Pais por acaso
4 Jacob- De volta a Seattle
Acabei de desembarcar no Aeroporto Internacional de Seattle-Tacoma. O lugar estava movimentado, como sempre, pessoas indo e vindo com pressa, malas arrastando pelo chão e anúncios ecoando no sistema de som. Meu corpo ainda estava se ajustando ao fuso horário, mas não havia como negar a ansiedade que corria por minhas veias. Quinze anos longe de Seattle. Tudo parecia diferente e ao mesmo tempo, incrivelmente familiar.
Peguei minha bagagem da esteira com um movimento automático, sem realmente prestar muita atenção. Respirei fundo, tentando controlar a avalanche de emoções que estava prestes a me engolir. Eu sabia que minhas irmãs estariam me esperando do lado de fora, e mesmo depois de tantos anos, o pensamento de vê-las me deixava nervoso.
Ao sair da área de desembarque, avistei Rachel e Rebecca, acompanhadas de Paul e Solomon. As duas correram na minha direção assim que me viram, sorrisos radiantes iluminando seus rostos.
— Finalmente! — exclamou Rachel, me abraçando com força. — Quinze anos, Jacob! Não acredito que você ficou tanto tempo longe!
— Sentimos sua falta! — completou Rebecca, me abraçando logo em seguida.
Paul e Solomon logo se aproximaram, pegando minhas malas com um aceno de cabeça.
— Bom te ver de novo, Jake — disse Paul, apertando minha mão com força.
— A família está completa novamente — comentou Solomon, com um sorriso.
Fiquei no meio das duas enquanto caminhávamos em direção à saída. O peso da saudade e do tempo ausente parecia diminuir com cada passo.
— E o pai e a mãe? Como estão? — perguntei, ansioso por notícias deles.
Rachel sorriu.
— Estão ótimos, Jake. Morrendo de saudades, claro. Eles não veem a hora de te ver em La Push. Espero que você não demore a ir.
— Não vou demorar — prometi. — Voltei para ficar dessa vez. Inclusive, consegui um emprego já.
Paul olhou para mim com surpresa.
— Emprego? Você não perde tempo, hein?
Solomon riu, balançando a cabeça.
Entramos no veículo, e o caminho até meu apartamento foi tranquilo. O silêncio confortável entre nós só era interrompido por conversas curtas sobre a cidade e o que havia mudado desde minha última visita. Ao chegarmos ao meu apartamento, Rachel e Rebecca sorriram ao ver o resultado da reforma.
— Fizemos como você pediu — disse Rebecca, orgulhosa.
— Está exatamente como eu queria — respondi, grato pelo esforço delas.
Enquanto eu entregava bebidas a Paul e Solomon, Rachel soltou uma risada.
— Leah perguntou se você realmente estava voltando.
Dei um gole na minha bebida antes de responder.
— Sim, estou de volta — disse, sem olhar diretamente para ela. — Mas não estou muito interessado em falar sobre Leah Clearwater.
Solomon, sempre o mais direto, arqueou uma sobrancelha.
— Nem sobre seu filho?
Suspirei, sentindo o peso da pergunta. Olhei para Solomon e então respondi:
— É um pouco tarde para isso. Existe uma distância enorme entre mim e o Seth. Uma distância que Leah causou.
O silêncio tomou conta do ambiente, e meus pensamentos voltaram para o passado. Sabia que a reconciliação com Seth não seria fácil, mas não estava pronto para enfrentar isso ainda.
Conversamos por mais alguns minutos, a conversa fluindo sobre temas leves, sem tocar em assuntos delicados. Rachel e Rebecca revezavam entre lembranças de infância e novidades sobre La Push. Paul e Solomon acrescentavam comentários esporádicos, rindo das piadas de Rachel e balançando a cabeça diante das pequenas provocações entre irmãos.
— Bom, é melhor irmos — disse Rebecca, finalmente, se levantando e ajeitando a jaqueta. — Temos uma viagem de volta para La Push e vocês sabem como o trânsito aqui pode ser.
