Era um dia qualquer

Em uma cidade qualquer

Uma pessoa qualquer,

Às duas da madrugada

Um copo de café, dedos tamborilando

O vazio abraçando a solidão

Café salgado, com gosto de lágrimas

O coração batendo de jeito qualquer

Não há mais ninguém, não há palavras

Silêncio preenchendo o vazio

E a mente aos pouco perde seu juízo

Que lugar é este?

Os relógios tiquetaqueiam,

Os ponteiros nada marcam

Tempo de vida gastos, mortos

Pedaços de memórias pairam no ar

O cheiro de erros por toda a sala

Às duas da madrugada,

Ela atirou em paredes e chãos

Mas os muros não foram abaixo

E lá fora está outro mundo,

Tão perigoso para anjos

Não durma agora, ainda está escuro

Não feche os olhos,

Até a manhã a chegar

Desaparecer com a luz do sol,

Adormecer

Ainda são duas da madrugada

Os monstros estão todos em sua mente

Não há um lugar seguro

Café com sabor de sociedade

Vomitou hipocrisia e violência

Quando os muros forem abaixo,

O mundo também irá

Lá fora não é lugar para anjos

Às duas da madrugada,

Ela pulou os muros

E acabou encontrando o inferno

Agora são três da madrugada

E ela pulou da janela do oitavo andar

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.