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4 IV -Lessons


Notas iniciais
Oii oii pessoas! Aquui estou eu de novo, com um capitulo para vocês. Este aqui está particularmente fofo, então espero sinceramente que gostem! Obrigaada a minha miga querida, Cath Locksley Mills pelo comentário no capitulo anterior e por todo apoio e ajuda que tem me dado com essa nova história! Booa leitura a todos!

Regina sentiu seu braço se retesar, puxando o arco ainda mais para trás, como Robin havia demonstrado ainda a pouco. Aquele movimento exigiu mais força do que ela imaginara, e a morena sentiu seus músculos queimarem por um instante por conta do esforço. Querendo se livrar daquele peso, desesperada para soltar a tensão que se instalara em ambos os seus braços, ela soltou a flecha, esperando que daquela vez obtivesse um bom resultado.

Como acontecera nas tentativas anteriores, no entanto, a flecha zuniu alto, mas descreveu um arco pequeno, caindo a alguns metros de distancia na grama verde, bem distante do alvo que Regina pretendia atingir, o que só serviu para deixa-la frustrada. Quando pediu a Robin que lhe ensinasse a atirar com o arco não imaginara que aquela se mostraria uma tarefa tão difícil.

— Não adianta, eu simplesmente não consigo atirar. Acho que não fui feita para ter habilidades com armas como essas. Como você pode fazer parecer tão fácil, tão natural Robin? – falou, não conseguindo ocultar de sua voz a frustração que sentia por não conseguir atirar corretamente nenhuma única vez.

Diante da frustração que a morena demonstrava, seu rosto exibindo uma expressão que misturava diversão, desafio e irritação, Robin não pode deixar de abrir um largo sorriso para ela antes de responder a pergunta que lhe fora feita.

Depois daquele dia em que os dois haviam passeado pela feira, ele e Regina haviam se visto mais algumas vezes, e a cada dia em que se encontravam, o laço entre eles se tornava mais forte, a amizade e a vontade de estarem na companhia um do outro aumentando a medida que as luas avançavam.

Aos poucos, ele a estava conhecendo, aprendendo a desvenda-la, a conhecer suas expressões e a ler o que seus olhos diziam, e isso o agradava mais do que Robin conseguia admitir para si mesmo. Estar na companhia daquela linda morena era muito bom, de uma forma inexplicável, ela era capaz de fazer com que por algumas horas ele se esquecesse de tudo, que passasse momentos tranquilos e alegres, fazia-o se esquecer-se de tudo, para se concentrar apenas nela.

Por isso, quando se encontraram no dia anterior e Regina lhe pediu que ele lhe desse aulas de arco e flecha, o loiro não pensou duas vezes antes de aceitar a oferta, afinal, aquele era um ótimo pretexto para poder passar mais algum tempo na companhia dela.

— Você está nervosa, é por isso que não consegue acertar. – começou a explicar, enquanto saia do tronco de arvore no qual estava apoiado observando-a e se aproximava de onde Regina estava, no centro da clareira. – Você tem que relaxar. Tem que sentir como se o arco fizesse parte de você, como se cada movimento que fizer com ele seja uma extensão de seus próprios movimentos corporais entendeu? Não pense no que está fazendo, você tem que sentir. – continuou, posicionando-se atrás dela, bem perto, de modo que pode sentir o perfume doce e suave que ela exalava invadir seus sentidos e faze-lo se sentir desnorteado por um breve momento.

Ao sentir a aproximação de Robin, Regina estremeceu de leve, sentindo um calafrio percorrer seu corpo. Ele estava bem perto, ela podia até mesmo ouvir a respiração leve e regular dele, era quase como se pudesse ouvir as batidas do coração do loiro.

Com aquela proximidade, a morena sentiu sua própria pulsação se acelerar de imediato, e mentalmente se irritou com o silencio que pairava na clareira onde estavam. Tinha certeza que aquela distancia Robin poderia ouvir as batidas desenfreadas de seu coração, que a traia quando ela tentava aparentar calma diante dele.

— E como eu faço isso? – perguntou baixinho, torcendo para que sua voz não demonstrasse a ebulição de sentimentos e sensações que a aproximação dele havia provocado.

