Pagã

5 Fall In


Notas iniciais
Então, fiquei 2 ANOS escrevendo aos poucos devido a bloqueios criativos e sabotagem minha mesma. Mas terapia e remédios em dias e minhas fics também vão ficar. Lembre-se: Sua idade é só um numero e você é só um ser único que não é igual a outros, então não se iguale e diminua só porque ainda tem hobbies que tinha na adolescência. Abrace a sua criança interior e seja feliz. E o mais importante: Não ligue para o que os outros dizem e as pressões que colocam em você e que você se coloca, só vai viver e fazer o que gosta. O próximo cap vai ser revisado e postado. Mas infelizmente, ou felizmente, estou refazendo o cap 6 e já tenho tudo anotado de onde modificar e o que acrescentar para o decorrer da hist. Da ultima vez que postei nessa fic o nome do site ainda era Nyah kkkkkkkkk


“Fall (Fall)

Fall in (Fall in)

Fall in love (Fall in love)

Fall in

Everything is

Fall in love again and again

Fall in love again and again

Fall in love again and again

Fall in love again and again”

Everything Is Romantic – Alina Kay Feat. Orchestra Club

INO

KONOHA É COMO UMA CORTE, HÁ SEUS BOBOS, SUAS DAMAS DE conforto, as acompanhantes da rainha e do rei, obviamente o rei e a rainha, o clero e os plebeus, e bem lá no fundo da hierarquia há as estranhas mulheres, muitas vezes chamadas de bruxas e queimadas vivas por mentiras de outros nessa hierarquia – algumas ditas por medo e outras por inveja. Nessa sociedade, eu seria categorizada como a grande filha gostosa do visconde e que eu costumo andar acompanhada de duas bruxas, uma tímida e uma maligna, e até hoje ninguém entende o porquê da filha do visconde andar com elas.

O que as pessoas não sabem é que me sinto algo não denominado, não sinto nenhum tipo de reconhecimento ou sentimento de que os demais são os meus iguais – nem Sakura foge dessa. Hinata é a exceção, sinto que somos iguais. Seja do que sou feita, Hinata foi feita da mesma forma. Talvez seja por isso, o fato de sermos iguais, que me trouxe aqui, na escola, num sábado, e não os meus sentimentos, óbvios, por Gaara.

— Aquela é a mãe do Naruto. – Hinata indica a bela mulher, de cabelos vermelho vivo, que adentra a sala de braços dados aos garotos. – Ela veio pelo Gaara e Naruto.

— E o crush da Sakura? – perguntei entre risadas, ela infarta se ouvir isso.

— Ninguém veio por ele, mas ele veio. – seu queixo indica Sasuke no canto da sala, esbelto e gostoso em seu silêncio sepulcral.

— Iremos contar para ela e ter entretenimento pelo resto da semana?

Esses dois vem movimentando e alegrando as minhas semanas, amo um enemies to lovers. No momento eles estão só no enemies mesmo, mas rezo para que pulem logo para a parte do lovers.

— Essa semana eles brigaram e ela disse “Irei olhar bem no fundo dos seus olhos para você ver o quão séria é a minha resposta” e aí ele respondeu “Pequeno Polegar, você mal bate no meu peitoral de tão pequena, como é que vai conseguir olhar nos meus olhos com essa alturinha de smilinguido?”. – Hinata fala o final aos risinhos. – E eu não paro de pensar nisso, por causa da forma estoica que ele disse.

— Eles são tão viciantes de se ver, como o encontro da lava do vulcão com o mar gelado do oceano.

Fico rindo ao lembrar da expressão descrente de Sakura naquele momento, eu levei um tapa no braço por rir na hora. Ele apontou um bom fato sobre a estaturazinha dela.

— Ele sorri quando implica com ela. – Hinata diz sorrindo. – Não é bem um sorriso com dentes ou que ilumine os olhos, mas dá para ver que ele gosta dos momentos em que implica com ela. Dá um leve ar de vida, sabe?

— Pior que eu sei e concordo.

É como se um fogo acendesse neles a cada micro interação, sem eles perceberem. Sakura é o oxigênio e o Sasuke o fogo, dão um belo de um show pirotécnico que a qualquer segundo pode perder o controle e matar todos queimados até serem poeiras. Espero viver algo magnífico de se ver com Gaara, estou com grande esperança em nós.

