Painting Flowers

2 Dia 1 - You And Me


Notas iniciais
Oláááá!
Enfim, quero ser rápida aqui... Só gostaria de agradecer muito, muito mesmo pelos comentários. Eu, sinceramente, surtei! Fico tão feliz em saber que vocês gostaram e isso só me da mais vontade ainda de continuar!
Vou agradecer a minha muito paciente beta, Erica!!! Obrigada por me suportar.
Espero que gostem dos próximos ^^

Não há muito que falar sobre o percurso até a casa de Alfred. Não seria muito interessante dizer que pegaram um táxi até o Brooklyn, onde, Arthur havia se dado conta, nunca havia estado. Seu conhecimento sobre Nova York se limitava aos aeroportos e a Manhattan em geral, onde ocorriam as reuniões mundiais.

Talvez seja curioso ressaltar o fato de que Inglaterra passou a viagem inteira olhando pela janela, com os olhos pesados, porém sem conseguir dormir. Ele o outro loiro não trocaram sequer uma palavra.

O britânico ignorou Alfred por duas razões: Primeiro, uma parte sua estava muito interessada em saber como o Brooklyn parecia; E segundo, o buquê que o americano fez questão de deixar repousando cuidadosamente sobre as pernas, lhe incomodava. Era quase enervante. Quase... Que mentira, era enervante! Arthur se sentia ridículo por ter raiva de flores. Afinal, eram sóflores! A que ponto Alfred o havia levado?

Quando chegaram ao apartamento do americano, Arthur se sentiu quase aliviado. Ele não tinha a mínima ideia do que esperar dali em diante. Nem sabia o que faria a respeito de sua situação. Contudo, era reconfortante ver algum “lar” novamente após passar cerca de vinte e quatro horas longe da própria casa.

– Espero que o agrade, sir. – Alfred brincou, assim que abriu a porta principal e deu espaço para o menor entrar.

Ao todo, Inglaterra teve que admitir, o lugar não era nada mau. O apartamento era pequeno, claro, ótimo para alguém solteiro ou um casal jovem. A sala tinha uma estante com o que parecia ser a maior coleção de videogames do planeta, típico de Alfred. Uma mesa de jantar – que surpreendentemente estava livre de qualquer bagunça. E um sofá que parecia bem, bem macio ao ver cansado de Arthur que, para completar, ainda tinha alguns cobertores esquecidos em cima. O cômodo em questão se separava da cozinha por um balcão americano e havia um corredor que, obviamente, levava aos quartos.

Não que só houvesse aquilo no apartamento de América, todavia foi só o que atraiu a mínima atenção do britânico no momento.

– Pode deixar sua mala por aí. Quer beber alguma coisa? – Alfred perguntou enquanto colocava delicadamente as rosas em cima da mesa e ia em direção à cozinha.

– Um chá seria bom.

– Óbvio. – o ouviu rir.

Arthur deixou a mala encostada no sofá e, por puro reflexo, sentou-se, ignorando o ninho de cobertores e qualquer outra coisa que o deixaria irritado em seu normal estado gentleman. Estava com sono e com fome, ele mesmo sabia que não era momento de ser um gentleman.

– Man, você devia tomar café de vez em quando. Sabe, algo bom. – provocou. – Talvez assim não ficasse dormindo no meio da rua.

– Vamos ver o que você vai achar bom quando ficar obeso e viciado em cafeína. – O inglês respondeu vagamente.

Assim que havia se sentado, sua atenção tinha sido roubada pelo buquê na mesa. Sim, a droga das flores novamente. Inferno. E agora simplesmente não conseguia desviar o olhar.

– I’m the hero, England! Heros não ficam obesos ou viciados em nada. Por isso são heróis!

– Se você não coloca-las na água, vão morrer logo. – interrompeu.

Alfred, que era parcialmente visível atrás do balcão de onde Arthur estava, colocou a cabeça pra fora com uma expressão confusa.

– Hum?

– As rosas. – apontou.

– Ah! Elas... Deixa pra lá. – sorriu nervoso, virando-se de costas para a sala. — Acho que não vão mais servir pra nada mesmo.

Sem tirar os olhos das flores, Artur se apoiou no braço do sofá preguiçosamente. Seus olhos pesavam mais.

– Para que iam servir antes? – indagou, uma curiosidade ingênua tentando mascarar a mescla de cansaço e ciúmes que lhe cobria. Inglaterra sentia uma porcentagem muito minúscula de culpa. Algo em sua mente letárgica dizia-lhe que tinha estragado um encontro da nação mais nova. Porém, uma porcentagem muito maior que se satisfazia com isso.

Dessa vez, América demorou mais para responder. Arthur até conseguiu imaginá-lo dando de ombros enquanto preparava sua xícara de chá e uma de café – o cheiro forte já empesteava o apartamento.

– Nada importante.

– Que tipo de idiota sai de manhã cedo para comprar um buquê pra algo que não é importante?

O britânico discursava baixinho, sem ligar caso Alfred fosse conseguir ouvi-lo ou não – o que era mais provável. O caso das flores ia começando a diminuir de importância dentro de sua mente – ele sabia que em pouco tempo iria voltar com força total, mas ignorou. Estava ignorando muitas coisas e mais uma à lista não faria diferença, pelo menos era o que achava.

Todo o cansaço acumulado de semanas de trabalho árduo parecia cair como uma grande pedra sobre seu corpo. Suas pernas estavam pesadas. Seu tronco, congelado. E seus olhos estavam se adensando... Ele sentia sua cabeça afundar em seus braços, e seus braços afundarem no encosto macio – terrivelmente macio – do sofá. Era quente, confortável. E o melhor de tudo: Tudo ali tinha o cheiro de Alfred.

