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16 XVI - Tears


Notas iniciais
Oiii pessoas! Siim, eu sei que demorei, e peço desculpas por isso. Passei por um periodo meio conturbado emocionalmente e tive um pouco de dificuldade para escrever. Junta isso com o monte de coisas que tive pra fazer por conta da faculdade e esta ai o motivo de minha demora para atualizar. Mil desculpas por toda essa demora, prometo que vou tentar ser mais rápida desta vez! Obrigaada a Edilene Queen e a MandyNunes pelos comentarios!! Espero que gostem!! Boaa leitura a todos!!

O tempo é engraçado às vezes. Usa as pessoas como se fossem suas marionetes, puxa as cordinhas da vida e promove despedidas e reencontros nos momentos mais inoportunos e inesperados. Dois corações machucados e solitários se reencontravam na Floresta, enquanto o tempo, esse artista de almas, apenas corria livremente, como se nada de importante ou significativo estivesse acontecendo, esquecendo-se de parar para apreciar os resultados de suas artimanhas impensadas.

Regina sentiu que todo o ar escapava de seus pulmões. Seus olhos se encheram de lágrimas, e ela lutou para força-las a ficar onde estavam, sem saber o que viria a seguir.

Seus olhos estavam pregados no castanho tempestade que eram os olhos dela, e apenas por aquele instante, Robin se esqueceu de tudo. Passado, presente e futuro se misturaram uns aos outros, até que nenhum deles pudesse ser individualmente distinguível. Os olhos do ladrão ardiam como fogo em brasa, e ele tinha medo do que aquelas lágrimas podiam significar, tinha medo do que aquele reencontro poderia causar, temia pelo que poderia fazer.

O coração da Rainha batia acelerado, como se gritasse para que ela desse o primeiro passo, como se implorasse para que ela se aproximasse de Robin, mas ela continuava onde estava, tentando clarear seus pensamentos enevoados.

Sim, ele estava ali, parado diante dela. Os mesmos olhos azuis, tão profundos quanto os oceanos. O mesmo cabelo loiro curto, a mesma compleição forte. Mas ele estava diferente, algo havia mudado, algo que ia muito além da aparência física. Robin parecia vencido, como se tivesse perdido uma batalha crucial, e Regina não pode deixar de se perguntar se ela tivera alguma coisa a ver com aquela perda.

A saudade, a ausência sentida durante todos aqueles longos anos em que estiveram longe um do outro pesou no coração da morena, que se perguntou o que aconteceria se simplesmente completasse a distancia que a separava dele. Será que ele a receberia com um abraço e um beijo? Ou simplesmente a mandaria embora, ainda ferido pelas escolhas que ela fora obrigada a fazer? Será que o amor deles, a única coisa boa que lhe restara, ainda vivia dentro dele, ou fora sufocado pela mágoa e pelo ressentimento?

As perguntas borbulhavam na mente de Regina, mas ela não conseguia encontrar nenhuma resposta, simplesmente não sabia o que esperar, nem o que fazer. Antes que ela pudesse chegar a qualquer conclusão, seu coração pareceu decidir por ela. Não. Ela não iria aguentar aquela tortura por muito mais tempo. Precisava chegar perto, precisava saber que ele era real, que estava realmente ali.

Passos foram dados, vagarosos e incertos no inicio, acelerados e desesperados no fim. Os olhos do ladrão estavam pregados na mulher a sua frente e sua mente era preenchida por um turbilhão de sentimentos e perguntas sem resposta.

Quando fora embora para longe, prometera a si mesmo que com o tempo Regina se tornaria apenas uma lembrança, uma lembrança de um passado triste, de um amor que não foi vivido, mas a verdade é que ela nunca se tornou uma lembrança. Mesmo depois de todo aquele tempo, ela nunca deixara de ser real para ele, nunca deixara de viver em seu coração para se tornar uma lembrança.

Agora ela estava ali, caminhando na direção dele, e Robin simplesmente não conseguia se forçar a reagir. Estava paralisado, preso pelo magnetismo dos olhos dela. Seu coração batia acelerado e dolorido, e as duvidas borbulhavam em sua mente. O que iria acontecer agora? Será que os anos tinham feito com que Regina o perdoasse? Será que ela mudara de ideia em relação ao destino dos dois? Se a resposta para ambas às perguntas fosse sim, estaria ele pronto para se libertar das amarras da mágoa? Seria ele capaz de permitir que as feridas do passado finalmente começassem a cicatrizar?

