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14 XIV - The King
Notas iniciais
“Logo você, que não teve capacidade nem mesmo para segurar um filho na barriga”. As palavras reverberavam nos ouvidos de Regina, e a morena sentiu as lágrimas invadirem seus olhos. A dor a invadiu seguida pela culpa pelo que havia acontecido e pela raiva que sentiu do rei naquele momento.
Como ele tinha coragem? Como podia jogar a morte de seu filho na cara dela daquela maneira tão fria, tão cruel? Antes que pudesse pensar com clareza no que estava fazendo, a mão dela voou para o rosto do Rei, estralando com força ao atingi-lo. – Lave a boca antes de falar do que não sabe! Você não tem o direito de falar nada sobre o meu filho. – esbravejou, furiosa, sentindo as lágrimas quentes e salgadas descerem por seu rosto.
Tinha vontade de dizer a Leopoldo muito mais do que tinha falado. Sentiu vontade de jogar na cara dele que o filho que perdera não era dele. Queria jogar na cara do monarca que ela não o amava, que tudo que sentia por ele era desprezo. Mas mesmo quando essas palavras emergiram na superfície de sua mente, a morena sabia que não poderia dizê-las. Sabia que havia muito mais em jogo do que seu orgulho ferido ou a dor que sentia pelas perdas sofridas.
Antes que Regina pudesse dizer mais alguma coisa, o rei pareceu se recuperar do estarrecimento pelo tapa que levara, e se aproximou da morena com um brilho furioso no olhar. As mãos dele, fortes e bruscas, foram parar nos braços dela e ele a sacudiu como quem sacode um saco grande de farinha para despejar o conteúdo em uma tigela.
Os gritos começaram quase instantaneamente. Leopoldo estava a poucos centímetros de Regina, e mesmo assim gritava com ela como se estivesse falando com alguém que estava muito distante e não poderia ouvir o que o outro estava dizendo a menos que ele gritasse. – Você poderia perder sua cabeça por essa atitude sabia? O que pensa que está fazendo, esbofeteando seu rei e marido desta maneira? Enlouqueceu de vez?
Enquanto o rei continuava a falar, ou melhor dizendo, a gritar, em seus ouvidos, Regina estava sem reação. Claro, se ela usasse magia poderia facilmente afasta-lo de perto dela, mas não se sentia confiante para realizar nenhum tipo de encantamento de forma correta. Desde que acontecera com seu bebê, era como se ela tivesse que reaprender tudo do básico. Estava tendo dificuldades para controlar a magia, e duvidava que, mesmo com toda a raiva que estava sentindo, poderia fazer algo eficaz para afastar o rei.
Por isso, ela permaneceu exatamente onde estava, tentando inutilmente fazer com que Leopoldo a largasse. Ele continuava a falar, e o aperto que exercia nos braços da morena era cada vez mais forte, como se a falta de reação dela apenas servisse para deixa-lo ainda mais irritado.
— Eu não deveria ter me casado com você. Tem porte de princesa mas é um lixo por dentro. Tão seca quanto uma arvore morta. Sabe por que aceitei me casar com você Regina? Porque pensei que se não fosse capaz de me dar um herdeiro, pelo menos seria uma mãe para Snow. Mas estou vendo que me enganei, nem isso você consegue ser. – Regina ouvia as palavras do rei, mas estava tão atordoada que era como se as estivesse escutando por detrás de uma barreira. Estava com dor e se sentia cada vez mais fraca. Tudo que queria era que ele fosse embora, que a deixasse em paz.
Por detrás de todo o seu cansaço, entretanto, a raiva permanecia presente, cada vez mais forte, como se o jeito agressivo do rei só servisse para alimentar a revolta dela. Estava furiosa com seu destino, com a vida que ela nunca escolhera e que fora obrigada a aceitar. Estava cansada de perder tudo que amava, de viver em meio as lágrimas, sofrendo suas perdas enquanto o destino parecia se divertir em vê-la tentar se reerguer apenas para derruba-la ao chão novamente.
— Me solta, você está me machucando! – disse, esforçando-se ao máximo para que sua voz saísse firme e autoritária, mas sem ter muito sucesso, já que suas palavras saíram atropeladas pelos soluços.
— Você vai aprender a me respeitar, seja de um jeito ou de outro. – foi a resposta do rei, que parecia ter liberado para cima da morena toda a raiva e o ressentimento que estava contido dentro de si há tantos anos.
