Pais por acaso
57 Jacob- Em familia
- Você é a última pessoa que eu esperava que viesse me visitar.
Ao ouvir as palavras de Billy, senti meu coração apertar. Ele estava certo – eu era a última pessoa que ele esperava ver antes do Natal. Mas ali estava eu, diante do meu pai, depois de anos afastado.
– Posso entrar? – perguntei, com cautela.
Billy hesitou por um momento, mas então deu um leve aceno de cabeça.
– Claro, filho – ele respondeu, movendo a cadeira de rodas para o lado, abrindo espaço para que eu passasse.
Ao entrar, fui imediatamente transportado para o passado. A casa não tinha mudado em nada. As mesmas cortinas, o cheiro familiar de madeira antiga e até o velho relógio que eu tinha quebrado quando era criança ainda estava ali, agora remendado.
Sentei-me no sofá de couro marrom, e Billy se posicionou próximo a mim. O silêncio era pesado, mas eu sabia que precisava falar.
– Senti sua falta, pai – comecei, minha voz embargada. – Por mais que as coisas tenham ficado complicadas entre nós... eu sempre pensei em você.
Billy me observou por um momento, os olhos marejados.
– Eu também senti sua falta, Jacob. Só que... eu sou teimoso, e você sabe disso.
Deixei escapar um pequeno sorriso.
– É, sei bem.
Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos grisalhos.
– Acho que errei com você. Fiquei do lado da Leah porque achava que estava protegendo a família, mas, no fundo, eu sabia que algo estava errado. Eu deveria ter ouvido sua versão.
Assenti, tentando processar as palavras dele.
– Eu era jovem, pai. Cheio de sonhos, mas também cheio de erros. Eu errei com Seth... mas sempre o protegi, apesar de não ser meu filho. Eu só queria fazer a coisa certa.
Billy assentiu lentamente.
– Eu sei, filho. O que eu não sabia, ou talvez não quisesse aceitar, era que Seth era filho do Sam. Ele... nunca quis assumir. Preferiu esconder a verdade para não perder a Emily.
Fiquei em silêncio por um momento, absorvendo essa revelação.
– Sempre soube que havia algo errado, mas não tinha ideia...
Billy me olhou, sua expressão suavizando.
– Mas, Jacob, você enfrentou tudo isso e se tornou um homem incrível. Sua mãe, Sarah, estaria muito orgulhosa de você.
As palavras dele me tocaram profundamente.
– Eu só queria que ela estivesse aqui agora, para ver tudo isso.
Billy respirou fundo, parecendo lutar contra a emoção.
– Jacob, me perdoe. Por tudo. Pela forma como te tratei, por não te apoiar quando você mais precisava.
Minha garganta apertou, e eu me inclinei para segurar sua mão.
– Não precisa pedir, pai. Eu também errei. Espero que você possa me perdoar.
Billy assentiu, e, sem dizer mais nada, abriu os braços. Levantei-me e o abracei com força, sentindo anos de mágoas e arrependimentos começarem a desaparecer.
Naquele momento, enquanto meu pai e eu nos reconciliávamos, soube que estava finalmente reconstruindo o lar que tanto sentira falta.
Ainda segurando a mão do meu pai, me sentei novamente, e ele me olhou com a expressão curiosa que eu conhecia tão bem
– Então, Jacob – Billy começou, com um tom mais leve na voz. – Quais as novidades?
Soltei uma risada baixa. Havia tanto para contar que nem sabia por onde começar.
– Bom, acho que a maior novidade é que eu estou casado.
Billy ergueu as sobrancelhas, claramente surpreso.
– Casado? Com quem?
– Renesmee – respondi com um sorriso. – Eu sei que você já ouviu falar dela,com certeza Rachel já comentou, mas agora ela é minha esposa. E... – fiz uma pausa, observando a reação dele – nós estamos esperando uma filha.
Billy piscou algumas vezes, processando a informação.
– Uma filha?
Assenti, sentindo um calor no peito ao pensar em Serena.
– Sim, pai. Ela se chamará Serena.
Os olhos de Billy se encheram de emoção. Ele respirou fundo e sorriu, balançando a cabeça.
– Sarah teria adorado saber disso. Uma neta para a família Black...
Eu sorri, mas sabia que ainda havia mais para contar.
– E tem outra coisa, pai.
Ele me olhou, curioso novamente.
– A algumas semanas, descobri que tenho um filho.
O choque no rosto de Billy foi imediato.
– Um filho?
– Sim – confirmei, sentindo o peso da revelação. – O nome dele é Joseph, e ele tem 15 anos.