A verdade era que, com o passar dos dias, ela e Robin estavam se tornando cada vez mais próximos, e com essa proximidade, os sentimentos que ela nutria por ele estavam se intensificando, aos poucos mostrando sua verdadeira natureza. O que no inicio ela pensara não passar de uma forte atração, estava se revelando bem mais do que isso, o que de certa forma a assustava.

É claro que ela adorava estar na companhia dele. Claro que Robin a fazia esquecer-se de suas dores, de suas decepções, fazia com que ela se sentisse verdadeiramente viva novamente, mas até que ponto isso era uma coisa boa?

Por mais que com o tempo ela estivesse aprendendo a decifra-lo, a entendê-lo, e por mais que tivesse certeza de que não era a única que sentia alguma coisa, o medo do futuro ainda era uma presença constante. E se aquele sentimento crescesse mais? E se acabasse por se tornar algo real, um relacionamento, o que ela faria? Como iria fazer para escapar da sentença de prisão que era o seu noivado com o rei Leopoldo?

Aquelas eram perguntas para as quais ela não tinha resposta alguma, e que a atormentavam todos os dias e todas as noites, mas dos quais ela simplesmente se esquecia toda vez que seus olhos encontravam o azul profundo que eram os olhos de Robin. Nesse momento sua mente parecia se tornar um borrão indistinto, que não mais ditava as regras de sua conduta. Não, quando o castanho encontrava o azul, era o coração que passava a ser o comandante.

— Aqui, deixa eu te mostrar. – foi à resposta de Robin, em um tom baixo e surpreendentemente mais próximo do que Regina imaginara que ele estivesse. Ao ouvir suas palavras, ela pode sentir o hálito quente do loiro em sua nuca, o que só serviu para que ela se sentisse ainda mais inquieta, seu coração subindo e descendo em seu peito ainda mais rápido do que antes.

Não houve tempo para que a morena esboçasse qualquer resposta ou reação. Quando deu por si, Robin havia coberto os poucos centímetros que ainda os separavam, colando seu corpo ao dela. Uma das mãos dele foi parar no braço que ela ainda segurava o arco, fazendo com que ela o erguesse novamente.

Com a mão livre, o loiro pegou a outra mão de Regina, posicionando-a de forma correta no aro do arco. Por um segundo, Robin se perdeu de si mesmo, esquecendo-se do que estava fazendo, e tudo que conseguiu foi pensar naquela sensação. Durante aquele pequeno instante, tudo no que ele conseguiu focar sua mente foi no toque da mão da morena, quente e macio, todos os seus pensamentos girando em torno da sensação de estar tão próximo a ela, tão perto que sentia os longos fios de cabelo dela se encostarem ao seu rosto, inebriando-o com o perfume dela como tinha acontecido assim que se aproximara.

— Isso. Agora puxe o braço para trás e sinta o arco se retesar sobre seus dedos. Lembre-se Regina: não pense no movimento, você tem que senti-lo, tem que ser natural, inerente a você mesma. – falou depois daquele momento de distração, parecendo recobrar onde estava e o que estava fazendo.

Com delicadeza, ele guiou o braço direito da morena para trás, mostrando-lhe como deveria fazer. – Ótimo, essa distancia está boa. Agora, feche os olhos e respire fundo. – instruiu o loiro, falando bem baixinho, perto do ouvido dela.

— Fechar os olhos? Mas assim não vou conseguir ver onde estou atirando...- começou a protestar Regina, seu tom de voz saindo tão baixo quanto o de Robin, nada mais do que um sussurro confuso.

— Confie em mim. – foram as palavras do loiro, surpreendentemente suficientes para que a morena seguisse suas instruções e fecha-se os olhos, inspirando profundamente e soltando o ar logo em seguida.

Com aquele gesto, Regina sentiu todo o seu corpo relaxar, a tensão presente em seus músculos parecendo desaparecer quase que instantaneamente. A calma que se instalara em seu interior surpreendeu até a ela própria. Parecia que seu corpo havia desacelerado, como se tudo acontecesse muito devagar ao seu redor.

