Padrões e Preconceitos
3 Minha estreia como a "Senhorita Vira-lata"
Notas iniciais
Eu cheguei m frente ao enorme casarão e depois de conferir a minha roupa umas mil vezes eu apertei a campainha. Imediatamente uma câmera saiu da parede me fazendo dar um pulo de susto, o que foi bem micão.
— Quem é você? – Eu ouvi uma voz feminina falar.
— Er... Eu sou Bridgitte, vim para a entrevista pra vaga de empregada. – Eu estava meio desconfortável em conversar com uma câmera, meio que fazia parecer que eu sou doida.
— Ah sim seu nome está na lista. Entre. – O enorme portão se abriu automaticamente, eu entrei e ele voltou a se fechar. Sabe quando as portas se abrem e fecham sozinhas em filmes de terror? Então foi mais ou menos isso.
Eu entrei olhando ao redor bem abismada. Eu já tinha trabalhado pra ricaços antes, mas o tamanho daquela mansão chegava a ser exagerado! Eu nunca tinha visto uma como ela! Eu me pergunto quantas outras mulheres estavam ali pra concorrer a vaga... Engoli em seco imaginando o quão acirrada aquela entrevista seria. Balancei a cabeça e me recompus voltando a caminhar ate entrar na mansão. Lá dentro fui recebida por uma mulher de cabelos castanhos presos em um coque bem feito e roupas formais, Natalie, a secretaria que tinha aberto o portão para mim. Ela me guiou ate a sala onde eu me sentei junto com as outras concorrentes a vaga.
— Agora que estão todas aqui eu irei chamar a senhora Agreste. Não saiam daqui e não toquem em nada, por favor. – Natalie falou sem nenhuma expressão no rosto como se fosse um robô e se virou subindo uma escada que dava para o segundo andar para chamar a patroa.
Eu fiquei por um tempinho conversando com as outras mulheres ali a toa até que a secretaria veio descendo as escadas agora acompanhada de uma loira muito bonita que usava um vestido azul royal chique.
— Senhora Agreste todas estão presentes. – A secretaria falou.
— Ah sim obrigada Natalie. – A senhora Agreste falou. – Então moças eu vou chamar cada uma de vocês por ordem alfabética para virem a minha sala e depois de entrevistar todas vamos ter o resultado e a mais qualificada vai começar a trabalhar hoje mesmo, alguma duvida? – Silencio. – Ótimo, vamos começar então.
Algumas poucas mulheres foram chamadas antes de mim e logo foi a minha vez. Eu estava meio ansiosa, mas me acalmei, ou pelo menos não deixei que os outros vessem que eu estava nervosa. Natalie me falou onde eu deveria ir e eu segui o caminho chegando ao escritório da senhora Agreste. Bati na porta e ouvi um “entre”.
— Com licença. – Falei fechando a porta atrás de mim.
— Sente-se, por favor. – A mulher falou e eu me sentei de frente pra ela. – Você me parece bem jovem querida, quantos anos tem?
— Vinte e dois. – Respondi. – Isso seria um problema?
— Um pouco, eu estava procurando mulheres mais experientes para a vaga. – Ela explicou.
— Entendo.
— E o seu nome qual é? – Ela perguntou. – Desculpe eu acabei me atrapalhando com as fichas aqui. – Ela falou apontando para uma papelada na sua mesa.
— Meu nome é Bridgitte. – Falei. – Bridgitte Dupain Cheng.
— Vo-você disse Dupain Che-cheng? – Ela perguntou com os olhos arregalados e a pele ficando mais pálida que o normal.
— Sim, por quê? – Perguntei estranhando aquilo. A mulher parecia estática e ela quase chegou a cair da cadeira, mas eu segurei ela antes. – Senhora Agreste a senhora está bem?
— S-sim querida. – Ela falou colocando a mão na fonte. – Pode pegar água pra mim ali?
Eu fui até uma jarra de vidro que estava ali e coloquei agua em um copo, entreguei pra ela que bebeu e depois respirou fundo.
— Me desculpe por isso. – Ela falou. – Podemos continuar?
— Ah, claro.
— Posso fazer uma pergunta pessoal?
— Tudo bem. – Falei.
