarando sem piscar.
- Esqueceu seu livro dentro do meu carro! Então entrei no seu quarto e vi seu horário de aulas, vi que ia precisar e trouxe pra você. – falou me entregando. Não sei se tinha como a turma ficar mais surpresa, mas isso aconteceu.
— Ah, obrigada Edward! – falei e peguei o livro.
- Posso passar aqui para te buscar na saída? – perguntou sorrindo.
- Claro! Eu saio às 14:00. – falei sorrindo
- Muito bem! Não irei me atrasar! – falou sorrindo e dando uma piscadela.
- Estarei aguardando! – falei.
- Então, até mais tarde! – falou e me deu um beijo na bochecha.
- Até mais tarde! – falei e ele saiu. Voltei ao meu lugar devagar, ciente que todos me encaravam e eu não podia estar mais feliz.
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