Pais por acaso
11 Renesmee- Conflitos
Notas iniciais
Alex e eu andávamos pelo longo corredor da mansão, a decoração e as luzes criando uma atmosfera que, de algum modo, parecia mais opressiva do que festiva. Ele parecia um pouco nervoso, então decidi quebrar o silêncio.
— Está tudo bem, Alex? — perguntei, tentando soar amigável.
Ele olhou para mim com um sorriso leve, mas um brilho divertido nos olhos.
— Eu vi você conversando com o moreno musculoso bonitão mais cedo... como é que ele se chama? Dr. Black?
Eu ri, surpresa pela direção inesperada da conversa.
— Ah, o Jacob? — disse, disfarçando uma risada. — Sim, ele é... digamos, uma presença marcante.
Ele soltou uma risadinha.
— Uma presença marcante é pouco — disse ele, dando de ombros. — Acho que se eu tivesse que escolher um tipo... ele seria bem... o tipo dele.
Eu pisquei surpresa e não consegui conter a risada.
— Não acredito que estamos falando sobre isso! — exclamei, sentindo-me relaxada pela primeira vez naquela noite. — Bom saber que alguém por aqui entende.
Alex sorriu, claramente satisfeito por ter me deixado à vontade.
— Bom, com tantos pretendentes enfileirados por aqui, achei que podia ser sincero com alguém. E você parece não se importar.
— É uma troca justa, então — concordei. — Acho que poderíamos ser bons amigos, sabe? Precisamos manter contato.
Ele assentiu, e seguimos pela mansão, compartilhando mais algumas risadas até a hora de nos juntarmos aos outros para a homenagem. Na sala, todos estavam se reunindo para o parabéns e o discurso da noite. De onde estava, pude ver Jacob, seu rosto tranquilo enquanto se misturava com os outros convidados. Meu olhar permaneceu sobre ele por alguns instantes, e, sem perceber, acabei me perdendo em meus pensamentos.
Até que a voz baixa de minha mãe, Bella, interrompeu a calma momentânea
— Pare de olhar tanto para o Black, Nessie. Sua tia Elizabeth já está imaginando coisas.
Meu rosto se contorceu em aborrecimento. Meus pais e essa necessidade constante de controlar minhas interações! Sem responder, levantei-me e, antes que o parabéns fosse concluído, saí da sala, precisando desesperadamente de um pouco de ar fresco.
Encontrei meu caminho até o jardim, onde a brisa noturna e o aroma das flores me ajudavam a aliviar a tensão. Respirei fundo, tentando afastar toda a frustração acumulada. Mas minha breve paz foi logo interrompida.
— Nessie, precisamos conversar.
Seth. Ótimo. Exatamente o que eu não precisava agora.
Me virei lentamente para ele, tentando controlar o cansaço que transparecia em meu rosto.
— Seth, não é uma boa hora.
— Pois pra mim é. Você me ignorou a noite toda — ele retrucou, cruzando os braços. — Acho que temos assuntos inacabados, não acha?
Suspirei, já antecipando a discussão que viria.
Cruzei os braços e olhei para Seth, deixando bem claro que a última coisa que eu queria era continuar essa conversa.
— Não há o que conversar, Seth. Você me traiu com Jane. Isso já diz tudo.
Ele fez uma careta, parecendo um pouco ofendido.
— Nessie, foi um erro! Ela... ela estava sempre por perto, e... — Ele fez uma pausa, como se esperasse que eu fosse entender. — Eu estava passando por um momento difícil.
Eu ri, mas sem um pingo de humor.
— Ah, claro! Momento difícil. Então a solução foi se aproximar de Jane? — balançei a cabeça, incrédula. — Sabe, Seth, essa justificativa é tão fraca que chega a ser ridícula.
— Você nem tenta entender o que eu estava passando! — ele insistiu, a voz subindo um pouco.
Eu revirei os olhos.
— Não, Seth. Eu simplesmente não acho que "ter dificuldades" justifica trair alguém. Eu achava que nós éramos uma equipe, que você confiava em mim, mas pelo visto...
— Eu confio em você, Nessie! — ele interrompeu, dando um passo à frente. — Eu só... me perdi. E sinto muito, mas eu achei que a gente pudesse superar isso.
— Superar isso? — Minha voz ficou amarga. — Não vejo como posso superar algo assim. Você quebrou a confiança, Seth. E eu não posso simplesmente ignorar.
O olhar dele se tornou desesperado, e ele abriu a boca para falar, mas foi interrompido por uma voz firme atrás de nós.
— Tem algo acontecendo por aqui?
Eu me virei rapidamente e vi Jacob parado ali, observando a cena com uma expressão séria. Seth deu um passo para trás, e eu respirei fundo, tentando controlar a raiva que ainda queimava dentro de mim.
....
Jacob ficou com jardim com Seth e eu retornei para a mansão, peguei uma taça da bandeja do garçom e tomei um gole da bebida, tentando me acalmar. O ambiente da festa estava abafado, e a última coisa que eu queria era outro confronto, mas minha tia Elizabeth se aproximou, seu olhar perscrutador em minha direção.
— Posso perguntar uma coisa, Nessie? — ela disse, sua voz baixa mas carregada de um tom curioso, quase cauteloso.
Respirei fundo, preparando-me para o que viria.
— Claro, tia Elizabeth. O que foi? — respondi, tentando manter a compostura.
Ela deu um passo mais perto, analisando-me com uma expressão preocupada.
— Você sabe que o doutor Black... — ela hesitou, escolhendo bem as palavras. — Ele não é o tipo de homem para você, minha querida. É muito... diferente de nós.
A irritação subiu rapidamente, e eu forcei um sorriso, embora tudo o que quisesse fosse encerrar aquela conversa.
— Tia, eu já sou adulta o suficiente para saber com quem devo ou não me envolver. — Mantive a voz firme, tentando não parecer tão afetada. — E, sinceramente, talvez você devesse superar esse tipo de pensamento. Os tempos mudaram.
Ela me olhou, surpresa com a minha resposta. Sem esperar por mais, dei-lhe um aceno rápido e segui em direção ao jardim, a cabeça ainda fervilhando. Eu precisava de ar.
Assim que cheguei ao jardim, vi Jacob ao longe, caminhando para ir embora. Um impulso me dominou, e antes que pudesse pensar demais, chamei:
— Ia embora sem se despedir, Black?
Ele parou e se virou para mim, aquele sorriso fácil e caloroso aparecendo no rosto dele. Meu coração acelerou, e por um breve segundo, senti meu rosto aquecer. Ele me olhou de uma forma que parecia entender muito mais do que eu estava pronta para admitir.
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