— Porque trabalha assim tão nova querida? – Ela deixou a cabeça pender um pouco para o lado.
— Bom eu e a minha irmã mais nova sustentamos a nossa casa sozinhas. – Falei meio desconfortável com aquele assunto.
— E seus pais?
— Eles morreram senhora. – Eu falei sem expressão no rosto e quando olhei para a loira e tipo pela cara que ela fez parecia que eu tinha dado uma facada nela.
— Mo-morreram? – Ela sussurrou com o olhar vazio. – Isso é horrível, me desculpe por te fazer falar disso. – Ela falou balançando a cabeça.
— É... – Eu só consegui falar isso.
— Perdão, vamos continuar?
Eu assenti e continuamos, ou pelo menos tentamos continuar aquela entrevista de emprego de um jeito normal. Vez ou outra a senhora Agreste me olhava de um jeito estranho, ficava me encarando sem falar nada e depois voltava ao normal. Muito, muito bizarro mesmo. Depois daquilo eu sai do escritório e fui me sentar de novo na sala. Um tempinho depois, bem mais rápido que o normal, as entrevistas acabaram e Natalie informou quem seria a nova funcionaria da família Agreste: eu. Eu ignorei toda aquela loucura que tinha acontecido na entrevista e fiquei super feliz porque tava desesperada por emprego então né? As outras candidatas foram embora, bem decepcionas. A senhora Agreste teve que sair para trabalhar então Natalie ficou responsável por me mostrar as coisas por ali. Ela me entregou meu uniforme, preto e branco um pouco parecido com o que a minha irmã usa só que menos frufru. Ela já estava indo me mostrar as coisas do andar de cima depois de vermos tudo no primeiro andar de um jeito bem apressado quando o tablet que ela segurava começou a vibrar.
— Com licença. – Ela falou e atendeu a uma vídeo-chamada no aparelho.
Ela ficou conversando por uns dois minutinhos enquanto eu olhava pro teto.
— Perdão eu preciso ir. O senhor Gabriel Agreste precisa de umas fichas então não vou poder ficar aqui. – Ela disse.
— Mas e-
— Sim, sim eu vou chamar alguém pra mostrar a casa pra você. – Ela parecia meio pensativa, tentando achar alguma opção. – AH! Felix! Venha aqui!
Eu olhei na mesma direção para a qual ela estava chamando e vi, de costas, um garoto: loiro, alto, roupas formais. Ele ignorou o chamado da secretaria e continuou andando na direção oposta. A mulher ao meu lado revirou os olhos e deu uma corridinha atrás dele, eu só pude fazer o mesmo.
— Felix! – Ela chamou. – FELIX!
— O que foi Natalie? – Ele virou bufando e com cara de poucos amigos.
Meus olhos se encontraram com os dele, azuis frios. Por um segundo eu me perguntei se estava encarando um cara ou a Elsa de Frozen, mas ok.
— Pode mostrar a casa pra ela? Sim, obrigada. – Natalie disse confirmando por ele e saiu apressada.
— Ei! Eu não- Ah deixa pra lá. Quem é você? – Ele perguntou pra mim.
— Ah, eh, e-e-eu sou Bridgitte. A nova empregada. – Por algum raio de motivo eu gaguejei.
— E você sempre gagueja assim? – Ele falou sarcasticamente, eu preferi nem responder. – Tá então.
Ele já estava saindo em direção ao primeiro andar.
— Espera ai! Eu já vi o primeiro andar. – Falei.
— E quem é que disse que eu vou mostrar a casa pra você? – Ele falou parando na minha frente e cruzando os braços.
— A Natalie? – Perguntei sarcasticamente.
— Muito bem espertinha, mas você esqueceu de um detalhe: eu aqui sou filho dos patrões, consequentemente sou patrão também, então nem a Natalie, e nenhum outro empregado, manda em mim. – Ele sussurrou no meu ouvido. – Tenha um bom dia Senhorita Vira-lata.
