Padrões e Preconceitos

5 Provas, fugas, afogamentos e máscaras...


Notas iniciais
"Ninguém deve saber que meu coração e minha mente estão sempre em guerra um com o outro. Até agora a razão vem ganhando a batalha, mas será que minhas emoções não vão acabar dominando? " — O diário de Anne Frank

Tinha a impressão que a minha cabeça ia explodir a qualquer momento. Meu rosto suava de nervoso, provavelmente estava vermelho e uma veia saltava na minha testa. Fiquei com vontade de me xingar! Eu não tinha estudado o suficiente porque aquela prova me parecia a encarnação do capeta em forma de papel de tão terrivelmente difícil. Parecia não querer acabar nunca mais e eu estava sentindo que a minha vida estranhamente mudaria muito se eu respondesse “c” ou “d” na questão 27. Era mais fácil limpar um apartamento inteiro do que entender aquilo ali! O ar-condicionado daquela sala totalmente branca estava frio demais e o barulho da professora que me aplicou a prova batendo o pé de forma impaciente estava me irritando. Mais trinta alunos estavam fazendo a prova naquela sala, eu até conhecia alguns deles lá do Morro do Milagre de vista, e eu sabia que só tinham cinco vagas restantes. Eu estava morrendo de sono porque acordei bem mais cedo do que devia para repassar a matéria e ainda assim não estava conseguindo entender tudo direito. Aí pra piorar a minha situação aquela professora carrancuda e mal-encarada falou:

— 30 minutos.

Pois é. Nos restava meia hora pra fazer aquela prova! Eu acho que o pior é que o que estava me fazendo errar tanto era esse nervosismo idiota! Se eu só conseguisse me acalmar... Mas não conseguia. Então usei o truque universal que sempre dava certo para nós, alunos desesperados: chute. Pois é. Eu chutei todas as 73 questões que me faltavam e consegui entregar o gabarito e a prova a tempo.

— Muito bem. – A professora disse quando terminou de recolher aprova de todos. – Todos acabaram certo? Se pronunciem, pois a partir de agora não serão mais aceitas as provas de quem atrasar! Ninguém? Esta bem. Como eu já disse no inicio só aceitaremos as provas que possuírem em seu cabeçalho o seu nome completo, endereço, telefone e todos os requisitos nele pedidos. Não aceitamos questões rasuradas. Não aceitamos questões á lápis, elas devem estar em caneta preta ou azul. Todas as questões devem ter sido respondidas. O mínimo aceitável é que o participante tenha acertado 80% das questões. Caso mais de cinco tenham acertado nós escolheremos as melhores notas. Caso... – E aquela mulher ficou falando essas coisas durante mais vinte minutos.

E eu sinceramente achava melhor quando ela estava quieta batendo aquele salto vermelho no chão do que agora que não calava a boca. Sério, eu esperava que se por algum milagre eu conseguisse entrar nessa escola ela não fosse minha professora por que a voz estridente dela me deixava pior do que eu já estava! Eu só voltei a prestar atenção quando ela disse:

-Lembrem-se: os resultados vão sair na próxima segunda-feira. Fiquem atentos! Suas posições estarão no site da escola e nós ligaremos ou mandaremos um e-mail para os que receberem a bolsa de estudos. Se você receber a bolsa e não conseguirmos nos comunicar imediatamente com a seus pais ou responsáveis e você não procurar a escola dentro de vinte e quatro horas depois disso sua vaga será passada para o próximo aluno na lista! – A mulher falava séria, o que era estranho por que não combinava com aquela vozinha irritante e fina, mas nem por isso nós não levamos a sério a sua ameaça, digo seu aviso. – Dito isso, nós da Escola François Dupont lhes desejamos um bom dia. Estão liberados.

