Padfoot: Um Prisioneiro De Azkaban
3 A Canção e Profecia do Chapéu Seletor
Notas iniciais
Desembarcamos, os vários estudantes tropeçando para fora de seu barco, mas os professores já haviam se prevenido para os acidentes. Com apenas um movimento das varinhas, as malas e o aluno flutuavam de volta à calçada, são e salvo e sem se molhar. Ninguém parecia preocupado, mas como alguém poderia, com essa visão?
Era magnifico.
Tiago também olhava maravilhado. Junto a mim e Tiago vinha outro garoto, pálido e quieto, como se nós não estivéssemos lá, apenas ele e Hogwarts. Outro barco passou a nossa frente, iluminando o rosto do garoto. Percebi algumas cicatrizes em sua face, fazendo-o parecer um psicopata bruxo. Mas seu olhar também carregava a fascinação ao ver o castelo. Talvez tivesse consciência, pensei.
—É bem maior que a versão que meu pai me contou.- comentou Tiago. -E bem mais bonita também.
Minha família nunca falava sobre como era Hogwarts comigo, porém sempre que tinham chance se vangloriavam com Sonserina. Senti medo crescer. Estava eu destinado a ir para essa casa?
—Meu pai disse que aqui seria o lugar mais seguro.-comentou o garoto, finalmente.
—Seguro para o que?- perguntei. Ele não respondeu imediatamente, mas depois de um tempo falou:
—Para tudo. Qualquer ocasião.
Talvez o garoto conversasse, pensei. Então procurei alongar nossa conversa:
—Qual é o seu nome, caladão?
—Lupin. Remo Lupin.-ele respondeu, quase inaudível.
—Sirius.- evitei dizer meu sobrenome. Estendi a mão, sugerindo um aperto conjunto, mas o garoto não moveu.
—Tudo ótimo, Remo, Sirius, vamos chegar daqui a pouco.-Tiago entrou na conversa.
—Me chame de Lupin.-exigiu o garoto.
Não prestei muita atenção, pois logo senti algo passar por baixo de nós. Num instante estava olhando para a água negra do lago, tentando sem sucesso saber o que tinha movido, lá embaixo, nas profundezas.
Pensar nisso me trouxe ânsia. Me afastei da beirada do barco, quase imaginando que o que senti não havia realmente acontecido.
Talvez nem lembrasse disso mais, se o outro barco não quebrasse repentinamente. O casco estava afundando, o único garoto presente no barco se desesperava, afastando da água o quanto podia. Nosso barco passava perto, então gritei para o garoto.
—Pule!
E é isso que ele fez, pulando do próprio barco para o nosso. Ao atingir, nosso barco perde um pouco o equilíbrio, mas depois volta a navegar.
—Nossa.- ele falou rapidamente, com os pulmões cheios. -Essa foi por pouco. Muito pouco. Se vocês não tivessem chegado, se não, ai caramba, o que seria de mim? Meu Deus, ainda bem...
—Calma, cara.- tento fazer ele respirar. -Qual é o seu nome?
—É... Espera... Pedro.- ele finalmente acalma. -Pedro Pettigrew. Ah! Você é o garoto que estava dormindo na minha cabine, não é?
Ele aponta para Lupin. Mas ele não o responde.
Então nós quatro desembarcamos, andando até as portas de Hogwarts.
Portas, não. Portões. A entrada de Hogwarts era imensa, com portas pesadas e protegidas com trancas inumeráveis.
Nunca irei esquecer a primeira vez que passei por essas portas.
Os alunos do primeiro ano caminhavam apressadamente. Os professores tentavam organizar, sem sucesso, as pessoas que passavam pela escada.
Uma professora nos parou acerca da porta do salão principal. Era uma mulher com cabelos ruivos e usava óculos redondos. Ela abriu um pergaminho, e leu em voz alta:
—Alunos do primeiro ano, eu sou a professora Minerva. Serei a professora de transfiguração esse ano. Mas vocês não estão aqui para minhas aulas... não agora.- ela sorriu. -Vamos nomear vocês para suas casas. Nelas vocês irão permanecer pelo resto da carreira de vocês na escola. As casas são Grifinória, Sonserina, Lufa-Lufa e Corvinal. Ao passarem pela porta, serão escolhidos pelo chapéu seletor. Acho que a canção dele explicará melhor as casas.