Ele desceu as escadas calmamente e eu fiquei ali para estática. Do que foi que aquele cretino me chamou? Eu não tô acreditando nessa palhaçada! Eu balancei minha cabeça para um lado e para o outro e segui na mesma direção que ele foi a passos duros, até consegui acompanhar ele, já no andar de baixo. Eu fiquei andando atrás dele como se fosse a sombra dele ou coisa assim. Nós chegamos no jardim e ele pareceu perder a paciência.
— O que você pensa que está fazendo? – Ele perguntou me olhando com uma cara de puto da vida que vocês não tem noção.
— Eu estou te seguindo. Achei que você fosse mais espertinho que eu então poderia notar isso não? – Eu falei ironicamente.
— Para de enrolar e diz logo o que você quer garota! – Ele bufou, seu rosto já estava ficando vermelho.
— Opa! Parece que tem alguém nervosinho aqui! – Debochei. — Eu estou só esperando você me mostrar a casa.
— Ainda está insistindo nisso?
— Sim porque eu preciso trabalhar. – Cruzei os braços.
— Se continuar me provocando eu mando te demitir e ai que você não trabalha mesmo!
— Noooossa ele sabe ameaçar! – Falei. – Escuta filhinho de papai eu não tô com tempo pra muito papinho não. Por que só não me mostra a casa e acabamos com isso?
— Claro. Por que não? – Ele falou. – Vamos então. – Ele estava calmo, como se nada daquilo tivesse acontecido. Sério, que família esquisita! Mas eu já não tava mais nem aí mesmo então só segui ele.
Felix me levou até o resto da casa e me indicou todos os lugares existentes ali de uma forma muito atenciosa e isso foi muito esquisito, mas eu preferi pensar só que ele preferiu parar de me irritar para poder acabar logo com aquilo e não ter mais que olhar na minha cara.
— Ah é! Tem um lugar lá embaixo que eu acho que você ainda não viu! – Ele falou.
— Onde?
— Vem! – Ele nem respondeu minha pergunta, só saiu andando rápido e eu tive que seguir sem contestar. – Aqui! – Disse quando chegamos.
— Mas... – Eu encarei a porta. – Esse é o armário de limpeza! A Natalie já me trouxe aqui!
— Ah, acho que você se confundiu! Esse não é o armário de limpeza! Dê uma olhada! – Ele falou abrindo a porta. Eu me inclinei um pouco para dentro pra olhar, por que sou curiosa.
— Ei! É sim! Olha só- Eu fui interrompida por um forte empurrão nas minhas costas, cai sentada dentro do armário de limpeza. – Mas o que- A porta foi fechada. – Ei! – Gritei. – Ouvi o barulho da tranca. – Felix! Não tem graça! Abre essa porra!
— Ah Senhorita Vira-lata você ainda não entendeu? – Ele perguntou ironicamente, do outro lado da porta. — Eu vou repetir pra você então: empregado nenhum manda em mim.
— Felix! – Eu gritei. – Abre essa porta desgraçado! – Eu soquei a porta com muita raiva, minha cara provavelmente estava vermelha, não sei direito por que lá dentro estava totalmente escuro.
— Ah eu adoraria ficar aqui e te ouvir gritar o dia inteiro, mas eu tenho mais o que fazer. Adeus. – Ele falou dando uma risada debochada eu comecei a ouvir sons de passos.
— ESPERA!
— Porque deveria? – Ele perguntou. – Ah você vai me pedir de novo para abrir não é? Eu já te antecipo que vou fazer isso.
—Mesmo?
— Não. – Ele riu alto. – Divirta-se aí dentro com os ratos.
— AH SEU- Eu soquei a porta.
— Opa cuidado com o que vai dizer! Isso lá é vocabulário de uma dama. – Ele me repreendeu. – Ah esqueci, você não é uma então pode falar o que quiser.
Eu soquei a porta repetidas vezes com muita, muita força e gritei até minha garganta começar a doer, mas não adiantava. Ele já tinha ido. Mas que playboyzinho filho da puta! Eu ainda não estava acreditando que ele me trancou ali! Soquei a porta de novo.
— Tem alguém aí? – Ouvi uma voz perguntar.
— Sim!