— Não some, Jake. Precisamos de você por perto agora — acrescentou Rachel, me dando um último abraço antes de sair pela porta.
Paul e Solomon acenaram, apertando minha mão uma última vez. E então, o silêncio tomou conta do apartamento.
Suspirei, me dirigindo até a janela e observando a cidade lá fora. Quinze anos longe… Como seria esse retorno? Tudo parecia tão diferente, e ao mesmo tempo, nada havia mudado. Senti o peso dos anos em minha ausência, e me perguntei se realmente estava preparado para enfrentar tudo o que deixei para trás.
Terminei o resto do uísque no copo, sentindo o líquido descer queimando pela garganta. Antes que pudesse afundar muito nos pensamentos, o som do meu celular interrompeu o silêncio. Peguei o aparelho e vi que era uma mensagem de Edward.
Sorri. O Cullen nunca perdia tempo.
A proposta de trabalho que ele me enviara era irrecusável, e eu sabia que este era o primeiro passo para recomeçar minha vida aqui em Seattle. Eu não tinha outros planos para o dia, então decidi que era hora de agir. Ir ao hospital Cullen Medical e começar a preparar o terreno para o futuro que estava prestes a construir.
Peguei a chave do carro e, ao sair do apartamento, vi que minhas irmãs haviam pensado em tudo. Um belo carro estava estacionado, pronto para ser usado. Sorri, grato por elas sempre cuidarem de mim, mesmo à distância.
Com um último olhar para o apartamento recém-reformado, respirei fundo e entrei no carro, girando a chave na ignição. Estava na hora de começar essa nova etapa.
Dirigir pelas ruas de Seattle depois de tantos anos trazia uma sensação agridoce. A cidade havia mudado, mas ainda guardava traços familiares que me faziam sentir que, de alguma forma, esse era o lugar onde eu deveria estar. O trânsito fluía, e antes que eu percebesse, o Cullen Medical já aparecia à frente. O hospital, moderno e imponente, refletia bem o nome da família Cullen.
Estacionei o carro e desci, ajeitando a jaqueta. Respirei fundo antes de atravessar as portas de vidro da recepção. Imediatamente, fui recebido por olhares curiosos e sorrisos cordiais da equipe médica que parecia saber quem eu era, mesmo que ainda não me conhecessem pessoalmente.
— Dr. Black? — Uma recepcionista me chamou pelo nome, como se já estivesse me esperando. — Dr. Cullen está aguardando você no andar administrativo.
Agradeci com um aceno e segui pelo corredor amplo e iluminado, onde as paredes de vidro revelavam o movimento constante de pacientes e médicos. Cheguei ao elevador, e a cada andar que ele subia, eu sentia uma mistura de ansiedade e expectativa. Eu estava prestes a reencontrar dois dos meus antigos amigos, Edward e Carlisle Cullen, e ao mesmo tempo, dar o próximo passo para recomeçar minha carreira.
As portas do elevador se abriram, e ali estavam eles, já esperando por mim no final do corredor. Edward, com seu sorriso tranquilo, e Carlisle, sempre com aquele olhar sereno que transmitia confiança.
— Jacob! — Edward veio até mim, estendendo a mão e me puxando para um abraço rápido e amigável. — Quanto tempo, meu amigo.
— Bom te ver, Edward — respondi, apertando sua mão.
Carlisle também me cumprimentou calorosamente, e logo me senti à vontade, como se os anos de distância não tivessem mudado nada entre nós.
— Bella perguntou por você — comentou Edward, depois de alguns minutos de conversa informal. — Ela sentiu sua falta.
Sorri, lembrando dos velhos tempos. — E eu sinto falta dela também. Vou fazer uma visita logo.
Edward assentiu e, depois de algumas trocas sobre a família, finalmente tocamos no motivo principal da minha vinda. Carlisle me levou para uma sala de reuniões, onde sentamos para conversar sobre a proposta de trabalho.
— Jacob — começou Carlisle, em seu tom calmo e controlado —, estamos muito satisfeitos que tenha considerado nossa proposta. Queremos que você seja o chefe da residência médica.
