Pais por acaso
32 Jacob- um neto
Eu tinha acabado de sair do banho e ainda estava com a toalha enrolada na cintura quando ouvi a campainha tocar. Por um momento, achei que pudesse ser Nessie, mas ela provavelmente teria me avisado antes de vir. Caminhei até a porta com passos despreocupados, mas ao abrir, me deparei com Bella.
Ela não esperou convite. Passou direto por mim e entrou no apartamento com a determinação de alguém que não estava ali para um bate-papo casual.
— Bom dia, Bells. — Eu disse, fechando a porta e me virando para encará-la.
— Não sei se deveria te cumprimentar, Jacob. Talvez seja mais apropriado te estrangular. — Ela rebateu, cruzando os braços e me lançando um olhar que me fez desejar estar mais preparado para aquela conversa.
Eu suspirei e cocei a nuca, sabendo que qualquer desculpa ou explicação seria inútil no momento. Bella parecia uma tempestade pronta para desabar
— Eu sei que você está com raiva...
— Com raiva? — Ela interrompeu, dando um passo à frente. — Jake, minha filha está grávida. Minha filha de vinte anos. E o pai? Meu melhor amigo. Me diz, como você acha que eu deveria me sentir?
Eu levantei as mãos em sinal de rendição, tentando manter a calma.
— Bella, eu nunca quis que isso acontecesse dessa forma. Eu amo a Nessie, mas nada disso foi planejado. Foi antes de sabermos quem éramos um para o outro.
Ela suspirou, como se as palavras dela própria fossem difíceis de processar.
— Eu sei disso. Nessie me contou tudo. Sei que vocês não sabiam... mas não muda o fato de que vocês cruzaram uma linha. E agora, ela está nessa situação. Eu só precisava ouvir de você que vai fazer a coisa certa.
— Bella, eu já tomei essa decisão. Não importa o que aconteça, eu vou estar ao lado dela. Não só como pai, mas como alguém que ama e respeita Nessie. — Minha voz estava firme, porque, apesar de tudo, essa era a única certeza que eu tinha.
Ela me observou por um momento, avaliando minhas palavras, antes de se jogar no sofá e suspirar.
— Tudo bem, Jacob. Eu precisava ter essa conversa com você, mas posso dizer que ainda estou muito irritada.
Eu ri de leve, tentando aliviar a tensão.
— Bom, se quiser continuar me ameaçando, pelo menos deixe eu colocar uma roupa antes.
Ela revirou os olhos.
— Vai logo, Jake. Não quero prolongar isso mais do que o necessário.
Eu assenti, aliviado pela pequena pausa, e fui até o quarto me vestir. Bella era uma força da natureza, e eu sabia que sair ileso dessa conversa era um feito e tanto. Quando voltei, ela ainda estava lá, esperando, mas com um olhar um pouco menos severo.
— Então, o que mais você precisa saber, Bells?
— Só isso. — Ela deu de ombros. — Precisava ouvir da sua boca que vai estar com ela, e não só porque ela está grávida, mas porque você quer.
— Eu quero. Mais do que tudo.
Bella finalmente relaxou no sofá, soltando um suspiro cansado.
— Então, estamos entendidos... por enquanto.
Apesar de tudo, um pequeno sorriso surgiu nos lábios dela.
...
Quando cheguei ao hospital naquela manhã, o movimento na recepção estava tranquilo. Cumprimentei alguns funcionários com um aceno rápido, mas a presença de Leah na recepção me pegou de surpresa. Ela estava de braços cruzados, com aquele olhar sério que eu conhecia bem demais.
— Leah? — Chamei, parando à sua frente. — O que houve?
— Precisamos conversar, Jacob. Agora. — A voz dela era firme, quase um sussurro, mas cheia de urgência.
Sem hesitar, fiz sinal para que me seguisse até minha sala. Assim que entramos, ela fechou a porta atrás de nós, e pude perceber que ela estava mais tensa do que parecia à primeira vista.
Assim que Leah fechou a porta da minha sala, ela cruzou os braços, mantendo aquele olhar severo que eu conhecia bem demais. Algo estava errado, e ela não parecia disposta a suavizar o golpe.
— O que aconteceu, Leah? — perguntei, direto, tentando manter a calma.
Ela respirou fundo antes de soltar a bomba:
— É o Seth. Ele engravidou uma das suas residentes.
A sala pareceu ficar menor. Cruzei os braços e fechei os olhos por um momento, sentindo a raiva começar a borbulhar.
— Leah, quando é que o Seth vai parar de agir como um adolescente irresponsável? — perguntei, minha voz saindo mais dura do que eu planejava.
Ela estreitou os olhos e apontou um dedo para mim.
— Não joga isso tudo nas costas dele, Jacob! Ele pode ser cabeça-dura, mas você sabe que sua ausência não ajudou em nada.
Minha paciência, já por um fio, quebrou de vez.