— Me larga! – ela gritou mais forte desta vez, na esperança de que alguém que naquele momento estivesse passando pelo corredor pudesse ouvi-la. Depois de mais alguns segundos agonizantes, durante os quais as mãos do rei continuaram prendendo seus braços e o olhar dele continuou preso ao seu, Regina ouviu um estalido seco e viu uma fumaça negra subir pelo ar. Quando se deu conta, estava encarando Rumplestilskin, que tinha um brilho de fúria no olhar.
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— Robin? – o ladrão ouviu a voz de Will e notou a aproximação do amigo, mas não desviou o olhar de seu alvo. O arco estava retesado, pronto para disparar a flecha. Ele viu seu alvo se mover e calculou o próximo movimento. A flecha saiu em disparada, assoviando perto do ouvido do loiro. Ela estava perto, mas não o suficiente para atingir o alvo, e acabou espetada na grama, alguns metros a frente.
Ao ver que tinha errado de novo, Robin sentiu a frustração o invadir. Por mais que tentasse e treinasse, suas habilidades com o arco não eram as mesmas, e ele sabia exatamente o porquê disso, mesmo que não quisesse admitir para si mesmo, sabia que estava assim por causa de Regina. Não conseguia tira-a da cabeça, e pensar nela era torturante.
Sabia que ela estava bem, que tinha sobrevivido a perda do bebe, a perda do seu filho, mas saber disso não era exatamente um conforto, já que, por conta do acordo que firmara com o Senhor das Trevas, ele não podia se aproximar dela. Não podia dizer que sentia muito por toda a dor pela qual ela estava passando. Não podia contar que sabia da verdade sobre a criança...e ao mesmo tempo se perguntava se ela se lembrava do que havia acontecido quando ele a encontrara na estrada, ou se o trauma havia apagado aqueles acontecimentos de sua mente.
Os devaneios do ladrão foram interrompidos pela voz de Will Scarlet, que voltava a falar com o amigo. – Você não pode continuar assim Robin. Precisa superar o que aconteceu. Precisa seguir em frente. – falou, preocupado com o amigo.
Ele sabia que Robin não estava bem, e estava cada vez mais preocupado. Era horrível assistir a seu melhor amigo definhar daquela maneira, e queria ajuda-lo. o único problema é que não sabia como iria fazer isso.
— Eu não consigo Will. Não consigo seguir em frente. Tudo aqui me lembra ela. Todo lugar por onde passo me traz lembranças. Sei que ela esta sofrendo, e o que eu mais queria era poder estar com ela, poder dizer que ela não está sozinha, mas eu...eu não posso mais fazer isso. – o loiro deixou as palavras saírem, sentindo-se extremamente cansado.
— Então porque não vamos embora daqui? Por que não vamos para outro lugar, onde você não seja mais atormentado por lembranças? – questionou Will, enxergando nas palavras do amigo uma forma de ao menos diminuir seu sofrimento. É claro que uma mudança não seria suficiente para fazer com que ele se esquecesse de Regina, mas poderia servir ao menos para que a torrente de memorias fosse contida. Talvez, dar um tempo daquele lugar, fosse exatamente o que o ladrão estava precisando.
Um minuto inteiro se passou, durante o qual o silencio se perpetuou entre os dois amigos. Robin estava perdido em meio aos seus pensamentos, e Will, sabendo que o amigo estava considerando as palavras que havia dito, achou melhor deixa-lo quieto, para que ele pudesse decidir o que faria em seguida.
Sim, Will estava certo em sugerir aquilo. Seu amo por Regina não iria diminuir com a distância, e tinha certeza que a saudade que sentia dela só iria aumentar, mas por outro lado, não ter mais que olhar para tantos cenários que foram palco de seus momentos poderia lhe fazer bem. E de todo modo, a morena já estava inalcançável para ele, mesmo que decidisse continuar ali.
— Talvez você tenha razão, uma mudança de ares pode acabar me fazendo bem...- começou o loiro, ainda parecendo indeciso em suas palavras. Por mais que soubesse que aquela era a atitude mais correta a ser tomada, ele ainda relutava. Por mais que fosse duro viver ali, em meio as lembranças, ele tinha pelo menos tinha a esperança de ter um vislumbre de sua amada morena...se fosse embora, tudo que teria seriam as memorias.