A mudança que ocorreu com a morena não passou despercebida para Robin, que abriu um leve sorriso de contentamento ao sentir a tensão que antes dominava o corpo de Regina, deixando-a rija e com dificuldades para manejar o arco estava finalmente se esvaindo feito uma nuvem de fumaça.

— Agora quero que visualize seu alvo. Veja arvore na qual quer acertar a flecha. Imagine o arco que ela fará, veja-a chegando ao seu destino. – instruiu o loiro, esperando pacientemente que ela fizesse o que ele dizia.

Sem nem parar para pensar no que estava fazendo ou se aquilo realmente daria certo, a morena seguiu as instruções que lhe haviam sido dirigidas, concentrando-se, ainda de olhos fechados, na imagem da arvore que estava a sua frente e que iria servir-lhe de alvo. Em sua mente, visualizou a flecha cumprindo seu trajeto e se fincando na casca da arvore. Viu e reviu o movimento em sua mente até que sentiu que já o tinha decorado.

— Estou pronta. – murmurou, sem saber ao certo que falava consigo mesma ou com Robin.

— Solte. – respondeu-lhe o loiro, e ela seguiu o comando, abrindo os olhos e liberando a flecha da pressão de seus dedos, sentindo-a passar assoviando por seu ouvido. Em um segundo a flecha cortou o ar, reta e certeira, atingindo a arvore que Regina havia escolhido como alvo bem no centro, e ficando presa ali, como um sinal da vitória da morena.

— Você conseguiu! – exclamou Robin depois de um ou dois segundos de silencio, feliz pela pequena vitória da morena. – Parabéns, conheço gente que demorou mais do que três ou quatro aulas para conseguir acertar um tiro desses. – continuou, sem conseguir conter o orgulho que se inflava dentro dele.

— Eu consegui! – respondeu à morena, sorrindo de orelha a orelha com seu pequeno feito. Agindo pelo impulso de agradecer a Robin pela ajuda que ele tinha lhe dado, sem realmente pensar em suas ações, a morena simplesmente soltou o arco, deixando que a arma caísse na grama aos seus pés e se virou para o loiro, que ainda se encontrava bem próximo, abraçando-o com carinho.

— Obrigada! Você é um ótimo professor. – falou, apertando ainda mais o abraço, repentinamente se dando conta do quanto estivera ansiosa por aquele contato, ansiosa para saber como seria sentir o abraço de Robin, para descobrir como seria sentir os braços dele a envolverem. Como ela tinha previsto, aquela era uma sensação maravilhosa, que a fez implorar em sua mente para que aquele instante se tornasse eterno.

Robin, por sua vez, não perdeu tempo se surpreendendo com o gesto repentino de Regina, e prontamente correspondeu ao abraço dela, passando um de seus braços pela cintura da morena enquanto o outro afagava os longos e sedosos cabelos dela. Como era boa aquela sensação, de senti-la tão perto, tão próxima que ele conseguia sentir as batidas de seu coração, tão aceleradas quanto às do coração dele.

Por um momento eles permaneceram ali, perdidos um nos braços do outro, desfrutando daquele momento, daquele impulso, que muito dizia a eles, que mostrava uma ligação e uma efusão de sentimentos que eles ainda não conseguiam aceitar ou compreender completamente. Por aquele instante, o instinto, o coração, falou mais alto do que preocupações ou inseguranças, e eles se entregaram ao momento, cada um ao seu modo desejando que ele pudesse durar para sempre.

Alguns instantes depois, o abraço se desfez, mas os dois continuaram unidos, muito próximos um do outro, as mãos de Regina apoiadas nos braços fortes de Robin, enquanto o loiro continuava a segura-la pela cintura.

O mundo pareceu parar. Congelar naquele momento, como se quisesse eternizar o silêncio, a magia que havia na troca de olhares, como se quisesse que cada um deles tivesse tempo para guardar aquele instante em suas memórias, tempo para que o azul se misturasse ao castanho, tempo para que o castanho se confundisse com azul.

Robin deu um passo à frente, decidido a eliminar os poucos centímetros que ainda restavam entre ele e Regina. Queria senti-la mais perto, desejava desesperadamente poder sentir o coração da morena martelando contra o seu peito novamente. Queria senti-la, mais do que isso, sentia uma necessidade extrema de beija-la, de provar seu gosto, necessidade esta que ele não fazia a menor ideia de onde vinha, mas que o impelia a avançar para mais perto, impedindo-o de pensar com clareza, de medir seus atos ou as consequências que eles teriam.

