Pais por acaso

44 ( Capítulo Especial) Joseph- O plano



Nos últimos dias, minha obsessão pela verdade crescia como uma bola de neve. Passei noites vasculhando tudo sobre a família Cullen. Descobri que eles eram uma das famílias mais influentes de Seattle, com negócios em várias áreas, incluindo o famoso Cullen Medical. O que mais me chamou a atenção foi que Elizabeth Cullen não era casada. Isso só levantava mais perguntas. Quem era meu pai? E por que ela tomou a decisão de me dar para adoção?

Era mais uma manhã de aula. Meu professor de biologia, o Sr. Thompson, falava sobre as atividades de escolha profissional que faríamos em breve.

– Pessoal, é importante que aproveitem essa oportunidade para explorar áreas que vocês consideram interessantes para o futuro. Quem tiver ideias para visitas ou palestras, sinta-se à vontade para sugerir – ele disse, olhando para todos na sala.

Meu coração acelerou. Era a chance perfeita para me aproximar dos Cullen, e eu precisava agir. Me virei para David, que estava sentado ao meu lado.

– David, acho que essa pode ser minha oportunidade – sussurrei.

– Oportunidade para quê? – ele perguntou, levantando a sobrancelha.

– Para me aproximar dos Cullen – respondi, meu tom mais sério do que o normal.

David fez uma careta, mas antes que pudesse comentar, levantei a mão.

– Senhor Thompson!

– Sim, Joseph?

– Eu estava pensando... e se fizermos uma visita ao Cullen Medical? É um hospital muito conhecido e pode ser interessante para quem quer seguir na área da saúde.

Thompson sorriu, parecendo animado com a ideia.

– Excelente sugestão, Joseph! Alguém mais acha isso uma boa ideia?

David, percebendo meu nervosismo, levantou a mão também.

– Sim, senhor Thompson. Eu ouvi dizer que eles aceitam visitas de grupos escolares. Acho que seria uma experiência incrível para a turma.

Os outros alunos começaram a murmurar em concordância, e logo o professor bateu palmas.

– Então está decidido. Vou entrar em contato com o Cullen Medical e ver o que podemos organizar. Boa iniciativa, pessoal!

Assim que Thompson voltou a falar sobre os detalhes, me virei para David, sentindo a adrenalina ainda pulsar.

– Eles realmente aceitam visitas escolares? – perguntei em um sussurro.

David deu de ombros, com um sorriso despreocupado.

– Não faço ideia. Só falei isso para o professor aceitar sua ideia.

Revirei os olhos, mas não pude evitar um sorriso nervoso.

– Espero que dê certo.

– Relaxa, cara. Se não aceitarem, pelo menos você tentou.

Mas para mim, aquilo não era uma tentativa qualquer. Era uma ponte para o passado, para as respostas que eu buscava desesperadamente. Se o Cullen Medical fosse realmente o que conectava Elizabeth à minha origem, eu estava disposto a tudo para descobrir.

Dois dias se passaram desde que sugeri a visita ao Cullen Medical. Eu mal conseguia dormir, com a ansiedade crescendo a cada minuto. Na manhã de quarta-feira, o Sr. Thompson entrou na sala com um sorriso que parecia iluminar o ambiente.

– Atenção, pessoal! Trago boas notícias. Na sexta-feira, nossa visita de profissões será no Cullen Medical Hospital!

David se virou para mim imediatamente, um sorriso malicioso no rosto.

– Parece que sua ideia deu certo, Josh – ele sussurrou.

Meu coração disparou. O que antes era um plano parecia agora uma realidade palpável. Estava a apenas dois dias de uma oportunidade única de encontrar respostas.

– Vou passar para cada um de vocês as autorizações que precisam ser assinadas pelos pais – continuou o Sr. Thompson. – Não esqueçam de trazer isso amanhã, ou não poderão participar.

Quando ele entregou o papel em minha mesa, minhas mãos tremiam. Li as palavras “Cullen Medical Hospital” no topo do formulário e senti um misto de ansiedade e determinação. Era como se cada letra estivesse me aproximando da verdade sobre quem eu era.