— Você deveria dar um “Oi” para ele. – Hinata sussurrou rindo.

— Deveria né?

Hinata segura minha mão sorrindo e concordando com a cabeça. Sakura e Hinata são as maiores apoiadoras desta nova aventura na minha vida, estão soltando fogos de artifício por causa desse sentimento esquisito. Sendo franca achei que nunca amaria e estou feliz que finalmente sinto algo romanticamente por alguém, mas é tão assustador sentir que estou dando para um desconhecido o poder de me destruir com palavras e com a rejeição. Nunca senti isso antes por qualquer um, é assustador. Eu me desconheço quando esse sentimento rasteja do fundo do meu ser e respira desesperado em busca do seu ar, Gaara; é estranho dar toda essa significância para um garoto que eu mal conheço.

Faz tempo que não me sinto tão vulnerável em relação aos outros, da última vez foi quando percebi que Sakura e Hinata eram, praticamente, minhas irmãs de outras mães. Foi quando nossa amizade se fortaleceu e se firmou.

Costumava ter o medo bobo de ninguém querer ser meu amigo ou amiga, meus pais viam essa insegurança crescente em mim e continuamente lutaram comigo para destruir as minhas inseguranças. Até que um dia isso não era mais um medo, pelo menos não um medo paralisante. Creio que todos possuem um leve medo do desconhecido e estou me apegando a isso para descrever o medo que estou sentindo nesse instante.

Caminhar até ele é o mesmo que me afogar no lago no auge do inverno e cada vez que tento sair da água sou queimada viva por um fogo vermelho escarlate. Ao mesmo tempo é como se todos ao meu redor encarasse com interesse mórbido e perverso cada ato meu perto de Gaara. A impressão que tenho é que todos prendem a respiração quando estamos próximos, inclusive eu – mas só eu, ele não. É difícil respirar perto dele, mais difícil ainda é prender a vontade de chorar que surge sempre que estou ao seu lado. É atormentador, por algum motivo desconhecido, o fato de seus olhos serem tristes e sem brilho, chega a ser doloroso emocionalmente.

— Oi. – disse rindo que nem uma maníaca, eu não me reconheço perto dele.

— Olá. – sua voz suave tem um leve tom de rouquidão e tranquilidade, é uma melodia que ouviria eternamente se possível. Estou tão enamorada que até isso estou percebendo.

O que eu vim dizer? O que eu digo? Tenho que dizer algo? É estranho eu só ficar rindo que nem uma boba encarando seu rosto fixamente? Por que eu não faço algo lógico? Por que eu não estou normal? Fala alguma coisa!

— Tchau. – que droga!

— Seus pais já chegaram? – Gaara pergunta ao mesmo tempo em que eu disse o “tchau” mais choroso da minha vida.

— Sim, só foram dar um pulo na diretoria rapidinho e já vem. – é meio desesperadora e atropeladas as minhas palavras, mas espero que ele tenha esquecido o “tchau” e foque na conversa que acabou de surgir. – E os seus pais, já estão chegando? – tenho que conquistar os futuros sogros.

— Minha tia veio por eles. – seu dedo indica a senhora de cabelo vermelho igual ao dele.

— Beleza é de família. – soltei essa pérola sem querer, mas eu nunca vi uma mulher tão bonita assim.

— Você acha mesmo isso? – me estudando pelo canto de olho, o pego em um pulo só. Gaara quer saber a minha reação, mas não descaradamente.

Abrindo o sorriso mais angelical e amoroso que tenho, preparei O Bote. No passado, antes de me apaixonar por ele, fui uma grande de uma caçadora e sempre peguei os melhores passarinhos no ninho; ter uma aparência fenomenal também ajuda muito. Sei exatamente como pegar esse rouxinol.

— Claro, quem olharia para vocês e não pensaria que são bonitos por dentro e por fora?

— Por dentro? – sua sobrancelha, extremamente claras, ergue e fica parecendo o símbolo da Nike em pleno sol escaldante do deserto, mas ele continua uma delicinha.

— Por dentro. – aproveitei a oportunidade para tocar em seu peito. Temos um leve indício de músculos peitorais aqui e eu gosto da dureza que sinto, não tinha percebido que seu corpo era bem trabalhado. – É tão belo e importante quanto por fora.

