Painting Flowers
14 Dia 7 - White Blank Page
A luz dourada invadia o quarto pela janela, colorindo tudo ao redor de Arthur. As paredes, as roupas jogadas no chão, Alfred deitado ao seu lado. Doía olhar para ele, os cabelos loiros brilhando, o rosto bem angulado, os cílios, os ombros, as costas, tudo. Tudo. Era como encarar um sol mais suave que podia explodir a qualquer momento.
Arthur deitou mais uma vez e respirou fundo, então levantou da cama e foi para o quarto de hóspedes. Ele vestiu qualquer coisa o mais depressa que podia, xingando em voz baixa. Pegou sua mala, carteira e celular e foi em direção a sala.
Alfred ainda não tinha acordado. Ele podia voltar e dormir mais. E acordar com o cheiro de café da manhã no apartamento, porque Alfred é o tipo de pessoa que faria isso, eles iriam se beijar e namorar o resto do dia.
Soluçou.
Ou podia acordar morrendo de vergonha, porque nenhum dos dois estava bêbado o suficiente pra culpar o álcool sobre caso de uma noite mais embaraçoso do planeta. E sua amizade com Alfred vai se destroçar, e perderia o americano mais uma vez.
Enxugou as lágrimas com a manga da blusa.
A amizade já tinha acabado. Podia pelo menos evitar a vergonha.
Com os olhos embaçados, Arthur bateu na mesa da sala no seu caminho.
— Merda!
E ali estava o buquê de rosas vermelhas, quase morto. Uma pequena pilha de pétalas cercava o vaso. Hipnotizado, correu os dedos por uma das flores.
As flores, as férias, as passagens, a festa… Deus, como ele era estúpido. Alfred tinha armado aquilo tudo. Aquele… Que direito ele tinha de…?
Ele queria tanto dar meia volta de gritar com América por achar que podia fazer uma coisa daquelas do nada, só tirá-lo de sua rotina, seu trabalho, pra uma coisa estúpida daquelas, eles…!
Respirou fundo, mas os soluços não paravam.
— Eu não posso… Eu não posso fazer isso – murmurou.
Com uma rosa segura em sua mão e seus pertences, Arthur fugiu do apartamento de Alfred e foi embora.
Alfred acordou horas depois, e quando notou que sua casa estava vazia, ele afundou a cabeça no travesseiro e não se mexeu por horas.
A white blank page and a swelling rage, rage
You did not think when you sent me to the brink, to the brink
You desired my attention but denied my affections, my affections
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