Pais por acaso
89 Jacob - Encontrada
O toque do celular vibrou na palma da minha mão. Atendi rapidamente ao ver o nome do meu filho na tela.
— Seth?
— Pai...— a voz dele soava ofegante, ansiosa — A mamãe acordou. Ela está consciente!
Meu coração disparou.
— Leah disse o que aconteceu?
— Elizabeth a atacou e...— ele fez uma pausa pesada — disse que ela estava indo pra La Push.
Por um segundo, fiquei em silêncio. Então meu instinto explodiu como uma labareda no peito.
— Tem certeza?
— Ela repetiu isso várias vezes. Pai, ela levou a Serena e o Joseph pra La Push.
— Bom trabalho, filho.— desliguei rapidamente e me virei para os policiais ainda reunidos na sala. — *Ela está em La Push. Elizabeth está em La Push!
O detetive Marcus pegou o rádio imediatamente.
— Aqui é o detetive Allen. Alerta máximo em La Push. Solicitem apoio imediato à delegacia de Forks. Códigos vermelhos em todas as trilhas da reserva.
Não esperei escutar o resto. Me virei para Edward, que já pegava as chaves do carro. Bella segurou minha mochila com roupas que Esme havia separado e me guiou pela porta com o olhar firme.
— Vamos agora.— disse ela.
Nessie caminhava ao meu lado em silêncio. Seus olhos estavam inchados, mas havia um novo brilho ali. Um fogo.
Subimos todos no carro — eu e Renesmee atrás, Bella e Edward à frente. Assim que entramos na estrada, peguei o celular novamente e liguei para minha irmã.
— Rachel.
— Jake? Meu Deus, onde você estava? — A voz dela soou urgente.
— Depois eu explico. Escuta, Elizabeth está com meus filhos. Está em La Push.
— O quê?
— Ela levou a Serena e o Joseph para reserva. Seth falou com Leah. Ela acordou e contou tudo.
— Eu vou avisar o Paul agora. — ela respondeu com firmeza. — A gente vai vasculhar a floresta inteira se for preciso. Mas a gente vai achar eles, Jake. Eu prometo.
— Obrigada, maninha.— sussurrei, a voz embargando.
Nessie segurou minha mão com força. Seus dedos entrelaçaram os meus e senti o aperto do desespero, mas também da coragem. Nossos olhos se encontraram. Não dissemos nada. Só... estivemos ali. Completos na dor. Fortes na união.
Quando cruzamos a entrada de Forks, o céu já ameaçava desabar. Nuvens carregadas. Ventos inquietos. Tudo parecia conspirar para o caos.
O celular vibrou em minha mão novamente. Quando atendi e ouvi a voz de Embry, meu coração já estava acelerado pela tensão.
— Jake, encontramos — ele disse sem rodeios.
— Onde ela está?
— No lugar onde jamais procurariam, na sua casa. Aquela que você comprou em La Push, perto do penhasco.
Fiquei em silêncio por um momento, como se não tivesse ouvido direito.
— Na nossa casa?
— Sim. O carro da Leah tá na garagem. E... tem movimento lá dentro. Mas as janelas estão cobertas. A gente não tentou se aproximar. Paul viu ela pela janela. Está armada. Acreditamos que as crianças estão com ela.
Levei a mão ao rosto, sentindo o peso da revelação. A minha casa. A que eu tinha comprado com tanto carinho, pensando em segurança, paz. E agora ela era um cativeiro para meus filhos.
— Entendido. Fiquem de longe. Estamos a caminho.
Desliguei e olhei para Edward, que encarava a estrada com o maxilar travado.
— Ela está na nossa casa. Em La Push.
Edward lançou um olhar rápido pelo retrovisor, em direção a mim e Nessie.
— Vamos esperar a polícia. — sua voz saiu firme. — Se Elizabeth está armada, isso muda tudo. Não podemos arriscar. Ela já mostrou que é instável. Se entrarmos sem um plano...
— Ela pode machucar a Serena e o Joseph. — completou Bella, virando-se parcialmente para mim e Renesmee. — Precisamos agir com inteligência, não com raiva.
