Painting Flowers
8 Parte 2 - Nine in the Afternoon
Notas iniciais
a linda da Ana continua sem internet então eu to postando pra ela yo
acontece que chegou um comentário aqui tão lindo (não sei o nome da alma) que ela disse VOU COMEÇAR A ESCREVER AGORA, e pá 2 dias depois o capitulo ta pronto
É RECORDE
Francis sorriu e continuou a beijar Matthew. Suas mãos estavam pousadas nos quadris do canadense que por sua vez segurava seus ombros. Se fosse outra ocasião, ele faria questão de levar Matthew até a cama ou parede mais próxima e sem dúvida aquelas mãos estariam puxando seu cabelo ou arranhando sua nuca. Mas não, óbvio que não, sua primeira chance de rever seu amante – namorado? — em meses tinha logo que ser na mesma noite em que teriam que jantar com Alfred e Arthur.
Ele realmente não se importava, por ele podiam mandar uma mensagem qualquer desmarcando e continuariam o que estavam fazendo. Contudo, Matthew jamais faria isso. Maldita educação canadense.
- Hmpf... Francis. — ele chamou com sua voz baixa de sempre enquanto tentava empurrar o mais velho pelos ombros. Não se esforçou tanto assim, na verdade, e só conseguiu parar o beijo. O francês resmungou alguma coisa e moveu sua boca para o pescoço claro à sua frente. As mordidas leves, os beijos e o delicioso roçar da barba rala de Francis distraíram o canadense por alguns bons segundos em que não conseguiu emitir nenhum som além de “Ah...”. Matthew não admitiria fácil, mas adorava quando Francis deixava a barba. — C-certo... Francis... Francis, agora não podemos... — Conseguiu articular. — Temos que ir.
O francês finalmente parou. Bufou irritado e deu um último selinho em Matthew, soltando seus quadris.
- Droga. Vamos logo, então.
Matthew deu um pequeno sorriso e guiou Francis para fora do quarto do hotel, trancando a porta atrás de si enquanto o francês apertava o botão do elevador. Quando chegou, estava vazio e ambos entraram, assim que as portas se fecharam Matthew enrolou seus braços em volta do pescoço de Francis e beijou-o mais uma vez, murmurando:
- Eu sei que você não quer ir, mas eu prometi ao meu irmão e tem um tempo desde que não vejo ele e o Arthur. Quando voltarmos, vou fazer a espera valer a pena. — Por causa de sua timidez, não era exatamente normal ouvir o canadense falando daquela forma, tirando certas ocasiões especiais. Francis não tinha certeza se gostava mais do tímido e corado Matthew, ou do Matthew malicioso. Os dois pareciam perfeitos.
- Se continuar assim vamos voltar para o quarto agora mesmo – sussurrou ao pé do ouvido do canadense.
- Depois, como prometido – assegurou enquanto as portas se abriam, agora dando visão ao saguão do hotel.
Francis passou seu braço mais uma vez pelo quadril do outro, levando-o para fora.
- Mal posso esperar.
Eles não tocaram no assunto. Assim que Alfred saiu da loja de fantasias com as mãos enfiadas nos bolsos, até quando ambos estavam no táxi, às sete da noite, indo encontrar Francis e Matthew no restaurante. O dia inteiro, eles ignoraram totalmente o acontecimento. Sem comentários estranhos, sem pedidos constrangedores de desculpas, nada. Arthur estava grato por isso.
O restaurante em questão era menos chamativo que o que Alfred e Arthur haviam ido alguns dias atrás. Era muito mais informal, o tipo de lugar que pessoas vão para encontrar amigos numa noite de sexta, por exemplo, ou assistir a futebol enquanto comiam. Havia até um bar no canto.
Estava cheio, porém não lotado, e logo encontraram o francês e o canadense em uma mesa próxima à janela. Matthew parecia animado em vê-los, ao contrário de Francis que estava mais ocupado brincando distraidamente com a mão de seu namorado enquanto sussurrava alguma coisa em seu ouvido.
Arthur não queria saber o que ele estava dizendo.
- Hey, bro – saudou Alfred enquanto se sentava de frente para o casal. Sua expressão ficou entre enjoada e nervosa enquanto observava Francis praticamente agarrado à seu irmão. — Ah, não, jura? Parem com isso, é nojento.
Francis lançou-lhe um olhar irritado antes de se afastar do ouvido de Matthew, sem, contudo, soltar sua mão. Arthur, ao contrário do que era imaginado, não ficava incomodado ao ver Francis e Matthew juntos, em certo ponto ele até os achava adoráveis – nunca diria isso em voz alta. Alfred por outro lado era o irmão do canadense e era muito, muito perturbador ver seu irmão se agarrando com alguém.