Vendo a incerteza que pairava nos olhos e nas palavras do amigo, Will voltou a falar, na esperança de convencê-lo. – Olha, vai ser bem difícil no começo, mas acredite em mim, você precisa sair um pouco daqui. Não precisa ser algo definitivo, mas ao menos por algum tempo.
— Sim, você tem razão. Apenas por alguns meses...- falou por fim, se dando por vencido. Afinal, de nada adiantaria discutir. Ele não tinha argumentos, teoricamente não havia nada que o prendesse ali, nem mesmo a Rainha.
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— Ora, ora, vejam só o que temos aqui. Eu estava me perguntando o porquê do atraso de minha aprendiz, mas agora estou vendo que ela não se atrasou por sua própria vontade. – a voz de Rumplestilskin chegou aos ouvidos de Regina e Leopoldo, e a morena não pode deixar de sorrir por dentro ao ver seu mestre ali. Por mais que a voz de Rumple estivesse histérica e risonha como sempre, ela podia entreouvir o perigo em cada palavra que ele dizia.
Surpreso ao notar que não estavam mais sozinhos, o rei largou os braços de Regina e se virou para encarar o visitante. Seus olhos encontraram os do Senhor das Trevas, e ele sentiu um tremor percorrer o seu corpo, atingido pelo olhar frio e cruel que o homem com pele escamosa lhe lançava.
— O que faz aqui, Rumplestilskin? – questionou o monarca, fazendo o máximo para que sua voz se mantivesse imponente e autoritária, por mais que sentisse o medo se inflar por suas veias feito um veneno poderoso.
— Eu já disse. Vim averiguar o atraso de minha aprendiz. E ainda bem que resolvi vir não é? – falou o Senhor das Trevas, seu tom de voz perdendo a falsa histeria a cada palavra, pouco a pouco se tornando mais perigoso. – agora, venha aqui queridinha, deixe eu ver o que você tem ai. – continuou, desviando seu olhar de Leopoldo para Regina.
Feliz em se afastar do rei, que continuava encarando Rumple com uma expressão embasbacada, Regina caminhou até onde seu mestre estava, mostrando-lhe os braços que agora ostentavam feios vergões vermelhos, marcas do aperto forte do rei.
Ao se deparar com aquelas marcas nos braços da morena, o Senhor das Trevas sentiu que uma raiva descomunal subir a sua garganta. Seus olhos faiscaram perigosamente, e seu cérebro maquinou como fazer o rei pagar por seus atos idiotas. Não que ele se importasse, mas ninguém iria encostar em Regina, muito menos aquele monarca idiota.
Com esses pensamentos em sua mente, Rumplestilskin voltou a falar, enquanto erguia as mãos em direção aos machucados de sua aprendiz, fazendo-o desaparecer em uma névoa prateada. – Tsc, tsc, tsc, alguém agiu muito mal sabem? Não costumo me importar com as pessoas querido Rei, em geral quero que elas se explodam, mas não é o caso dessa daqui. Regina é minha aprendiz, e ninguém mexe com meus aprendizes a não ser eu mesmo.
Ao ouvir aquelas palavras, Leopoldo sentiu seu corpo estremecer de medo. Não sentiu orgulho disso, sempre fora corajoso, mas o fato era que apesar de ser rei, ele não possuía nenhum tipo de conhecimento em magia, ao contrario de Rumplestilskin. Instantaneamente, se arrependeu de ter ido procurar Regina para tirar satisfações. Se tivesse deixado os choramingos de Snow para lá, nada disso estaria acontecendo.
— Eu não quis...- começou a falar, tentando achar um jeito de remediar aquela situação que estava ficando pior a cada minuto que passava, mas não teve a chance de completar sua frase, sendo interrompido por sua esposa, que parecia explodir em fúria, as marcas de lágrimas ainda visíveis em seu rosto.
— O que vai dizer? Que não teve a intenção de me ferir? Que não quis jogar na minha cara que não consegui levar minha gravidez adiante? Ou que preferia que eu tivesse morrido naquele ataque, que alias era destinado a você não mim? Você me acusou de ter perdido meu filho, mas a verdade é que o grande culpado disso tudo é você. – a morena cuspiu as palavras, finalmente colocando para fora toda a raiva que sentia do rei, toda a raiva que sentia de si mesma por conta daquele casamento infeliz.