Eu fiquei um pouquinho mais atordoada do que já estava. Como assim cara? Aquela mulher praticamente ameaçou a nossa vida e depois nos deu bom dia... Sinceramente eu já não estava sabendo muito bem como me sentir naquela escola. Todos, incluindo eu, se levantaram e saíram da sala. Eu ouvi murmúrios dos outros adolescentes que estavam ali, alguns diziam que a prova estava tão fácil que tinham certeza que iriam conseguir a bolsa, outros estavam tão inseguros quanto eu, alguns mais neutros pareciam só rezar pra conseguir uma boa nota... Eu respirei fundo. Ok, não acredito que agora depois da prova eu finalmente consegui me acalmar um pouco. Parei no meio do corredor e olhei ao redor. Antes eu estava tão nervosa que sequer consegui me concentrar direito no cenário onde eu estava, mas agora que parei para olhar reparei em como tudo era tão diferente e bonito, me inspirava a criar muitas roupas. O corredor era enorme, varias janelas espalhadas por aí, paredes brancas com armários prateados, quadros de aviso extremamente organizados, caramba! Era tudo tão rico! Até o ar desse lugar parecia de rico. Antes de sair de lá eu só consegui me lembrar daquele meme “bando de burguês safado”. Enquanto esperava o ônibus chegar no ponto eu olhei para o céu pensando em como eu estava ferrada com a minha irmã que já estava espalhando para todas suas colegas no trabalho que eu iria conseguir entrar naquela escola. Ela estava tão empolga, Alya também... Não foi dessa vez colegas. E pensar na Alya me fez lembrar do nosso papo de ontem, em como falamos sobre lutar pelo que queríamos... Eu sou mesmo uma fraca. Estava tão empolgada ontem, mas agora na pratica eu fico assim. O ônibus chegou, entrei, sentei em um banco lá no fundo, o único desocupado. Atrás de mim entrou um senhorzinho muito cansado, ele olhou ao redor e percebeu que ia ter que ficar de pé. Olhei para os outros bancos e vi que algumas pessoas estavam dormindo, obviamente de mentira porque só começaram a dormir depois que o senhorzinho entrou para não terem que ceder seu lugar para ele. Suspirei, levantei do meu lugar e disse para o senhor que ele podia ficar ali. Ele sorriu, agradeceu e se sentou.

— Você é uma mocinha muito boa. – Ele me disse.

— Ah, obrigada. – Eu sorri.

— Sabe, boas ações trazem coisas boas em retorno para uma pessoa. – Ele falou.

— O senhor acha? Pois eu bem que estava precisando de umas coisas boas na minha vida. – Eu ri um pouco pensando em como a minha vida tava na merda.

— Sendo assim, por favor, queira aceitar. – Ele disse me estendendo uma caixinha de madeira.

— Oh não, eu não posso aceitar! – Eu falei, seja lá o que fosse que estivesse dentro da caixinha eu provavelmente não merecia.

— Aceite, eles dão sorte. – O senhor falou ainda sorrindo.

— Bom... – Eu pensei bem, se não aceitasse talvez ele se sentisse ofendido. – Eu vou aceitar sim. Preciso de sorte heh. – Peguei a caixinha. – Muito obrigada.

— Disponha mocinha.

O ônibus freou bruscamente e eu quase cai no chão.

— Mas o que- Eu resmunguei.

— Senhoras e senhores, queiram me perdoar, mas tem alguma coisa errada com o motor, aparentemente. Vou precisar parar para olhar, talvez demore um pouco. Sinto muito. – O motorista falou.

Aí o bagulho ficou sério. Todo mundo levantou e começou a reclamar com o motorista, tinha gente gritando, gente quase a ponto de bater no homem e eu ali parada feito um idiota com vontade de morrer. Ah qual é? Eu precisava ir trabalhar! Mas sabia que gritar com aquele pobre funcionário não ia me fazer ir parar no apartamento da Alicia então eu percebi que ia ter que sair a pé mesmo. Me despedi do senhor que estava do meu lado pacientemente esperando e desci. Eu gostaria de dizer que lembrei de ligar para a minha chefe dizendo que ia atrasar e andei normalmente como um ser humano normal até a casa dela, mas aí eu estaria mentindo. Eu corri feito uma louca desesperada, o que na verdade eu meio que era naquele momento mesmo, quase tropecei umas mil vezes, esbarrei em umas mil pessoas e pedi mil desculpas por isso, qualquer um que me visse daquele jeito imaginaria que eu tinha matado alguém e tava fugindo da policia ou coisa do tipo. Felizmente eu não estava tãaaao longe da casa da Alicia quanto eu imaginava então acabei não chegando muito atrasada.