- Como foi a viagem? — perguntou Inglaterra lendo o cardápio.
- Confortável, obrigado por perguntar – respondeu Matthew sorrindo. — Cheguei antes do meio dia, mas só encontrei Francis há duas horas no hotel.
- Disse pro Alfred marcar o jantar amanhã, que vocês estariam cansados do voo, mas ele disse que não era problema.
- Ah, e não é. Tivemos tempo suficiente para descansar um pouco. — assegurou. Mesmo que o único descansar que França tenha tido fossem algumas horas de sono em um avião e depois longos minutos beijando Matthew no sofá do quarto.
Francis estava a ponto de abrir a boca para retrucar quando Canadá interrompeu:
- Por que você não busca alguma coisa pra gente no bar? Eu ia adorar algo bem doce agora. — Deu um sorriso muito mais amplo que o normal e, sem discutir, Francis assentiu e se levantou.
- Eu vou com ele. Quer alguma coisa, Artie? — disse Alfred.
- O mesmo que você, está ótimo.
Arthur e Matthew observaram os dois homens irem até o bar no fundo do restaurante e, assim que estavam longe o suficiente, o canadense se voltou para o britânico e falou com sua voz suave:
- Então... Soube que você está na casa do Alfred. — Arthur sentiu seu rosto corar irracionalmente.
- É.
- E está de férias.
- Pois é.
- Eu não quero me intrometer, mas... Hum... Desde quando você tira férias do nada?
- Bem... Eu não tiro. — Franziu as sobrancelhas. — Foi muito estranho, na verdade. Meu chefe simplesmente me despachou pra cá me mandando dar um tempo. Ele jamais faria isso, não faz sentido. E até... me disse para ficar na casa do Alfred. — A história soava ainda mais errada sendo dita em voz alta.
- É, muito estranho mesmo. — repetiu desconfiado.
Do outro lado do restaurante Alfred e Francis carregavam duas bebidas cada um:
- Então... “Artie”, é? — disse o mais velho.
- Shut up.
O francês riu.
Os dois voltaram para a mesa, onde Arthur e Matthew logo mudaram de assunto. Por horas, eles bebericaram de seus copos e comeram distraidamente aperitivos – os europeus a certo falso contragosto no inicio, pois diziam que aquelas batatas com queijo eram repugnantes, mas depois do primeiro prato pararam de reclamar – enquanto conversavam. Alfred exclamava e ria alto aqui e ali entre enormes porções de comida que enfiava na boca, Francis dialogava com calma e certo cinismo, sempre provocando tanto o britânico quanto o americano de brincadeira, Arthur sorria e falava, hora ou outra pegando uma batata, e Matthew observava em silêncio, sorrindo e comendo, a maior parte do tempo, às vezes se intrometendo quando lhe chamavam ou quando o assunto era interessante.
Já – ou ainda – eram nove da noite quando saíram do restaurante. As ruas estavam, obviamente, lotadas, e luzes brilhavam em toda parte. Nova York, pensou Arthur, essa é a cidade de que falam.
- Essa claridade até que me lembra Paris – comentou Francis distraído. — Mas é claro que a minha cidade é muito mais encantadora. — declarou como se fosse um fato qualquer.
- Ha! Vai sonhando. — riu Alfred. — Quem tá afim de caminhar um pouco antes de voltar pro hotel?
Matthew, pelo que Arthur desconfiava, visitava os Estados Unidos o suficiente para conhecer algumas cidades principais, e Nova York talvez fosse uma delas. Os olhos violáceos se iluminaram e ele virou-se para Francis que o segurava pelo quadril, como de costume.
- S-será que te incomoda se formos a uma loja antes de voltarmos?
- Claro que não, mon cher.
- Alfred, — virou-se para o irmão – mostre o caminho até a Toys R Us.
O sorriso exuberante do americano se formou em seu rosto e ele gritou “This way!” antes de agarrar a mão de Arthur e caminhar pelas ruas de Nova York como se elas não fossem um labirinto. As luzes e barulhos da cidade os seguiam a qualquer lugar, e por um momento tudo pareceu incrível. Arthur queria agir como um humano qualquer e ir com Alfred até todos os pontos turísticos e pedir para ele lhe mostrar mais. Ele queria andar a noite inteira e patinar no gelo, e ir às lojas, e passear pela Times Square. Ele queria beijar Alferd no topo do Empire State como faziam os casais. Ele queria que o americano o tratasse como Francis tratava Matthew.