— Eu não...- Leopoldo tentou de novo, mas acabou deixando que as palavras se perdessem nas paredes daquele aposento. O que ele poderia dizer afinal de contas? O que fizera não fora certo. Agira no calor do momento, movido pelo impulso, e acabara sendo imprudente e cruel.
— Você não deveria tentar se desculpar sabia? O que você fez foi extremamente idiota e cruel, até mesmo para os meus padrões. Mas como não fui eu o ofendido, vou deixar que Regina decida que punição você merece. – falou, virando-se para a morena, que agora estava postada ao seu lado, seus olhos castanhos mais parecendo duas tempestades furiosas. – E então queridinha, o que vai ser?
Ao ouvir as palavras do Senhor das Trevas, Regina sentiu como se seu coração parasse de bater por um milésimo de segundo, o peso do que ouvira caindo como pesados tijolos em suas costas. Era isso, a vida do rei estava em suas mãos. Pela primeira vez na sua vida, a ultima palavra seria sua.
Por um momento, ela pensou em deixar tudo aquilo para lá. Pensou que seria isso que Robin gostaria que ela fizesse. Ele não iria querer que ela causasse nenhum mal ao rei, não iria gostar de ver ela cometer algum ato maldoso. Mas Robin não estava ali. Não fazia mais parte da sua vida. Ele fora embora, fora para longe dela, e grande parte da culpa por isso era daquele casamento que ela nunca quisera que acontecesse.
Talvez, se o rei não existisse, as coisas entre Robin e ela poderiam ter sido diferentes...sem aquele rei, sua mãe não a teria obrigado a escolher entre o amor e a vida de seu ladrão. Tudo poderia ser tão diferente. Ela poderia estar feliz agora, e não despedaçada como estava.
E ainda havia a morte de seu bebe, pesando no fundo de sua mente como uma ancora no fundo do mar. Seu pequeno príncipe, fruto de seu amor. Ele também lhe fora roubado, tirado de seus braços antes mesmo que ela tivesse a chance de ver seu rosto uma única vez, antes que pudesse segura-lo nos braços. Aquilo não fora justo, e era tudo culpa daquele rei ingrato, cheio de dedos na educação de sua pequena princesinha.
Ao se lembrar de Robin e de seu bebê perdido, as lágrimas voltaram aos olhos da morena, que não se importou com elas. Aquelas eram lágrimas de raiva e frustração. Estava cansada de perder tudo que amava. Cansada sofrer. Estava na hora de ganhar alguma coisa, mesmo que seu prêmio estivesse longe do que ela realmente queria. Podia não ter mais seu bebê e Robin em sua vida, mas iria fazer aquele rei pagar por toda a dor que lhe causara, mesmo que tenha sido de forma inconsciente, ele iria pagar por tudo.
— Eu o quero morto. – respondeu a pergunta de Rumple, um sorriso malicioso e cruel brotando em seus lábios. Ela não sabia que aquelas palavras teriam um sabor tão doce até que as tivesse pronunciado. Inexplicavelmente, sentiu-se livre, como se proferir a sentença do rei fosse de certa forma tão libertador quanto assinar uma carta de alforria. Ao menos estaria livre daquele casamento de fachada, e saber disso já era extremamente gratificante.
As palavras da morena foram recebidas de duas formas diferentes, extremamente discrepantes entre si. Leopoldo ao perceber que sua jovem esposa havia assinado sua sentença de morte, olhou na direção dela com uma expressão aterrorizada estampada no rosto, e começou a negar com a cabeça, como se não pudesse acreditar no que estava ouvindo, o medo se inflando por suas veias tão rapidamente quanto o sangue. Já Rumple, não pode deixar de sorrir diante das palavras de sua filha. Estava orgulhoso dela. Sabia que Regina era a escolha certa, e aquelas palavras eram a sua confirmação.
— Muito bom. Eu não esperava outra atitude sua. – falou o Senhor das Trevas, uma nota de orgulho subindo por sua voz. – Será feito exatamente como você pediu. – a voz de Rumplestilskin era fria e cruel. Ele estava se divertindo muito com toda aquela situação, e iria garantir que a morte do rei fosse lenta e dolorosa, uma punição adicional por seu mau comportamento.
Ao ouvir aquelas palavras, o medo que Leopoldo sentia se transformou em pânico, e ele abriu a boca para protestar, tentar se defender, fazer qualquer coisa que lhe pudesse poupar a vida. Suas opções não eram muito boas, sabia perfeitamente bem que de nada adiantaria ter uma espada para enfrentar um oponente como Rumplestilskin, e isso era aterrorizante.
