Pai
1 Pai...
Notas iniciais
Música: Pai - Fábio Júnior (também tem versão na voz do Fiuk).
Boa leitura!~
Pai, pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...
Eu me lembro como se fosse hoje. Ele estava lá, ajoelhado, de braços abertos para mim. Seus cabelos loiros e curtos eram levemente sacudidos pelo vento. E apesar de estar de costas, seus olhos azuis brilhavam, era como se o sol os iluminasse,
-Venha, filho...
Eu sorri ainda mais, e corri em sua direção. Quando cheguei perto o bastante, pulei, jogando-me em cima dele. E ele me segurou. Aquela foi a primeira lembrança que eu tive de Martín.
Pai, pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...
Era o aniversário dele. Eu e a família preparamos uma festa. Eu o levaria até em casa, então fariam a surpresa.
– Achei estranho a sua mãe pedir para que eu o buscasse hoje. Não era o dia dela?
– Ah, deixa! Ela deve ter saído com a minha irmã. – Eu sorri. Chegamos em casa e eu saí do carro, andando lado a lado com ele.
– Bem, pode ser, só espero que elas não dem... – Ele abriu a porta, e sua fala foi interrompida pelo “surpresa” gritado em coro. Ele olhou surpreso para mim e eu, em resposta, apenas segurei a sua mão.
Pai, pode crer, eu tô bem, eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...
Eu me sentei na arquibancada, e deixei com que as lágrimas inundassem meus olhos.
Eu não queria acreditar, apenas isso. Por minha culpa, o meu time da escola havia perdido o campeonato. Se eu não tivesse errado o pênalti, teríamos ganhado. Se eu não tivesse me desconcentrado, se eu não tivesse perdido aquele gol...
Enquanto eu me repreendia em pensamentos, percebi que alguém havia sentado ao meu lado. Continuei chorando – não ligaria para o que pensassem sobre mim.
– Estou orgulhoso de você, Scott. – Martín pôs uma mão sobre meu ombro. Eu o abracei, e continuei chorando.
Pai, eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Pra falar de amor pra você...
– Já volto... – Charlotte se levantou, deixando-me sozinho na sala. Eu apoiei minhas costas no sofá, suspirando e fechando os olhos em seguida.
Quando abri os olhos, lá estava ele, atrás do outro sofá, me olhando.
– Sonhando acordado, filho? – Correspondi e balancei a cabeça, confirmando.
– É ela. Eu tenho certeza.
Ele entendeu e sorriu, me deixando sozinho na sala. De novo.
Pai, senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga pra ver...
– Scott, chame seu pai, por favor? – Mamãe pediu, terminando de arrumar a mesa.
Eu corri escada acima, chamando-o, indo na direção de seu quarto. Assim que cheguei lá, parei na porta, e o vi cabisbaixo. Sua respiração estava pesada, e quando olhei melhor, percebi que ele estava chorando. Entrei sem bater, e me sentei do leu lado, abraçando-o.
– Vai dar tudo certo, pai...
Em sua mão, eu vi o papel de demissão.
Pai, me perdoa essa insegurança
É que eu não sou mais aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...
Eu havia acabado de me casar. Agora eu era, oficialmente, um homem feito.
Charlotte estava linda, maravilhosa. Sua família estava lá, todos me cumprimentando. E assim que cruzei o salão, encontrei a minha família. Todos nos cumprimentaram felizes. Mas quando chegou a vez de Martín, eu me demorei mais.
– Quem diria... Meu menino pequeno, agora, está casado. – Eu sorri.
– Eu não sou criança faz algum tempo, senhor Martín... Você está começando a caducar? – Nós rimos, e ele me abraçou.
– Estou orgulhoso de você, pai.
Pai, eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Depois de um ano, tivemos nosso primeiro filho. O primeiro a visitar foi ele...
– Filho! – Me abraçou, sorrindo. – Charlotte querida... Deixe-me ver o tesouro...
Minha esposa sorriu e o mostrou. Ele tinha os cabelos castanho-escuros da mãe e os olhos de meu pai. A coisa mais linda que já vi.
– Ele é lindo... E como se chama?
– Martín. O mesmo nome do avô paterno. – Eu o respondi. Ele olhou para mim, incrédulo. E aquela foi a segunda vez que vi meu pai chorar.
Pai, você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais, muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém está sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Eu estava sentado em minha poltrona, vendo meu filho brincar com seus brinquedos. Ele não era mais aquele bebezinho – agora era uma criança crescida.
Enquanto o admirava, a campainha tocou. Eu abri a porta e era Martín. Cumprimentamos-nos e ele entrou, se sentando do meu lado. Então passamos a admirar meu filho juntos.
Se não fosse pelo homem que estava do meu lado, eu não estaria aqui. Se não fosse por ele, eu nem teria nascido. Sua criação me tornou quem sou hoje.
Discretamente, segurei sua mão. Ele me olhou e eu sorri, suspirando.
– Eu te amo... Pai.
Notas finais
Argie, eu te amo, e você é o melhor pai que já tive. Apesar de odiar o meu em off – mesmo sem conhecê-lo –, saiba que eu amo muito você, e que és como um pai pra mim. Não só no RP, mas como em off também. Você cuidou de mim quando eu precisava, puxou minha orelha quando mereci, e me amou. Eu te amo muito mesmo, pai ♥
Bem... Mereço reviews?
Fale com o autor