Quando deu por si, Regina se viu com o corpo colado ao de Robin, seus olhos fixos nos olhos dele. Seu coração acelerou ainda mais, e ela sentiu suas pernas bambearem, parecendo fracas, incapazes de sustentar seu peso. Sua respiração estava irregular e uma sensação de frio na barriga a atingiu, esperando ansiosamente para que aquela troca de olhares tivesse a sua conclusão, esperando para que o loiro desse o último passo que faltava, aguardando pelo beijo que agora ela percebia, estava louca para experimentar, para saber como seria, o que iria sentir quando finalmente acontecesse.

Agora as mãos dele estavam no rosto dela, sentindo a maciez e a delicadeza que residiam ali. Delicadamente, ele colocou uma mecha de cabelo que caia pelo rosto da morena atrás da orelha dela, afagando suas bochechas e aproximando seus rostos ainda mais um do outro.

Regina sentiu seus olhos se fechando lentamente, levados pelo momento. Era agora, chegara o momento de ela ter algumas respostas, de começar a entender a confusão de sentimentos que a inundavam desde que conhecera Robin. Ela tinha certeza que aquele beijo, já tão perto de acontecer, iria lhe trazer algum tipo de esclarecimento, ajuda-la a compreender a extensão e a dimensão do que sentia pelo loiro. Como ela chegara a essa conclusão? Ela não fazia a menor ideia. Apenas sentia, apenas desejava ardorosamente sentir os lábios dele contra os seus, o desejo ardendo dentro dela como as labaredas de uma fogueira.

De repente, ouviram um barulho vindo da folhagem atrás dele, como se algo se mexesse por ali, perigosamente perto. O som foi suficiente para quebrar o encanto daquele momento, e os dois se afastaram alguns passos um do outro, olhando ao seu redor para ver se conseguiam identificar a origem daquele barulho.

— Tem alguém ai? – perguntou Regina para as arvores, deixando que sua voz ecoasse pelo amplo espaço aberto, ligeiramente tremula por conta das emoções que haviam aflorado nos últimos instantes e também pelo sobressalto de ter ouvido aquele barulho, o medo de estarem sendo observados repentinamente tomando conta de sua mente.

Apesar de seus temores, no entanto, não houve resposta a sua pergunta, e a paisagem permaneceu imóvel, sem anunciar a aproximação de ninguém. Em um gesto protetor e instintivo, Robin colocou-se a frente de Regina e olhou em volta, esquadrinhando a área para ver se conseguia encontrar o que ocasionara aquele som.

— Espere aqui, vou ver o que está acontecendo. – falou em um tom baixo porém urgente, de modo que sua voz não se propagasse e apenas a morena pudesse ouvi-lo.

Regina quis para-lo. Intercepta-lo antes que ele desse um passo para longe dela, um medo irracional tomando conta de sua mente, fruto dos grandes abalos emocionais que havia sofrido nos últimos tempos. E se aquilo fosse uma emboscada? E se eles estivessem correndo algum perigo? Pior que isso, e se Robin estivesse correndo algum risco?

Sem nenhum motivo aparente para que isso acontecesse, a imagem de sua mãe surgiu em sua mente, fazendo com que ela temesse que Cora pudesse aparecer de dentro dos arbustos, surgir do nada para trazer a infelicidade e a desolação para a vida de sua filha novamente.

A reação dela, entretanto, foi demasiado lenta, e sua mão, erguida no intuito de parar Robin antes que ele avançasse para descobrir a fonte do som que haviam escutado, encontrou apenas o ar, e o loiro seguiu em frente, rapidamente se aproximando do local de onde o barulho parecia ter vindo.