Ao sair da escola naquele dia, corri para casa, com o formulário apertado na mão. Quando entrei, minha mãe adotiva, Helen, estava na cozinha preparando algo para o jantar.

– Mãe – chamei, tentando manter minha voz firme –, podemos conversar?

Ela se virou para mim, enxugando as mãos com um pano.

– Claro, filho. O que aconteceu?

Respirei fundo e entreguei a autorização. Ela pegou o papel e começou a lê-lo. Assim que seus olhos encontraram o nome do hospital, sua expressão mudou para algo entre preocupação e compreensão.

– Você tem certeza disso, Josh? – ela perguntou, sua voz suave, mas carregada de emoção.

Olhei para ela com determinação.

– Tenho, mãe. Eu preciso fazer isso.

Ela colocou o papel na mesa e me puxou para um abraço apertado. Senti suas mãos tremerem ligeiramente enquanto ela acariciava minhas costas.

– Não importa o que você descubra lá, Joseph, essa sempre será sua casa – ela disse, com a voz embargada. – Eu e seu pai te amamos, e nada vai mudar isso.

Fiquei ali, nos braços dela, por alguns minutos. Mesmo com toda a incerteza e medo do que poderia encontrar no hospital, aquela casa, aquela família que me acolheu, era o que me mantinha firme.

– Obrigado, mãe – respondi, sentindo os olhos arderem com lágrimas que tentei conter.

A autorização estava assinada. A visita ao Cullen Medical estava confirmada. O próximo passo para descobrir minha verdade estava prestes a acontecer.

Narrado por Joseph


Desci do ônibus escolar com as mãos suando e o coração acelerado. O Cullen Medical Hospital se erguia à minha frente como um monumento ao meu passado desconhecido, e eu não sabia o que esperar ao cruzar aquelas portas. Enquanto caminhava para o interior do prédio com os outros alunos, senti alguns olhares recaírem sobre mim. Não olhares comuns, mas algo diferente, como se todos estivessem vendo um fantasma.

Engoli em seco, tentando ignorar a sensação de estar fora do lugar. Me posicionei no fundo do grupo, junto com David, que não parecia notar nada estranho.

– Uau, esse lugar é incrível – ele comentou, observando os corredores impecáveis e o brilho das paredes de vidro.

Eu não conseguia dizer nada, apenas concordei com um aceno, mantendo os olhos ao redor. Cada passo parecia me levar mais perto de algo inevitável.

Um médico apareceu para nos receber, um homem de meia-idade com jaleco branco impecável e um sorriso profissional. Ele ergueu as mãos para chamar a atenção de todos.

– Bom dia, pessoal. Sejam bem-vindos ao Cullen Medical Hospital. Meu nome é Dr. Carter, e eu serei o responsável por guiá-los hoje.

Os alunos murmuraram entre si, animados com a ideia de explorar o hospital. Dr. Carter continuou:

– Para ajudar na visita, temos conosco uma das nossas médicas mais dedicadas. Por favor, deem as boas-vindas à Dra. Renesmee Cullen.

Quando ele pronunciou o sobrenome, meu coração parou por um instante. Uma jovem se aproximou, alta, com cabelos castanho-avermelhados e olhos expressivos. Era impossível não notar sua beleza, mas o que mais me chamou a atenção foi sua postura. Ela era confiante, mas havia uma suavidade em sua expressão.

Eu automaticamente me escondi atrás de um dos meus colegas, observando-a com atenção. Renesmee Cullen. O nome soava familiar demais, e eu sabia que precisava ser cuidadoso.

Ela sorriu para o grupo, sua voz suave, mas firme, quando começou a falar:

– É um prazer receber vocês aqui. Espero que essa visita os inspire a explorar mais sobre o mundo da medicina e todas as formas em que podemos ajudar as pessoas.

As palavras dela eram cordiais, mas sua voz carregava algo mais, algo que parecia estar tentando esconder. Então, do nada, os olhos dela encontraram os meus.

