Padfoot: Um Prisioneiro De Azkaban

2 Expresso de Hogwarts, Plataforma 9 3/4


1 de Setembro de 1971

Meus pais me levaram até a estação de trem às dez e meia, 11 de setembro. Os trens de King's Cross eram grandes, mas cheio de trouxas e aparentemente não tem lugar suficiente para uma escola como Hogwarts, de acordo com o que meus pais falaram. Quando chegamos lá, carreguei minha mala de couro (sem saber exatamente qual animal, poderia até ser de trasgo).

Nós, junto com Régulo, fomos até as plataformas 7-10. Parei. Soube, pelo que meus pais disseram, que era na plataforma 9¾. Contei com os olhos: 8, 9, 10. Trouxas circulavam o local, até que vi que em alguns momentos pessoas passavam pelo arco de tijolo que separava a 9 da 10. Esperava ver-lhes do outro lado do arco, porém não voltavam. Poucos trouxas passavam, o fato que depois percebi o porquê.

—Venha logo, Sirius!- minha mãe berrou, como de costume. -Não temos o dia todo!

—Estou indo!- levo a mala até eles, correndo. Quando chegamos até a estação, vi outros bruxos na nossa frente. Os pais do garoto (da minha idade), carregavam a mala, deram-na ao menino e disseram:

—Você terá que atravessar, Tiago!- disse o pai. -Em um instante, vai estar na plataforma 9¾, a direita. Só precisará ir correndo. Vamos lá!

O garoto, Tiago, correu até a parede de tijolos, e com um leve movimento, sumiu. Arregalei os olhos. Isso explicava o ¾. Dois trouxas chegaram passando, pararam e perguntaram:

—Vocês são bruxos!- a mulher afirmou. Os trouxas vinham acompanhados de duas garotas, uma de cabelos ruivos, e notáveis, porém bonitos, olhos amendoados sensacionalmente verdes. Ela parecia curiosa e ao mesmo tempo amedrontada, uma pitada de vergonha, por nenhum motivo. Talvez um, pensei. Ela é filha de trouxas no meio de bruxos.

—Podem nos dizer como chegar à plataforma 9 ¾?- perguntou o pai. -A pequena Lílian também está indo a Hogwarts.

Eu até iria responder, porém minha mãe respondeu primeiro. E não a resposta correta.

—Trouxas!- disse minha mãe. Logo após o nome, tanto Lílian quanto seus pais se envergonharam, já a outra garota mostrou a língua e se afastou. Olharam feio para meus pais e se afastaram. E minha mãe ainda completou: -Que escola deveria aceitar sangues-ruins cegos como esses? Ultraje!

Continuamos a ir na direção do arco 9/10. Vejo Lílian ir perguntar a outro garoto, um de cabelos lisos e negros, olhos também negros. Ele, ao contrário da minha família, parecia que já conhecia Lílian, e explicou-lhes o que fazer.

—Acho que não precisamos lhe dizer como ir até a plataforma, não é?- disse minha mãe com desgosto. Afirmei com a cabeça, e levo minha mala até um ponto.

Após passarem alguns trouxas, corri o mais rápido o possível, quão rápido melhor.

Senti a mala ganhar velocidade, eu junto, avançamos até a parede. Neste momento quase parei. Os tijolos foram contra a minha cabeça, alcançando a ponta da mala e... desapareceram. Vi uma nova plataforma erguer, uma maior e menos clareada. Ao contrário das plataformas 9 e 10, aquela só prevalecia bruxos, carregando todos os tipos de animais. Corujas, morcegos, ratos, gatos, e até esquilos de cor azulada.

Vejo Lílian outra vez, assim como o garoto de cabelos negros e sua cópia exata, porém mãe.

Lílian discutia com sua irmã, que deve não ser bruxa. Tiago já entrava no trem. Me apressei para alcançá-lo. Subo as escadinhas do trem e entro no compartimento do tal Tiago.