Robin não conseguiu chegar a nenhuma conclusão, e todas as perguntas evaporaram de sua mente assim que o perfume de Regina chegou até ele. Era o mesmo cheiro doce de maçã do qual ele se lembrava. De perto, ela parecia à mesma de sempre, como se nenhum segundo tivesse se passado desde a ultima vez em que haviam se visto.

Ela parecia à mesma. Os cabelos longos e encaracolados nas pontas, a mesma pele de porcelana, o mesmo perfume inebriante, as mesmas tempestades castanhas, tão conhecidas por ele. Ainda assim, ela estava diferente. Não era mais a menina doce por que ele se apaixonara. Tinha pose e compostura de Rainha, o vestido negro evidenciando o luto eterno no qual ela parecia estar emersa.

Estavam muito próximos agora. Suas respirações se misturando uma à outra, o castanho e o azul unindo suas cores. As lágrimas, até aquele momento contidas, rolaram pelo rosto da morena, sentia como se o chão tivesse sido tirado de sobre os seus pés.

A necessidade, a falta que sentiam um do outro, apagou todo o resto naquele momento. Palavras ditas e feridas abertas simplesmente desapareceram junto com o resto do mundo. Nada mais importava, nenhum acordo ou mágoa conseguia se sobrepor ao chamado dos corações do ladrão e da rainha, que gritavam um pelo outro em batidas sincronizadas.

— Robin, eu...- Regina começou a falar sem nem mesmo pensar na primeira coisa que gostaria de dizer. Suas palavras se perderam, levadas pelo vento, e ela ergueu a mão, como se quisesse tocar o homem a sua frente, sentir a pele dele contra a sua e saber que aquele reencontro estava realmente acontecendo, que não era apenas fruto de sua imaginação desesperada e saudosa.

Antes que completasse seu intento, no entanto, a mão forte do ladrão envolveu sua cintura, puxando-a para mais perto, colando o corpo dela ao dele. Com a mão livre, Robin secou as lágrimas que desciam pelo rosto de Regina, os pensamentos centrados em como sentira falta de tê-la perto dele.

As testas dos dois se encostaram uma à outra. Os braços de Regina envolveram o pescoço de Robin, e ela o puxou ainda mais para perto de si, desesperada para senti-lo, para saber que ele ainda estava ali por ela. Os olhos castanhos se fecharam, e a Rainha se permitiu desfrutar daquele momento de sonho sem pensar no que viria em seguida.

Robin já não pensava em mais nada. Todas as palavras, as lembranças ruins e mágoas que estavam encravadas em seu coração, tudo pareceu desaparecer, diluir em uma névoa prateada, e tudo em que o ladrão conseguia focar a mente eram os lábios da mulher a sua frente, tingidos de vermelho.

Como imã seus lábios encontraram os dela em um beijo inicialmente delicado e inseguro, mas que em poucos segundos foi ganhando intensidade, evidenciando a falta que sentiam um do outro.

O beijo se prolongou, e a necessidade de ar se fez presente, mas nenhum dos dois queria quebrar o beijo, tinham medo do que viria depois. Regina, ainda com lágrimas rolando por sua face, mal conseguia acreditar que aquele momento estava realmente acontecendo. Ela e Robin....juntos de novo, mesmo depois de todo aquele tempo, mesmo depois tudo que tinham passado...

O coração da morena batia forte em seu peito, e ela podia sentir o coração do ladrão martelando contra o seu, os dois seguindo o mesmo ritmo, tocando a mesma melodia, uma melodia que ela jurara que nunca mais teria o prazer de ouvir.

Junto com a falta de ar em seus pulmões, as lembranças pareceram voltar a mente de Robin, que sentiu como se ressurgisse de um mergulho em um lago frio. O que ele estava fazendo ali afinal? Porque estava preso naquele beijo, mesmo depois de tudo que havia acontecido entre eles? Porque seu coração ainda gritava por ela, mesmo depois de ela ter dito com todas as letras necessárias que o queria fora da vida dela?