— Marinette! Menina! O que te aconteceu? Você tá bem? – Alicia perguntou quando eu entrei logicamente ela ficaria preocupada me vendo naquele estado. – Senta aqui, vou buscar uma água! – Ela me indicou o sofá e correu pra cozinha, logo voltando com a agua.

— Desculpe o atraso, o ônibus em que tava deu problema e eu tive que descer e vir a pé mesmo. – Expliquei depois de beber a agua.

— Poxa, você sabe que não precisava correr assim! Era só me ligar que eu ia onde você tava e te buscava de moto! – Ela falou meio que me dando uma bronca. Eu gostava desse jeito dela, mesmo sendo minha chefe se preocupava comigo.

— Eu nem lembrei disso na hora. – Confessei.

— Está bem, mas me fala aí como foi na tal prova! – Ela disse se empolgando.

— Ah nem me fala daquele monstro! Eu não quero nem pensar nessa prova... – Eu resmunguei.

— Aí Mari, e eu achando que você ia se sair tão bem! Mas não fica desse jeito! Eles nem passaram as notas né? – Ela falou passando a mão no meu cabelo.

— Não, mas por que você tá aqui? Não devia ter ido trabalhar já faz meia hora? — Perguntei mudando de assunto.

— Ah... Isso... – Ela respirou fundo e olhou para o chão. – Fui demitida. – Pela voz dela ela parecia querer chorar.

— QUE? – Eu gritei incrédula.

— ZUERA! – Ela gritou e começou a rir. – Você tinha que ter visto a sua cara! Hahahahahahahah!

— AHHH! QUE MALDITA! – Eu berrei, mas acabei começando a rir com ela. Sei lá, ela tem uma risada contagiante. – Me fez achar que eu ia ficar sem salário no final do mês!

— Nem vem! Eu sei que tu tava preocupadinha comigo! — Ela fez língua pra mim ainda sorrindo.

— Nem. – Eu fiz língua pra ela também. – Mas tu não respondeu minha pergunta!

— Ah verdade verdadeira! O pessoal tá reformando o palco lá do Miraculous Comedian porque aquele troço tava cheio de cupim. – Ela explicou.

— Ah, sim. – Balancei a cabeça assentindo. – E enquanto isso você vai ficar relaxando em casa né dona?

— Quem dera... – Ela suspirou, eu não entendi.

— Como as- Antes de falar eu senti algo escorrer pelo rosto, toquei e reparei que eu literalmente estava pingando de suor. – Ah beleza, nem comecei o meu trabalho e já estou toda suada...

— Que desconforto, ó pobre alma! Se quiser pode tomar um banho. – Ela disse. – Ah! Eu te mostrei a minha banheira nova? Eu tenho uma banheira nova! Isso não é incrível! Ela é tão grande que parece uma piscina e tem hidromassagem! Ah você precisa ver isso!