Minha mão que o toca esquenta ao mesmo tempo que uma dor lasciva atinge a minha cabeça. O mundo fica se mexendo, como se sobrepusesse sobre outro, o que me deixa tonta e acaba comigo perdendo momentaneamente o meu equilíbrio. Tudo gira e se mexe para frente e para trás, as cores ficam vivas e cheias de detalhes e logo em seguida ficam mortas e normais; os cheiros explodem no meu nariz, doce, podre, amadeirado, amendoado. Uma sensação nojenta de desorientação me abate e me derruba, no sentido literal, meu corpo tombou para frente, em direção a Gaara.

— Tá tudo bem? – suas mãos envolveram meus bíceps gentilmente, isso foi o que me manteve de pé.

Meus olhos pesam como se estivesse com os olhos abertos em uma piscina cheia de cloro, o que me leva a fechar os olhos para me proteger. No momento em que decidi pausar um dos meus sentidos, os outros tomaram a frente da situação. Há odores peculiares como terra molhada e brisa quente e abafada me cercando mais e mais, é como me recordar de odores e não do momento em si. Gaara desperta em mim uma recordação da qual eu não me lembro e nem vejo, só sinto em meu âmago as sensações e emoções. A sensação quente em minhas mãos vazias reconforta o meu peito cheio de dor e noites inteiras de choro. Saudade e amor lutam dentro de mim ferozmente para ver quem está no controle do meu ser.

Ao mesmo tempo que ouço uma voz masculina suave dizendo meu nome sem parar, ouvi conversar, inúmeras, com a mesma voz e cada uma delas me enchia de sentimentos conflitantes e angustiantes. Era um verdadeiro caos emocional. Uma conversa específica fica repetindo em um looping infinito, como se em meio tantas conversas, essa fosse a mais corriqueira.

“- Sim. Ela era, para ele, a existência com as flores crescendo de seu cabelo e toda a vida surgindo no menor dos seus movimentos. Era a mais bela criação que ele já viu, no instante que a viu, ele sentiu dor pelo momento que teria que levar tal pureza.”

À medida que tudo ia se ajeitando para o normal, as conversas com as mesmas vozes somem deixando somente aquela voz masculina marcante. A mudança começa sutil, mas logo a voz foi diminuindo, não no sentido de diminuir o tom e sim de rejuvenescer até chegar aqui; a voz que vem me perturbando e me deixando louca para ouvir mais. No garoto de olhos verdes profundos e uma tristeza solitária. A voz dele melodiosa repete o meu nome e eu estaria perdida nesse limbo temporal se mamãe não me arrastasse para longe dele, longe da margem do lago.

— Ino, querida, o que houve? Seu nariz está sangrando.

— Ino, tudo bem? – reconheço a voz calorosa e protetora do papai.

— É só enxaqueca, estou bem. – minha voz soa cansada.

Minha cabeça tomba para todos os lados, sinto que cada parte do meu corpo está leve e mole. Eu perdi o controle de mim e de alguma forma luto para recuperar. Não quero preocupar os meus pais, não quero ser um fardo para eles.

— Seus lábios estão brancos, querida, – sinto a mão da mamãe em meu ombro antes mesmo dela surgir no meu campo de visão, recém recuperado. – e também está gelada.

Tudo cessa e o vazio volta a me preencher junto com a lucidez. As sensações que senti são apagadas completamente em segundos; mesmo tentando lembrar, eu não consigo. É como se nunca tivesse existido e tudo é um delírio de um surto psicótico.

Tudo tá tão barulhento, que estou crendo que esse é o motivo do meu esquecimento – até pensar está impossível. A inundações de perguntas me deixa tonta só de pensar em responder cada uma delas. Entre todas as inúmeras perguntas intermináveis, a única que respondo é daquele que mais parece a um passo de surtar de preocupação.

— Acho que não almocei, pai. – mentira, é só para não os preocupar.

— Melhor você ir para casa. – Hinata quase não é ouvida de tão baixo sua voz soa entre toda essa gente desconhecida. Sorri para ela ao pegar uma das inúmeras barras proteicas que há na bolsa dela.

— É melhor você ir para casa descansar. – o sorriso nervoso do diretor para papai é um lembrete do porquê sou imune a qualquer merda, ninguém quer levar um soco do filho do Prefeito.

— Vamos Ino. – mamãe passa o braço pelo meu e meu corpo anda automaticamente lado a lado com ela.