Sim, ele ainda a amava. Sim, ele era completamente apaixonado por ela como fora desde aqueles primeiros dias na Floresta, mas agora o amor não era o único ocupante de seu coração, não mais. Junto com ele havia a mágoa, e por fim, depois de uma longa batalha, ela tinha levado a melhor.

Com os pensamentos inflamados pela mágoa que sentia por tudo que havia acontecido naquele ultimo encontro que tivera com Regina, o loiro desprendeu seus lábios dos dela, sentindo seu coração sangrar com esse movimento. Ele daria tudo para conseguir esquecer. Faria qualquer coisa para simplesmente se entregar a aquele momento sem pensar no passado, mas simplesmente não conseguia, não podia deixar para trás as palavras frias que ouvira dela....

— Não. – foi à palavra que saiu de sua boca enquanto ele se afastava alguns passos, seus olhos olhando para tudo ao redor, menos para os olhos castanhos que tanto turvavam sua mente. Sabia que se olhasse nos olhos dela iria fraquejar, iria correr ao seu encontro e pega-la nos braços para nunca mais soltar, mas ele não podia fazer isso, simplesmente não podia. – Não Regina. Eu...eu não posso mais. Não quero mais.

As palavras de Robin chegaram aos ouvidos da morena, mas alguns segundos se passaram até que ela conseguisse compreender o real significado do que ele estava dizendo. Por um ou dois minutos, ela tinha vivido um sonho, o sonho de ter Robin de volta a sua vida, mas agora, a realidade a atingia em cheio, e ela se sentia como se mergulhasse de cabeça em um pesadelo horrível.

Ele estava se afastando, um passo de cada vez, e ela estava sem reação. Queria correr até onde Robin estava, não eram muitos passos de distancia para que ela conseguisse alcança-lo. Queria pega-lo pela mão e pedir a ela para ficar, para ouvir o que ela tinha a dizer, mas...será que ela ainda tinha esse direito? Será que mesmo depois de tudo, ele ainda poderia ouvi-la?

As dúvidas borbulhavam em sua mente como ingredientes para uma poção intrincada, mas diferente do que acontecia quando estava preparando uma dessas, a Rainha não conseguia decifrar aquelas instruções, não conseguia entender qual era o exato significado das palavras que Robin estava lhe dirigindo.

Ela continuou parada onde ele a tinha deixado, ainda lutando para se decidir, enquanto ele se virou e começou a se afastar, o medo de voltar atrás em sua decisão fazendo com que seus passos soassem urgentes. Nem mesmo se lembrou de montar o cavalo que o acompanhara até ali. Simplesmente seguiu a pé, perdido em si mesmo.

— Robin! Espera! – a voz de Regina o alcançou, e o ladrão estacou em seu caminho, incapaz de ignorar a voz que o chamava.

Regina sentiu o ar que estava preso se soltar com suas palavras, e antes que o medo a retivesse onde estava, antes que o efeito de sua fala se dissipasse e Robin continuasse seu caminho, a tão conhecida fumaça roxa a envolveu, e ela se viu diante dele novamente, seus olho mais uma vez se prendendo nos oceanos azuis que a enlouqueciam de saudade.

— Espera. Não vai embora, eu...preciso que você me escute. – falou, sua voz saindo poucos tons mais altos que um sussurro. Sim, ela queria que ele a escutasse, não podia deixa-lo partir de sua vida daquele jeito, não de novo, mas ao mesmo tempo, não sabia o que dizer. Que palavras seriam suficientes para fazê-lo ficar?

Quando Robin se deu conta, lá estava Regina, na sua frente, pedindo para que ele a ouvisse. Estava a sua frente, bloqueando seus passos, o olhar preso ao dele. As tempestades castanhas estavam ali, confusas e intensas como sempre, e por mais que sua consciência mandasse, ele não conseguia ignora-las, não podia simplesmente continuar a andar.

Não conseguir virar as costas não significava, no entanto, que ele esquecera a mágoa e a tristeza que por tantos anos lhe tinham servido de companhia. E foram elas, e não o amor ainda vivo, que se expressaram nas palavras que o ladrão dirigiu a rainha. – O que você tem pra e dizer Majestade? O que ainda ficou por ser dito entre nós?