Billy ficou em silêncio por alguns segundos, processando tudo.
– Quinze anos? Jacob, como você...
– É complicado – cortei, sem querer entrar em muitos detalhes naquele momento. – Mas o importante é que ele está bem, e eu estou tentando recuperar o tempo perdido com ele.
Billy se inclinou um pouco na cadeira, sua expressão mudando de surpresa para entusiasmo.
– Então, quando vou conhecer meus netos?
Sorri, sabendo que ele ficaria feliz com isso.
– Eles estão em La Push, na casa da Rachel.
Billy bufou, dando um leve tapa no braço da cadeira de rodas.
– E o que você está esperando para me levar até eles, Jacob?
Eu ri, balançando a cabeça.
– Não vai ser muito para você, pai? Quero dizer, muita emoção em um dia só.
Billy me lançou um olhar sério, mas havia um brilho de felicidade em seus olhos.
– Eu já esperei tempo demais, Jacob. Quero ver minha família toda reunida novamente.
Eu me levantei e toquei em seu ombro, sentindo-me aliviado por aquele momento de reconexão.
– Então vamos, pai. É hora de conhecer seus netos.
...
Com cuidado, empurrei a cadeira de rodas do meu pai até a varanda da casa de Rachel. Ao tocar a campainha, ouvi passos rápidos do outro lado da porta. Não demorou muito para Paul abrir, e a expressão de surpresa em seu rosto foi impagável.
– Billy? – ele perguntou, olhando para nós como se não acreditasse no que via.
Meu pai sorriu, aquele sorriso que sempre carregava um toque de ironia.
– Cheguei para o café da manhã – disse Billy, despreocupado.
Paul riu, abrindo mais a porta e nos dando passagem.
– Isso sim é uma surpresa! Entra, Billy.
Empurrei a cadeira de rodas para dentro da casa, onde Rachel apareceu na sala, carregando um pano de prato. Seus olhos se arregalaram ao ver nosso pai.
– Pai?! – ela exclamou, deixando o pano cair no chão antes de correr até ele. – O que você está fazendo aqui?
Billy abriu os braços, e Rachel se abaixou para abraçá-lo.
– Foi o Jacob que me trouxe. Ele achou que estava na hora de eu me juntar à família novamente.
Rachel olhou para mim com os olhos brilhando de emoção.
– Obrigada por isso, Jake.
Eu sorri, mas minha atenção foi imediatamente capturada por Nessie e Joseph na cozinha. Eles estavam sentados à mesa, tomando café da manhã.
– Nessie – chamei, minha voz suavizando ao vê-la.
Ela se levantou, um sorriso gentil iluminando seu rosto, e veio em nossa direção.
– Pai, este é Renesmee, minha esposa – apresentei, colocando minha mão nas costas dela.
Billy a analisou por um momento, com olhos curiosos e um leve sorriso.
– Bem, Jacob, você sempre teve bom gosto. Mas, menina, você é muito jovem. – Ele balançou a cabeça com fingida severidade. – E, se esse rapaz aqui não tiver juízo, ele ainda vai levar uma surra de mim.
Nessie soltou uma risada nervosa, e todos na sala riram junto.
Billy apontou para a barriga visível de Nessie, e sua expressão mudou para algo mais terno.
– Posso? – ele pediu, indicando a barriga dela.
Nessie assentiu, sorrindo.
Billy colocou uma mão sobre a barriga dela, fechando os olhos por um momento. Ele murmurou algo em Quileute, uma melodia antiga e cheia de significado.
Nessie olhou para mim, curiosa, e eu me inclinei para sussurrar em seu ouvido.
– Ele está abençoando a Serena.
Um sorriso emocionado iluminou o rosto dela, e ela agradeceu com um olhar para Billy.
Então, me virei para Joseph, que observava a cena com um sorriso curioso.
– Joseph, vem cá. Quero te apresentar alguém.
Ele se aproximou, parecendo um pouco tímido.
– Pai, este é Joseph – anunciei, colocando uma mão no ombro dele. – Meu filho.
Billy ficou boquiaberto por um momento, olhando de mim para Joseph.
– Bom Deus... Ele é um clone seu, Jacob!
Todos na sala caíram na gargalhada, incluindo Joseph, que parecia mais à vontade.
– Parece que eu não consigo esconder meu DNA – brinquei, rindo junto com eles.
Era um momento perfeito, uma conexão que fazia anos que não sentíamos como família. E naquele instante, soube que trazer meu pai de volta tinha sido a decisão certa.
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