Painting Flowers

10 Dia 5 - Waiting For The End


Notas iniciais
Ou mais conhecido como "Talvez o capitulo mais curto até agora" Okay, eu sei que eu devo algumas (milhares) de desculpas Então me desculpem milhares de vezes Antes de tudo, eu gostaria de dizer que não ignorei os comentários, de verdade, eu só não tive tempo livre nenhum nos últimos meses... Mas agora eu tenho!!! YAY (?) Vou tentar escrever sempre que tiver tempo livre, ou seja quase toda hora, e vou tentar terminar a fic e postar com intervalos muito, muito menores. Sério, me perdoem. Que vergonha. Eu sei que esse é um capitulo muito vagabundo, maaas... Aproveitem!

Ele não tinha ideia de como nações morriam, ou terminavam. Alguns diziam que um dia elas simplesmente sumiam, como o Grande Império Romano. Outros que elas envelheciam e morriam de doenças ou ferimentos comuns. Havia até aqueles que falavam que elas se tornavam humanas, ou que não havia tal coisa como uma nação morrer. Nessas questões, todos olhavam para Prússia, que após tanto tempo continuava vivo e, pelo visto, tão imortal quanto qualquer um deles.

Arthur, quando muito jovem, tinha ouvido uma história de uma das nações mais antigas, Anciã Celta – como era apelidada, ou sua mãe –, sobre a nação mais velha do mundo, Atlântida.

Os humanos consideravam só uma lenda, claro, como Mu, porém os Anciãos sabiam da verdade. Pelo visto, Atlântida não tinha sumido, se tornado humana ou continuado a viver normalmente após seu território e povo ser dizimado por um dilúvio. Anciã Celta disse que a havia visto se afogar. Ela estava em terra, segura em outro continente, contudo água saía de seu nariz e boca e enchia seus pulmões, como se estivesse se afogando de dentro para fora. Atlântida havia tido o mesmo destino que seu povo e terra.

Às vezes ele se perguntava o que aconteceria com eles se ocorresse a tal Terceira Guerra Mundial, a Guerra Nuclear. Inglaterra era forte e persistente, porém pequeno em território, se fosse atingido teria um destino muito pior que o Japão. Deus, por quantos anos não havia acordado no meio da noite por ter visto o estado do oriental após ser atacado pelas duas bombas atômicas. Após ser atacado pelos Estados Unidos.

Ele mal conseguia saber o que o aterrorizava mais, ver o efeito do ataque, ou saber quem havia atacado. Por um longo tempo havia ficado com medo do americano. Alfred, ele entendia agora, possuía muitas faces, e algumas eram aterrorizantes.

Ele podia ser o perfeito soldadinho estadunidense, ou a imagem viva do governo dos Estados Unidos da América, com toda a sua “liberdade” e “paz”. Ele também conseguia ser só um garoto, viciado em videogames e porcarias, nunca levando nada a sério. Ou... ele podia ser só... Alfred. Como naquela semana, quem sabe. Aquela constante agitação pacífica, as brincadeiras não-maldosas, os risos e a simpatia.

Arthur estava aterrorizado, pois ele raramente via aquele lado, e era o que mais gostava. Era bem possível que fosse só uma semana diferente, e depois voltassem ao normal e, deuses, como ele detestava pensar naquilo. Ele queria tanto Alfred, mas não da forma quase doente de antes. Ele não queria a colônia infantil que precisava de proteção, ou o homicida viciado em guerras, ele não queria a América, ele só queria Alfred. O homem lindo e meio irritante deitado à sua frente.

O peso do inglês afundava a ponta do colchão, mas o americano sequer tinha se mexido. Os olhos fechados e a respiração anormalmente lenta, sem toda aquela hiperatividade. Os cabelos loiros curtos caiam sobre o travesseiro e a coberta estava jogada de qualquer jeito sobre o corpo encolhido. Ele estava dormindo sem blusa, em pleno outubro. Idiota, pensou Arthur.