— Eu estou bem agora. – sussurro para tranquilizá-la.

Hinata nos segue de perto, extremamente preocupada e, sem sombra de dúvida, enviando mensagens para Sakura informando o que aconteceu. Vai ser uma longa semana de preocupações comigo e com cada coisa que faço.

No fundo, algo em mim se sente feliz e acolhida, como se não tivesse isso – sendo que claramente sempre tive isso. É só mais uma das esquisitices que vem acontecendo comigo ultimamente.

A nova sensação da minha vida: Fragmentada entre sempre tive com nunca tive, em saudade e novidade, em pertencer e não pertencer a lugar algum.


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“Fall (Fall)

Fall in (Fall in)”

Everything Is Romantic – Alina Kay Feat. Orchestra Club

HINATA

É UMA DAS PIORES sensações que existe, a sensação de estar sendo julgada, a de que estou fazendo tudo errado, de flutuar para fora do meu corpo, de estar gelada, do meu coração martelando enfurecidamente no meu ouvido e, por fim, a estranha sensação de não sentir as mãos. Não importa quanto tempo passe, nunca conseguirei lidar com o fato de ficar na frente de toda a turma para dar avisos. Geralmente não há muitos avisos a serem feitos, nossa sala é a “menos emocionante”. Bem, costumava ser menos emocionante antes deles chegarem.

Devido ao alvoroço com a chegada dos novos alunos, mesmo depois de dias e semanas, o diretor achou de bom tom solicitar uma reunião de pais. Creio que seja um ato de burrice e atrasado.

O momento que temia há quatro dias finalmente chegou, não falarei nada e sim ficarei parada ao lado do diretor enquanto ele fala. Irei andar até a frente do quadro e parar, não irei fazer mais nada; e mesmo assim estou ansiosa.

Acreditava que Ino estaria comigo, mas vendo-a indo embora agora, com olhos fundos e vagos, percebo que é o melhor para ela. Todos ficaram extremamente preocupados com o… Surto? Passou mal? Pressão? Ou, como diria a avó da Sakura, possessão?

Me esforço ao máximo para esconder a minha preocupação com ela, isso pioraria tudo para ela e eu não quero ser uma escrota nesse nível. Mas, com certeza conversarei com Sakura depois; se bem que pela forma que a fofoca rola por Konoha, ela já deve estar sabendo de tudo.

O diretor marcha acompanhado dos responsáveis pelos alunos, Hiashi, o novo contratado de mamãe, é um deles. Esse homem tem alguns aspectos familiares, sou extremamente boa em gravar rosto e, desde que o vi pela primeira vez, o reconheço. É agoniante a sensação de saber que já vi esse rosto e não lembrar de onde.

É uma explosão de falatório e depois o puro silêncio aconchegante. Sei que é ruim me isolar às vezes e que não devo me entregar ao silêncio da solidão prolongada, porque consegue piorar uma crise em alguns casos e me deixa só em um inferno. Mas dessa vez é bem-vinda.

Há semanas me sinto observada, com a constante sensação de olhos sobre mim vinte e quatro horas por dia. Primeiro achei que era coisa da ansiedade, mas então começaram a surgir formas humanoides pela minha visão periférica. E por fim, espero que realmente seja o fim, pessoas paradas quando viro rapidamente a cabeça e quando volto a olhar não há nada ali.

Não sei se estou ficando louca ou se minha casa está sendo assombrada, se bem que até fora de casa estou vendo – com mais nitidez. Estou começando a acreditar que o amuleto que a avó de Sakura deu realmente protege minha casa, parcialmente pelo menos.

A primeira coisa que noto é a faca velha de cozinha apontada para mim. Meu corpo trava de medo e ansiedade, desejo reagir e fugir, mas é como se eu flutuasse e perdesse o controle do meu corpo. Se puder ser considerado uma reação, fico petrificada em choque no mesmo lugar. A ansiedade dá o incrível dom de ver tudo amarelado e me sentir flutuante durante esses momentos. Meu corpo treme, mas não de verdade. Tenho a enorme sensação de estar tremendo da cabeça aos pés e estar dentro de um frigorífico – mesmo estando um calor de trinta e três graus. Eu só quero que isso passe, mas o tempo passa devagar quando estou nesses momentos. Eu preciso fugir, mas a ansiedade luta uma guerra vencida por ela e tudo que consigo fazer é encarar o homem à minha frente.