Aquelas palavras atingiram Regina com força, e ela sentiu seu coração se contrair , ferido com o que ouvia. Ela sentia a tristeza, a mágoa que cada uma das palavras de Robin exalava, e ter noção do quanto ele estava machucado por causa dela era extremamente doloroso. O que o tempo fizera com a historia deles afinal? O que ela fizera com ele?

Mesmo confusa, ainda que não conseguisse entender exatamente o que estava acontecendo, o porquê daquelas palavras tão duras vindas de Robin, ela não desistiu de tentar. Tinha que falar alguma coisa, qualquer coisa, para ao menos tentar impedir que ele fosse embora de novo.

— Eu te amo. – as palavras, as únicas em que ela conseguira pensar, as únicas que eram verdadeiras, saíram da boca da rainha baixas como uma confissão, e ela sentiu como se um grande peso fosse retirado de seus ombros. Sim, aquelas eram as únicas palavras que ela podia dizer naquele momento, e em seu intimo, torceu para que fossem suficientes para Robin tanto quanto eram para ela mesma.

— Sabe qual o problema milady? Talvez o amor não seja mais suficiente para nós. – foi à resposta de Robin, que se odiou por cada palavra que estava dizendo. Se odiou por tratar a declaração dela de forma tão negligente. Mas o que ele podia fazer? Aquela era a verdade. Já não havia mais espaço para aquele amor no final das contas. Se houvesse, ela nunca o teria mandado embora naquela última vez, teria?

— Não...isso não pode ser verdade. Não é verdade, eu sei que não. Porque você está fazendo isso Robin? Eu estou aqui, na sua frente, dizendo que amo você. Quero você de volta na minha vida, mesmo que você tenha ido embora naquele dia, mesmo que tenha me virado as costas no momento que eu mais precisei de você....eu perdoo tudo. Esqueço tudo, só preciso que você me diga que ainda temos uma chance.

Ela era a Rainha, mas quem a visse agora não enxergaria majestade alguma. Ela era a soberana daquele reino, temida por todos e odiada por muitos, mas naquele momento nenhum titulo ou poder importava. O mundo perdera as cores aos seus olhos e ela estava no chão com suas palavras, implorando para que um ladrão não desistisse daquela história, para que não desistisse dela.

— Você perdoa tudo Regina? E quanto a mim majestade? Será que passou pela sua cabeça que eu, o pobre e insignificante ladrão que você fez questão de dizer que não queria mais na sua vida, será que eu consigo perdoar tudo? Aqui vai a sua resposta, caso você não consiga chegar a ela por si mesma: Não. Eu não consigo perdoar. Não consigo esquecer. Você me mandou embora da sua vida e agora eu não quero mais fazer parte dela.

As palavras de Robin soaram sentidas e revoltadas, exatamente como ele próprio se sentia. Como Regina tinha coragem de fazer aquilo como ele? Como podia dizer que o perdoava e que o queria de volta, depois de tê-lo expulsado aos gritos o castelo, dizendo que ele fora o maior erro que ela cometera na vida, que fora uma decepção, um erro? Sim, ele amava Regina. Amava muito. Mas o amor...já não era suficiente para faze-lo ficar.

Ele não deu chance para que ela respondesse, e contornando uma Rainha consternada e em choque, recomeçou a andar, afastando-se dali o mais rápido que conseguia. Seu coração estava pesado e as lágrimas faziam seus olhos arderem. Ele queria gritar, mas sua garganta estava fechada, embargada , sufocada com aquele momento.

Ela o viu ir embora, mas não reagiu com rapidez suficiente. As lágrimas voltaram a rolar por suas faces, queimando feito o fogo com o qual ela brincava com tanta facilidade e destreza. O que Robin quisera dizer com aquelas palavras? Como ela podia tê-lo expulsado de sua vida quando a ultima coisa de que ela se lembrava era de ele estar com ela na Floresta? Naquela ocasião Rumple lhe dissera que Robin a deixara sob os cuidados dele e fora embora sem olhar para trás...como agora ele a acusava de tê-lo mandado embora?

Nada daquilo fazia sentido. Era frustrante. A sensação que ela tinha era que, mais uma vez, o destino jogava peças no tabuleiro da sua vida, apenas para se divertir vendo qual seria a sua reação a uma nova reviravolta, uma nova decepção. Surpresa: ela simplesmente não sabia lidar. Queria gritar, chamar Robin de volta e tentar entender o que estava acontecendo. Ao invés disso, no entanto, ficou onde estava, observando-o se afastar a passos largos, enquanto os trovões começavam sua melodia, mostrando ao mundo a tempestade que acontecia dentro da Rainha.