Pousou a mão distraidamente na bochecha de Alfred, tentando ser o mais sutil possível. A pele era quente e macia sob a sua mão, tão... vivo. Com as pontas dos dedos acariciou os fios de cabelo próximos à têmpora.

Seu olhar passeou desde os cílios claros até os lábios finos e o queixo com a barba bem feita. Foi impossível se impedir de observar mais abaixo, seguindo cada contorno dos músculos bem trabalhados. Arthur queria muito tocá-los. E inconscientemente sua mão recuou do rosto do mais novo pronta para seguir até seu abdômen.

Mas ela nunca chegou até lá. Algo quente a envolveu e ela voltou a ser pressionada contra a pele macia da bochecha.

Era a própria mão de Alfred, cobrindo a sua.

Um par de olhos terrivelmente azuis e meio grogues de sono o encaravam. Arthur sentiu sua respiração prender e uma pressão subir até sua garganta, não conseguia se mexer, ele devia se levantar e ir embora. Mas desde a noite retrasada não encontrava forças para sair.

Amaldiçoou todos os países e talvez seu rosto tivesse denunciado o nervosismo que sentia, mesmo que tentasse mantê-lo impassível. Pois Alfred se endireitou na cama, o suficiente para ficar meio sentado, com uma distância ainda considerável entre ele e o britânico.

Seus dedos se entrelaçaram pelo que parecia ser a milionésima vez aquela semana, e o americano pousou ambas as mãos dadas distraidamente na pele quente de seu pescoço. A cada segundo ele parecia recobrar mais a consciência e seu olhar tornava-se mais atento, nunca separando-se dos olhos verdes à sua frente.

Arthur sabia que caso ele tivesse tempo de pensar na situação, a possibilidade de ocorrer uma conversa era grande. E ele não estava pronto para aquela conversa. Então sua mente lhe fez o favor de lembrar o motivo de estar ali. Sentado na cama de Alfred. O encarando enquanto ele dormia. E passando a maldita mão pelo seu rosto.

Oh meu deus o que ele tinha feito.

— Ar- O americano tentou falar, só para ser interrompido:

— Matthew e Francis ligaram agora. Eles vão nos encontrar no depósito pra começar a arrumação daqui a uma hora. — Soltou sua mão da de Alfred e se levantou. — Eu já comi e estou pronto. Vou chamar um táxi enquanto você se arruma. É melhor preparar alguma coisa pra comer no caminho ou vamos nos atrasar. — ditou como uma máquina.

Talvez um breve choque inicial tivesse passado pelo rosto jovem do estadunidense. Até Arthur sentia-se um pouco surpreso pelo modo como tinha derramado a informação. Porém, se ela esteve ali, logo se dissipou. Alfred cruzou os braços atrás da cabeça e se encostou na cabeceira da cama. O britânico sentiu dificuldades de se concentrar em seu rosto ao ver os músculos do abdômen e do tórax se esticarem.

— Tsc, sem café da manhã na cama? — disse o americano.

— Já são quase onze horas.

— Sem almoço na cama? Sério, Artie, você está fazendo um péssimo papel de namorado carinhoso. — provocou bocejando.

Arthur sentiu um nó na garganta que obrigou a dissipar no mesmo instante, e revirou os olhos para disfarçar.

— E você, de namorado útil – replicou. — Vá se aprontar logo, idiota.

Alfred riu e se levantou, provavelmente indo em direção ao armário, mas o inglês já havia saído do quarto.

Arthur chamou um táxi e tentou se ocupar enquanto o som abafado do chuveiro funcionando enchia o apartamento. Sua mente estava borbulhando, a paz do dia anterior quase quebrando sob o peso de todos aqueles malditos pensamentos e preocupações. Ele gostaria de poder se manter entretido, esquecer de tudo aquilo, quase desejava voltar a trabalhar.

Enquanto o táxi não chegava e o americano não estava pronto, Arthur lavou o resto da louça, arrumou a sala, “seu” quarto e suas coisas. Mas não foi o suficiente para se manter entretido, e no final imagens de Alfred segurando sua mão, dormindo, rindo e entrando no trocador no dia passado flutuavam entre seus pensamentos.

