A beira de um lago

Onde água pura e transparente oscilava

Ao som da melodia dos anjos

Eu vesti-me com asas de cera

Para eles alcançar

“Falsa pureza não chega aos céus,

e tuas asas deverão queimar”

A cera quente marcou-me a pele

A prova de minha imperfeição

Meus dedos derretidos

Tocaram o som de uma harpa

Com as cordas de um violão

As cordas sujas de sangue

Emitiram o som de meu pecado

E pelos céus não foi escutado

Os acordes enferrujados

Enforcaram-me o pescoço

A prova de minha impureza

Minha garganta dilacerada

Cantou a sinfonia de uma ópera

Com a voz de um demônio

A canção despedaçada como minha garganta

Agradou os ouvintes do inferno

Os risos com escárnio foram alcançados

Pela audição dos seres puros

À beira do precipício

Eu chorei lágrimas de sangue

A prova de meu pecado

Em meio a criaturas malignas

Escrevi com meu próprio sangue

Palavras puras de amor

O papel foi transformado em cinzas

Junto a meu corpo

E meu amor nunca alcançou

O coração de meu amado anjo