—Oi.- ele fala. -Primeira vez em Hogwarts, não é?

—É- respondo. -Meus pais estão me mandando para lá.

—Pelo que meus pais disseram, é um lugar incrível.- ele sorriu. -Sou Tiago. Tiago Potter.

—Sirius. Sirius Black.

—Legal te conhecer.- ele terminou a conversa, perguntando: -Quer ficar nessa cabine? Cabe mais um.

Depois de um tempo, outros dois entraram na cabine. A tal de Lílian e o garoto de cabelos negros. Colocaram suas malas e continuaram suas conversas.

Não tínhamos nenhum interesse de ouvir, eu e Tiago ficamos conversando sobre coisas bruxas, como quadribol e feitiços. Nenhum de nós tinha executado um antes, porém nós já havíamos tido as revelações de magia, comentei o fato do elfo doméstico Monstro e ele riu. Disse que não tinha elfo doméstico, seus pais usavam magia nas tarefas domésticas e não suportavam a ideia de escravização.

Num momento, Tiago olhou o horizonte e decidiu que era melhor trocar de roupa. Tiramos as vestes de trouxas e vestimos os uniformes. Quando voltamos até o compartimento, Lílian chorava. Sentamos nos assentos e continuamos a conversar sobre assuntos diversos. O menino Severo também entrou no compartimento e tentou animar a garota.

Porém, depois de algum tempo, o Severo exclamou:

—É melhor você entrar pra Sonserina.- ele disse, animando a garota, que já não chorava mais.

—Sonserina?- intrometeu-se Tiago, olhando para o lado ao ouvir aquele nome.

Tiago continuou: -Quem quer ir para a Sonserina? Acho que eu desistiria da escola, você não?- perguntou a mim.

Não ri. Ao invés, comentei, sem graça:

—Toda a minha família foi da Sonserina.

—Caramba!- ele replicou. -, e eu pensei que você fosse legal!

Eu ri, um pouco descepicionado com os ramos da minha família.

—Talvez eu quebre a tradição.- disse, realmente pensando nessa opção. Minha família já me odeia, por que mais? -Para qual você iria se pudesse escolher?

Tiago movimentou a mão, fingindo erguer uma espada invisível.

—"Grifinória, a morada dos destemidos!"- e completou: -Como o meu pai.

Snape riu silenciosamente. Tiago olhou para ele.

—Algum problema?

—Não- respondeu Snape, embora ainda com tom de deboche. -Se você prefere ter mais músculo do que cérebro...

Entrei em cena. Não gosto dessa Sonserina, e como Severo era provava que a Sonserina não era meu lugar. Então disse:

—E para onde está esperando ir, uma vez que não tem nenhum dos dois?

Tiago riu desesperadamente. Também gozei do momento, sorrindo de modo maroto. Porém Lílian não gostou do comentário. Ela olhou de mim para Tiago, e ruborizada, disse:

—Vamos, Severo, vamos procurar outro compartimento.

—Oooooo...

Eu e Tiago imitamos o tom de Lílian; Tiago pôs o pé na saída, na tentativa de fazer Snape tropeçar.

—A gente se vê, Ranhoso!- apelidou-lhe Tiago quando a porta do compartimento bateu.

—Ele é um cara de pau, né?- comentei.

—A garota é meio esquentadinha também. Mas deve ser legal.

—Ranhoso?- disse, lembrando o apelido que dera.

—Combina, não é?- rimos até a moça dos docinhos chegar.

Enquanto comíamos os feijõezinhos, aparentemente de todos os sabores, conseguíamos ver Hogwarts no horizonte. Todas as torres e janelas, uma vista bonita. Eu a veria tantas vezes, ainda assim daria saudades.

O trem parou e desembarcamos. Nos carregaram pelos barcos, magicamente flutuavam pela água. Hogwarts crescia, saía do horizonte. Era imensa, onde eu, pela primeira vez, me senti em casa.

Notas finais
Gostaram??? Então recomendem!!!