Então a porta foi aberta por uma outra empregada. Ela perguntou o que tinha acontecido e eu expliquei e disse que ia contar para a senhora Agreste, mas ela disse que era melhor eu não fazer isso por que o Felix podia acabar fazendo parecer que a culpa era minha. Eu não entendi, mas ela explicou que quando o Felix era pequeno ele adorava fazer isso de pregar peças nos funcionários da casa e depois fingia para os pais que a culpa não era dele e que os funcionários que tinham feito alguma coisa com ele e as pessoas eram demitidas e ele saia impune.
— Mas isso já tinha parado faz muito tempo! Achei que agora que ele já tá velho essas coisas iam parar! – A senhora falou. – Bom como eu disse é melhor deixar pra lá mocinha. Agora vem comigo que estávamos mesmo precisando de ajuda na cozinha pra fazer o almoço!
Eu só segui ela calada e fui para a cozinha ajudar as outras. Enquanto trabalhávamos ali conversávamos e todas pareciam ter gostado de mim. Eu estava conversando coisas aleatórias enquanto arrumava a mesa junto com uma mulher chamada Marlena Césaire quando acabamos começando a falar de alguma forma de escolas e ela me contou que a filha dela era bolsista em uma escola particular muito importante, a François Dupont, e que também morava lá no Morro do Milagre. Ela ficou me falando da tal escola e eu me interessei mesmo no lugar, parecia uma escola muito boa para a Mari! Eu ia dar um jeito de colocar ela lá! Depois de arrumarmos a mesa esperamos os patrões chegarem. Algum pouco tempo depois todos estavam ali: a senhora Agreste, seu marido Gabriel Agreste, o filho mais novo Adrien e...
— Onde está o Felix? – O senhor Agreste perguntou sério para a secretaria.
— Ah, ele deve estar no quarto senhor. Vou já chama-lo. – A mulher falou rapidamente e saiu em disparada para o quarto do garoto, o senhor Agreste parecia intimidar todos ali a ponto de ninguém questiona-lo.
— Ah, certo. Vamos nos servir então? – A senhora Agreste pareceu tentar aliviar o clima tenso ali.
— Sim. – Gabriel olhou na direção onde eu e Marlena estávamos. Nós, em silencio, começamos a servir eles. Pois é rico tem essa mania esquisita de que não pode servir a si mesmo, deve que a mão deles cai se eles fizer isso.
Quando terminamos de servi-los Natalie chegou avisando que Felix não iria descer por que estava sem fome, noticia que eu amei porque não tava nem um pouco a fim de servir aquele babaca mesmo. Depois de um tempinho eu fiquei responsável por lavar as louças enquanto as outras limpavam os quartos lá em cima, ou seja, eu estava sozinha aqui na parte de baixo dessa mansão gigante que pra mim parece casarão de filme de terror de tão silenciosa e bizarra. Sei lá esse lugar tem um clima muito esquisito, tipo meio tenso sei lá. Eu tinha finalmente terminado de secar tudo e guardar, ia tirar um momentinho pra descansar, mas aí eu percebi que tinha uma faca na pia que eu ainda não tinha lavado então fui pegar ela. Nesse exato momento que eu tava lavando a faca eu senti uma mão gélida tocar no meu braço e dei um gritinho muito micoso e virei pra trás de tão desesperada apontando a faca para seja lá o que for.
— Uh, por acaso você queria me matar pelo que eu fiz mais cedo? – Era Felix, com aquela cara séria dele. Ele retirou a faca da minha mão e colocou de volta na pia. – De qualquer forma eu não ligo pra isso. – Ele falou.
— Uh, você quer alguma coisa? – Eu cruzei os braços perguntando.
— Sim. Venha me servir.
— Ah qual é! Você não tinha dito que não estava com fome? – Eu resmunguei.
— Eu estava sem fome naquela hora, agora você vai ter que me servir. – Ele deu um sorriso de deboche.
— A comida já está fria. – Eu avisei.
— Eu não ligo. – Ele falou saindo da cozinha indo em direção á sala de jantar. Pra falar a verdade ele tinha a maior cara de que ligava sim para se a comida estava fria, quente, ou qualquer frescura, eu sabia muito bem que ele só estava fazendo aquilo para eu ter que servir ele. C-a-r-a c-h-a-t-o!