Fiquei surpreso e lisonjeado. Não era um cargo qualquer, e eu sabia que era uma grande responsabilidade. — Isso é... bastante honroso, Carlisle. Confesso que não esperava algo tão grande.
Carlisle sorriu. — Você merece, Jacob. Sei que fará um excelente trabalho, e desejo o melhor para nossos novatos. Especialmente para uma residente em particular, que é bastante especial para mim.
Fiquei curioso com o comentário e, depois de alguns segundos, lembrei-me que Edward e Bella tinham uma filha.
— Ah, sim. Eu me lembro de que vocês têm uma filha. Quando a vi pela última vez, ela devia ter uns três anos, no máximo.
Edward sorriu de canto. — Renesmee. Ela tem 23 anos agora.
— Caramba, como o tempo passa — comentei, me ajeitando na cadeira. — Eu mal posso acreditar.
— E agora ela está aqui, no Cullen Medical. É uma das residentes sob sua supervisão — completou Carlisle com um olhar orgulhoso.
A ideia de trabalhar com a filha de Edward e Bella, alguém que eu mal lembrava de quando era pequena, me pegou de surpresa. Mas, ao mesmo tempo, me senti ainda mais motivado a aceitar a proposta.
Conversamos por mais algumas horas, discutindo detalhes do cargo e os planos para o hospital. Enquanto isso, eu tentava me acostumar à ideia de estar de volta, cercado por velhos amigos e, de certa forma, iniciando uma nova fase que eu jamais imaginaria há 15 anos.
Após algumas horas de conversa no hospital, me despedi de Edward e Carlisle, sentindo o peso das novidades e da responsabilidade que estava por vir. Agradeci pela confiança e, enquanto caminhava pelo corredor em direção à saída, minhas botas ecoavam contra o piso brilhante do hospital. Ao cruzar as portas automáticas, o ar frio de Seattle me atingiu, um contraste com o calor das conversas que acabara de ter.
Cheguei ao estacionamento, onde meu carro me aguardava. Ao abrir a porta, tirei minha jaqueta de couro, ficando apenas com a camisa justa. O cansaço dos últimos dias começava a pesar, mas o dia estava longe de terminar.
Meu celular vibrou no bolso. Olhei para a tela e rolei os olhos ao ver o nome de Leah piscando.
— Claro, quem mais, né? — murmurei, atendendo ao telefone.
— Jacob, você chegou hoje e não deu as caras nem pro seu filho. — Leah começou, sua voz carregada com aquela mistura habitual de raiva e frustração.
— Leah — suspirei, recostando-me no assento do carro —, Seth não é mais criança. Ele tem 24 anos, é um adulto. Não precisa esperar o papai com um presente.
— Você sempre tem uma desculpa, né? — Leah retrucou, impaciente. — Ele é seu filho, Jacob. Podia pelo menos ter tido a decência de avisar que estava chegando. Não acha?
Fechei os olhos por um segundo, tentando manter a calma. — Eu acabei de voltar, Leah. Queria resolver algumas coisas antes de falar com ele.
Do outro lado da linha, ouvi apenas o som de Leah respirando pesadamente, até que, sem aviso, ela desligou o telefone na minha cara.
Olhei para o celular, agora em silêncio, e suspirei profundamente.
— É, Leah... sempre começando o show cedo. — Murmurei, jogando o aparelho no banco do passageiro.
Eu sabia que era um péssimo pai, não precisava que Leah me lembrasse disso a cada conversa. Mas, antes que pudesse afundar demais nesses pensamentos, algo inesperado aconteceu.
O som agudo de vidro sendo quebrado encheu o ar.
Instintivamente, levantei o braço, protegendo meu rosto enquanto senti pedaços de vidro caírem sobre mim. Algo havia atingido o vidro do carro, estilhaçando-o por completo. Adrenalina percorreu meu corpo, e, por um instante, tudo que pude fazer foi tentar entender o que estava acontecendo.
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