Por si só, um homem com uma faca já é assustador, agora um homem cadavérico com uma faca é pior ainda. O zumbi – ? –, com expressão de ódio, poderia continuar vindo para cima de mim com a pequena faca e sua agressividade, se não fosse o novo funcionário da farmácia. Gritando em uma língua desconhecida, Hiashi coloca o homem para correr de uma forma estranha; quase um xamã exorcizando uma pessoa. É um daqueles, não é somente a sensação fria e vazia que em mim habita que denuncia, não mesmo, é a forma que ele literalmente desliza para a saída sem mover as pernas e o tom acinzentado de sua pele e os olhos fundos e opacos dele.

— Você viu isso? Certo? Ele. – se minhas mãos parassem de tremer, poderia ter apontado para a porta que aquilo saiu. – Aquilo. – como explicar sem parecer uma doida? – Eu vi uma coisa.

— Era um viciado que foi embora, nada demais. – nada demais? O homem flutuou!

— Ele deslizou para fora. – Hiashi envolve o meu corpo e me obriga a caminhar junto a ele.

— Você está nervosa, deve ter visto errado. – será? Não, é uma dessas coisas estranhas que me deixam doida.

— Não, ele flutuou! – agarro seu antebraço como se fosse uma boia e eu estivesse afundando em um lago gelado. – Pessoas não flutuam.

— Mas tendem a ver coisas irreais em momentos de alta ansiedade. – guiando para o lado oposto da reunião, Hiashi me carrega até o bebedouro mais próximo. – Você viu coisas devido ao seu transtorno de ansiedade.

— Como você sabe que tenho ansiedade? – rebati suas palavras na mesma hora.

Isso é algo meio pessoal, só os mais próximos, e pessoas atentas, percebem que tenho transtorno de ansiedade. Optei por não falar para ninguém, até porque eu odeio falar sobre isso e ouvir que é só arranjar um trabalho para me ocupar, não pensar, ter autocontrole e parar de ser tão intensa.

— Sua mãe comentou comigo. – Hiashi desconversa desinteressado.

— Isso nunca aconteceu antes e. – ele simplesmente me empurra em direção ao bebedouro, eu sequer pude terminar o que estava falando.

— Toma água, – sua enorme mão impele minha cabeça para o bebedouro que jorra água gelada no meu rosto. – faz bem para a saúde.

Movimento minha cabeça para fugir de sua mão calejada, mas o homem é insistente. Estapeio sua mão com as minhas duas mãos e parece que nem cócegas fez.

— Ei! – uma vergonha sem precedentes me atinge quando a voz de Naruto é processada pelo meu cérebro. – Mas que porra é essa?

— Ela precisa beber água.

Sendo um verdadeiro príncipe em seu cavalo branco, Naruto me afasta de Hiashi e envolve o meu corpo de forma protetora. Seu corpo emite um calor agradável e seu cheiro é forte, como se ele tivesse tomado um banho de perfume antes de vir para cá.

— Tá maluco, velho? Não é assim que se cuida dela.

— Ela teve uma crise. – A forma esquisita dele de falar acende alguma coisa na minha cabeça, algo em mim grita que não é “crise de ansiedade" que ele falou.

— Estou… bem… – digo ofegante, da última vez que vi tanta água estava me afogando na piscina comunitária.

Estaria melhor se o braço e a mão dele não estivessem em mim. Naruto é absurdamente quente, como se ele tivesse acabado de sair da praia. Cada uma das vezes que nos tocamos, quando emprestei borracha e apontador, sempre senti esse choque térmico entre o calor dele e o meu frio. Naruto é marcante em tudo, mesmo sem perceber.

A bondade, o sorriso e a leveza dele me deixa feliz com o frio na barriga. É como me banhar no rio em um dia ensolarado. É calmo e reconfortante. Mas nunca será meu.

Por mais que Sakura e Ino digam que eu sou bela, fisicamente e de personalidade, eu não acredito. Creio que sou o ser mais normal e sem brilho, citando algo que o meu ex me disse uma vez: Sem sal.