Não teria problema se tivesse parado por aí, mas não, seu subconsciente estava se sentindo bem criativo àquele dia e decidiu se inspirar com o barulho do chuveiro: Alfred nu, com a água escorrendo pelo corpo, contornando os músculos dos braços, do abdômen, do tórax e das costas fortes, descendo até o quadril e as coxas. Os cabelos loiros grudados ao rosto e os olhos azuis brilhantes bem ali. Arthur não soube quando, contudo logo ele mesmo estava nessa imagem, igualmente sem roupas e com o corpo colado ao do america-

Ah, não. Não, não, não, não. Arthur não teria uma ereção na casa de América enquanto esperava um maldito táxi. Ele não teria uma ereção pensando em Alfred no banho.

Pelo amor de Deus, estava agindo igual a um adolescente.

Então, um par de braços se enrolou em seu tronco e outro corpo se encostou às suas costas. Arthur foi pego tão de surpresa que nem teve tempo de se assustar.

— O que está fazendo? — Alfred perguntou, e o inglês reparou que o som do chuveiro havia desaparecido há muito tempo.

Virando o rosto Arthur conseguiu ver o americano o olhando com um sorriso no rosto e com os cabelos ainda meio molhados.

Ótima forma de não ter uma ereção.

— Hã, só, bem, me preparando para a viagem de volta, sabe – balbuciou Arthur tentando manter uma distância respeitável entre os dois e tapando discretamente o volume de suas calças.

Alfred franziu as sobrancelhas e desfez o abraço.

— Ainda faltam dois dias.

— É, mas é sempre bom estar pronto.

De onde estava, arrumando uma pilha de blusas sobre a cama, Arthur não conseguia mais enxergar Alfred, contudo não pode deixar de notar o tom frustrado do americano quando disse:

— Certo. Faça isso depois, o táxi chegou.

Quando se virou, ele não estava mais lá.

Francis e Matthew estavam parados na frente do depósito cercados com algumas sacolas que pareciam pesadas. Alfred engoliu o último pedaço do sanduíche que havia levado para o táxi e andou na direção do irmão, sendo seguido por Arthur.

Todos os quatro pareciam estar vestidos da mesma forma: Tênis, blusas e calças velhas. Estavam ali para se sujarem no fim das contas. Seria um dia longo.

— O que tem aí? — perguntou o americano espiando dentro das bolsas.

— Produtos de limpeza. E um rádio. Matt achou uma boa ideia dar uma geral antes de decorarmos. — respondeu Francis dando de ombros.

— Nah, não precisa. Aposto que o pessoal deve ter feito o suficiente ontem quando entregaram as mesas. — sorriu.

Eles não tinham. É claro, o espaço em volta das mesas, cadeiras, sofás e almofadas estava impecável. Assim como os aparelhos de som e o bar montado em um dos cantos e as inúmeras sacolas de enfeites que haviam comprado, jogadas ali perto. Mas ainda era possível ver bolotas de poeira se acumulando no lugar e sujeira estampada nas paredes e no chão. Arthur torceu o nariz, não tinha reparado no quão imundo o depósito estava na primeira visita.

Um longo, longo dia, de fato.

— Okay… — Alfred bateu as mãos umas nas outras e abriu um dos seus sorrisos brilhantes. — Vamos começar?

— Acho que iriamos mais rápido se dividíssemos as tarefas – falou Arthur. — Precisamos tirar a poeira das paredes e limpar o chão, mas aqui é enorme. Então que tal nos dividimos em pares?

— Eu e Alfred ficamos com as paredes – sugeriu Francis antes que qualquer outra pessoa pudesse se pronunciar. Arthur ficou em silêncio, surpreso, antes de concordar. Era no mínimo… surpreendente ver o francês não parear com Matthew por vontade própria, mas não disse nada.

Ligaram o rádio e o deixaram em cima de uma mesa, enchendo o ambiente com uma música que o britânico não parecia conhecer. Agarraram alguns panos e vassouras e cada dupla foi para seu canto.

