Pais e filhos
1 único
Há um tempo existia dois rapazes muito amigos um do outro, um se chamava Mihawk, era sério e seus cabelos eram negros. O outro se chamava Zeff, esse por sua vez, era travesso e seus cabelos eram loiros. Os dois se conheceram no ensino médio, mas a amizade perdurou por todo aquele tempo. A faculdade passou, envelheceram e um até mesmo se casou. Ainda assim, continuaram amigos e mantendo contato.
Mihawk e sua mulher tiveram um filho e numa noite chuvosa, Zeff trouxera um bebê para eles. Fora encontrado na entrada de sua casa e estava desesperado por ajuda, o bebê parecia estar com fome quando não parava de chorar, e teve a ideia de pedir a mulher de seu melhor amigo para amamentá-lo.
O amigo achou melhor procurar por um agente infantil, mas sua esposa disse que estava tudo bem. Algumas horas mais tarde, ela lhe diria que Zeff parecia ter gostado do bebê. Também disse que seria ótimo se Zoro tivesse um irmão com uma amizade tão duradoura quanto a deles. Mihawk achou que era impossível seu melhor amigo cuidar de uma criança, mas se lembrou que o achava solitário e que aquele coração quente de sua juventude estava ficando cada vez mais frio e ranzinza. Talvez se tornar pai lhe faria bem.
Contudo, não foi bem assim... Zeff parecia ter piorado quando chutava a cabeça de Sanji por qualquer motivo. O rapaz loiro nunca entendeu por que não o deixou morrer na entrada de sua casa dentro de uma cesta quando era apenas um bebê, já que aquele velho miserável gostava de jogar na sua cara o tempo todo que havia o salvado!!
— Berinjelinha!!! O que eu faria depois com o seu corpo??
— Faria nada e ia pra cadeia, velhote de merda!!
E Sanji recebeu mais um chute.
— Já falei pra dar um jeito nessa sua boca suja!
Os dois estavam na cozinha do restaurante Baratie, no qual Zeff era chef e dono. Sanji se tornara um belo rapaz com umas sobrancelhas estranhamente encaracoladas, ele tampava uma com a franja, porque, além de encaracoladas, eram assimétricas. Descascava batatas, tarefa que odiava, pois estava apto o bastante para substituir aquele velho decrépito e não ficar no posto mais baixo. Aliás, às vezes passava por sua mente pegar uma daquelas facas da cozinha para apunhalar Zeff enquanto estivesse dormindo durante a noite. Porém, descartava esse plano quando não sabia o que fazer com o corpo depois. Realmente é um saco morrer e um corpo ficar pra trás.
— Ei, Sanji, aquele seu amigo punk tá ali no beco te chamando. — Patty, um funcionário, entrou pelos fundos dando essa notícia.
O garoto imediatamente largou a prataria para encontrar Zoro com sua mochila e mãos nos bolsos da calça. As solas de seus coturnos se arrastavam nas britas do beco, procurando o que fazer enquanto esperasse. Mas Sanji não demorou.
— Marimo, por que tá aqui e não está dormindo em casa? Tá perdido?!
Zoro levou um susto com o tom elevado e revirou os olhos logo em seguida. — Só queria saber por que não veio à aula mais uma vez. Ainda tá querendo chamar a atenção de Zeff?
— O que disse?! — Sanji, enfurecido, pulou os degraus da entrada para pegar na camisa do esverdeado.
— Isso que tá pensando!!! Tá faltando aula porque é um mimado!! — Puxou a camisa do loiro também.
Ficaram alguns segundos bufando e de testas coladas, mas o loiro se afastou depois de estalar a língua e voltou a encarar Zoro com as mãos nos bolsos. — E por que seu cabelo é verde agora? Não está chamando a atenção de seu pai também?
O esverdeado desviou o olhar e suspirou. — Será que tem como vir comigo para o dojô agora?
— Sim, deixa eu apenas tirar esse uniforme. — Subiu os degraus da entrada dos fundos e se lembrou de algo. — Quer comer algo? — Perguntou olhando por cima do ombro para encarar seu amigo.
— Não, não pretendo entrar. Apenas anda logo e mude de roupa.
— Ok. — Deu de ombros.
Escureceu quando os dois caminhavam até a casa de Zoro, o dojô ficava ao lado. Durante o caminho, Sanji falou de garotas e do quanto o velhote de merda era ranzinza. Ele até mesmo comentou sobre o plano da faca. Contudo, Zoro não prestava atenção, e estava claro que isso não era importante para o seu amigo. Sanji apenas queria falar e pouco importava se o esverdeado lhe ouvia.
O dojô estava vazio naquela noite. Os rapazes deixaram os sapatos na entrada e antes de ir para o vestiário, Zoro parou e se ajoelhou em frente ao um retrato de uma bela moça para rezar. Sanji conhecia um pouco aquela garota, foi num tempo que os dois estudavam em escolas diferentes e, por isso, não a conheceu direito. Sanji se sentia curioso para saber mais dela, mas tinha medo de despertar algum gatilho no marimo. Pelo menos deixava claro que o ouviria a qualquer momento.