Quando lá chegou, porém, não encontrou nada, o local estava vazio e nada parecia ter se mexido ou passado por ali. Concluindo que deviam ter escutado apenas um animal qualquer, Robin voltou para onde deixara Regina, tentando transparecer tranquilidade e despreocupação, mesmo que essa se mostrasse uma tarefa praticamente impossível, visto que ele se sentia ligeiramente frustrado por eles terem sido interrompidos, as emoções que haviam fluido por ele há poucos instantes ainda nítidas em sua mente e em seu corpo, que pediam encarecidamente que o tempo pudesse retroceder, que implorava para que eles não tivessem sido interrompidos.

— Está tudo bem. Não há nada lá, deve ter sido um animal qualquer, correndo descontrolado por ai. – disse, tentando passar confiança em suas palavras, buscando fazer com que aquela expressão tensa no rosto da morena se desfizesse e ela voltasse a sorrir.

— Que bom. Por um momento pensei que fosse...- Regina começou a responder, mas interrompeu suas próprias palavras. Não, ela não podia falar sobre Cora para Robin. Não podia contar a ele tudo que havia acontecido, toda a dor que sua mãe havia causado. Ela e Robin estavam se conhecendo, formando um laço especial, e há muito tempo ela não se sentia assim, simplesmente bem, como se o pesado fardo que carregava fosse momentaneamente retirado de seus ombros. Ela não podia estragar tudo mostrando a ele logo de cara como ela era uma pessoa marcada e ferida.

— Pensou que fosse quem? Você está bem Regina? Parece meio pálida...- disse o loiro, suas palavras se tornando extremamente preocupadas quando ele notou o estado de aflição da morna. Em poucos segundos, cobriu a distancia que os separava e a amparou pela cintura, segurando uma de suas mãos.

— Vem, senta aqui. Me diz, o que você tá sentindo? – questionou, fazendo com que ela se sentasse em um toco de madeira que havia em uma das extremidades da clareira na qual se encontravam.

— Não foi nada, eu estou bem. Acho que o calor e o susto que tomamos me fizeram um pouco mal, mas agora já estou melhorando. – respondeu à morena, o medo que sentira a alguns instantes sendo substituído por uma alegria genuína ao notar o quão Robin parecia preocupado com o seu bem estar, feliz com o carinho que o loiro demonstrava nutrir por ela.

— Tem certeza? Tome, beba um pouco de água, vai lhe fazer bem. – Robin voltou a falar, ainda sem se convencer totalmente da melhora dela, mesmo que a cor estivesse aos poucos voltando ao rosto de Regina. Repentinamente percebendo que queria se certificar de que ela estava realmente bem, e que faria de tudo para que o sorriso estivesse novamente presente nos lábios dela.

— Estou bem Robin. Sério, não precisa se preocupar. – foi à resposta dela, que diante da preocupação e do carinho que o loiro demonstrava ter com ela aceitou o cantil que ele oferecia e abriu um tímido sorriso, como se quisesse mostrar que os cuidados dele estavam realmente surtindo efeito para a sua melhora.

— Acho que é melhor eu ir, já está ficando tarde...- soltou a morena alguns minutos depois, se odiando por ter que se separar dele de novo, se odiando por ter que voltar aquele castelo e viver uma vida que não era sua, uma vida que não escolhera. A cada vez que sua relação com Robin se tornava mais próxima, a cada novo encontro que tinham, a separação se tornava mais difícil, mais dolorida.

— Mesmo? – perguntou o loiro, odiando aquele momento tanto quanto a morena. Quando estava na companhia dela era como se o tempo passasse de uma forma diferente, um pouco mais lento ou ainda mais rápido do que de costume, e a cada vez que se separavam era como se o tempo não tivesse sido suficiente, como se tivessem passado apenas alguns minutos juntos ao invés de algumas horas.

— Mesmo. – respondeu Regina, detestando aquela situação com todas as suas forças, em parte porque detestava ter que dizer adeus a Robin, mesmo que eles não tivessem nada além de amizade até aquele momento, e em parte porque sabia perfeitamente bem o que a aguardava quando retornasse para aquele lugar que já a algum tempo não conseguia mais chamar de lar.

— E quando vou poder ter o prazer da sua companhia novamente? – Robin voltou a perguntar, incapaz de se conter, desesperado para saber quando veria aquela linda morena de novo.