— Minha ausência? Você sabe muito bem quais foram as razões, Leah! — rebati, meu tom subindo. — Não me venha com essa culpa agora.
Ela bufou, jogando as mãos para o alto.
— Isso não muda o fato de que ele precisava de você! E agora olha onde estamos. Jane está grávida, e ele está completamente perdido!
— Perdido porque não pensa antes de agir! — retruquei, dando um passo na direção dela. — E agora ele vai ter que responder por isso. Não tem desculpa que o tire dessa.
— E o que você acha que ele deve fazer, Jacob? Fugir? — Leah perguntou, sarcasmo pingando de cada palavra.
— Ele vai assumir as responsabilidades dele como pai, Leah. — Afirmei, a voz firme. — Se ele tem maturidade para fazer uma criança, ele vai ter maturidade para cuidar dela.
Ela suspirou, os ombros relaxando um pouco, mas ainda havia tensão no ar.
— Ele está assustado, Jacob. Jane também. Você acha que gritar com ele vai resolver?
— Não estou falando de gritar, Leah. Estou falando de ensinar o Seth a lidar com as consequências dos atos dele. — Respondi, me aproximando. — Ele precisa entender que ser pai não é brincadeira.
Leah ficou em silêncio por um momento, a fúria em seus olhos dando lugar a algo mais próximo de preocupação.
— Então você vai falar com ele?
— Vou. — Respondi, suspirando. — E depois, vou falar com Jane. Essa história precisa ser resolvida rápido, antes que vire um problema ainda maior.
Leah assentiu, mas ainda parecia desconfiada.
— Só não faz ele se sentir ainda pior, Jacob. Ele precisa de orientação, não de mais peso nos ombros.
— Eu sei. — Concordei, embora a raiva ainda estivesse ali, latente. — Mas ele vai ouvir. Seja lá o que for necessário, ele vai ouvir.
Ela assentiu mais uma vez e saiu da sala, me deixando sozinho com meus pensamentos. A dor de cabeça já estava se formando, e eu sabia que essa seria uma das conversas mais difíceis da minha vida.
Assim que Leah se acomodou no sofá da minha sala, com os braços cruzados e uma expressão teimosa, o interfone tocou, quebrando a tensão. Eu soltei um suspiro, tentando controlar o humor que já estava azedando.
— Doutor Black, doutor Carter está na linha dois — informou minha secretária.
— Obrigado, Laura. — Peguei o telefone e atendi, já prevendo que a conversa seria direta, como sempre. — Carter, como vai?
A voz grave e tranquila do médico preencheu o espaço.
— Jacob, tenho novidades sobre o procedimento agendado para hoje. A doutora Cullen foi escalada para realizar a cirurgia principal.
Minha sobrancelha subiu de leve, mas um sorriso discreto surgiu.
— Renesmee? Excelente escolha. Ela tem mostrado um progresso incrível, especialmente em cirurgias complexas.
Carter riu do outro lado da linha.
— Não me surpreende que você diga isso. Ela claramente tem uma inspiração muito sólida... você.
— Ela merece todo o crédito. — Respondi, tentando parecer casual, embora o orgulho fosse difícil de esconder. — Nessie é dedicada e extremamente talentosa.
— Vocês dois formam uma grande dupla, Jacob. É fácil perceber.
Eu apertei o telefone com mais força, consciente do olhar fixo de Leah. Ela claramente estava ouvindo cada palavra.
— Agradeço o reconhecimento, Carter. — Respondi, tentando não demonstrar animação. — Confio na capacidade dela para liderar essa cirurgia.
— Ótimo. Apenas queria que soubesse. Vou deixar vocês finalizarem os detalhes.
— Claro, obrigado por informar. — Finalizei a ligação e devolvi o telefone ao gancho, sentindo os olhos de Leah perfurarem minha nuca.
— Então... — Leah começou, cruzando as pernas e inclinando a cabeça. — Você confia muito na sua residente, não é?
Eu me recostei na cadeira, já sentindo onde aquilo ia parar.
— Confio, sim. Renesmee é uma excelente médica.
Leah soltou uma risada irônica e apoiou o cotovelo no braço do sofá.
— Seth comentou comigo outro dia que ela é sua favorita. Parece que tem algo mais aí, Jake.
Meu corpo ficou rígido, mas mantive o tom firme.
— Leah, não comece com essas insinuações. Minha relação com Renesmee é profissional.
Ela ergueu uma sobrancelha, claramente duvidando.
— Profissional, é? Então por que você ficou com esse sorrisinho quando Carter mencionou o nome dela?
Respirei fundo, tentando controlar o incômodo.
— Porque eu admiro o trabalho dela, Leah. Só isso.
— Claro... — Ela disse, alongando a palavra com uma dose de sarcasmo. — Só espero que você esteja sendo honesto consigo mesmo, Jake. Porque, se não estiver, isso vai ficar bem complicado.
Eu apertei os lábios, mas não respondi. A última coisa que eu precisava era mais complicações.
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