Pais por acaso
36 Jacob- Confrontos
A festa finalmente chegou ao fim, e os últimos convidados se despediam enquanto os Cullen começavam a dispersar pelo casarão. Elizabeth estava trancada no escritório com Carlisle, provavelmente recebendo o sermão de sua vida. Eu só desejava que ela não saísse dali com uma nova desculpa para criar problemas.
No jardim, as luzes suaves ainda iluminavam as árvores, e o ar noturno trazia um alívio refrescante após as horas tensas. Nessie e eu caminhávamos lado a lado, longe dos olhares curiosos. Parei, segurando suas mãos delicadas e observando seu rosto iluminado pela luz da lua.
— Está tudo bem agora, Ness? — perguntei, minha voz baixa, quase um sussurro.
Ela suspirou, parecendo exausta, mas deu um pequeno sorriso.
— Acho que sim. Ainda estou processando tudo, mas... com você aqui, fica mais fácil.
Meu coração se aqueceu com as palavras dela, e eu levei uma das mãos ao seu rosto, acariciando sua bochecha suavemente.
— Por que não vem passar a noite no meu apartamento? — sugeri, tentando não parecer desesperado para tê-la por perto. — Só nós dois, longe de toda essa confusão.
Ela balançou a cabeça, um sorriso triste surgindo em seus lábios.
— Eu adoraria, Jake, mas acho melhor ficar aqui com minha família esta noite. Eles precisam de mim, e... acho que preciso deles também.
Eu sabia que ela tinha razão, mas não pude evitar a pontada de decepção. Ainda assim, não deixei transparecer.
— Tudo bem, Ness. Eu entendo. — Respondi com um sorriso gentil. — Mas saiba que, se mudar de ideia ou precisar de qualquer coisa, é só me ligar, tá?
Ela se aproximou, colocando as mãos em meu peito.
— Obrigada, Jake. Por tudo.
Eu me inclinei, tocando seus lábios com os meus em um beijo doce, lento, carregado de todas as emoções que eu não conseguia colocar em palavras. Quando nos afastamos, mantive meu rosto próximo ao dela, meus olhos presos nos seus.
— Eu te amo, Nessie. Sempre.
Ela sorriu, com um brilho nos olhos que me fez acreditar, pelo menos por um momento, que tudo ficaria bem.
— Eu também te amo, Jake.
Nos despedimos com relutância, e eu a observei voltar para a casa, sentindo como se uma parte de mim tivesse ficado ali com ela. A noite estava longe de terminar na minha cabeça, mas, ao menos, eu sabia que, juntos, conseguiríamos enfrentar o que viesse.
...
O som insistente da campainha me arrancou de um sono pesado. A cabeça latejava com o cansaço acumulado, mas a insistência de quem quer que estivesse do outro lado da porta não me deixava outra escolha.
— Já vai! — gritei, enquanto caminhava descalço pelo apartamento até a entrada.
Ao abrir a porta, mal tive tempo de reagir antes de Seth empurrar a porta com força, entrando como um furacão.
— Como você teve coragem, pai? — Ele estava furioso, os olhos brilhando de raiva enquanto sua voz ecoava pelo apartamento.
Fiquei parado por um instante, processando o que ele havia acabado de dizer.
— Do que você está falando, Seth? — perguntei, tentando manter a calma, embora já tivesse uma ideia do motivo daquela explosão.
— Não se faça de desentendido! — Ele apontou um dedo acusador para mim, a raiva escorrendo em cada palavra. — A Nessie!Você está com ela? E ela está grávida?
Engoli em seco, tentando encontrar as palavras certas, mas Seth não me deu chance.
— Como você pôde fazer isso comigo? — Ele avançou um passo, os punhos cerrados. — Você sabe o que eu sinto por ela!
— Seth, escute... — tentei começar, levantando as mãos em um gesto de calma.
— Não, você é que vai me escutar! — ele me cortou, a voz subindo. — Você é meu pai, e ela era minha!
Minha paciência começou a se esgotar. Cruzei os braços, tentando conter a frustração.
— Ela não era sua posse, Seth! — retruquei, minha voz firme. — E, sim, estamos juntos. Mas eu não fiz nada para machucá-lo. Não planejei isso.
Ele riu, mas o som era seco e cheio de desprezo.
— Não planejou? E acha que isso muda alguma coisa? — Seth avançou mais um passo, ficando a centímetros de mim. — Ela era minha namorada, pai. Como você espera que eu aceite isso?
Respirei fundo, tentando não perder o controle.