Mas ele não podia. O pensamento fez um nó em seu estômago e o calor da mão de América na sua pareceu subitamente ruim. Contudo, ele não se separou e prosseguiu, quieto.
A loja de brinquedos não era o que Arthur esperava. Porém ele estava em Nova York, uma das cidades preferidas de Alfred, então se um robô-tiranoussauro-rex e uma roda gigante dentro de uma loja não era esperado, ele não sabia o que esperar. Francis parecia mais ou igualmente surpreso, e deixou Matthew o arrastar pela loja, abobado. Os irmãos pareciam duas crianças ali, levando os europeus de um canto para o outro, vendo os brinquedos e jogos.
- Olhe que gracinha! — riu Alfred mostrando uma pelúcia de leão para Arthur. — Se bem que, eu acho esse aqui muito mais a sua cara. — Das prateleiras tirou outro bichinho, dessa vez um coelho dourado com olhos de botão e um laço verde no pescoço. — Ele é bonitinho, igual a você. — Arthur jamais achava que fosse viver para ouvir Alfred falando “gracinha” e “bonitinho”, ainda mais na mesma noite, ou sendo direcionado a ele. E muito menos imaginava que fosse ficar tão constrangido.
- C-cale a boca. — Mas que inferno, tinha que gaguejar logo ali. — Eu não sou “bonitinho”.
- Claro que é – retrucou como se fosse a coisa mais normal do mundo. — Bonitinho como esse coelho. E, quer saber, eu vou até levar.
- Oh Deus, eu não acredito. — Olhou em volta para ter certeza de que Francis não estava ouvindo, todavia ele parecia ocupado demais vendo Matthew abraçar uma pelúcia de urso polar.
Alfred, além de comprar o maldito coelho com o laço verde, também fez questão de comprar outro parecido usando um laço azul. “É pra combinar”, ele havia dito. E Arthur esperava que não fosse uma referência a cor dos olhos dos dois, pois, sinceramente, morria de vergonha só de imaginar.
Os quatro tiraram uma foto junto ao robô de dinossauro e depois foram para a roda gigante. Do topo, era um pouco mais alta do que imaginava, e era possível ver toda a loja dali. Com um coelho de pelúcia no colo e Alfred do seu lado, Arthur sorria como um bobo enquanto observava todas as crianças e brinquedos abaixo de si. Acima deles, estavam Matthew e Francis, ambos rindo e dando as mãos.
Arthur se sentia extremamente leve ali. Nunca havia imaginado que fosse ficar tão feliz junto de França, que se divertiria tanto com Canadá, ou que ficaria tão bem só de ver América alegre.
- São muitos jogos. — Francis comentou enquanto Matthew andava até o caixa com os braços cheios de jogos para Nintendo DS.
- Sim, e agora são todos meus. — sorriu, parecendo muito com Alfred.
- Não quer nada, Artie? — perguntou o americano em questão o cutucando.
- Ah, não. Pra mim, está bom. — Não, mas é claro que Arthur não apertou o coelho de pelúcia contra o peito.
- Anda, Matt! A gente têm muita coisa pra fazer amanhã! — chamou Alfred.
Assim, quase duas horas depois, os quatro saíram da Toys R Us rindo feito criancinhas. Matthew com uma sacola cheia de jogos, Francis ao seu lado, Arthur com o maldito coelho e Alfred com o seu. O canadense e o francês decidiram caminhar até o hotel, que ficava na direção oposta à casa do americano, e então se despediram.
- Será que podemos... Hum... Andar um pouco antes de voltarmos? — pediu Arthur encarando seus pés.
Alfred nada disse, ele só envolveu o menor pelo quadril e continuou andar, assim como Francis fazia com Matthew. O calor subiu até as orelhas do britânico, que não reclamou. Esperava que Alfred segurasse sua mão, ou pusesse o braço sobre seus ombros, não aquilo. Era terrivelmente mais íntimo.
E, nessa linha de pensamento, Arthur não pode deixar de notar que ele e América nunca tinham tido tanto contato físico quanto naquela semana.
Ele não deveria, mas gostava.
'Cause it's nine in the afternoon
Your eyes are the size of the moon
You could, 'cause you can, so you do
We're feeling so good, just the way that we do
Notas finais
+++O PROXIMO É EXTRA E É MUITO BOM EU JÁ LI NHONHONHO
enfim, a autora é, infelizmente, motivada por comentários. minhas ameaças não funcionam, só vocês podem trazê-la para a luz
ok ok beijão até a proxima fui
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