Ela parou de falar por um breve momento, seus olhos fixos nos meus, e sua expressão mudou de sutilmente confiante para algo que eu só podia descrever como confuso. Ela parecia tão surpresa quanto todos os outros que haviam me olhado de forma estranha naquele dia.

O que quer que ela tivesse visto em mim, estava claro que tinha causado um impacto. Meu coração começou a bater mais rápido, uma mistura de medo e excitação.

Eu estava no caminho certo.

...


O hospital era imenso, uma mistura impressionante de tecnologia e elegância. Os corredores reluziam sob as luzes brilhantes, e o ar cheirava a limpeza e desinfetante. Eu observei os funcionários, todos impecavelmente vestidos, movendo-se com eficiência. A cada passo, mais claro ficava que os Cullen tinham um império aqui dentro, e que aquele lugar era uma extensão do meu mistério.

Enquanto o Dr. Carter e a Dra. Renesmee nos guiavam, apresentaram vários setores do hospital. Salas de cirurgia equipadas com a mais alta tecnologia, alas pediátricas coloridas para acalmar as crianças, e até mesmo uma área dedicada a pesquisas avançadas. Tudo era impressionante, mas meu foco não era exatamente aprender sobre medicina. Meus olhos sempre voltavam para Renesmee, que liderava a visita com uma calma elegante, mas de vez em quando olhava na minha direção, como se tentasse entender algo.


Finalmente, o professor chamou nossa atenção.

– Muito bem, pessoal! Vamos retornar ao ônibus. Quero todos na frente do hospital em dez minutos.

A turma começou a se dispersar, mas eu hesitei. Enquanto todos seguiam, vi Renesmee sozinha, revisando algo em um tablet. Meu coração batia mais rápido, mas eu sabia que tinha que tentar. Me aproximei, ainda segurando a autorização assinada pelos meus pais no bolso, como se fosse minha coragem extra.

– Esse hospital é incrível. Parece que todo mundo aqui realmente ama o que faz.

Ela levantou o olhar, um pouco surpresa por eu ter falado com ela.

– Ah, obrigada – respondeu, com um pequeno sorriso. – Tentamos fazer o melhor para os pacientes. Você está pensando em seguir carreira na área médica?

Eu assenti, tentando não parecer nervoso.

– É, talvez. Meu sonho é ser cirurgião. Gosto da ideia de poder salvar vidas.

Renesmee pareceu genuinamente interessada, e isso me deu coragem para continuar.

– Deve ser muito bom trabalhar aqui. Parece um lugar especial... para você e sua família.

Houve um breve momento de silêncio, e ela inclinou a cabeça, observando-me de perto novamente.

– É um lugar especial, sim. Minha família construiu isso com muito esforço. Mas e você? Sua família te apoia nessa ideia de ser cirurgião?

Engoli em seco, hesitando antes de responder.

– Eles me apoiam, sim. Mas às vezes parece que há algo maior que preciso entender primeiro...

Antes que pudesse dizer mais, a voz do professor ecoou pelo corredor.

– Joseph! Vamos!

Suspirei, fingindo frustração enquanto tirava meu celular do bolso.

– Tenho que ir. Mas... – deliberadamente o deixei cair sobre uma mesa próxima, como se fosse sem querer. – Droga, o professor vai me matar. Preciso correr.

Renesmee observou a cena, mas não disse nada enquanto eu me afastava. Com sorte, ela encontraria o telefone e tentaria me devolver.

Enquanto saía apressado, vi David me esperando do lado de fora.

– Cara, o que foi isso? – ele perguntou, rindo.

Eu apenas sorri de lado.

– Um plano. Se tudo der certo, a Dra. Cullen vai até mim.

David levantou as sobrancelhas, impressionado.

– Você tem coragem, meu amigo. Boa sorte.

E com isso, subi no ônibus, tentando parecer tranquilo enquanto meu coração batia como um tambor. Se aquilo funcionasse, eu estaria mais perto de descobrir a verdade.