— Eu entendo que você esteja magoado, Seth. — Minha voz estava mais calma agora, mas ainda firme. — Mas não estou pedindo sua permissão. Eu amo Renesmee, e vamos ter um filho você aceite ou não?
—Oh que lindo — Ele riu novamente, agora balançando a cabeça. — Você destruiu o pouco do respeito que eu tinha por você.
Foi a gota d'água. Dei um passo à frente e segurei Seth pela gola da camisa, olhando nos olhos dele.
— Cuidado com as palavras que você escolhe, filho. — Minha voz era baixa, mas carregada de autoridade. — Você está magoado, e eu entendo, mas não vou aceitar que você entre aqui e me desrespeite desse jeito.
Soltei-o, empurrando-o levemente para trás. Seth tropeçou um pouco, mas manteve o olhar fixo em mim, o peito subindo e descendo com a respiração pesada.
— Isso não acabou, pai. — Ele apontou o dedo para mim, sua voz carregada de rancor. — Você ainda vai se arrepender.
Sem esperar resposta, ele se virou e saiu batendo a porta com força.
Fiquei parado ali por alguns segundos, encarando a porta fechada e sentindo o peso da situação. O dia mal havia começado, e já parecia interminável.
...
Cheguei ao hospital e, logo na entrada, percebi alguns olhares direcionados a mim. Os cochichos eram inevitáveis, mas eu não tinha paciência para lidar com especulações ou fofocas naquela manhã. Mantive a cabeça erguida, ignorando os sussurros enquanto caminhava até o elevador.
Apertei o botão do andar do meu escritório e esperei, sentindo o cansaço emocional pesar sobre meus ombros. Quando as portas do elevador se abriram, saí apressado, apenas para dar de cara com Elizabeth no corredor. Ela me viu e, por um breve momento, hesitou. Então, como se tivesse sido pega em flagrante, virou-se rapidamente na tentativa de escapar.
— Elizabeth! — chamei, minha voz firme, ecoando pelo corredor.
Ela continuou andando, fingindo não ouvir, mas em poucos passos a alcancei e segurei seu braço com cuidado, porém com firmeza o suficiente para que ela parasse.
— Não vai fugir dessa vez. — Meus olhos fixaram nos dela. — Está na hora de termos uma conversa definitiva.
Elizabeth tentou soltar o braço, mas sem muito esforço, como se soubesse que não havia para onde correr.
— Conversar sobre o quê, Jacob? — Ela sorriu, um sorriso falso e desafiante. — Sobre como você está envolvido em um escândalo que poderia destruir sua reputação?
— Não tente mudar de assunto. — Mantive a voz controlada, embora a raiva queimasse em meu peito. — Por que você fez aquilo ontem à noite? Quais são suas intenções?
Ela arqueou uma sobrancelha, como se minha indignação fosse algo cômico para ela.
— Minhas intenções? — repetiu, teatral. — Apenas garantir que todos saibam exatamente quem você é, Jacob. E quem Renesmee é. Ou você acha que um relacionamento desses pode passar despercebido?
Soltei o braço dela, mas dei um passo à frente, diminuindo a distância entre nós.
— Você já fez o suficiente ao expor algo que não era da sua conta. — Apontei para ela, minha voz carregada de frustração. — Se tem algum problema comigo, resolva diretamente, mas não envolva Renesmee nisso.
Elizabeth cruzou os braços, como se estivesse avaliando minhas palavras.
— Não estou "envolvendo" ninguém, Jacob. — Sua voz agora era mais fria. — Só estou trazendo à luz o que já estava sendo comentado.
— Com o único objetivo de causar problemas. — Retruquei, encarando-a. — Se você tem algo contra mim, Elizabeth, diga agora. Porque eu não vou deixar você usar Renesmee e meu filho como armas.
Por um instante, vi algo vacilar em seu olhar, como se ela não estivesse esperando minha reação direta. Mas Elizabeth não era do tipo que se deixava intimidar facilmente.
— Cuidado com o que você diz, Jacob. — Ela estreitou os olhos. — Porque quem está em desvantagem aqui não sou eu.
Ela virou-se bruscamente e começou a se afastar, mas antes de desaparecer pelo corredor, lançou uma última frase por cima do ombro:
— Pense bem antes de tentar me enfrentar. Você tem muito mais a perder.
Fiquei parado ali, o sangue fervendo enquanto ela desaparecia. A conversa não havia resolvido nada — pelo contrário, só deixava claro que Elizabeth ainda era uma ameaça. Mas uma coisa era certa: eu faria o que fosse necessário para proteger Renesmee e nosso filho, custasse o que custasse.
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