Flashback on:

Verde. Verde e Marrom. Essas eram as únicas cores que Robin via enquanto percorria a estrada para longe daquele lugar preenchido por recordações. Fugindo. Era isso que ele estava fazendo. Estava indo embora, correndo para longe de suas lembranças, para longe dela.

Por maior que fosse a distancia que o separasse dos muros do castelo, os olhos dela, aqueles olhos castanho tempestade, pareciam acompanha-lo a todo momento, cuidando-o se afastar e deixa-la para trás. A imagem de Regina não saia de sua mente. Por mais que desejasse, simplesmente não conseguia expulsa-la de sua cabeça, muito menos de seu coração.

Como ele queria que as coisas fossem diferentes. Como queria poder dar meia volta e correr de volta para os braços dela, abraça-la e não solta-la nunca mais, nem mesmo por um segundo.

Ela pedira perdão. Dissera que o amava. E ele, bom...ele acreditava nela. Acreditava em cada palavra que ouvira sair daqueles lábios tingidos de vermelho. Céus, ele sentia falta dela. Sentia saudade, e a culpa por tê-la deixado aos cuidados de Rumplestilskin o consumia pouco a pouco.

Como será que sua morena estava? Será que se recuperara bem? Será que se lembrava do encontro deles na floresta? Se sim, o que passava pela cabeça dela? Será que acreditava que ele a havia abandonado a própria sorte? Ao pensar naquelas possibilidades, o ladrão sentiu seu coração se contrair, machucado e culpado. Droga, porque tudo tinha que ser tão complicado?

Que destino cruel era aquele, que juntava duas almas amantes para depois separa-las, jogando-as uma para cada canto do mundo, condenadas a sofrer com a ausência do outro? Ele simplesmente não conseguia entender, não podia aceitar que sua história com Regina fosse terminar daquela forma.

As lágrimas turvaram sua visão novamente, e ele se odiou por isso. Se odiou por estar indo embora. Sentiu raiva por estar desistindo. O que ele estava fazendo afinal? Porque estava deixando o amor de sua vida para trás para cumprir um trato maluco com o Senhor das Trevas?

Sim, ele sabia que dar meia volta traria consequências. Não tinha ilusões quanto a isso. Tinha certeza que quebrar aquele acordo traria algum tipo de punição, uma punição que não seria nem um pouco agradável, conhecendo a fama que circundava seu credor, mas...será que não valia a pena o risco? Será que o amor, aquele sentimento forte e avassalador que sentia por sua morena não poderia vencer mais aquela barreira?

As perguntas zuniam na mente do loiro enquanto o cavalo continuava sua vagarosa caminhada, acompanhando aqueles do grupo que seguiam a pé. Robin se sentiu zonzo, desnorteado, e tinha certeza que se não tomasse cuidado acabaria caindo da montaria.

Estavam quase no limite agora. Daqui a alguns metros ele estaria fora dos daquela cidade. Estaria em outro reino, em outra terra, com pessoas e histórias diferentes, e ai sim, sua história de amor estaria definitivamente perdida.

O grupo todo parou de andar ao ver o que estava acontecendo. Com uma expressão decidida no olhar, uma obstinação que refletia com os raios de sol, Robin fez seu cavalo dar meia volta e começou a refazer seu caminho, gritando para os outros que iria voltar. Antes que qualquer um do grupo pudesse dizer ou fazer alguma coisa, tudo que restava era a poeira que os cascos do cavalo levantavam ao passar.

Durante o trajeto para o castelo, a mente do ladrão estava focada no que ele diria a Regina quando finalmente chegasse ao castelo, tanto que ele mal prestava atenção ao caminho que estava percorrendo ou se deu conta do tempo que demoraria para completar a travessia.

Quando finalmente se viu aos portões do palácio que servia de morada para a pessoa que mais lhe importava no mundo, a verdade era que ele inda não fazia ideia do que iria dizer. Que palavras seriam suficientes para que Regina lhe perdoasse, para que lhe aceitasse de volta?