Tirou da cabeça, então, um chapéu velho da cabeça. Todos olharam para o chapéu, então também o fiz, e então os rasgos e dobraduras do chapéu aprofundaram e moveram, e uma voz grossa ecoou no corredor.
Entre seus passos sinto sabedoria decadente.
Um desses aluados sofre de mágoa diferente,
Outro deles não sabe que o medo o consumirá,
Outro não sabe que um dos mais próximos amigos o trairá
E outro deles, infortuno, acusado falsamente será.
Traído e frágil, se sacrificará,
Pela única família que lhe restará.
—Chapéu!- Profa. Minerva exclamou. -Não foi isso que nós combinamos!
—Eu canto por gerações, mas não foi para isso que fui criado!
No Salão, a voz de um homem chamou:
—Vamos receber, agora, os novos alunos de Hogwarts!
A porta do Salão abriu, e nós começamos a andar, sem me dar tempo de imaginar se a canção do Chapéu se referia a mim.
Mas para o que ele fora criado?
Nós avançamos para o corredor entre as mesas, e paramos na frente do Diretor da escola, um homem de barba um tanto grande e com cabelo branco curto. Usava óclinhos meia-lua, e começou a chamar, um por um, para ser designado para as casas.
—Malfoy, Lúcio!
O garoto de cabelos loiros grandes se apressou até a cadeira, sentou-se e Minerva colocou o chapéu em sua cabeça. o garoto parecia ansioso.
—Sonserina!
Ele comemorou e quase saltou da cadeira. Após isso se dirigiu até a mesa do canto esquerdo, da Sonserina.
—Bones, Edipo!
O garoto saiu do amontoado de alunos, sentou e esperou. O chapéu demorou um pouco mais para escolher.
—Lufa-Lufa!
—Belona, Encantrix!
Ela encaminhou-se até a cadeira.
—Grifinória!
A mesa da Grifinória vangloriou e berrou. No momento, Tiago fez o mesmo.
Tiago urrou novamente a meu lado. A mesa da Grifinória também comemorou.
Mais nomes foram chamados. Narcisa Black, minha prima, me observa da mesa da Sonserina. Tinha esquecido quantos parentes meus estavam lá. Me vigiando. Que escolha eu teria?
Então chegou minha vez.
—Black, Sirius!- anunciou Profa. Minerva. Caminhei até ela, sentindo vergonha. Tinha feito amigos. Mas o que minha família faria se soubesse que... que estava indo para Grifinória?
Sentei na cadeira e dei um suspiro forte. Não iria decidir. Minerva colocou o chapéu na minha cabeça, e pensei:
Decida para mim, Chapéu.
Sua decisão nas minhas mãos, Black? Sabe onde iria te colocar?
Não iria dizer "Sonserina não", iria parecer que não era decisão do chapéu. Sem medo, deixei ele fazer a escolha.
—Grifinória!
Tento evitar o sorriso, mas não consigo. Salto da cadeira, e me encaminho até a mesa da Grifinória. Eles me cumprimentam com apertos de mão.
–Evans, Lílian!
Ela se adiantou na cadeirinha. Achava que logo iria se juntar a Sonserina. Mas não.
—Grifinória!
Snape suspirou.
Abri espaço para ela se sentar. Ela me reconeceu do trem, sentou, mas me deu as costas. Da mesa da Sonserina, Narcisa me observava.
–Pettigrew, Peter!
Ele saiu lentamente, roendo as unhas de medo. Me lembrou um rato. Sentou e esperou, evitando olhar para as mesas. O chapéu seletor demorou, mas então fez sua decisão final.
—Grifinória!
—Lupin, Remo!
O garoto calado moveu até a cadeira com rapidez estranha.
—Grifinória!
Outros nomes foram chamados.
—Potter, Tiago!
Meu amigo passou a subir na cadeira. Ele parecia calmo.
—Grifinória!
—Malfoy, Lúcio!
O garoto de cabelos loiros grandes se apressou até a cadeira, sentou-se e Minerva colocou o chapéu em sua cabeça. o garoto parecia ansioso.
—Sonserina!
Ele comemorou e quase saltou da cadeira. Após isso se dirigiu até a mesa do canto esquerdo, da Sonserina.
—Snape, Severus!
O garoto do trem foi até a cadeira. Não me surpreendi quando o chapéu anúnciou:
—Sonserina!
Ele também comemorou, mas talvez não estava tão alegre. Algo não tinha ido como ele queria.
E esse algo era Lílian.
Fale com o autor