Francis e Alfred estavam no fundo do depósito limpando algumas teias de aranha e sujeiras grudadas nos painéis de madeira, afastados o suficiente de Arthur e Matthew para não serem ouvidos caso sussurrassem.

— Por que não ficou com Matt? — murmurou o americano por entre os dentes, irritado.

— Porque queria terminar a conversa que tivemos ontem.

— Não tivemos conversa nenhuma – disse confuso.

— Obviamente, pois antes que eu tivesse a chance de tocar no assunto você já tinha voltado correndo para a mesa. Correndo para o Arthur. — o francês soou sarcástico.

— E o que diabos você esperava? Que eu ficasse conversando meia hora com você e ignorando o fato de que ele estava bem ali?

— É disso que eu quero falar, garoto. Ele está bem ali há quase uma semana e pelo visto não houve progresso nenhum. — Alfred olhou para trás, na direção em que seu irmão e o britânico conversavam baixinho.

Voltou sua atenção para arrancar uma teia de aranha próxima ao teto.

— O que aconteceu essa semana? Eu achava que estariam se agarrando antes de eu chegar.

— É, bem, não estamos, okay? — respondeu irritado. — Eu tentei, juro que tentei, mas ou ele realmente não está entendendo ou não gosta tanto de mim quando você cismou de dizer. Até eu achei um pouco que talvez ele só estivesse nervoso ou coisa assim, mas hoje, antes de virmos pra cá, ele já estava fazendo as malas de volta. — Uma risada seca escapou de sua garganta. — Acho que o nervosismo era por outro motivo.

— Onde está querendo chegar?

— Olha, Artie… Arthur não gosta de mim. Não como eu, dele, pelo menos. Eu nem sei se ele gosta de mim como amigo. Ele tem estado tão estranho, tão desconfortável esses dias que eu não posso evitar de pensar que ele só estava fingindo todas as vezes que nos encontrávamos e ele parecia confortável.

Francis analisou o americano por alguns segundos e disse:

— Você é um maldito idiota, não é?

Alfred franziu as sobrancelhas e estava a ponto de iniciar uma discussão quando foi interrompido:

— Arthur praticamente te trata como o centro de tudo desde que te conheceu. — Por isso o seu ego enorme, concluiu em pensamento. — Tudo bem que não é assim agora, o que é ótimo, pois seria estranho e não é assim que romances funcionam. Só Deus sabe a quanto tempo ele gosta de você, mas, a coisa é: Ele gosta. Isso é um fato, todas as nações com pelo menos metade do cérebro já perceberam. Mas acontece que, assim como você, Arthur também é um maldito idiota.

Abaixou o tom de voz ainda mais:

— Se você não for tão óbvio quanto um soco na cara ele não vai perceber de verdade. Correr atrás dele não vai adiantar. Eu o conheço há mais tempo que você, e sei que se ele notou algo de diferente, provavelmente deve achar que está imaginando. — Pausou. — Então trate de fazer direito amanhã, na festa. Dê em cima dele, tente seduzi-lo, dance com ele, até converse sobre seus sentimentos se necessário – revirou os olhos – mas consiga algo.

O americano parou e pensou a respeito, um frio cresceu em sua barriga e tentou suprimi-lo. A festa seria um completo inferno. E após longos minutos de limpeza silenciosa, ele perguntou:

—Por que você está me ajudando, mesmo? E não venha com essas besteiras de que o amor é sagrado ou coisa parecida. — Completou.

— Porque eu sou sua consciência há pelo menos trezentos anos. — E porque aquele inglês estúpido é meu amigo, de certa forma, concluiu, porém disse com um sorrisinho: — E porque você é meu cunhado.

Alfred fez um som de nojo.

— Oh, Deus, cale a boca.

Waiting for the end to come

Wishing I had strength to stand

This is not what I had planned

It's out of my control

Notas finais
A música é Waiting For The End - Linkin Park Obrigada mais uma vez pela paciência, vocês são anjos :)