Mesmo tendo percorrido todo o caminho de volta, mesmo que não tivesse planos de desistir dela, o fato era que ele não sabia o que se passava na mente de sua morena, não sabia o quanto Rumplestilskin a tinha envenenado...e se o Senhor das Trevas tivesse dito a ela que Robin a abandonara pra morrer? Será que ele conseguiria reverter uma situação assim? Aquelas eram apenas mais perguntas sem resposta, questões com as quais ele teria que lidar se quisesse tê-la de volta. E isso, definitivamente, era o que ele queria.

Quando indagou pela Rainha a um dos guardas que estava prostrado no portão de entrada, este lhe informou que ela estava no grande salão, onde recebia aqueles que lhe solicitavam uma audiência. Aquela era uma ótima noticia, porque significava que ele não precisaria rondar pelo castelo na esperança de encontra-la.

O caminho para o grande salão era curto, e enquanto seus passos o levavam até lá, o ladrão se perguntava o que o esperava quando chegasse lá. Como será que Regina estava? Será que tinha superado a perda do bebê? Será que ele teria a chance de encontra-la sozinha, para que enfim pudessem conversar e resolver as coisas de uma vez?

As perguntas turvavam a sua mente, e quando deu por si, já se encontrava de frente a porta de acesso do salão de conferencias. Haviam dois guardas na porta, que lhe inquiriram se ele tinha hora marcada e qual era o assunto que ele desejava tratar com a Rainha.

Um momento de silêncio se passou, durante o qual o loiro tentou pensar em algo para dizer que permitisse sua entrada, mas não foi preciso que dissesse nada. A porta se abriu com um leve ranger e a voz dela, a voz que estivera tão presente em seus pensamentos, preencheu o ar, chegando aos seus ouvidos e fazendo com que ele erguesse o olhar para além dos guardas, para a figura vestida de vermelho que estava sentada no trono dourado, imponente e altiva.

— Deixem-no entrar. Vamos ver o que o ladrão tem a me dizer. – a voz dela estava fria e carregada de sarcasmo, e Robin se perguntou até que ponto aquela frieza toda era apenas teatro.

A ordem da Rainha foi obedecida e os guardas liberaram a passagem de Robin, voltando a fechar a porta quando ele passou. Regina, que a portas fechadas parecia ter perdido um pouco de sua majestade, continuou a encarar Robin, azul e castanho presos um no outro, como se o desafiasse a começar a falar. O problema disso era que, ele não fazia ideia de por onde começar, não sabia o que dizer primeiro.

O silêncio se prolongou, preguiçosamente se arrastando pelas paredes do salão, apenas esperando para ver quem seria o primeiro a falar. Por fim, parecendo não suportar mais a falta de palavras, a morena se levantou de seu acento e desceu a pequena escada que havia aos seus pés, sem em nenhum momento desviar o olhar do homem que caminhava ao seu encontro. – E então Robin? O que o traz aqui? – perguntou por fim, as palavras conservando um tom frio e formal que incomodou o ladrão.

Havia alguma coisa errada, algo que não se encaixava. Regina estava ali, na sua frente, mas algo estava diferente. Seus olhos, ainda eram a mesma tempestade castanha que ele conhecia tão bem, mas algo estava errado. Faltava alguma coisa. Um brilho, algo estava ausente, e ele não conseguia explicar o que era, simplesmente sentia.

Ainda assim, empurrou aquela sensação pro fundo da sua mente e limpou a garganta, pensando no que queria dizer, tentando decidir a melhor forma de começar a falar. – Regina, eu...- suas palavras se perderam, ele simplesmente não sabia o que falar primeiro, tinha medo da reação dela as suas palavras.

— Você o que Robin? O que você tem para me dizer? Que palavras você acha que serão suficientes para aplacar o que você fez? Me diga, estou ansiosa para ouvi-las. – a voz de Regina era fria e carregada de escarnio, o que fez com que Robin se perguntasse do que exatamente ela se lembrava, o que haviam dito para ela para que ele recebesse tal tratamento?

— Eu amo você. – foi tudo que ele conseguiu dizer em resposta a aquelas palavras. Três palavras, era tudo que ele tinha para oferecer a ela depois daquele tempo de silêncio, e desejou do fundo do coração que fosse suficiente para ela como era para ele.