Foi o golpe final.

Arthur deixou seu corpo virar pedra e a exaustão vencer. Cada parte sua finalmente relaxando depois de tanto tempo. Estava quase em êxtase. Suas pálpebras cederam com suavidade e esconderam os olhos verdejantes.


(..)


Após algumas tentativas fracassadas, Alfred conseguiu fazer o maldito chá. O que era uma vergonha, já que havia sido – tecnicamente – vencido por água quente e sachês de ervas. Droga, mesmo depois de tantos séculos ainda não sabia fazer – ou gostar – direito da bebida tão amada do britânico. Falando nele, já tinha passado um bom tempo desde as últimas palavras que trocaram e o americano estava estranhando não ter ouvido nenhuma reclamação sobre a demora.

Com todo cuidado para não derramar – não ia aguentar ter que fazer tudo de novo, mais uma vez -, equilibrou a xícara de chá sobre um pires e foi em direção à sala.

– Iggy, seu chá está...!

Alfred se interrompeu no segundo em que o sofá entrou no seu campo de visão. Ali, debruçado sobre o braço do móvel em uma posição bem desconfortável – que com certeza resultaria em dores nas costas e no pescoço -, Arthur dormia serenamente.

América deixou o chá sobre a mesa e foi na direção do mais velho. Foi quase automático. Ele passou um bom tempo estudando-o. O modo como os braços cobriam parte do rosto, assim como os cabelos loiros muito claros. Sob os olhos, assim como Alfred tinha imaginado ter visto, tinham dois semicírculos escuros. Olheiras, e das bem fundas. E, mesmo Arthur aparentando estar tão esgotado, parecia estar em paz ali.

No seu sofá. Em uma posição ridiculamente torta. Com a luz da janela batendo em seu rosto e descoberto apesar do frio daquele fim de outubro.

Alfred teve vontade de rir. A situação toda era inimaginável. Porém, ela poderia ficar muito melhor. Ele fechou as cortinas e, usando-se da própria força, América pegou o menor delicadamente e o ajeitou no sofá. Ele duvidava muito, contudo tinha medo de acabar acordando o britânico se o colocasse na cama. Já tinha sido risco suficiente mexê-lo, certo?

Pegou um dos cobertores jogados a esmo pela sala e cobriu Arthur. Alfred se afastou. Sentia-se leve vendo Inglaterra tão tranquilo e quieto. Já que tinha plena consciência da crise europeia, sabia que o loiro não havia tido descanso nos últimos tempos. Ele mesmo tinha ficado um bocado doente poucos meses atrás – teve certeza de não deixar nenhuma outra nação saber.

A questão era: Assim que avistou Arthur escorado a uma parede qualquer no meio da rua, sua mente organizou um milhão de suposições sobre o que diabos poderia ter acontecido. Ele podia ter sido roubado, ferido, estar passando mal...

Quando se aproximou, ele pôde constatar que todas estavam erradas. Porém, em nada diminuiu sua preocupação. América era um pouco lerdo – e muito preguiçoso – isso era verdade, mas não era nada burro. Ele tinha notado o estado de Inglaterra.

O quão acabado ele estava.

É claro que já o tinha visto em condições piores. Durante a Segunda Guerra Mundial, Inglaterra estava há um passo da morte após os bombardeios. Mas mesmo assim... Ele tinha vontade de carregar o loiro para sua casa, dá-lo de comer e fazê-lo dormir muito. Até a cor de seu rosto voltar ao normal e as olheiras sumirem. Nunca tinha tido tanta vontade de ouvir as reclamações do britânico.

Queria, para ser sincero, mima-lo como ele o havia mimado. Inglaterra merecia, ele merecia um pouco de cuidados e carinho apesar de ser tão rabugento e irritante às vezes.

E de certa forma, pensou Alfred, foi isso que eu fiz. Ele deu de ombros e sua atenção foi atraída pelo buquê, que agora descansava inerte ao lado da xícara de chá. Arthur perguntou bastante sobre ele. Até demais. Alfred olhou das flores para o homem dormindo em seu sofá várias vezes, incerto. Tinha dito ao britânico que não ia mais precisar delas, contudo... Talvez se alterasse algumas coisas...

Encarou o relógio, que ainda marcava oito da manhã. É, tinha muito tempo para refazer seu plano. E o britânico tinha o dia inteiro para repor suas energias.

América pegou as rosas e voltou até a cozinha, determinado. Óbvio que seu – novo — plano daria certo! Onde estava com a cabeça ao vacilar? Ele só precisava ir firme e tudo ficaria bem no final. Colocou o buquê em um vaso com água e voltou-se para seu café. Tomou mais um gole rápido, rabiscou algumas coisas em um pedaço de papel que deixou em cima da mesa, e saiu.


Notas finais
Antes de mais nada, eu lembro que disse que sim, o nome da história e de cada capítulo é uma música. Então vamos lá:
Título da Fanfic: Painting Flowers - All Time Low
Capitulo 1: Englishman In New York - Sting
Capitulo 2: You and Me - Lifehouse
Sim, eu fiquei procurando igual a uma maluca por uma música que tivesse a ver com o contexto do capitulo. E eu decidi que esse capitulo terá duas partes, com o mesmo nome, então é, vai combinar.
Mereço comentários? Não? Sim? Bom, de qualquer forma espero que tenha gostado ^^