Mamãe costuma dizer que coloco muita pressão sobre mim. Mas eu realmente creio que se eu não for perfeita a cada segundo, então nunca serei amada, nunca serei o bastante e nunca serei a escolha. E ser eu, é ser menos do que perfeita, é nunca ser a escolha devido aos meus problemas internos, ao fato do meu lado feio ser realmente horrendo e intragável. Então ser perfeita meticulosamente e ter o menor pingo de atenção e aprovação, aplaca um pouco o vazio que sinto. Só que no final do dia, não importa o quão perfeita eu seja ou o quão perfeita fui ou serei; ainda não serei a escolha. Nunca serei.

Por isso afogo qualquer esperança de sentimentos pelo Naruto. Posso estar me apaixonando por ele, mas é melhor afogar e matar isso porque nunca serei correspondida. Principalmente agora que ele viu o meu lado feio. Ninguém gosta de algo quebrado e sem vida, todos querem o bonito e perfeito.

— Preciso ir para a sala. – me afasto de Naruto, desejando afastar esse sentimento bobo dentro de mim.

— Quer companhia? – os dois dizem ao mesmo tempo.

— Não precisa, irei ao toalete antes. – por que eu disse isso?

Os dois permanecem em silencio, absorvendo lentamente o que eu disse. Ainda não sei por que disse isso. A vergonha começa a bater, sei disso porque minhas bochechas ardem como se tivessem sido picadas por formigas de fogo.

A ânsia por sumir me faz correr para o banheiro, o que piora tudo. Por que eu ainda estou fazendo isso? Alguém deveria me parar! Claramente não estou em minhas faculdades mentais e agindo por impulso com o que vem na cabeça a cada segundo.

Faço a verdadeira caminhada da vergonha, nem vou de fato no banheiro – talvez não vá por um longo tempo. Fico andando de cabeça baixa pelo corredor, sei andar de olhos fechados por toda essa escola. Estou com medo de levantar a cabeça e dar de cara com mais uma dessas coisas estranhas que me rondam. Como se não bastasse a ansiedade, ainda há essas coisas esquisitas e assustadoras. Eu não sou como a Sakura, não nasci para ter dom algum porque tenho medo de morto. Mal consigo ver filmes de terror.

A minha sorte é que estou de cabeça baixa o suficiente para não bater com o nariz, o meu azar é que estou de cabeça baixa e acabei de bater com a cabeça no peito de alguém. Não tem como esse dia piorar mais.

Pelo tênis surrado e o cheiro forte de tabaco, sei exatamente quem eu acertei. O professor mais tranquilo e adorado pela escola. Uma sorte é que está vivo e normal, que alívio.

-Professor Gekko, desculpe, não vi o senhor. – digo ao erguer a cabeça para olhá-lo.

É uma sucessão de coisas ruins, realmente teve como piorar mais. O professor fica falando, falando, falando. E eu só consigo prestar atenção nesse tipo de nevoa que cerca ele lentamente. Não é como as nevoas escuras e frias que vejo pelo canto dos olhos, ou surgindo no final do corredor de casa; é uma nevoa clara e morna. Reparando melhor de perto, é como se a nevoa saísse de dentro dele, ou a nevoa é ele? É como se ele estivesse se desfazendo em nevoa – sem sobras de dúvidas essa é a opção certa. Seus olhos estão quase iguais aos meus, mas antes eram castanhos escuros. Seu tom de pele, que já era meio doente, consegue ficar pior, está da cor da nevoa.

— Tudo bem? – sua voz soa normal.

Houve um tempo em que a avó de Sakura nos incentivava a explicar para Sakura que a pessoa e as coisas que ela estava vendo era somente vista por ela e por isso ela não deveria surtar. Mamãe dizia que elas tinham um dom, que muitos não conseguiam sentir ou perceber esse dom delas. Acreditei fielmente que era mais um dos delírios sonhadores de mamãe alimentados pela senhora Haruno; mas, pelo visto, quem estava equivocada era eu.

Isso machucava Sakura, me lembro de ter vislumbrado ela chorando enquanto implorava para a pessoa “seguir para a luz”, foi isso que me fez acreditar que Sakura tinha algum problema ruim e, com a nossa ajuda, aliviava um pouco; até porque ela só parou de chorar quando a abracei.

Talvez eu precise de uns abraços para superar isso e seguir em frente, que nem Sakura. Só assim ficarei bem.

Notas finais
Espero que tenha gostado :D Amei a nova forma de colocar as fotos nos caps.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.