E aí Alicia me arrastou até o banheiro e me mostrou a impressionante banheira nova que ela economizou pra caralho pra comprar e ficou falando de como ela era incrível por uns dez minutos, aí ela disse que eu podia tomar um banho e saiu falando sozinha sobre sua incrível nova aquisição. Por um momento eu só pensei em como ia ser difícil ter que limpar aquela banheira gigante, mas aí pensei em um “Ah porque não? Vou tomar banho sim, não é todo dia que eu posso usar uma banheira show dessas né?”. E depois de trancar a porta eu liguei a agua quente e fiquei por um minutinho feliz dentro da agua até que vieram as paranoias para me atormentar. Não é engraçado como isso sempre acontece? As paranoias e os pensamentos mais profundos sempre vêm ou durante o banho ou pouco antes de dormir. Eu pensava na prova e em como eu nunca ia conseguir estudar naquela escola tão linda. Uma oportunidade tão boa desperdiçada por culpa do meu nervosismo estupido. Eu pensei em como estava decepcionada comigo mesma por ter prometido que ia lutar e me esforçar, mas não fiz nada. Balancei a cabeça para os lados e tentei me concentrar em coisas boas, pensei em como aquela agua quentinha estava boa, em como eu tinha uma patroa legal que se preocupava comigo e que pelo menos se eu não estivesse naquela escola eu não teria que explodir os meus neurônios para responder uma única questão do jeito que estava acontecendo na prova. Eu respirei fundo pela milésima vez naquele dia, vai ver não era pra ser não é mesmo? Acabei escorregando um pouquinho na banheira e a agua tocou meu queixo. Olhei para a agua e vi que aquilo me lembrava um pouco uma piscina. Sorri, eu sequer me lembrava da ultima vez que tinha mergulhado em uma piscina ou coisa parecida. Tentei buscar alguma lembrança de piscina na memoria, mas acabei me lembrando de outro dia...

Antes...

Nove anos. A pequena órfã tinha somente nove anos naquela época. Sua escola organizou uma viagem para um tetro da cidade, onde iria acontecer uma apresentação infantil. Seria tudo por conta da escola, as crianças só precisavam levar uma autorização assinada pelo responsável e entregar para a professora, mas ela sabia que isso não aconteceria. Li não assinaria coisa alguma mesmo que não lhe custasse nada. “Por que?” Marinette pensava “Por que ela não gosta de mim? Por que ela não pode me deixar passear om meus coleguinhas?”. Mari não via problema nisso, na verdade qualquer outra pessoa normal não veria problema nisso. Então ela mentiu. Simplesmente falou para a tia que ia para a escola, como em qualquer outro dia normal, mas ao invés disso ela foi parar dentro do ônibus da turma do passeio. Ela tinha se escondido no meio dos outros colegas e a professora não viu quando entrou. Enquanto isso em casa Li recebia uma visita do juizado de menores, ela respondia com simpatia as perguntas deles sempre sorrindo, uma perfeita atriz de fato. Quando eles a questionaram sobre o paradeiro das sobrinhas ela afirmou que estavam na escola, mas pouco depois um ônibus parou em frente a sua casa e ela ouviu batidas na porta. Ergueu uma sobrancelha ao ver Marinette segurando a mão de uma professora.

— Pois não? O que houve? – Li perguntou confusa, o grupo do juizado de menores a encarava fixamente também confuso sobre a situação.

A professora explicou que pouco depois de começarem a partir rumo ao teatro ela viu Marinette sentada no fundo e não lembrou de ver ela entregando uma autorização para o passeio. Li disse que não sabia de passeio algum, mas como a professora estava com pressa teve que ir e disse que Marinette poderia explicar tudo. Todos olharam para a menina com ar de questionamento e ela explicou que tinha esquecido que precisava de autorização para o passeio. O grupo do juizado questionou com qual frequência Li deixava sua sobrinha sair sem saber para onde a menina realmente estava indo, mas antes que qualquer um pudesse falar qualquer coisa mais com ela a asiática puxou Marinette para um abraço e começou a fazer um show dizendo coisas como: “Oh meu Deus! Nunca mais faça uma coisa dessas!”, “Sabe como poderia ter sido perigoso? E se você se machucasse e eu não ficasse sabendo?”, “E se tivesse acontecido um acidente?”, “Oh Marizinha eu te amo tanto, não suportaria perder você assim como perdi a sua mãe!” e mais um blá, blá, blá sentimental, como se ela realmente se importasse... Todos ficaram comovidos com o “instinto maternal” que Li tinha com a sobrinha e tudo ficou bem, lindo e maravilhoso como um conto de fadas. Bom, isso pelo menos até ás onze da noite, quando o grupo foi embora e começou o filme de terror. Assim que a porta foi trancada o sorriso de Li se desfez.

— Me sigam. – Ela disse seria e sem questionar nada as irmãs foram com ela até o quarto das duas.