Enfim eu fui até ele e o servi normalmente, assim como tinha servido todos os outros ali. Fiquei esperando ele começar a comer e terminar para eu poder recolher a louça e ir lavar, mas ele nada fez a não ser ficar parado olhando pra minha cara.
— Pode fazer um suco?- Ele perguntou com o maior tom de sarcasmo. Ele só podia estar testando a minha paciência.
Respirei fundo.
— Tá. – Sai e fiz a porcaria do suco na maior velocidade e trouxe a jarra e um copo, antes de poder sequer coloca-los na mesa ele já falou.
— Eu não gosto de laranja.
— O que? – Eu perguntei abismada. Ele tinha me feito fazer aquele suco a toa?
— Faz outro.
— Tá legal, do que você quer? – Eu perguntei irritada.
— Morango. – Ele disse voltando a ficar sério. Eu assenti e fui pra cozinha, guardei o suco de laranja e fiz um de morango, voltei já sem paciência e coloquei a jarra na mesa. – Eu tenho alergia a morangos sabia?
— Mas foi você que pediu!
— Você perguntou o que eu queria e não o que eu podia tomar!
— Você age como um pirralho de cinco anos! Isso é insuportável! – Eu falei rangendo os dentes.
— E você, pelo menos que eu saiba, deveria agir como uma empregada. – Sorriu de canto. – A proposito, eu tô sem fome sim. – Ele disse simplesmente e saiu indo na direção do segundo andar. Eu olhei para o prato dele e estava intocado. Meu rosto ficou vermelho de raiva na hora, eu queria muito mesmo ter pegado aquela faca lá na pia e jogado na cabeça dele, mas suponho que não seja muito bom para o meu currículo dizer que eu matei um dos meus patrões no meu primeiro dia de trabalho na casa deles. Fui arrumar tudo àquilo que eu tinha feito à toa para o senhor loirinho de farmácia e terminar os meus serviços na cozinha finalmente. Depois fui para a área de serviço junto de duas senhoras que já trabalhavam ali a um certo tempo. Elas me explicaram todas as exigências que o senhor Agreste tinha com as roupas da família, por aquelas peças serem coisa muito chique e delicada. Ficamos o restante do dia todo á disposição das roupas caras deles, felizmente eu não tive nenhuma interrupção por parte de Felix Agreste naquele período. Depois de terminar de passar elas e dobrar, eu me ofereci para guardar tudo sozinha no lugar das senhoras, que pelo que parecia estavam muito mais cansadas que eu. Então eu fui subindo àquela escadaria gigante levando um cesto de roupas limpas por vez e guardando tudo. No ultimo cesto eu me encontrei com a infeliz criatura loira rabugenta, Felix Agreste, que simplesmente colocou o pé no meu caminho e me fez tropeçar deixando todas as roupas que estavam lindinhas, dobradinhas e empilhadas caírem direto no chão fazendo elas todas se espalharem e desdobrarem. Além de eu ficar caída no chão com a maior cara de idiota. Eu não consegui me aguentar mais por um segundo, me levantei e pisei duro no chão encarando o loiro que permanecia com o rosto neutro.
— QUAL É O SEU PROBLEMA? ATRAPALHAR A MINHA VIDA TE FAZ FELIZ? – Eu acabei por gritar.
— Exatamente senhorita vira-lata. – Ele falou dando um enorme sorriso de sarcasmo. – Suponho que vai pedir a demissão depois de hoje, não é? Bom que pena, eu adoraria te irritar pelo resto da sua vidinha miserável de empregada. Bem, até nunca mais então! — E depois de falar isso ele saiu me deixando sozinha com uma pilha de roupas espalhadas pelo chão do corredor, essas roupas inclusive que eu teria de dobrar todas sozinha e guardar, o que atrasaria a minha chegada em casa. Eu estava extremamente puta da vida. Aquele cara tinha mexido comigo, me provocado, me trancado em um quarto escuro, me feito de trouxa, me xingado, me humilhado, e tudo isso na merda do meu primeiro dia de trabalho ali! Nesse momento eu tomei uma decisão que qualquer um pode chamar de idiota e infantil, mas eu não me importo: eu iria ficar trabalhando ali pra dar o troco. Estava cansada de só ser humilhada pela vida.
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