A risada da Rainha, alta e estridente, ecoou pelo aposento, e o loiro sentiu seu coração se encolher diante daquele som. O que estava acontecendo com Regina afinal? Porque aquele tratamento diante da declaração que ele fazia para ela?

— Você me ama Robin? Engraçado, eu não sabia que quem amava abandonava o alvo de seu amor no meio da mata e simplesmente desaparecia. Achei que amor significava cuidado, sacrifício. Mas acho que estava enganada não é? Que tolice a minha...- essa foi a resposta dela, e ai sim, Robin entendeu, ou começou a entender, o que realmente estava se passando ali. Regina estava magoada. Achava que ele a tinha abandonado, e ele tinha certeza que o Senhor das Trevas não fizera nada para tirar aquela impressão dela, muito pelo contrario.

Desesperado para desfazer aquele mal entendido, para que Regina acreditasse nele, Robin voltou a falar, suas palavras saindo atropeladas por conta da emoção e do nervosismo que o acometiam. – Regina, eu não abandonei você, eu...jamais faria isso. Nunca deixaria você por vontade própria. Por favor meu amor, acredita em mim.

— Ah, então você não foi embora por vontade própria Robin? Você não escolheu me deixar lá na Floresta e virar as costas pra mim? Se isso é verdade Robin, porque você não estava comigo quando eu despertei e soube que tinha perdido meu filho? Se isso é verdade, porque você não estava do meu lado durante todas as luas que se passaram, nas quais eu acordava chamando seu nome e pedindo que você voltasse? Me diz Robin, porque você não estava lá? – as palavras dela o ferira como faca, mas ele não tinha nada com o que se defender, ela estava certa no fim das contas, ele não estava lá quando ela precisara, estava?

Ainda assim, mesmo que não tivesse com o que contra argumentar, mesmo que não pudesse contar a Regina sobre o acordo que fizera com Rumplestilskin, ele não iria desistir, não iria abrir mão dela sem pelo menos tentar lutar. – Eu...me perdoe meu amor. Me desculpe, eu sei que falhei com você, sei que te desapontei, e sim, você tem todo o direito de estar magoada comigo. Mas eu posso me redimir com você. Sei que posso apagar as marcas que lhe causei, tudo que te peço é uma chance. Dê mais uma chance pra nossa história, por favor.

— Não Robin. Nossa história não merece uma segunda chance. Na verdade, ela não deveria nem ter tido a primeira. Tudo que aconteceu entro nós foi um erro. Você foi um erro. Eu não quero mais nada disso na minha vida. Não quero mais você na minha vida. Vai embora. Some daqui. Não volta mais, se acontecer mais uma vez eu não serei tão benevolente em permitir sua entrada. – as palavras dela saíram cuspidas, como se ela se esforçasse para conter a raiva, e os olhos dele arderam por conta das lágrimas que ameaçavam desabar.

Porque aquilo estava acontecendo? Porque Regina o estava mandando embora daquela maneira? Porque o estava expulsando de sua vida quando ele implorava por uma chance? Seria aquele o ponto final da historia deles? Seria a mágoa suficiente para aplacar o amor? Ele não tinha resposta para nenhuma daquelas perguntas, mas não podia ir embora e deixa-la ali, simplesmente não podia.

Por isso, tentou mais uma vez, suas palavras soando aos seus ouvidos débeis e insuficientes. – Regina, não faz assim, por favor meu amor, eu...

— CHEGA ROBIN! EU NÃO QUERO OUVIR MAIS NADA! VAI EMBORA DAQUI. SOME DA MINHA FRENTE! – os gritos explodiram, chicoteando nas paredes e fazendo com que Robin estremecesse, sentindo que cada palavra dita por Regina perfurava seu coração como se fosse uma agulha.

Por detrás de uma pilastra, envolto em uma névoa transparente que ocultava sua presença, olhos de crocodilo se divertiam com a cena que se desenrolava, a boca curvada em um sorriso diabólico enquanto em suas mãos um coração vermelho com uma minúscula manchinha negra pulsava forte, como se tentasse inutilmente chamar atenção para si.

Notas finais
E então, o que acharam?? Estou ansiosa pelos reviews, espero encontrar vocês nos comentários!! Beijiiinhooos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.