Assim que chegaram ate a porta do lugar Li empurrou Bridgitte para dentro do mesmo e a trancou lá.

— Ei! Li! O que você pensa que está fazendo? – Bridg gritou batendo na porta.

Li revirou os olhos e ignorou a Dupain-Cheng mais velha, puxando Marinette pelo braço até outro cômodo da casa. Chegando na área de trabalho a mulher empurrou Marinette fazendo a menina cair no chã.

— TEM NOÇÃO DO QUE PODIA TER ACONTECIDO? – A mulher berrou.

— E-eu poderia ter me machucado? – Mari perguntou sussurrando, ela falou isso pensando no que a tia tinha falado mais cedo.

— Você? Quem se importa com o que acontece com você? – A mulher falou sarcasticamente rindo. – Estou falando de mim sua peste! Eu poderia ter sido presa se algo desse errado! Sua vadia maldita você planejou fazer isso pra foder a minha vida? – Ela rangia os dentes de tanta raiva. – Parece nunca vai aprender a se comportar né? Mas a titia vai te ensinar a ter educação! – A mulher olhou ao redor com olhos ferozes e sorriu de um jeito satânico ao encontrar algo que pareceu de seu agrado.

Se aproximou do tanquinho que àquela hora estava cheio de agua e roupas sujas até pouco mais de sua metade e abriu a tampa bruscamente. Marinette a olhou sem entender até que foi puxada pela mulher que sem pensar duas vezes jogou a pequena lá dentro, a menina só conseguiu gritar de surpresa.

— Isso é para aprender a nunca mais me colocar em risco, minha criança. – Ela passou a mão pelos cabelos de Marinette por um segundo com um sorrisinho sarcástico e empurrou a cabeça da menina até que esta chegasse a afundar na agua escura. A menina desesperou-se e começou a se debater e tentar levantar, com um grande esforço conseguindo.

— Po-or fa-vor – Ela tossia – Me tir-e daqui...

— Que adorável, que sair daí assim como saiu de casa hoje? Eu acho que não vai dar, precisa da minha autorização só que eu não permito. – E de novo Mari foi para debaixo d’água. Estava frio, cheirava mal e a menina não conseguia segurar a respiração por muito tempo. Assim que ela consegui sair dali só tinha tempo suficiente para recuperar o fôlego e já voltava para a agua. Aquela seção de tortura durou mais ou menos vinte minutos até Li dizer:

— Saia. – E sem receber ajuda alguma da tia Marinette teve que se virar para sair dali, conseguiu pular do tanquinho com dificuldade, pois estava escorregando e caiu no chão de um jeito que deixou sua perna dolorida. Tossiu várias e várias vezes, até que parou e a tia voltou a falar. – Já sabe o que sou capaz de fazer, não tente mais nenhuma gracinha escutou bem docinho? Estamos entendidas?

— Sim... – Sussurrou a menina aterrorizada. Seus olhos lacrimejavam e estavam vermelhos tanto pelo choro quanto pela irritação que o produto que estava na agua os causou naquele momento, a menina tremia e tinha total certeza que aquela criatura na sua frente não era humana, era na verdade uma bruxa vinda direto das profundezas de seus mais obscuros pesadelos infantis...

Agora

Quando reparei eu estava debaixo da agua da banheira, quase sem respiração a ponto de desmaiar, pulei de lá tão depressa que cai no chão frio do banheiro e me contorci pela mudança de temperatura rápida , fiquei encolhida no chão por cinco minutos enquanto minha respiração voltava ao normal. Levantei meio bamba e cambaleei até pegar um roupão que estava ali no banheiro.

— Merda... – Eu sussurrei. Comecei a soluçar tentando segurar o choro, porque eu tinha que ser assim tão trouxa e lembrar de uma coisa dessas do nada? – Eu era só uma criança caralho... – Eu falei para o nada, pensando em como o mundo era terrivelmente injusto e eu não podia fazer nada a respeito disso. — Não! Recomponha-se mulher! – Eu sacudi meu rosto, não podia ficar depressiva ali, deixasse pra ficar assim em casa ora! – Seja forte, isso aconteceu já tem tempo, não importa mais e aquela bruxa maldita já foi presa! Está tudo bem, está tudo bem... – Respirei fundo de novo e não me dei ao luxo de voltar a chorar.