Antes que o monarca pudesse dizer qualquer coisa, no entanto, sentiu um aperto em sua garganta, como se garras de ferro tivessem se fechado sobre ela. O ar começou a lhe faltar, e ele sentiu seus pés deixarem o chão.
Em vão, o rei se debateu feito uma marionete descoordenada, tentando se libertar da pressão que a mão do Senhor das Trevas exercia em seu pescoço. Enquanto se contorcia desesperado, ele pode ouvir as gargalhadas de Regina, e se perguntou que tipo de monstro era aquela mulher, que se divertia com a visão do sofrimento alheio.
— Você tem que me ensinar a fazer isso. – Leopoldo ouviu Regina dizer, sua voz chegando aos ouvidos dele como se estivesse vindo de longe, como se ele a escutasse com a cabeça enfiada em um tanque de água.
— Não se preocupe, você vai aprender. O conceito básico é fechar a entrada de ar. Sem ar nos pulmões, a pessoa morre lentamente. Se der sorte, ela desmaia antes de perder todo o ar. Se der azar....bom, agoniza até chegar ao fim. – respondeu o Senhor das Trevas, com um tom de voz professoral, como se estivesse ensinando sua aluna a resolver um intrincado problema de aritmética.
O rei sentiu os olhos pesarem, e suas mãos, antes presas em sua garganta, como se pudesse de algum jeito arrancar dali o que o estava pressionando, caíram frouxas ao lado do corpo. Sua cabeça tombou, e o pânico que o dominara por alguns aterrorizantes instantes, começou a se dissipar, substituído por um silencio estarrecedor.
Regina assistia aquela cena com um certo fascínio que se misturava ao medo e ao choque. O que ela estava fazendo? Se transformando em uma assassina? Era isso que ela era agora, uma pessoa fria e cruel, que tirava do caminho aqueles que atrapalhavam seus planos? O que seu pai diria se a visse? E Robin, será que ele ainda a amaria se soubesse do que ela estava participando?
Tão logo estes pensamentos surgiram em sua mente, ela tratou de afunda-los para as brumas de sua mente, fazendo de tudo para silencia-los, para calar aquela vozinha insistente que ficava lhe dizendo que aquilo não era certo, que ela não deveria estar agindo daquela maneira. Não. Ela estava agindo certo sim. Tudo seria mais fácil sem aquele rei prepotente em sua vida, tudo seria melhor, e além disso, ele merecia sofrer, por tudo que a havia feito passar.
Por fim, com um ultimo riso de escárnio, Rumple baixou a mão, e o corpo sem vida de Leopoldo desabou no chão do quarto, provocando um forte estrondo. Ao se virar para encarar Regina, ele notou a expressão confusa no rosto da morena, e tratou logo de lhe tirar os últimos resquícios de dúvida. Aquele havia sido um passo sem volta, uma linha cruzada, e era vital que ela entendesse isso.
— Você tomou a decisão certa. Ele não tinha o direito de fazer o que fez, nem de te falar aquelas coisas. Lembre-se: sua vida será muito melhor sem ele, tudo será mais fácil sem esse rei estupido para atrapalhar. Eu...- Rumple hesitou, sem saber se deveria realmente dizer as próximas palavras. No fim das contas, decidiu por dizê-las. Regina precisava de um incentivo, precisava saber que não estava sozinha neste novo caminho que iria trilhar. – Eu estou orgulhoso de você.
Aprovação. Era justamente isso que ela precisava, Fora atrás da aprovação de sua mãe que ela correra a vida inteira. Sempre quisera alguém que lhe dissesse que ela havia agido certo, alguém que se orgulhasse dela, e ironicamente, ali estava aquela pessoa, justamente quem ela menos esperava. Ao ouvir as palavras do Senhor das Trevas, Regina sentiu seu coração repentinamente leve. Sim, ele tinha razão, ela fizera a escolha certa, não tinha do que se arrepender.
As lágrimas a tomaram novamente, e ela cobriu os dois passos que a separavam de seu mestre, abraçando-o agradecida. Surpreendentemente, seu abraço foi prontamente correspondido por Rumple, e ela se sentiu acolhida. – Obrigada. – disse, simplesmente, sabendo perfeitamente bem que nenhuma outra palavra era necessária.
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