Nessie apertou minha mão com mais força. A pele fria dela tremia. Seu olhar estava perdido entre as árvores que cortavam a estrada, como se pudesse ver a casa de longe. O lugar onde nossa pequena princesa estava sendo mantida refém.
— Meu Deus... ela está com eles dentro da nossa casa... — sussurrou Nessie, a voz embargada. — Nós jamais imaginaríamos..
— Eu sei, meu amor. — murmurei, puxando-a para mais perto de mim, ignorando a dor no ombro. —Mas nós vamos trazê-los de volta. Com segurança. Eu prometo.
Edward ligou o celular, avisando os policiais da localização. Do outro carro, Carlisle também ligou para organizar o cerco.
La Push já estava próxima. E agora... mais do que nunca, cada segundo contava.
O carro mal parou, e eu já estava abrindo a porta, sentindo a tensão no ar. A casa — nossa casa — estava cercada por carros da polícia de Forks. As luzes vermelhas e azuis piscavam, cortando a penumbra da manhã que começava a surgir. Oficiais armados se posicionavam atrás das árvores, no quintal, nas laterais... tudo estava pronto para uma ação rápida.
Nessie saiu ao meu lado, os olhos arregalados de ansiedade. Charlie veio em nossa direção, junto com Embry.
— Vovô! — Ela correu até ele, se jogando em seus braços.
Charlie a acolheu apertado, tentando manter a compostura, mas era visível o desespero nos olhos dele.
— Estamos com você, querida... — ele disse com a voz trêmula. — Nós vamos tirar os dois de lá. Eu juro.
Embry me encarou com firmeza e disse:
— Jake, a casa está completamente cercada. Temos confirmação visual. Elizabeth estava aqui, mas ninguém responde. Tudo está em silêncio desde que chegamos.
Eu olhei para a varanda da frente. As janelas estavam com as cortinas fechadas. O carro da Leah ainda estava ali. Meu estômago revirava.
— Tem certeza de que ela está aí? — Perguntei, tentando não demonstrar o pânico crescente.
— Temos — confirmou um dos policiais. — A equipe de perímetro viu movimentação na janela do quarto dos fundos há cerca de dez minutos. Mas desde então, tudo ficou em silêncio.
Um estalo. Como se algo caísse dentro da casa.
— Algo aconteceu — Falou um dos oficiais.
A decisão foi instantânea.
— Invadam! — Ordenou o capitão.
Em segundos, a porta da frente foi arrombada, e os policiais entraram com escudos e armas em punho. Ignorei os gritos de “Fiquem para trás!” e fui atrás deles. Nessie veio comigo, determinada. Não tinha nada que nos segurasse.
A sala estava vazia. O silêncio era quase insuportável. As luzes foram acesas, e o corredor nos guiava até os fundos da casa.
Foi quando ouvimos um gemido. Segui o som com o coração disparado.
No canto do quarto de hóspedes, encontramos Joseph amarrado a uma cadeira. Tinha fita nos pulsos e machucados no rosto, mas estava consciente.
— Joseph! — gritou Nessie, correndo até ele. Eu me ajoelhei para soltar os nós rapidamente.
O policial ao nosso lado se aproximou e cortou as amarras com uma faca.
Joseph estava ofegante, os olhos assustados. Agarrou meu braço com força assim que foi solto.
— Ela não tá aqui! — Disse ele, desesperado. — Minha mãe... ela levou a Serena! Ela foi para o penhasco! Ela disse que se não fosse dela, não seria de ninguém!
Meu corpo gelou. O chão pareceu sumir debaixo dos meus pés.
— O penhasco...— repeti, me levantando num pulo.
— Não! — Nessie gritou, se afastando bruscamente. — *Ela não! Ela não faria isso!
— Ela faria sim — disse Joseph, entre lágrimas. — Ela tá louca, pai. Ela quer se vingar.
Nessie e eu nos olhamos por um segundo. A dor e o medo refletidos em nossos olhos eram idênticos.
— Vem! — Gritei, já correndo para fora da casa. — Ela vai fazer uma loucura!
Nessie correu ao meu lado, as lágrimas escorrendo pelo rosto, sua respiração entrecortada pela agonia. A corrida até o penhasco começava… e cada segundo era uma eternidade.