Saí do banheiro, meio me arrastando para o quarto da Alicia e tranquei a porta. Me virei para ir ao guarda-roupa pegar meu uniforme, mas antes me deparei com algo surpreendente: por algum raio de motivo o vestido que Alicia usava no trabalho estava esticado sobre a cama. Aquela roupa era linda! Tudo preto, uma mascara que tinha algumas joias, uma coroa também cheia de pedras, dois saltos e o vestido que ia até pouco abaixo da metade da coxa e tinha um estilo meio “gotic Lolita”, cheio de laços e trevoso. Fora a parte de ter que lavar aquela roupa eu adorava ela, só não sabia o porquê dela estar ali. Olhei para o chão e perto dos pés da cama estava um saco preto meio aberto, eu estava curiosa pra saber o que tinha, mas achei melhor não olhar. Só peguei meu uniforme e o vesti, fui até a frente do espelho que tinha na penteadeira do quarto para conferir o meu rosto e felizmente meus olhos não estavam inchados e eu não estava com cara de choro. Beleza, eu ia sair, destranquei a porta, mas uma coisa acabou me chamando a atenção: uma mascara que tinha caído do saco perto da cama. Eu fui até ela para ir guardá-la, mas por algum motivo senti vontade de experimentar ela. Era bonita e simples, vermelha com umas bolinhas pretas, como uma joaninha. Voltei para frente do espelho e a coloquei. Eu sei, eu sei que não devia estar mexendo em coisas que não me pertencem, mas experimentar não ia estragar a coisa né? Só estava me olhando, e até que tinha ficado legal. Ouvi barulho da porta se abrindo e me virei tomando um susto tão grande que acabei pulando e soltando um grito, tinha um carinha desconhecido e mascarado ali! Por impulso eu peguei a primeira coisa que veio ao meu alcance, um pente de plástico azul, e taquei na cara dele. Ele acabou caindo no chão, provavelmente se desequilibrou pela surpresa, gritou um “Ei!” e eu fui a passadas firmes até ele.

— Quem é você e como entrou aqui? – Falei seriamente, eu segurava uma escoava de cabelo e apontava ela para o rosto dele de forma ameaçadora, como se eu fosse conseguir me defender muito bem com uma escova.

— Bom, creio que a senhorita ainda não notou, mas eu sou um gato. Um gato bem gato pra falar a verdade. – O cara disse em tom de brincadeira. Ele tinha um sorrisinho torto estampado no rosto. – Sou Chat Noir, a sua disposição madame. – Ele se levantou do chão e me fez uma reverencia, logo em seguida pegou a minha mão e a beijou como se fosse um cavalheiro galanteador de muito tempo atrás.

— O que? – Eu perguntei sem entender nada daquilo e afastei a minha mão rapidamente a colocando atrás das costas. Quem aquele cara pensava que era?

Notas finais
E aí meus súditos? Tudo bom? Gente socorrinho eu ia postar esse capitulo na quarta-feira, mas com uns probleminhas técnicos meus e com o fato de eu ter dormido ontem o dia todo (desculpa, não era a intenção :v) eu acabei não postando esse capitulo... Foi mal aí parceiros :v Mas agora eu tô postando! Tô postando e tô tipo, com muita pressa aqui >3< minha irmã precisa usar o PC pra estudar para um simulado que ela vai ter amanhã (sim, amanhã é sábado eu sei.) e ela tá tipo super me apressando aqui... Mas antes de ir eu quero perguntar o que vcs estão achando de P&P! Gente me diz ae >u< e alias eu cometi algum erro muito grave? Vocês sabem que eu não corrijo capítulos antes de postar então precisam me dizer! Agora eu realmente tenho que ir... Beijinhos e ~fui~