Depois, o esverdeado foi para o vestiário, enquanto Sanji se sentou no tatami, onde os alunos costumavam ficar para ver um duelo. De repente, Mihawk adentrou o local. Sua presença sempre assustava o loiro, porque era sempre imponente. Nessas horas, conseguia entender a relação fria entre ele e Zoro, muito diferente com a que tinha com o velhote de merda, na qual Sanji até mesmo xingava o velho de cabo a rabo.
O duelo acabou, a espada de bambu de Zoro voara para o outro lado do tatami e agora Mihawk apontava a sua sobre o seu rosto. — Você é fraco.
Disse seco e deu as costas para partir, enquanto o marimo continuava estirado no chão. Sanji se levantou e se ajoelhou ao lado de sua cabeça, logo a vista de Zoro fora tomada pelo rosto do sobrancelha enrolada. — Levanta, marimo, essa não é a primeira e nem a última vez que perdeu.
Zoro se levantou com a ajuda de Sanji. — Obrigado pelas palavras motivadoras. Tendo um amigo como você, quem precisa de inimigos, não é não?
Sanji apenas riu. — Vamos pra tua casa, precisa tomar um banho.
— Mas eu tomei um ontem.
— E daí?!
Enquanto Zoro tomava banho, Sanji procurava por alguma revista pornográfica em seu quarto. No entanto, não achara nenhuma, mesmo olhando em todo canto, ficou descontente. Decidiu que compraria algumas para o marimo assim que tivesse a oportunidade.
Estava mexendo no computador, quando Zoro chegara com uma toalha rodeando o quadril. Abriu o guarda-roupa e pegou algumas peças de roupas, enquanto a toalha branca deslizasse até o chão. Sanji desviou seu olhar por um segundo e passou a observar o marimo se vestindo, discretamente. Zoro se tornara um rapaz bonito, e às vezes achava que tudo fora tão de repente. Há pouco tempo tomavam banhos juntos e não havia o pensamento se aquilo seria estranho.
— Desliga esse computador, vou ligar o notebook para ficarmos na cama.
E após Sanji desligar o computador, apagou a luz do quarto. Deitou-se ao lado do marimo cheirando a shampoo. Era tão mais agradável quando estava cheiroso.
— O que quer ver?
— Um filme com duas garotas se pegando.
— Isso é pornô!
— Quê? Realmente existe, marimo! O nome é Azul é a Cor Mais Quente.
Por precaução, Zoro pesquisou no google e viu que pertencia a diversos gêneros, mas pornografia não estava incluso. — Ok, então.
— Por que não confia em mim?!
— Ora, por motivos óbvios!!
O marimo deu play, mas Sanji pausou logo em seguida, precisava dizer algo. — Você não precisa andar comigo, porque nossos pais são amigos
— Quê?!
— Eu percebo que nós dois não gostamos dos nossos pais e forçar uma amizade entre nós só estaríamos mostrando a eles que estão certos. Mas eu percebo também que você se incomoda muito com o meu jeito, não precisa ser obrigado a aguentar isso.
Zoro ouvia tudo e eram sussurros. O lamento de Sanji lhe dava cócegas por estar tão perto de seu ouvido. — Acho que não odiamos eles...
— Qual é marimo, pare de se convencer que não! Aquele safado me pega fumando, mas nunca me deu um chute por isso!! Só que se eu fizer algo que me deixa feliz e que não faz mal à minha saúde, ele me dá a porra de um chute!!! Ele não se importa comigo por deixar eu fumar!!
— Então, por que queremos chamar suas atenções? — Zoro colocou o notebook na mesa da cabeceira e se aproximou do loiro, ficando de lado na cama.
— Oras, porque queremos ser amados! — Sanji não percebia a aproximação do outro, estava focado demais em o que dizer.
— Então, você está me propondo a não querer o amor de meu pai e terminar minha amizade com você? Mas sobrancelha enrolada, como vou me sentir mais amado me isolando de todos?
— Bem... a sua mãe é legal... o Luffy e o Usopp também.
Zoro puxou o loiro pela cintura. — Não ligo pra nenhum desses e sobre o meu pai, acho que seria uma boa matá-lo. Mas quero você ao meu lado e quando está ao meu lado, nada mais importa e a vontade de matar o meu pai se vai, porque se torna algo muito irrelevante. — Deu uma pausa e sorriu ao ver o rosto de Sanji corar. — Gosto do seu jeito tarado e da sua boca suja, para mim você não precisa mudar em nada e nem chamar minha atenção.
De repente um braço de Sanji enlaçou os ombros largos de Zoro, que estava um pouco suspenso no ar. Deu-lhe um beijo, tombando o corpo dele contra o seu.
Tiraram as camisas e as bermudas, Sanji se lembrou do corpo moreno e despido quando retornou do banho, agora aquele corpo forte estava sobre o seu.
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