A pergunta fez com que o sorriso dela se alargasse, um leve rubor tomando conta de suas faces novamente. – Amanha, acho que seria bom não é? Mesmo que você seja um ótimo professor, duvido que consegui aprender tudo sobre o manejo do arco em uma única aula. – brincou, levantando-se do toco de arvore no qual estava sentada desde aquela hora que havia passado mal e preparando-se para partir.

— Espero mesmo que não milady, assim tenho um pretexto para te ver de novo. – falou o loiro, também sorrindo com a brincadeira dela, feliz em saber que poderia encontra-la novamente no dia seguinte.

— Você não precisa de pretextos. – soltou Regina, já começando a se afastar, deixando para trás um Robin embasbacado e feliz, que ainda tinha dificuldades em acreditar que o destino estivesse lhe dando aquele presente, uma nova chance, que ele com certeza não iria desperdiçar.

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Não muito longe dali, um homem que a muito perdera sua aparência humana, tornando-se uma fera, escrava de seu próprio poder, caminhava por uma das incontáveis salas de sua morada, ainda tentando entender as implicações do que seus olhos haviam testemunhado há poucos minutos atrás.

Então era mesmo verdade, o que ele previra estava mesmo acontecendo, Regina estava se apaixonando novamente, permitindo que suas feridas cicatrizassem, que seu coração fosse tratado das feridas das quais sofria.

O que Rumplestilskin ainda não conseguia determinar com precisão era o quanto aquela mudança afetaria os seus próprios planos de vingança contra Cora e tudo que aquela víbora em forma de mulher havia causado em sua vida. Aquele novo amor, ainda nascente, trazia novas cartas ao baralho, novas cartas com as quais ele inda não sabia muito bem o que fazer.

A verdade é que estava dividido. Mesmo sendo o Senhor das Trevas e tendo seu coração quase tão negro quanto o mais fino dos veludos ou o mais puro dos nanquins, o fato era que ele não era uma pessoa completamente desprovida de sentimentos. Não, estava longe disso. Ainda existiam pessoas, poucas é verdade, mas existentes, que eram capazes de despertar algum sentimento nele, e infelizmente ou felizmente (ele também não conseguira tomar uma deciso sobre qual das opções) sua filha era uma dessas pessoas.

Sim, ele planejara usar a pobre criança para se vingar de Cora, fazer com que Regina se tornasse tão má quanto a mãe ou pior que ela era a vingança perfeita, faria com que aquele demônio de cabelos ruivos e olhos frios provasse do próprio veneno.

Mas agora, sendo testemunha do quanto Regina estava lutando para se reerguer da perda que sofrera, sua determinação em torna-la peça de sua vingança vacilava. Que espécie de pai ele estava sendo, condenando sua pobre menina a uma vida de sofrimento e amarguras, tudo para pagar na mesma moeda o sofrimento que haviam lhe infligido? Será que esse não era um preço alto demais, até para ele?

Por outro lado, travando uma batalha na mente do Senhor das Trevas, estava a perfeição e a maldade simples do plano que havia concebido. Quem se importava com o sofrimento daquela criança idiota, com quem ele nunca tivera contato e quem nem mesmo tinha conhecimento de suas origens verdadeiras? Tudo que importava era a busca por acumulo de poder e sua vingança contra aquela que lhe roubara o coração apenas para pisoteá-lo e joga-lo aos lobos, tendo como único objetivo faze-lo sofrer.

Fazia muito tempo que ele não se sentia daquele jeito, sem conseguir se decidir, considerando colocar as necessidades de outra pessoa na frente das suas próprias, e aquela situação o deixava desconfortável. Odiava perceber que se importava com alguém mais do que pretendera.

Sem conseguir chegar a uma decisão que o agradasse, que aquietasse o nervosismo que insistia em se revirar em seu estomago, Rumple decidiu apenas esperar por enquanto. Aguardar, para ver que surpresas o destino reservava, esperar até que o momento de realmente tomar uma decisão sobre o que fazer chegasse. Ele sabia que esse momento não iria demorar muito, e por hora, era melhor se manter na surdina, vendo e ouvindo antes de se deixar ser visto e ouvido.

Notas finais
E então, o que acharam?? Estou muuito curiosa para saber a opinião de vc e suas ideias, então espero ansiosamente por reviews! Beijooos