O som de nossos passos se misturava com o farfalhar das folhas molhadas, e meu coração martelava em um ritmo impossível de controlar. As trilhas da floresta de La Push pareciam infinitas. Cada árvore, cada curva, era mais um obstáculo entre nós e o penhasco. Nessie corria ao meu lado, com Joseph logo à frente, os olhos marejados, a respiração falhando, mas sem diminuir o ritmo.
Embry vinha logo atrás, com Edward ao seu lado. A polícia optara por descer pela praia, cercando o penhasco por baixo. Todos sabiam que não havia tempo a perder.
— Ali! — gritou Joseph, apontando para além das árvores.
Quando emergimos da trilha, o mundo pareceu parar.
Elizabeth estava ali. No limite do penhasco, o vento agitando seus cabelos molhados pela chuva que começava a cair. Nos braços, Serena chorava alto, o som rasgando o ar como um grito de socorro. Policiais estavam posicionados a poucos metros, armas abaixadas, tentando manter a calma.
— Elizabeth! — gritou um dos negociadores. — Vamos conversar. Você não precisa fazer isso.
Ela não respondia. Seu olhar estava fixo na água brava lá embaixo. A expressão transtornada, olhos esbugalhados e os lábios tremendo.
Nessie travou ao meu lado. O desespero tomou conta dela.
— Minha filha... minha bebê... — sussurrou, os joelhos quase cedendo.
Carlisle se aproximou com calma, o rosto sereno, mesmo diante do caos.
— Elizabeth, querida... escuta sua família. Vamos resolver isso. Entrega a bebê. Você ainda pode consertar tudo.
Mas não havia razão nos olhos dela. Apenas dor, raiva e loucura.
— NÃO! Vocês não entendem! Ela não vai ser deles! Essa criança é MINHA!
A chuva engrossava, a terra se tornava lama, e o tempo parecia correr contra nós.
Nessie deu um passo à frente.
— Eu vou. — sua voz saiu trêmula, mas determinada. — Eu vou no lugar dela.
— NÃO! — gritei, agarrando seu braço. — Você não vai. Eu não vou deixar.
Ela olhou para mim com olhos cheios de amor e dor.
— Ela é minha nossa, Jacob... eu sou a mãe dela. Eu tenho que fazer isso.
— Nessie, por favor... isso pode dar errado. Eu não vou perder vocês.
Mas ela já se soltava. Irredutível. Invencível no amor que carregava.
Joseph caminhou até o lado da irmã, com passos lentos e cautelosos. O olhar fixo em Elizabeth.
— Mãe... sou eu. É o Joseph. Por favor... me dá minha irmãzinha. Tá tudo bem agora. Eu tô aqui. Você não precisa mais fugir...
Elizabeth soluçou. O rosto dela tremia, como se algo dentro estivesse quebrando aos poucos.
— Você... você ainda me chama de mãe... — murmurou.
— Claro que sim. Eu te amo, mãe. Mas entrega ela pra mim, por favor. Eu vou cuidar dela.
Os olhos dela se voltaram para Renesmee.
— Só se ela vier comigo. Se Renesmee vier... eu entrego a bebê ao Joseph.
Um dos policiais se adiantou, tentando impedir.
— Não, senhora Cullen. Isso compromete a integridade da refém e da solicitante. Recusamos a troca.
Nessie ignorou completamente. Olhou para Joseph e estendeu a mão.
— Vamos...
E eles foram.
Eu tentei correr, tentei segurar, mas minhas pernas pareciam presas no chão. A chuva agora caía forte, martelando o chão, os rostos, as almas. Eu gritei o nome dela, mas minha voz se perdeu no vento.
— Nessie, não... por favor...
Ela olhou para trás, me deu um sorriso trêmulo... e continuou.
Meu mundo girava. Eu sentia o desespero engasgar minha garganta. Edward me segurou pelos ombros, me impedindo de correr, e Embry já estava preparado, os olhos vermelhos de tensão.
Era uma corrida contra o tempo. Uma linha tênue entre a loucura e a esperança.
Fale com o autor